All too well

5 O Outono que Nunca Terminou


Notas iniciais
Bem-vindos ao capítulo mais melancólico e sensível da nossa fanfic até agora. ❄️💻 Se o capítulo anterior foi o auge da entrega, este é sobre o "depois". Queria retratar aquela fase da depressão que não é feita de grandes dramas, mas de uma ausência silenciosa e persistente. Ver a Bella tentando lidar com o segundo ano sem o Edward é algo que dói, mas que aproxima muito o leitor da realidade dela. Um ponto crucial aqui é a amizade com a Alice. Eu acredito muito que amigos são encontros de almas, e nesta AU, a Alice é a âncora que impede a Bella de se afogar. Queria mostrar que, mesmo no pior inverno, existem pessoas que funcionam como sol para nós. Me contem: como vocês lidam com a saudade de alguém que está longe? Espero que a força da Alice e a dedicação do Edward aqueçam o coração de vocês hoje. Com carinho e um pouco de frio, Giozpattz🧣💙

"And I know it's long gone and that magic's not here no more

And I might be okay but I'm not fine at all"


Capítulo 5: O Outono que Nunca Terminou


Os meses que se seguiram à partida de Edward para Boston foram tingidos por uma paleta de cinzas e azuis profundos, transformando Forks em um cenário de isolamento que Bella Swan nunca imaginou ser capaz de suportar. O segundo ano do ensino médio começou como um borrão de rostos desconhecidos e corredores barulhentos onde o silêncio de Edward ecoava mais alto do que qualquer conversa; sem ele ao seu lado, as aulas de biologia pareciam infinitas e o refeitório tornara-se um lugar de recordações dolorosas de olhares trocados sobre bandejas de plástico. Bella movia-se pela escola como uma sombra de si mesma, mantendo uma rotina mecânica de estudos e deveres de casa, sentindo que uma parte vital de sua alma fora levada dentro daquele Volvo prateado. A depressão não veio como um grito, mas como um entorpecimento persistente, uma sensação de que o mundo perdera a saturação e que ela estava apenas esperando que o tempo passasse, contando os dias não para o que estava por vir, mas para diminuir a distância do que fora deixado para trás.

No entanto, em meio ao inverno rigoroso que congelava as poças nas calçadas de Forks, Alice Cullen permaneceu como a única chama de calor na vida de Bella, provando ser o verdadeiro encontro de almas irmãs que o destino lhes reservara. Alice não permitiu que Bella se afundasse completamente no abismo da solidão; ela aparecia na casa dos Swan com chocolate quente, filmes clássicos e uma paciência infinita para as tardes em que Bella apenas precisava chorar em silêncio. A amizade delas transcendia a conveniência; era um apoio silencioso e robusto, onde Alice entendia cada suspiro de Bella sem que uma única palavra fosse dita, tornando-se a ponte emocional que mantinha Bella conectada à realidade. Elas passavam horas no quarto de Bella, cercadas por livros e pela luz fraca de abajures, enquanto Alice contava histórias sobre as cartas que Edward enviava e sobre como a casa dos Cullen parecia estranhamente grande e silenciosa sem a música dele preenchendo os cômodos.

As noites de domingo tornaram-se o centro gravitacional da existência de Bella, pois era quando o ritual da videochamada acontecia, transformando o brilho frio da tela do laptop na única luz que realmente importava. Edward, agora imerso na rotina exaustiva do primeiro ano de Direito em Boston, aparecia na tela com olheiras leves e o cabelo mais curto, mas com o mesmo olhar de adoração que fazia o coração de Bella doer de saudade. Eles passavam horas conversando sobre as leis complexas que ele estudava e sobre a monotonia dos dias de Bella em Forks, criando uma bolha digital de intimidade que tentava ignorar os milhares de quilômetros que os separavam. Edward frequentemente aproximava o rosto da câmera, como se tentasse quebrar a barreira do vidro para tocar a pele dela, e Bella estendia a mão para o monitor, sentindo o calor do plástico em vez do calor dos dedos dele, uma substituição cruel que a deixava com um vazio persistente no estômago.

— Eu sinto que estou vivendo em câmera lenta, Edward... como se eu estivesse esperando a vida começar de verdade de novo quando você voltar — confessou Bella em uma dessas noites, sua voz falhando enquanto ela observava Edward através da câmera, notando como o quarto dele em Boston parecia funcional e impessoal, sem nada da magia da mansão em Forks. — Eu tento seguir a rotina, tento focar nas aulas, mas em cada esquina eu espero ver você. Edward... eu sinto tanto a sua falta que às vezes dói fisicamente respirar o ar daqui.

— Eu sei, meu amor... eu também sinto. Boston é brilhante, barulhenta e cheia de gente, mas eu nunca me senti tão sozinho quanto aqui, sem você para me ancorar — respondeu Edward sussurrando e olhando para Bella, sua voz carregada de uma vulnerabilidade que a tela não conseguia mascarar. Ele desviou o olhar por um segundo, e Bella notou que ele segurava algo perto do peito; era o cachecol listrado, agora um pouco mais gasto, mas ainda guardado como uma relíquia. — Eu durmo com isso todos os dias, Bella. Ainda tem o seu cheiro, e é a única coisa que me faz acreditar que o que vivemos não foi um sonho. Eu te amo tanto que chega a ser assustador, e não há um minuto em que eu não esteja planejando o momento em que poderei te abraçar de verdade novamente.

Eles passavam o restante da chamada fazendo planos meticulosos para o feriado de Ação de Graças, discutindo horários de voos e cada detalhe do que fariam quando ele chegasse. Edward prometia que a levaria para ver as primeiras neves nas montanhas, e Bella descrevia o jantar que Esme já estava planejando com semanas de antecedência, criando uma narrativa de esperança que os mantinha sãos em meio à distância. A passagem do tempo tornou-se uma contagem regressiva para aquele reencontro; outubro passou como uma sucessão de folhas caídas e chuvas geladas, e cada página do calendário arrancada por Bella era uma pequena vitória contra a ausência. Ela aprendeu a viver com a melancolia, transformando a tristeza em uma forma de devoção silenciosa, sabendo que, embora o outono de sua felicidade parecesse ter terminado com a partida dele, a promessa de um feriado juntos era a luz no fim do túnel que a impedia de se perder completamente na escuridão do inverno.

A monotonia dos dias de inverno foi subitamente interrompida por um gesto de Charlie que Bella jamais ousaria prever, uma dessas raras brechas na armadura de pragmatismo do xerife que revelavam o quanto ele estava atento ao definhamento silencioso da filha. Em uma noite de terça-feira, enquanto a chuva batia rítmica contra as tábuas da varanda e Bella tentava, sem sucesso, concentrar-se em um ensaio sobre literatura, Charlie entrou na cozinha com um envelope pardo nas mãos e um pigarro desconfortável que denunciava seu nervosismo. Sem dizer muitas palavras, ele deslizou o papel sobre a mesa de fórmica, observando com olhos cautelosos enquanto Bella abria o envelope para encontrar não apenas uma, mas duas passagens aéreas com destino ao Aeroporto Logan, em Boston, para o próximo final de semana. O choque foi tão imediato que Bella sentiu o ar faltar por um segundo, os olhos fixos nos nomes impressos — o seu e o de Alice — enquanto a realização de que veria Edward muito antes do planejado atravessava seu peito como uma descarga elétrica.

— Eu andei conversando com o Carlisle, e ele mencionou que a Alice estava morrendo de vontade de visitar o irmão, mas não queria ir sozinha — explicou Charlie, desviando o olhar para a cafeteira enquanto fingia uma indiferença que não enganava ninguém. — Eu sei que Forks tem estado um pouco silenciosa demais para você ultimamente, Bells. E, bem, você tem tirado notas excelentes, então achei que um final de semana na cidade grande não faria mal. Mas é só um final de semana, ouviu bem? — Bella saltou da cadeira, envolvendo o pai em um abraço apertado que o pegou de surpresa, sentindo uma gratidão tão imensa que as palavras pareciam insuficientes para descrever o alívio de saber que o túnel escuro da saudade acabara de ganhar uma saída de emergência.

A notícia se espalhou pela mansão dos Cullen como um rastilho de pólvora, e em menos de uma hora, Alice já estava no quarto de Bella, jogando roupas dentro de uma mala de mão com a eficiência de um furacão e gritando sobre a necessidade de casacos mais pesados para o inverno da Nova Inglaterra. A viagem foi uma sucessão de momentos ansiosos: o voo de conexão, as luzes da cidade de Boston surgindo através das nuvens carregadas e a sensação de que cada quilômetro percorrido era uma barreira a menos entre ela e o homem que habitava seus sonhos. Quando o táxi finalmente parou diante do prédio de tijolos aparentes onde ficava o alojamento de Edward, Bella sentiu as mãos tremerem de tal forma que mal conseguiu pagar o motorista; a cidade era barulhenta, cinza e gélida, exatamente como Edward descrevera, mas para Bella, aquele era o lugar mais bonito do mundo simplesmente porque ele estava em algum lugar ali dentro, esperando por ela sem saber que o seu "futuro" acabara de aterrissar em seu presente.

A surpresa aconteceu no pequeno saguão do prédio, onde Edward estava sentado em uma poltrona de couro gasta, absorto em um livro de Direito Constitucional que parecia pesado demais para o fim de tarde de uma sexta-feira. Ele não a viu chegar de imediato, e Bella aproveitou esse segundo para observá-lo: ele parecia mais maduro, com o cenho franzido em concentração, mas ainda carregava aquela aura de intensidade que a atraíra desde o primeiro dia no pátio da escola. Quando Alice soltou um gritinho de empolgação e correu para abraçar o irmão, Edward levantou os olhos, e o tempo pareceu sofrer uma distorção violenta; o livro caiu de suas mãos, esquecido no chão, enquanto seu olhar encontrava o de Bella, que permanecia parada a poucos metros de distância, com o rosto corado pelo frio e pelo nervosismo. O sorriso que surgiu nos lábios de Edward foi a coisa mais radiante que Bella vira em meses, uma expressão de choque puro e alegria devastadora que iluminou todo o saguão sombrio.

— Bella? Mas o que... como você... — Edward gaguejou, levantando-se com movimentos desastrados que não lembravam em nada o capitão confiante do time de futebol, enquanto caminhava em direção a ela como se temesse que ela fosse uma alucinação causada pelo excesso de estudo. Ele a envolveu em seus braços com uma força que tirou o fôlego de Bella, escondendo o rosto em seu pescoço e inspirando profundamente, finalmente reencontrando o cheiro de morango que ele tentara preservar no cachecol agora guardado lá em cima. — Eu não consigo acreditar que você está aqui. Eu sinto que estou sonhando, e se eu estiver, por favor, não me acorde nunca mais.

— Não é um sonho, Edward... eu estou aqui. O Charlie e a Alice planejaram tudo — respondeu Bella sussurrando e olhando para Edward, sentindo as lágrimas quentes finalmente transbordarem e molharem a gola do casaco dele, enquanto ele a afastava apenas o suficiente para cobrir seu rosto com beijos frenéticos e carinhosos. Eles ignoraram a presença de Alice e dos outros estudantes que passavam por eles; naquele momento, em meio à agitação de Boston, eles haviam reencontrado a sua "bolha" de Forks, o espaço sagrado onde o resto do mundo deixava de existir. O final de semana que tinham pela frente era um presente roubado do destino, e enquanto Edward a segurava pela mão, guiando-a em direção ao elevador para mostrar seu novo mundo, Bella soube que, não importa o quão difícil fosse a volta, aquele reencontro valeria cada minuto de solidão que o inverno ainda pudesse lhe reservar...

Notas finais
Este capítulo termina com um suspiro de alívio, não é? ✈️❤️ Eu queria muito trazer esse momento de luz para a Bella. Depois de descrevermos toda a melancolia e a rotina cinza de Forks, ver o Charlie ter essa sensibilidade e a Alice ser a parceira de crime perfeita para esse reencontro foi gratificante. A cena no saguão em Boston é o espelho reverso da despedida no pátio dos Cullen: se lá a imagem final era o carro desaparecendo, aqui é o encontro físico e o choque de realidade de que eles ainda pertencem um ao outro, acima de qualquer distância. Boston funciona aqui como um novo cenário, mas o amor deles continua sendo o mesmo "lugar" seguro. No próximo capítulo, vamos explorar esse final de semana curto, mas intenso, na cidade grande, e como eles lidam com a consciência de que a despedida terá que acontecer novamente em 48 horas. Preparem-se, porque o próximo capítulo terá passeios por livrarias antigas, café em copos de papel e a dor aguda de ter que dizer adeus mais uma vez. O que vocês acharam dessa surpresa do Charlie? Deixem seus comentários! Com amor, Giozpattz 🧣🍎