5

O dia mal havia clareado e Violet já estava de pé ao lado da cama revirando a gaveta onde havia guardado suas roupas. Olhou com desespero cada peça de roupa enquanto as jogava em cima da cama que tinha acabado de arrumar. –não havia se acostumado a lembrar das pessoas que vinham arrumar o quarto toda a manhã- Tinha trazido roupas que julgava ser o suficiente para sua viagem, mas nada que em sua opinião, serviria para um jantar com alguém tão vistoso e atraente como Ethan.

Depois de revirar as três gavetas restantes, decidira que teria de comprar algo para vestir. Algo que não a faria parecer a mesma mulher simples e monótona de sempre. Tomou rápido o café que foi entregue em uma bandeja junto à uma omelete e uma fatia de melão, e logo partiu para as ruas.

Passara pelas vitrines das lojas da Kirkegata, Breigata -perto do porto-,Olivier&Co, Loccitane, e a famosa Cinnamon –conhecida pelas multimarcas de grife.- Claro que não pensara em comprar um vestido caríssimo da Prada ou Miu Miu–embora todas as lojas pareciam estar apenas interessadas em compradores de tais marcas- Até que finalmente, quando seus pés já estavam parando por conta própria de tanto cansaço, avistou do outro lado da calçada, um vestido que parecia ter lhe chamado o nome. Atravessou a rua e deu de cara com algo que esteve procurando a manhã inteira. Era um vestido liso, preto e de frente única –não muito escandaloso, já que não queria dar a impressão errada – Era próprio para um jantar elegante mas não muito formal. Prendera os cabelos com as duas mãos planejando algum penteado, ainda de frente para o espelho do provador, admirando o vestido.

–Vou levar. –disse à moça que esperava próximo ao provador.

O dia parecia ter desaparecido em um piscar de olhos, assim que voltou para o hotel. O Sol havia sumido e dado lugar a uma noite tépida e tranquila. Diferente de Violet que parecia ficar mais nervosa a cada movimento do ponteiro.

Tinha acabado de se arrumar e assim que passou o último grampo na parte de trás do cabelo -no qual estava preso num coque e com mechas soltas nas laterais-, desceu as escadas e percebeu que ainda tinha de chamar um táxi. -não caminharia três quarteirões com sapatos com saltos como aqueles.

Esperou sentada na poltrona do lobby com as mãos pousadas junto às pernas por alguns minutos.

–MS. –o senhor que trabalhava no período da noite se aproximou.

Violet inclinou a cabeça e pode ver seu táxi na porta.

–Sunset, por favor. –disse ao motorista, que por sorte compreendeu sem mais perguntas.

O restaurante era de fato elegante, não pode perceber o quando era bonito durante a noite. Sua fachada grande e rústica, agora estava iluminada não só pelos postes ao redor da rua, mas também por pequenas lâmpadas que contornavam o letreiro e pontos das janelas.

Um homem de terno e gravata com o nome Sunset bordado do lado esquerdo, abriu a porta do táxi assim que parou na entrada.

As luzes pareciam cintilar ainda mais, à medida que caminhava até a porta. –guardada por mais um dos homens de smoking e posturas impecáveis- Se aproximou da pequena bancada e perguntou por Ethan Parker. Àquela altura já estava com a respiração ofegante. O lugar era mais do que imaginava. O homem a guiou para a direção certa e sorriu. Passou pelo corredor no qual havia um tapete azul escuro que vinha da porta até a última extremidade do restaurante. Sentiu o vento do ar condicionado passar como um pincelada por suas costas nuas. Parecia haver apenas casais em qualquer direção que olhasse. Pode ver de relance Ethan próximo ao pequeno altar de onde músicos em seus trajes a rigor, acompanhados por seus violinos e um grande piano de calda, tocavam um sucesso que pode reconhecer logo de cara: La Javanaise Madeleine.

Ethan estava sentado em uma mesa coberta por uma toalha de seda branca, com taças e rosas vermelhas ao centro. Parecia estar mais encantador do que de costume. Usava um terno escuro, camisa clara, e uma gravata discreta. No pulso agora se encontrava um Royale Opera accordion –o que parecia ser algo indispensável para fazer sua elegância ainda mais sublime.-Levantou-se imediatamente quando ela se aproximou da mesa.

Pausou alguns segundos de frente para Violet que imediatamente ficara enrubescida.

–Você... Está linda. –disse com a mesma voz suave de sempre enquanto empurrava a cadeira para Violet.

–Obrigada... –sussurrou ainda ruborizada pousando as mãos sobre as pernas.

Ela olhava ao redor pensando em como tudo acontecera tão rápido. Como num minuto estava parada tomando um simples café enquanto pensava em um novo rumo para sua vida, observando um homem maravilhoso, e no outro minuto estava do outro lado do mundo jantando com o mesmo homem. Não tinha ideia no que acreditaria ser de fato real.

Instantes depois um jovem garçom se aproximara da mesa com um sorriso educado e balbuciara algumas palavras que Violet não pode compreender, e logo se voltou para Ethan, que sem nenhuma preocupação com as palavras, tinha o olhar direcionado a uma carta de vinhos sobre as mãos. Segundos depois levantou a cabeça e então fez o pedido. Parecia ser um típico norueguês, pronunciando perfeitamente as palavras. O garçom assentiu enquanto anotava e sorriu ao final, se referindo a uma ótima escolha que acabara de ser feita. Uma utopia que não parecia mudar, não importasse o país, pensou Violet.

As músicas eram perfeitas, e combinavam exatamente com a harmonia do local. Uma mistura nórdica e americana, como estava acostumada.

Quando voltou seu olhar para frente. Os olhos de Ethan ainda estavam sobre ela.

–Está tudo bem? –.ele perguntou.

–Claro... –disse ainda analisando o ambiente. — É fantástico... Nunca estive num lugar assim... Obrigada pelo convite. –sorriu ainda nervosa pousando os pulsos sobre a mesa.

–É um dos lugares que mais gosto na cidade... –disse ainda com o olhar fixo à Violet.

–Agora já sei por quê... –sorriu.

Por alguns instantes houve um silêncio na mesa, deixando apenas o som ao piano circular ao redor de seus pensamentos.

O vinho chegara rápido e era maravilhoso –assim como Ethan havia descrito- Nada era deixado a desejar. A comida era deliciosa, o ambiente agradável e a companhia uma das melhores que podia imaginar.

Violet contava brevemente sobre seus dias passados até agora na Noruega, como era perfeito poder relaxar a mente apesar de se sentir perdida em alguns momentos por conta do dialeto. Riu quando Ethan contou sobre seus primeiros dias em países estrangeiros e de quantas vezes teve que recorrer a ajuda de um dicionário de bolso em quase todos os momentos até que aprendesse o idioma por completo.

–Não acredito! –Violet ria espantada.

–Foi a última vez que pedi informações à um policial na Alemanha... –Ethan imitava uma expressão de conformidade e ao mesmo tempo ria.

–Não sei se conseguiria fazer isso... Mas pelo menos você chegou a tempo para o voo.

–Sim, foi sim... Graças ao “atendente da loja de bebidas”! – Violet disse ao mesmo tempo em que Ethan, e novamente riram.

Conversaram por mais tempo. Discutiam sobre qual seria o melhor time de beisebol, o de Jersey ou de Dallas – onde Ethan disse ter nascido e torcia fielmente.- Sobre os lugares que mais gostava em Stavanger e voltaram mais uma vez ao jazz, no qual parecia ser o assunto preferido de ambos.

Embora demonstrassem o mesmo interesse sobre os mesmos assuntos, Violet era quem mais falava, enquanto Ethan apenas concordava ou em algumas vezes dava sua opinião. Mas quase que por toda noite, seu interesse principal fosse por Violet.

Ethan sorriu, mas seu sorriso fora mudando de intensidade segundos depois, até seu lábio inferior se retrair. Com a sobrancelha direita arqueada, demonstrou um olhar pensativo, com certa dúvida.

Violet pensara ter dito algo inconveniente àquela altura.

–O que foi? –perguntou inquieta.

Ethan ainda com um olhar duvidoso, deslizou os braços sobre a mesa deixando suas mãos a centímetros das de Violet.

–Acho que fazia tempo que não conversava com alguém dessa forma... –disse ele com certo desabafo. –Sei que parece estranho... mas o trabalho tem me tomado tanto tempo, e ter encontrado você, aqui... – olhou ao redor- As outras pessoas, todas colocando tanta pressão, tudo é tanta correria.... Acho que precisava disso, uma pausa...

Violet o observava com um olhar confuso. Não por achar aquilo completamente impossível, e sim por alguém como ele, dizer exatamente aquilo que ela pensava desde o dia em que chegara.

Uma pausa de tudo. Era isso que ela também procurava.

–Desculpe, acho que acabei desabafando em cima de você... –ele disse recuando os braços levemente.

–Não! Quero dizer... Acho que estamos no mesmo barco... –sorriu de forma reconfortante e feliz ao mesmo tempo.

Ethan afastou os braços totalmente dessa vez e se recompondo em uma postura perfeita, ergueu a taça que acabara de completar com mais vinho –assim como fez com a de Violet- e a ergueu pouco acima de onde ela estava posicionada.

–Um brinde a uma nova vida que estar por vir... –disse inclinando levemente o rosto para o lado.

–A melhor. –completou Violet.

Um sorriso aberto de ambos os rostos. E um tilintar ecoado da batida das duas taças.

6

Ethan a deixou na porta do hotel de número 221, o Lite stykke av himmelen. Violet pegou a chave de dentro de sua pequena bolsa preta cintilante e agora a segurava com certa força dentre a mão fechada como um punho. Mais um momento de silêncio parados em frente a entrada do lobby. Ambos com um sorriso discreto, esperando provavelmente a oportunidade certa de dizer algo.

Abriram a boca ao mesmo tempo, como se a oportunidade tivesse saltado no mesmo instante para os dois.

–Desculpe... Você primeiro... –disse Violet em um sorriso ruborizado.

–Eu só... Bem... Obrigada por me fazer companhia essa noite... –começou a dizer entre breves pausas.

–Foi uma noite bem... Divertida. –disse analisando depois apalavra que tinha escolhido, embora não tivesse conseguido pensar em alguma outra melhor.

Ele deu um riso baixo.

–Sim, foi bem divertida... – ele repetiu.

Mais um breve momento de silêncio, mas dessa vez menor que os anteriores. Algo havia emitido um bip dentre os bolsos do terno de Ethan.

–Descoberto... –ele sussurrou.

–Acho que sim... –ela sorriu, mas parecia não ter se incomodado como nas outras vezes.

Dessa vez não havia sido o celular como anteriormente que havia tocado, era um aparelho propriamente dito, uma espécie de Pager.

–Pensei que seria mais prático... –ele riu analisando o Pager em suas mãos

Quase encostada no batente da porta, Violet abaixou o olhar por alguns segundos para a chave –agora em sua mão aberta- e pensou rapidamente na hipótese de um convite para que Ethan entrasse, mas até então era mais uma duvida que pareceu martelar sua cabeça. Tinha sido uma noite de fato agradável, mas não o conhecia completamente. Pelo menos por enquanto, pensou.

No mesmo instante em que sua boca abriu, Ethan guardara o bipper novamente no bolso e se aproximara de Violet. Beijara suavemente sua bochecha, sorriu, e então se afastou. A parte da frente de seu cabelo balançou com um vento repentino que fizera no mesmo momento.

–Está tarde e começando a esfriar... É melhor você entrar. –disse subindo a gola de sua camisa e se posicionando no degrau abaixo.

–Obrigada Ethan... –fora tudo que Violet conseguira dizer, e em sua mente, agradecendo duplamente por ele mesmo ter dito aquilo, eliminando qualquer culpa que pudesse sentir.

Ethan apenas assentiu e esboçou um sorriso lateral. Assim que desceu os três primeiros degraus da entrada do hotel, parou alguns segundos e olhou para trás.

–Violet?

–Sim? –claro que ainda não tinha se virado para entrar, estava esperando até que ele entrasse no carro.

–Já ouviu falar do Festival de Stavanger?

Ela balançou a cabeça negativamente.

–Bem, é um festival de música que tem a cada seis meses aqui, há todo o tipo de música durante a tarde, mas eles guardam um período especial a partir do final da tarde só para o Jazz.

É uma espécie de tradição na Noruega esse festival. Poderíamos ir... Juntos, se você quiser.

Violet fizera um olhar surpreso. –ou ao menos tentara disfarçar sua surpresa-, mal tinha chegado de um encontro e estava sendo convidada para o próximo.

–E... Então?–perguntou novamente Ethan depois de alguns segundos sem sinal de resposta.

Violet balançou a cabeça, como se tivesse voltado de seus pensamentos e então assentiu de forma ligeira.

–Seria ótimo. –disse rapidamente.

Ethan sorriu e então continuou a descer as escadas até seu carro.

Assim que entrou em seu quarto, pensava apenas em terminar os últimos minutos que restavam da noite de forma serena e agradável. Ligou a TV e a voz de um jovem repórter ecoou pelo quarto. Mal as primeiras frases eram ditas, Violet passou por cima dos sapatos que tinha acabado de jogar ao pé da cama e desligou a TV com o controle remoto que estava sobre a bancada de madeira.

Encerrar esse dia com más noticias, era o que Violet tentava evitar. Por isso, assim que desligou a TV, deitou-se na cama e caiu no sono –mesmo que se forçando nos primeiros minutos- queria que dia acabasse assim. Tranquilo e sem preocupações.

7

Era agosto. O orvalho que se espalhava pelo campo das casas parecia brilhar logo nas primeiras horas da manhã.

Uma brisa gélida para aqueles que como Violet, despertaram ainda com os primeiros raios de Sol que invadiram a janela, passou ligeira entre os rostos que caminhavam pela Avenida Thurman naquele momento.

Violet parara a poucos metros do telefone público da praça. Sentou-se em um dos bancos vazios de madeira branca, onde tinha uma visão muito boa do céu e de longe podia ver o porto. Uma ótima visão, se não fosse pelo... Telefone público.

A incerteza que tinha ainda em ligar para casa voltou hoje enquanto corria pela avenida. Se sentia tão bem e tão longe dos problemas que tentou –e até conseguiu- esquecê-los durante esses dias, mas então pensou em seu pai... Um “alô’’ talvez fosse de bom tamanho.

O Sol apesar de escondido por uma grande nuvem branca deixava escapar seus luminosos raios. Um deles batera bem na direção de Violet. Franziu o nariz tentando avistar o céu, mas era quase impossível atravessar o olhar através da luz.

–Violet?! É você?! –a voz de Connor parecia ainda mais distante do que de costume.

–Oi pai... –Violet parecia suspirar a cada palavra. Um suspiro não de alivio, mas como uma obrigação.

–Violet! O que aconteceu?! Estou sem noticias suas há cinco dias!

–Eu, Eu estou bem ok? Só liguei para dizer isso. -tamborilava os dedos na parte metálica da caixa do telefone.

–Sim! Estou vendo que só ligou para dizer isso. Você não está nem ai pra ninguém! -a voz ecoava por um cômodo. Estaria sentado na poltrona da sala, como sempre.

–Liguei para Arlene, para o Sr. Barners e até a sua mãe, ninguém sabia dizer onde você estava!

–A menos que eu tivesse um caso com meu chefe... Ligar para o Sr. Barners não te traria muitas respostas... –Violet soltou um riso.

–Você quer parar com isso e me dizer onde diabos você está?!

–Eu já disse onde estou! Disse no dia em que sai pela porta e você se quer se virou para me olhar.

Connor fizera uma pausa de alguns segundos e então deu um suspiro que pode ser ouvido do outro lado da linha.

–Escuta... Eu não sei o que você está inventando ou o que te deu na cabeça, não importa. Quero que venha para casa imediatamente. –disse pausadamente.

–Não! Escuta aqui você! Eu não liguei pra pedir permissão pra seja lá o que for, eu não liguei pra escutar reclamações suas, aliás...Nem sei o porque eu liguei...

E num último suspiro terminou a frase.

–Mas é bom saber que as coisas não mudaram em nada por ai.

Não esperou uma resposta de Connor, apenas bateu o telefone no gancho e olhou novamente para cima, para o raio de luz, e agradeceu em sua mente mais uma vez por estar ali. Onde ninguém podia encontrá-la.

Mais uma tarde passara subitamente. Já era uma sexta-feira, uma semana havia se passado em meio a tudo. Ethan havia ligado na noite anterior para avisa-la do horário em que passaria na porta para buscá-la.

Eram cinco da tarde. A poucos quilômetros a leste do porto, centenas de pessoas estavam circulando ao redor da área de apresentações. Chegaram minutos antes de ser anunciado o inicio das apresentações do jazz. Era realmente lindo. Ethan detalhava o que achava interessante para Violet, e sempre tivera razão.

Tudo o que discutiam, trocas de sorrisos ou nos poucos momentos em que se frustravam... Tudo parecia ser uma estranha coincidência. Eram tão semelhantes entre seus interesses que quando tinham ideias contrárias, elas pareciam não ter mais sentido.

–E então...? –Ethan sussurrou no ouvido de Violet, tentando dispersar o barulho da multidão.

–Se eu disser que não estou gostando...

–Eu vou saber que está mentindo. – ele completou sorrindo.

O clima parecia ter mudado. Algumas nuvens cinza e grandes pousaram cobrindo quase que todas as pessoas, enquanto do lado Sul do palco, o Sol do final da tarde parecia resistir.

Um cover de David Sanborn começou a tocar, anunciaram ser o fim daquela maravilhosa tarde de apresentações.

Quando finalmente havia escurecido, os postes de luz se ascenderam, formando um longo caminho iluminado por onde quer que as pessoas decidissem seguir.

Violet sentiu um ventinho gelado passar por seu pescoço e desejou naquele momento ter saído de casa com algo mais quente do que um simples suéter.

Como se tivesse lido seus pensamentos, Ethan evolveu seu braço em volta de Violet. Não sabia explicar o que era melhor, ser aquecida pelos braços dele, ou recostar o rosto em seu em seu casaco –um trench coat bege- sentindo o perfume. O que passou a desejar naquele instante era que o caminho de volta para o hotel não tivesse mais fim. Que pudesse se sentir confortável e protegida por um longo período.

Não disseram mais nada durante o caminho, observavam apenas as vitrines das quais as luzes iam se apagando por conta do horário.

O letreiro do hotel foi se aproximando e Violet sem perceber apertava o braço de Ethan levemente. Ele a aproximou um pouco mais dessa vez. Seus olhos cor de mel pareciam conter leves pincelados de um tom verde, agora que Violet os observara por debaixo da iluminação da fachada do hotel.

Pensou em algo rápido para dizer, como fora divertida a apresentação e ainda mais acompanhada dele. Estava tão perto de seu rosto, que poderia sussurrar se achasse conveniente naquele instante. Mas não foi preciso. Com as mãos ainda contraídas no casaco foi uma questão de segundos até que o rosto de Ethan estivesse junto ao seu.

Sentiu o cabelo curto e macio enquanto deslizava as mãos por trás do pescoço, e um leve toque da mão que pousara em sua cintura.

Por alguns minutos, foi como se a noite não pudesse ficar melhor. E não precisou que dissessem mais nada assim que seus lábios se afastaram.

Ainda podia sentir o perfume o quando ele se afastou se posicionando no degrau abaixo.

–Boa noite, Violet... –Ethan se afastou com o mesmo sorriso que fazia sentir seu corpo ficar quente.

Com o sorriso ainda entorpecido sussurrou um “boa noite”, embora Ethan já estivesse dentro do carro sem que pudesse ouvir.