Almas-Vagantes

4 Capitulo IV - Bem Vindo a Sky Gray City -


Notas iniciais
“Ao chegarem a sua nova cidade, a família Riddle recebe um aviso subjetivo que não é percebido. Um acidente e um pesadelo. Seriam maus presságios? Mas nada parecia estar errado. Peter conhece Varleny a beira de uma ponte. Mal a conhece e vê sua morte. Perturbado pelo fantasma de Varleny decide presenciar a morte novamente. Adentra sua casa que se encontra ensanguentada. O primeiro andar estava vazio. Mas no segundo andar tinha-se algo de diferente. Todo o segundo andar estava ensanguentado, menos a porta do quarto de Peter. O que os aguarda ao outro lado da porta?”.

As mãos frias de Varleny estavam confortando levemente a Peter. Caminhou até a maçaneta sem receio. Nenhum pensamento ficava na mente de Peter mais que um breve segundo. Não estava agindo por razão. Estava sendo controlado como uma marionete pelas mãos incontroláveis da emoção. Colocou sua mão a maçaneta junto às mãos gélidas do fantasma de Varleny. Seria o fantasma de Varleny uma ilusão?

Com os olhos trêmulos e pernas bambas como pernas de cadeira despregadas. Girou a maçaneta. O que encontrou ao outro lado da porta?

MORTE!

O único medo em vida de Peter era encontrar-se com a morte. Seja de parentes, seja de amigos. Mas esse medo logo se realizou. Os cadáveres de seus pais estavam sobre a cama de Peter, deitados um ao lado do outro. Alguém havia os matado e os colocado ali, intencionalmente. Nicolas estava vestindo um smoking negro com uma camisa vermelha por baixo e uma gravata preta. Marta estava vestindo um vestido negro com bordados de rosas vermelhas e babados nas bordas. Haviam vestido eles após serem mortos. Ao redor da cama estavam dispostas ao chão diversas rosas vermelhas. Acima deles, tinha-se alguma coisa escrita na parede com sangue.

“Welcome to Sky Gray City.”

Caminhou em direção a sua cama para ver seus pais pela última vez. Quando descobriu como eles haviam morrido. Seus pais estavam sem olhos. Ao ver tal coisa, sua mente parece entrar em algum tipo de explosão de melancolia fazendo-o escorregar em uma das rosas que estavam aos seus pés à beira da cama. Em meio às rosas vermelhas adentra em prantos.Não, não, não, não, não, não, nãooooooooo... Pai... Mãe... Não morram... Por favor... Não... Morram... Por... Favor, Grita Peter em meio a lagrimas de angústia e arrependimento. Sua mente se acalma lentamente. Varleny havia desaparecido, mas Peter nem ao menos percebe.

Peter se levanta lentamente e se põe a observar seus pais deitados sobre a cama. Os observa. Os observa. Os observa. Os observa. Os observa sem apresentar feições faciais. Psicoticamente. Lagrimas continuam a escorrer por seu rosto. Todas suas lembranças de seus pais parecem passar diante de seus olhos. Lembrou-se de quando seu pai o ajudou a andar de bicicleta pela primeira vez. De quando sua mãe o ajudava carinhosamente a escrever. De quando seus pais vinham o cobrir durante a noite e disser que amavam-no. De quando assistiam televisão juntos. De quando ele acordava chorando no meio da noite, pois havia tido um de seus pesadelos que assombravam seus sonos de vez em quando, e seus pais se deitavam com ele e o abraçavam até ele dormir novamente.

Peter tratava seus pais com arrogância, pois queria descontar em alguém pelo que faziam a ele na sua antiga escola. Todos os dias, Peter era espancado covardemente. Por simples diversão, talvez. Peter não tinha sequer chance de se defender. O chutavam, pisavam, ofendiam-no, faziam pessoas exclui-lo. O grupo de valentões que batiam em Peter se apoiava no líder, Paolo, que era filho de um membro de uma famosa facção criminosa. Todos obedeciam Paolo por interesse, pois ele dava dinheiro a quem o obedecesse. Mas Peter parecia o interessar por algum motivo, para seu azar. Peter era sempre seu alvo número um.

Peter usava casacos para esconder os vergões que resultavam. Nicolas vivia perguntando a Peter o motivo de ele estar usando casacos a todo o momento, mas Peter não dava respostas plausíveis para impedir que Nicolas percebe-se que Peter estava escondendo algo.Nicolas trabalhava de detetive na delegacia da cidade, daí vinha sua habilidade de perceber mentiras onde ninguém percebia. Ele já havia visto relatórios sobre a facção criminosa que o pai de Paolo era membro. Já havia visto até Paolo e seu pai em fotos.

Desconfiado de Peter estar sofrendo Bullying. Decidiu pela primeira vez em anos, buscar Peter na hora. Ficou esperando-o a duas esquinas da escola, meia hora antes de soar o sinal de saída. Foi quando presenciou seu próprio filho ser espancado diante de seus olhos. Mas não poderia fazer nada, pois Paolo estava dentre os agressores. Se ele denunciasse Paolo e seus companheiros somente teriam que pagar cesta básica, isso criaria para si inimizade com o pai de Paolo que matava por muito menos. Decidiu mudar-se de cidade, afinal não poderia enfrentar um membro de facção de criminosa sem se prejudicar de algum modo. E não poderia transferir Peter de escola, já que moravam em uma cidade do interior e só havia uma escola de ensino médio. Vendeu sua casa e comprou a primeira casa que achou nos classificados do jornal.

“Vende-se casa belíssima por preço baixo.

Com três quartos, suíte, sala, cozinha e banheiro.

Localização: Rua gramados cinzentos, n° 11, Bairro das nuvens, Sky Gray city.

Numero de contato: 666-999

Ligue somente os realmente interessados.”

Este anúncio estava nos classificados por anos, mas nunca ninguém demostrou interesse em comprar. Quando Nicolas ligou ao anunciante demostrando interesse. O anunciante pareceu implorar para que Nicolas comprasse-a e vendeu a casa pelo menor preço que poderia. Nicolas estranhou tamanha vontade de vender a casa, mas não poderia dispensar tal chance. Jamais encontraria outra casa tão barata em sua vida. Comprou-a. Mas jamais poderia imaginar o que lhe esperava na sua nova casa.

A morte aguardava-o.

Peter observou seus pais por horas a fio. Psicoticamente sem reação. O eclipse deu-se por terminado. O céu parou de apresentar estrelas com escuridão e começou a mostrar nuvens violetas com fundo laranja. A luz do sol do fim daquela tarde invadiu pela janela do quarto de Peter e iluminou levemente o quarto com a cor laranja. O que estaria acontecendo com a mente de Peter?

A mente de Peter parecia uma espiral de memórias. As memórias de seus pais pareciam estar sendo descartadas uma a uma. E sendo substituídas por insanidade. A única memória que parecia estar mais evidente e que não tinha chance de ser deletada, era a memória da morte de Varleny. Parecia um processo de limpeza de disco comum a computadores, mas nos neurônios de Peter.

Os olhos de Peter olhavam frenéticos para todos os lados. A insanidade estava quase o consumindo por completo quando o fantasma de Varleny reaparece, Atravessando a janela de vidro como os feixes luz do sol atravessavam-na. Varleny parece estar sorrindo, mas talvez não estivesse. Varleny caminha até a frente de Peter e o diz:

— Peter... Você está bem?

Peter não a responde. Sequer estava escutando-a. Somente seu subconsciente havia prestado atenção às palavras de Varleny. Lágrimas sequer escorriam pelo rosto de Peter. Ele sequer continha emoções ou sentimentos para fazer-lhe chorar. A única coisa que a mente de Peter continha naquele momento era escuridão. Embora não parecesse, a coisa mais preciosa para Peter era seus pais. Duas cenas de mortes de pessoas queridas no mesmo dia deixaria qualquer ser humano normal em meio a prantos e passível a insanidade.

Varleny vendo a expressão assombrosa que o rosto de Peter apresentava, sentiu-se comovida e abraçou-o chorando. Uma leve faísca de sanidade surgiu na mente de Peter. Fazendo com que Peter volta-se a si. A primeira coisa que sentiu ao sair do estado de insanidade que se encontrava foi o gélido abraço de Varleny.

— Desculpe... Varleny... – Diz Peter com voz rouca e fraca.

Varleny abraça-o mais forte e começa a chorar mais intensamente.

— Peter... Você está... Bem? – Diz Varleny com tom de choro.

— Estou... Por que não estaria?

Varleny fica com medo de tal resposta.

— Como assim... Seus pais não morreram? – Diz Varleny preocupada.

— Morreram, mas quem disse que eu deveria ficar me matando de tristeza e melancolia. Isso é contraproducente. Tenho coisas mais importantes para fazer do que ficar aqui em meio a prantos por alguém que já morreu e não voltará.

— Não está triste?

— Não... Mas por que isso importa?

Varleny se cala. Peter a empurra e diz:

— Por que estava me abraçando? Não me lembro de ter pedido...

Varleny fica entristecida.

— Desculpe-me... Pensei que você iria gostar...

— Se enganou... Aliás, o que é você? Um fruto da minha imaginação?

— Garanto-lhe que não sou sua imaginação...

— Deixe... Isso não importa...

A noite chega e o quarto se escurece. Peter caminha em direção à cama e joga de um salto ao meio dos cadáveres de seus pais. E boceja.

— Quem é você? – Diz Varleny entristecida com a mudança súbita de Peter.

Peter gargalha e não a responde. Virou-se de costas a ela. Abraçou o cadáver de sua mãe e disse:

— Boa noite mamãe... Boa noite Papai...

E caiu no sono ignorando as outras diversas frases que Varleny disse.

Aquele certamente não era o Peterson normal. Era alguém insensível. Peter havia saído da insanidade com um grande preço. Perdeu as emoções e sentimentos bondosos. Somente sobraram sentimentos maléficos. A parte do córtex cerebral de Peter responsável por julgar algo como certo e errado e a parte responsável pelas memórias e sentimentos felizes, haviam sido desativadas. Peter passou a não se importar com nada além dele mesmo.

Peter se tornará num psicopata.

O fato de seus pais terem sido assassinados não o comovia em nada. Humanos morrem a todo o momento, aconteceu somente de os humanos a morrer dessa vez serem meus queridinhos pais, Pensou Peter friamente. As cenas extremamente perturbadoras que Peter presenciou, transformou-o em um psicopata. Visões sangrentas não perturbavam mais sua mente, ao contrário disso, pareciam-lhe agradáveis. Seria isto um modo que a mente de Peter encontrou de manter-se com sanidade?

Um psicopata não é um louco, já que um louco não contém mais sanidade, e um psicopata contém sanidade, mas ele simplesmente se vê como certo em tudo que faz, seja certo ou errado, seja ajudando ou matando.

Peter acordou no outro dia aparentemente risonho. Levantou-se do meio dos cadáveres de seus pais com um sorriso assustador e caminhou pelo corredor do segundo andar até o a escadaria. O fato de a casa estar toda ensanguentada não o perturbava, aliás, nada mais conseguiria perturba-lo. Foi até o banheiro que ficava no primeiro andar. E escovou os dentes cantarolandoYou are my sunshine. Uma canção que a mãe de Peter cantava a ele toda vez em que ele estava entristecido. Mas Peter não estava cantando a si mesmo porque estava triste, mas sim porque esta música era sua favorita e inspirava-o.

Você é meu raio de sol.

Meu único raio de sol

Você me faz feliz

Quando o céu esta nublado

Você nunca saberá, querida.

O quanto eu te amo

Por favor, não leve embora meu raio de sol…”

Observou seu próprio reflexo no espelho cantando por um tempo. E embora a luz do banheiro estivesse ligada. Logo ao fim da canção que cantava, surgiu-se uma sombra a suas costas. Peter olhou para trás, mas nada viu.Ilusão de ótica, pensou. Eis que a sombra se materializou em uma criatura assustadoramente tenebrosa. Com uma cabeça redonda enorme que continha três rostos em um só e um sorriso com sangue negro. Além disso, os cabelos negros da criatura pareciam ter sido parcialmente arrancados à força ou pela própria criatura, resultando em feridas ensanguentadas sobre o couro cabeludo. Peter observa-a sem apresentar medo.

— O que quer? Maldita. – Diz Peter com tom sombrio.

A criatura que estava atrás de Peter é nomeada de Faminta. Uma criatura tenebrosa da qual ninguém conhece o verdadeiro rosto e que somente se apresenta a pessoas que tiveram suas famílias violentamente mortas. O objetivo de uma faminta é transplantar o rosto dos entes queridos mortos dessas pessoas. Somente três rostos diferentes podem ser transplantados com perfeição na face de uma faminta. Os rostos são periodicamente substituídos. Sendo que os rostos que foram substituídos por novos e rostos que a faminta ache bonitos, são imediatamente devorados.Mas pela possibilidade de humanos dominarem-nas por meio de técnicas especificas, são também ótimas subordinadas.

A faminta começa a gargalhar freneticamente e lambe o rosto de Peter com uma fúnebre língua verde escamosa com duas pontas. Espalhando uma fedida saliva negra pela bochecha de Peter. Enraivecido por ter tido sua canção interrompida. Ele gargalhou eagarrou a língua da faminta. E a amputou-a com facilidade. Mas a língua da criatura renasce em um piscar de olhos.

— O que você quer? È surda? – Gritou Peter.

Xinga.

— Quero que seu belíssimo rosto tenha um romântico primeiro encontro com meus dentes, mas infelizmente não será possível nessa belíssima manhã... Não gostas de mim? – Diz a criatura com tom meloso.

— De onde veio? Criatura enfermará.

— Não me chamo “Criatura enfermará”, me chamo Isanagi e venho de um mundo onde criaturas como eu são normais e onde seres como você são inferiores.

— Por que me perturba?

— Vim aqui por ordens de meu superior. Ele me ordenou entregar-lhe uma mensagem, “Fostes Selecionado, procure pelo pássaro que chantageava”. Nada mais.

Antes de perguntá-la a que teria sido selecionado, a criatura rapidamente se comprimiu até o tamanho de um grão de areia e desapareceu. Essa maldita interrompeu minha canção, para dizer merda, quando a vir novamente vou expor sua entranhas. Pensou Peter enraivecido pela criatura ter interrompido sua canção.

Sem motivação para continuar sua canção, desistiu e foi vestir-se. Estava realmente motivado a ir à escola por algum motivo.

— Pretende ir à escola? Mas seus pais morreram ontem, não deveria estar em luto? – Diz Varleny.

— Ninguém soube mesmo, além do mais, não tenho a mínima vontade de ficar de luto, nem sequer estou entristecido. Pareço-lhe entristecido? – Responde Peter com arrogância.

— Acho que... Não. – Responde Varleny entristecida com as atitudes frias de Peter, que ficavam cada vez mais frequentes.

— Então cale a boca! fantasma maldito! – Gritou Peter.

Varleny enche os olhos de lágrimas. Ele sequer liga para meus sentimentos... O aconteceu com ele?Eu o amo,se perguntou Varleny. Peter não contém mais seus antigos sentimentos, não contém mais o amor. Pouco antes de ir à escola, Peter foi até seu quarto e beijou a bochecha de seus pais e disse “vou à escola ejá volto tá? Não fiquem preocupados”.

Estaria Peter fingindo que seus pais ainda estavam vivos?

Talvez isso o acalmasse de algum modo. Mas era apenas uma fúnebre ilusão. Peter ficou algum tempo olhando para seus pais. Direto no rosto. Incomodado com algo e após partiu. O que estaria incomodando-o? A falta dos olhos, talvez. A faminta havia feito surgir uma ideia na mente de Peter.

Varleny o seguia a todo lugar que ia. Mesmo ele a xingando e expulsando. Até que Peter percebeu algo. Posso usá-la, pensou. Decidiu não xinga-la mais. Estavam no caminho que levava a Escola Light Of Sky. Embora Varleny agora pertencesse ao mundo dos mortos, ainda assim habitava o mundo dos vivos como um fúnebre fantasma sentimental.Mas por que ela ainda insistia em habitar o mundo dos vivos?

— Desculpe... – Diz Peter falsamente, fazendo Varleny quase chorar de felicidade -... Por ter te tratado mal, você sabe que eu te amo.

Varleny quase morre novamente de tanta felicidade.

— Claro que te perdoo, te amo muito! – Diz Varleny.

Emocionadíssima, Varleny flutua até Peter como um pássaro. E o abraça.

— Pensei que você estava com ódio de mim, por eu ter me suicidado na sua frente e te feito sofrer... Desculpe – Diz Varleny abraçando Peter chorando como um bebê.

— Jamais ficaria com ódio de você. Varleny, por favor, fique ao meu lado até que eu morra e me junte a você no outro mundo – Diz Peter com um sorrisinho maléfico, sendo mais falso que uma bolsa Prada vendida no camelódromo por dez reais.

Peter fez com que ela ficasse ainda mais apaixonada por ele do que estava antes. Mal sabia ele, que tinha acabado de criar uma obsessiva paixão no coração de Varleny.

Chegaram a Light Of Sky. A escola parecia mais agitada que de comum. As pessoas pareciam menos interessadas em Peter. Felizmente. Logo quando acabou de chegar à escola e estava caminhando no pátio do primeiro andar, indo à escadaria que levava ao segundo andar, Rephy o chamou. Peter o ignorou e continuou caminhando. Rephy ficou enraivecido e correu velozmente em direção a Peter, fazendo a sua capa esvoaçar-se. Ajeitou a capa e disse com ódio da insolência de Peter.

— Está surdo? Senhor Peterson

— O QUE DISSE? – Gritou Peter fingindo estar surdo.

Rephy parecia estar explodindo de raiva por dentro ao presenciar tamanha insolência. O segurou pelo braço com raiva e o levou até a sala de aula bufando. Somente largou do braço de Peter a frente da sala.

— Espero que não durma na minha aula... SENÃO, você pode acabar ficando realmente surdo, verme insolente – Disse Rephy intimidativo.

Peter o respondeu com um sorrisinho caçoado e entrou na sala. Rephy se virou e desceu a escadaria xingando. Peter se sentiu satisfeito em ter tirado Rephy do sério, parecia-lhe divertido ver descontrole emocional.

Dessa vez quando entrou na sala. Ninguém parecia interessado nele. De certo não sou mais uma novidade, pensou Peter. Na verdade a atenção de todos estava voltada para outra coisa. Ótimo que não estejam mais interessados em mim, assim realizar o meu objetivo ficará facílimo, pensou Peter se sentando. Varleny que como agora sempre ficará ao lado de Peter, sentou-se no lugar que a pertencia quando viva.

Ninguém parecia conseguir ver o fantasma de Varleny além de Peter. Pois Peter ouviu alguém perguntar a alguém o motivo de Varleny ter faltado.Isso quer disser que somente eu posso vê-la e ouvi-la, que interessante, pensou Peter com ideias maléficas para utilizar-se disso.

A sala de Peter não tinha muitos alunos, somente vinte. A maioria eram alunos ricos e esnobes. Light Of Sky era uma escola particular com poucos alunos pobres, que na sua maioria acabavam por somente cursar o ensino fundamental. A escola não costumava receber alunos novos faziam-se anos. Quando Peter se transferiu. Mas para surpresa de todos, Peter não seria o único aluno novo daquele ano. Um novo aluno acabará de se mudar para cidade e se transferir para Light Of Sky. Este novo aluno se transferiu para escola sem nunca ter estudado em uma escola em toda a sua vida. Ele relatou ter estudado em casa desde criança e que tudo que aprenderá foi seu mestre que ensinou. Obviamente teve que passar por uma prova para medir os seus conhecimentos. E para surpresa da direção e coordenação da escola, o novo aluno continha conhecimentos suficientes para cursar uma faculdade. Mas o aluno insistiu que desejava cursar o ensino médio por completo, quando questionaram o porquê, ele respondeu que queria cursar por simples capricho.

O nome deste aluno novo era Inihs(nome que se deve pronunciar da seguinte maneira “i-ni-ris”).

Boatos de um novo aluno haviam se espalhado. A atenção de todos fora centrada nisso. “Quem seria este novo aluno?”. Era uma pergunta que não queria se calar. Embora satisfeito por não conter mais as atenções de todos para si, sentiu-se um pouco aborrecido. Foi quando escutou duas garotas conversarem, você sabia que esta sala terá mais um aluno novo e pelo o que ouvi, ele deve ser gostoso, Diferente de você-sabe-quem. Ele sabia que estavam falando que ele era mal dotado de beleza, mas pouco ligou. O que mais lhe interessava era conhecer o novo aluno. Mas novamente se lembrou das palavras que escutou no dia anterior, ”... A família dele deve ser louca para se mudar para Sky Gray”.E pensou, se somente loucos se mudam para esta cidade, este novo aluno não deve ser um simples aluno normal.

Ao tocar do sinal, pontualmente, Inihs entrou com seus cabelos azuis claros esvoaçando. Mirou seus olhos incomumente violetas para todos e sorriu. TODAS as garotas da sala ficaram encantadas com o novo aluno. Peter ficou irritado, que cara metido de merda, pensou. Logo atrás dele, entrou o professor Cole carregando uma dezena de livros. Como Cole já sabia que todos da sala já sabiam por meiode boatos, nem se deu ao trabalho de dizer que Inihs era um aluno novo e os outros demais detalhes.

— Por favor, se apresente! – Disse Cole brevemente, colocando os pesados livros empoeirados sobre a sua mesa.

Inihs levantou a mão direita por cima da cabeça, girou o punho, curvou-se em referência e pôs a mão sobre o peito. E disse:

— Podem chamar-me de Inihs! É um prazer conhecê-los! Espero que possamos nos dar bem.

— Fale mais sobre você, Inihs! – Disse Cole respeitoso.

— Perdão! Senhor Cole, mas se alguém estiver realmente interessado em mim, peço que conduza uma conversa formal comigo e descubra sobre mim por conta própria – Respondeu Inihs saindo da posição de referência.

— Tudo bem, Sente-se onde quiser.

Inihs passou os olhos nos rostos de todos os alunos, procurando um rosto que o interessasse, sua procura se interrompeu no rosto de Peter. Manteve os olhos no rosto de Peter enquanto caminhava por dentre as fileiras. Decidiu sentar-se exatamente onde Varleny sentava, coincidentemente. Sentando sobre o corpo fantasmagórico de Varleny, Atravessando-o.

Aparentemente, ela não era fisicamente existente para as demais pessoas. Varleny se levantou por dentre o corpo de Inihs e se sentou sobre a carteira de Peter. Ela o olhou com rosto de espanto e sussurrou, esse cara parecia que estava me encarando diretamente nos olhos, fiquei até assustada. Peter teve certeza.

Inihs havia lhe dado uma piscadela sugestiva com o olho direito antes de se sentar no antigo lugar de Varleny.

Notas finais
“Varleny se tornará numa criatura fantasmagórica. Guiada por uma paixão obsessiva por Peter, que não existia em Varleny antes de sua morte, ela sequer amava-o. Ela o beijou antes de morrer, por simplesmente querer realizar seu primeiro beijo antes de morrer. Peter teve a maior perturbação de sua vida em apenas uma noite, seus pais e Varleny morreram. Isso o pôs em um estado de insanidade que deu cabo em seus sentimentos e emoções bondosas, transformando-o em um psicopata egocêntrico. Peter começou a simplesmente fingir que seus pais ainda estão vivos. Recebeu uma excêntrica mensagem e formulou algum tipo de plano macabro. O Peter-centrismo encontra seu fim em Light Of Sky. Com a chegada de um novo aluno, Inihs. Um aluno misterioso e carismático, que logo conquista admiração de todos, exceto de Peter. Mas algo perturba Peter, Aparentemente Inihs adquiriu algum tipo de interesse nele e parecia estar vendo Varleny,mesmo ela sendo um fantasma,e se sentou intencionalmente no antigo lugar de Varleny. Qual seria o motivo da existência do fantasma de Varleny? O que a mensagem de Isanagi significa? Qual o motivo do interesse de Inihs em Peter? Qual o plano que Peter concebeu?” —-------------------------------------------------------------------------------------- Referências: — (Jimmie Davis and Charles Mitchell / Johnny Cash. You are my sunshine, 1939.).