Almas-Vagantes
2 Capitulo II - Ilusões São Tão Vermelhas Quanto Sangue? -
Notas iniciais
Swift e Null sabem que fugir é impossível sem a técnica de abrir as portas de Kronus, mas esperavam encontrar algum tipo de resposta para seus anseios dentro da sala de profanação da mente. Mas acabaram por nem perceber que a porta da sala de profanação da mente abriu sem que eles soubessem tal técnica, facilmente. O motivo para o sistema de portas não estar instalado ou funcionando na sala de profanação da mente era ainda desconhecido. Kronus estaria esperando pelo dia em que Swift e Null iriam escapar?
Esta pergunta passou rapidamente pela mente de Null ao perceber que a porta estava trancada. Embora estivesse em pânico ainda se mantinha calmo superficialmente. Para ele, a sanidade de Swift era necessária. Pensou em muitas coisas rapidamente em apenas milésimos de segundo e olhou para Swift lentamente e observou que Swift estava quase pronto para perder sua sanidade e entrar em prantos.
— Vamos voltar para sala de profanação da mente... – disse Null decidido e sem medo de Kronus.
Swift não estava em condição mental de discutir com Kronus e simplesmente o obedeceu. Swift esta quase entrando em modo de desligamento da memória ficando apático a acontecimentos e estímulos exteriores a sua mente. Swift simplesmente seguia Null, sem estar com medo, sem sentir nada, como se sequer tivesse algum sentimento. Null percebeu tal mudança em Swift e ficou assustado. “Isso pode ser um teste de Kronus” Pensou Null meio as diversas coisas que inundavam sua mente.
O caminho até a sala de profanação da mente parecia estar maior, como seria possível?Pensou Null duvidando de seus próprios sentidos. Mas estranhamente quando isso passou por sua mente, no exato momento achou a sala de profanação da mente. Embora fosse estranho, não pareceu perceber isso. Caminhou lentamente até a porta excêntrica que pertencia à sala de profanação da mente e tentou abri-la, mas não conseguiu.
Sua mente perturbou-se neste momento, mas logo conseguiu controlá-la. Ao contrario de Null, Swift não tinha controle sob suas emoções e era fácil afetado por estímulos psicóticos, como o medo da morte. Null mantinha as emoções proibidas longe de seu córtex e filtrava emoções desnecessárias para seu estado mental. Tendo assim uma mente saudável.
Mas por qual motivo a porta tinha se abrido antes, mas agora já não se abria mais. “Kronus já deve ter completado seu teste e agora deve estar realizando outro... mas o que será que pretende?” Pensou Null um pouco preocupado. Mas como Null é desprovido de sentimentos como amor, não tem sequer intenção de salvar Swift caso precise, embora Swift fosse seu irmão, ele não o importava.
Certo dia Null se perguntou “Como será que é ser amado ou amar alguém... eu jamais entenderei”. Null parecia curioso, mas não estava interessado em amar alguém, “Amar alguém me causara a morte... devo somente amar a mim mesmo”. Mas Null já havia amado. Uma antiga órfã chamada de Nancy foi a ultima a sobreviver aos testes de evolução de Kronus, isso despertou interesse em Null, “Como alguém como ela, magricela e fraca, pode suportar os testes de Kronus?” Se perguntou Null. Nancy tinha cabelos vermelhos como sangue e corpo magro e pálido como neve e olhos profundos e verdes como gramas frescas de campos vívidos.
Após um dos diversos testes que Swift, Null e Nancy eram submetidos diariamente, Null agiu pela primeira vez na vida por impulso, se levantou e caminhou até a cama de Nancy e expeliu palavras gaguejadas e nervosas que fizeram com que Nancy gargalhasse pela primeira vez na vida. Null nunca tendo ouvido som de risos na vida a pergunta:
— Que som é este que acabará de expelir?
Nancy sem ter uma resposta plausível e concreta para tal pergunta apenas o responde:
— Não tenho a mínima ideia... Mas vós fostes o primeiro que fizestes com que eu o expelisse... Qual seria teu nome?
— Null Kronus...
Kronus não era o primeiro nome do mestre deles, era na verdade seu sobrenome, mas era assim que ele disse que se deviria chama-lo. Os nomes de todos os órfãos do orfanato de Kronus receberam seu sobrenome por pura aparência e não por afeição de Kronus com eles.
— Nancy Kronus... – Diz Nancy estranhamente corada.
— Por que mudastes de cor facial? – Diz Null estranhando a cor vermelha sobre as bochechas de Nancy.
— Por tua causa... – Diz Nancy sorrindo.
— Minha causa? – Diz Null também sorrindo, embora estivesse somente imitando a expressão facial de Nancy.
— Estou sentindo meu coração mais quente e meus batimentos cardíacos aumentaram grandemente... Talvez falar com você esteja causando isto... O que poderá ser? – Diz Nancy ficando ainda mais corada.
— Estranho... Também sinto tal coisa... Será que se comunicar entre si causa este sentimento... – Diz Null preocupado.
— Não... Isto é o que os livros chamam de paixão... – Diz Nancy enquanto se levanta de sua cama.
“O que está acontecendo com minha mente, meu cérebro esta enviando diversos hormônios ao meu corpo e meus batimentos cardíacos se desestabilizam a cada movimento corporal que Nancy faz... Será que é a doença que ela está chamando de paixão?” Pensa Null.
— Como posso me curar desta doença que tu chamas de paixão? – Diz Null Preocupado.
— Não é uma doença, é um sentimento humano que fora transmitido a eles por Deus... – Responde Nancy.
Nancy se aproxima lentamente de Null que fica paralisado, Nancy começa a aproximar seu rosto do rosto de Null, ele se assusta e diz:
— O que estás fazendo?
— Apenas uma coisa que li em um livro... – Responde Nancy tão corada que nem tinha partes brancas, como normalmente tem, em seu rosto.
— Onde leu isto que tu chamas de livro? – Pergunta Null, já que não tinha a mínima ideia do que vinha a ser um livro.
Nancy se aproximou levemente e pôs seus lábios de encontro aos de Null graciosamente. Os lábios macios de Nancy fez com que Null saísse de si por um momento, sua mente esvaziou por um momento como uma se houvesse um clarão em sua psique. Nancy ainda com seu rosto próximo ao de Null o diz:
— Isto... É... Psicótico... Desculpe-me por ter feito tal coisa.
Null fica paralisado e com expressão assustada. Nancy se vira e se deita novamente em sua cama e também fica com expressão de susto. Null caminha até sua cama com as pernas mais bambas que uma cadeira com pernas despregadas e se deita. “Por que quando ela encostou simplesmente os seus lábios nos meus, minha mente e corpo desestabilizaram por alguns momentos e senti uma sensação agradável? Embora tenha efeitos colaterais, isto que chamam de paixão é interessante...” Pensou Null.
Nancy lia livros na sala de profanação da mente, mas o sistema de portas não a prendia, estranhamente. Kronus parecia ter certo interesse em Nancy. Null se sentia diferente após o dia que Nancy o beijou, vivia a observando sem nem mesmo perceber que estava, mas ele se sentia bem em observa-la, seu rosto parecia-lhe belo, poderia ficar o observando por dias sem descanso. Null estava apaixonado pela primeira vez. Nancy também se apaixonará. Nancy o beijou, pois leu que um protagonista beijava sua amada em uma das historias do livro O Enigma das Nuvens. Ficou curioso sobre como seria beijar alguém e decidiu beijar Null, já que tinha certa atração por ele. Mas não imaginava que beijar alguém trazia com o ato diversos sentimentos.
Nancy brincava com a sorte todos os dias para ler diversos livros. Nancy não falava com Null, talvez não o estivesse ignorando, mas simplesmente o esquecendo. Null começou a se sentir entristecido, “Mas nos nunca falávamos uns com os outros, por que agora estou lingando para isso?” Pensou Null. Nancy percebe que Null parecia meio entristecido e caminhou até a cama de Null e se deitou ao seu lado. Null ficou sem reação e a olhou assustado.
— Desculpe por ter lhe ignorado nos últimos dias após ter te beijado... – Diz Nancy olhando para o teto.
— Não se preocupes com coisas banais... Não precisa se desculpar... – Diz Null também olhando para o teto com um frio na barriga inexplicável.
Nancy fica de lado e coloca seu braço direito sobre o peito de Null e se aproxima dele estando praticamente abraçando-o.
— Seu coração está ficando cada vez mais rápido... – Diz Nancy coradíssima.
— Desculpe... Não posso controlar tal coisa quando perto de você... – Diz Null bem pouco, mas mesmo assim corado.
— Por que aconteceria isso? – Pergunta Nancy quase dormindo.
Null se silencia e Nancy sorri levemente. Logo após esta breve fala, pegaram no sono. Acordaram e seguiram sua rotina diária normal. Acordar, comer, ser testado. Mas dessa vez somente Swift e Null voltaram para o quarto após os testes. Null fica preocupadíssimo com Nancy aponto de se perturbar pensando que ela está morta.Null não conseguiu dormir nesta noite, esperando que Nancy chegasse, contou cada segundo ansiosamente. Mas Nancy não voltou. Nancy nunca mais retornou. Nancy havia morrido. Swift perguntou para Kronus no outro dia o que havia acontecido com Nancy, que o disse “Ela falhou no teste...”. Kronus sempre dizia isso quando alguém simplesmente não voltava para o quarto e alguém perguntava sobre ela. “Talvez ela não esteja morta, talvez com ela falhou no teste, ele quis dizer que ela conseguiu fugir...”. Null estava somente tentando se iludir para amenizar a dor que sentia em seu peito, mas sabia que era impossível fugir daquele lugar. Mas tinha que acreditar que ela ainda estava viva, tinha simplesmente que acreditar. Foi quando pensou “Quem sabe ela descobriu como poderia escapar na sala de profanação da mente e fugiu... devo ir a esta sala...”. Foi quando viu na sala de profanação da mente um meio de fugir e encontrar Nancy novamente. Seria isto uma ilusão. Não achará a tão desejada resposta na sala de profanação da mente, mas mal sabia Null que a resposta realmente estava na sala disfarçada de livro infantil.
Null estava então em um beco sem saída. Ele tinha certeza. Kronus sabia que ele havia fugido e já havia feito algo. Mas por que Kronus permitiu suas entradas na sala de profanação da mente? Talvez fosse um teste, talvez fosse. A incerteza corroía Null pouco a pouco. Paralisado de indecisão, não sabia o que fazer nesta situação. “O que eu faço, eu vou morrer, vou morrer! vou morrer! vou morrer! Vou morrrerrrrr!” Pensou Null neste momento de pressão. Mas o que poderiam fazer? Acabaram de se tornar dois pássaros cegos presos fora de suas gaiolas.
Foi quando Null pôs tudo a perder. Despreocupado com o óbito. Decidiu simplesmente sair tentando abrir as centenas de portas que preenchiam os corredores. Swift ainda estava fora de si. Como se estivesse em estado de transe, não expressava reações faciais, somente conseguia caminhar por si só e seguir Null. A mente de Swift estava repleta de pensamentos e sentimentos, Swift se via em frente a uma espiral cada vez maior de insanidade. Somente seguia Null, pois achava que ele poderia ter algum tipo de plano, mas no fundo sabia que Null não tinha. Mas morrer não o estava preocupando. O que realmente o preocupava era a morte de Null, sem que ele não pudesse impedir. Tudo que ele estava tentando fazer era imaginar um modo de salvar Null, mesmo que causasse sua morte.
Null tentou abrir diversas portas, mas nenhuma abria. Null acabará de formular uma teoria sobre a falha do sistema de portas de Kronus. A verdadeira saída poderia ser uma das diversas portas do orfanato ao invés da porta que ficava na recepção. Sendo assim, achar a verdadeira saída exige sorte. Mas Null estava completamente errado. Será que a sala da reflexão seja a saída?
Achou em tão uma sala que tinha uma placa revestida de ouro na parte superior da porta, Sala Da Reflexão, a porta era vermelha e havia sido provavelmente pintada por sangue. “Tem certa razão em a sala da reflexão ser a saída, mas pode ser exatamente o contrário de saída”Pensou Swift em meio aos diversos pensamentos que o perturbavam ao ver a porta.
— Vamos entrar... Swift. – Disse Null sem ter opções a não ser entrar numa sala que poderia significar a sua morte.
Caminhou lentamente até a porta e girou a maçaneta da porta. Quando abriu a porta somente um pouco, suficiente para sair um feixe de luz da finura de uma folha de papel, foi sugado pela porta rapidamente, em um piscar de olhos. Swift ficará boquiaberto e abismado com o que virá diante de seus olhos. “Isso é impossível!” Pensou Swift em meio a mais de milhões de pensamentos que ainda inundavam sua mente. Então escutou uma voz sussurrante dizer: É possível jovem pássaro.
Quando Null abrirá a porta, tudo a sua volta se envolveu em um feixe de luz tremendamente branco, como se tudo sumisse diante de seus olhos. Null estava dentro da Sala Da Reflexão. Olhou para baixo e percebeu que estava flutuando no ar como que estivesse no vácuo espacial. Olhou para todos os lados. Mas não havia nada a sua volta, absolutamente nada, nem mesmo a porta pelo qual entrou na sala. Como algo assim seria possível?
Mas sua surpresa começou a cair rapidamente e se desfez em berros. Continuou caindo e berrando até que sua voz fraquejou após alguns minutos de queda e Null parou de berrar. Foi quando percebeu que havia uma imensidão de água violeta com tons de azul escuro e vermelho, parecida com um mar, abaixo dele, ainda muito distante. Sua queda se daria fim nesse mar.
Esvaziou sua mente e não deu importância a sua lógica neste momento. Existe algo mais ilógico que um mar que cabe dentro de uma sala? Concordemos que não. Mas como tal coisa seria possível? É fisicamente impossível ter quilômetros de mar dentro de uma sala. Seu corpo deu-se de encontro com as águas violetas violentamente. Fazendo com que seus membros superiores e inferiores se quebrassem. Seu corpo demoraria pelo menos um minuto para se regenerar completamente, mas seu coração estava repleto de medo e insegurança anulando seus poderes de regeneração e imunidade a dor.
Começou então a afundar lentamente em direção ao fundo desse imenso mar que aparentemente não tinha ondas. Observou o sol moribundo que estava iluminando este mar com sua luz. Cada vez que afundava mais profundamente o mar ficava cada vez mais escuro. Quando chegou ao fundo do mar podia ver perfeitamente as trocas de cores do mar. O fundo do mar era azul escuríssimo e ia ficando mais claro até o meio do mar quando ficava violeta e por fim na superfície se tornava vermelho.
Null começou a chorar intensamente. Suas lágrimas subiram lentamente até a superfície do mar, lágrima por lágrima. “Por que não posso salvar ninguém? Por que não salvei a Nancy? Por que não posso ser apenas um humano? Por que não posso ter sentimentos? Por quê?!” Pensou Null em meio a prantos de melancolia.
Foi quando escutou algo nadando a sua volta. Uma neblina fúnebre encobriu seus olhos e o mar ficou negro. Foi quando percebeu que criaturas macabras o cercava nadando freneticamente a sua volta. Eram criaturas que se alimentam de humanos chamadas de aquadie, estas criaturas eram pessoas que se afogaram em meio ao mar, mas jamais foram encontradas, por isso se tornaram criaturas maléficas e ficam vagando pelo mar esperando por novas pessoas se afogando para devora-las. As aquadie tem aparência macabra e sinistra. Seus olhos são totalmente brancos por terem se adaptado a água e seus corpos se tornaram escamosos como de um peixe, criaram-se brânquias em seus pescoços possibilitando-os a respiração e suas peles ficaram verdes e pegajosas, além disso, seus dentes ficaram pontudos e mais afiados que faca de açougueiro. O maior perigo que envolve as aquadie é que adoram se reunir em bando e dividir alimentos, tornando escapar delas nadando impossível. Elas devoram a vitima até a última grama de carne e órgãos, deixando os ossos para trás.
Null as observa sem expressão de medo e simplesmente sorri levemente. “Você chegou? Morte...” Pensa Null. As aquadies nadam em direção a Null rapidamente e o disputam como um bando de tubarões disputando um único peixe.Elas devoram cada membro, cada músculo, articulação, tecido e órgão, cada parte que possuísse carne. Tudo menos o sistema esquelético de Null. Após suas refeições, simplesmente nadaram a diante e deixaram o esqueleto de Null para trás. Eis que de repente o esqueleto de Null começa a subir em direção à superfície. Como se estivesse menos denso. E flutuou pelo mar violeta que contém criaturas que devoraram humanos até um lugar que continha somente grama para todos os lados. O esqueleto de Null saiu do mar e se recostou sobre a grama.
Null começou a se regenerar lentamente. Embora seu cérebro e coração houvessem sido devorados. Ainda era possível se regenerar. Mas se Null não estivesse neste lugar, com toda certeza, estaria morto. Aparentemente este lugar não era parte do mundo normal. Era um mundo paralelo. Neste fantasioso mundo a regeneração de Null se tornará onipotente, a ponto de ser considerada um poder de imortalidade.
A regeneração completa de Null demorou alguns minutos para que se completasse. Ao dar-se por terminada, Null acordou ofegante. Percebeu que estava recostado sobre um gigantesco gramado e que as águas do mar violeta banhavam seus pés. Levantou-se e se pôs a olhar a belíssima paisagem daquele lugar. Sem que percebesse, haviam-se árvores floridas a sua volta e o céu se preencheu de nuvens negras que causaram uma chuva forte e trovejante. Null somente ficou parado observando cada gota cair em cada grama do imenso gramado e em cada flor das diversas arvores floridas que completavam a paisagem.
Eis que em meio à tempestade surgiu um vento preenchido de pétalas de rosas vermelhas, em meio a essas flores materializou-se uma belíssima garota tão delicada como as pétalas de rosas, tão perigosa quanto à tempestade que caia. Esta misteriosa garota era tão pálida quanto neve e seus cabelos eram tão vermelhos quanto sangue. Eras Nancy.

Null perturbou-se ao vê-la. Nancy flutua junto às pétalas de flor ao seu encontro e o abraça delicadamente enquanto flutua.
— Lembra-se de mim? Null Kronus... – Diz Nancy com tom suave.
Null a ignora e caminha em direção ao mar da qual acabará de sair, mas o mar não estava violeta, estava tão vermelho quanto o cabelo de Nancy, tão vermelho quanto sangue.
— Sei o queres... Pássaro azul... Queres escapar de sua gaiola... – Diz Nancy ainda flutuando junto às pétalas pelo ar.
— Cale a boca! Você está morta! Eu sei disso, não tente me enganar fingindo que está viva! Você não é Nancy! És um maldito demônio! – Grita Null com lagrimas escorrendo pelo rosto.
Nancy flutua levemente até Null e o beija. Null não reage. Somente começa-se a escorrer lágrimas mais intensamente pelo seu rosto. Os dedos da mão de Null começam a se desfazer em cinzas lentamente. Null a empurra. O beijo de Nancy tem grande preço.
— Tu não me amas? – Diz Nancy aparentemente triste.
Null a ignora.
— Se queres sair de tua gaiola... Mate o outro pássaro que dentro dela está... – Diz Nancy enquanto acaricia os cabelos negros com tom de azul de Null.
Null segura com firmeza à mão que Nancy estava usando para acaricia-lo, a quebra e com um pouco de força decepa-a. Nancy grita de dor e gira sobre o ar junto com suas pétalas enquanto grita:
— Por que fizestes isto?!
— Você não é Nancy... – Diz Null com olhos entristecidos.
Nancy para de girar pelo ar e paralisa-se, coloca a mão sob seu lábio superior e diz:
— Tens razão... Não sou Nancy...
Nancy puxa o lábio superior para cima e começa a retirar a própria pele como se fosse uma casca mole. Revelando ser uma criatura sombria e magricela com aparência desagradável, uma criatura chamada deSereia das Trevas. Uma criatura que tem o poder de ler a mente de suas vítimas e se transformar na pessoa que a sua vítima mais ama. Seus objetivos são certas vezes subjetivos e certas vezes consistem em simplesmente devorar a essência da vitima, deixando-a sem sanidade, somente devora a vitima por completo caso a vitima a interessasse.O que está macabra criatura pretende?
— Kronus ordenou-me a dizer as seguintes palavras como troca equivalente para novos visitantes... Mate o outro pássaro e pinte de vermelho a tranca da gaiola... Após dizer estas palavras eu poderia devorar este visitante... Já realizei a troca equivalente e agora... Posso? – Disse a criatura com um sorriso coberto de sangue.
— Como se chamas? – Diz Null com uma expressão facial extremamente sombria.
A criatura não compreende tal pergunta. Afinal, jamais haviam a perguntado isto, suas vítimas somente imploravam pela vida, jamais perguntavam seu nome. Esta pergunta fez com a mente da criatura enublasse, dando abertura para Null pular em suas costas e decepar sua cabeça, sem parecer que se necessitou de força para fazê-lo. A criatura decolou sobre o chão e preencheu o chão de sangue. Eis que abaixo da criatura materializou uma porta vermelha. Null tirou a criatura de cima da porta e abriu-a. quando a abriu, tudo a sua volta desapareceu. Ao outro lado da porta estava Swift paralisado pelo que aparentemente acabará de ver. Null havia ficado sequer cinco segundos dentro daquele lugar.
— O que aconteceu? Você está b-bem? – Diz Swift tremendo com a mente preenchida de medo.
— Entre e descubra... – Diz Null confiante em que na morte de Swift obteria sua liberdade.
Null segura firmemente no braço de Swift e o puxa com a intenção de jogá-lo para dentro da sala de reflexão, Swift apresenta resistência em ser jogado a força dentro de tal sala, mas Null o chuta com força suficiente para fazer com o corpo de Swift seja impulsionado para dentro da sala, deixando a mão que estava sendo segurada por Null para trás. Null fecha a porta, deixando dentro dela.
Com a mão esquerda de Swift que havia sido decepada em mãos, Null já tinha a tinta vermelha que precisava para pintar a tranca e escapar de sua gaiola. Null passou sangue sobre a porta de saída do orfanato e pode abri-la com facilidade, esta era a técnica de abrir as portas do sistema de Kronus. O pássaro havia finalmente escapado de sua gaiola. A fora do castelo que era sua gaiola, havia-se uma sombria floresta com árvores sem folhas. Não se havia animais. Não se havia cor. Não se havia vida. Null caminhou nesta floresta por dias. Mas nada encontrava. Continuava caminhando, mas nada via além de árvores magricelas e sem vida. Suas pernas estavam feridas e cansadas. Já não conseguia andar. Caiu sobre a grama incolor e mórbida e morreu de exaustão.
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