All of me

7 Capítulo 07


Notas iniciais
Olá, pessoal! Prontos para saber como vai ser a interação do Scorpius com a família Potter/Weasley? Prevejo algumas situações engraçadas.... Espero que gostem :) grupo do facebook, apareçam por lá: https://www.facebook.com/groups/1779275052355810/

Foi com um misto de ansiedade e nervosismo que eu cheguei à porta da casa dos avós do Albus. Eu já tinha ouvido falar muito do lugar, incontáveis histórias publicadas em livros e também da boca do meu amigo que adorava passar as férias sendo paparicado pelos avós e aprontando com a infinidade de primos que ele tinha. A casa toda torta, Toca para os íntimos, se segurava literalmente por magia acima das nossas cabeças. Não tinha nada do esplendor e austeridade que a imponente mansão dos Malfoy apresentava, ali era tudo cores e vida. Antes mesmo de entrarmos — o grupo vindo de Hogwarts era grande — já dava para ouvir várias vozes em conversas animadas.

James — irmão mais velho do Albus — foi quem se adiantou até a porta e a escancarou, anunciando para a família que aqueles que faltavam haviam chegado. Foi uma comoção de passos e cumprimentos, consegui distinguir a voz de uma senhora dizendo “as crianças chegaram”. Um por um nosso grupo foi entrando, quanto mais perto da minha vez, mais nervoso eu ficava. A Rose estava a minha frente e, antes de passar pela soleira da porta, ela se virou em minha direção.

—Desfaz essa cara, eles não mordem! — o tom de bronca se dissolveu em um sorriso pequeno — você vai voltar inteiro.

Embalado pela preocupação dela comigo, eu me acalmei o talvez equivalente a um décimo do meu nervosismo total, mas já era alguma coisa. Eu finalmente entrei na sala, seguido do Albus, direto para encontrar o que já configurava uma bela multidão. Foi uma sensação no mínimo estranha, ver pessoas que eu ouvia falar desde sempre sorrindo e sendo normais bem na minha frente. Claro que vários deles eu já tinha vislumbrado de longe, levando os filhos na estação ou em algum local público, porém colocá-los em uma situação tão mundana quanto uma reunião familiar, tirava um pouco do ar de inalcançável que insistia em pairar sobre aquela família.

Fiquei parado sem saber o que fazer, observando enquanto o grupo que chegou comigo se abraçava com seus respectivos pais. Provavelmente estava escrito na minha testa o nervosismo que, se demorasse mais um, pouco viraria pânico. Eu estava começando a pensar se deveria correr de volta para Hogwarts quando a senhora ruiva, que eu sabia ser a mãe do Albus, olhou em minha direção, me vendo pela primeira vez.

—Ah, seu amigo veio! — ela falou animada, tirando o braço de volta do filho e vindo me cumprimentar — olá querido, seja bem vindo. Sou a mãe do Al.

—Oi, Senhora Potter, prazer em conhecê-la — minha voz saiu bem menos firme do que eu gostaria.

Nesse momento, o marido dela se voltou para prestar atenção com quem a esposa falava e, ao ver os olhos dele se estreitando mesmo que quase imperceptivelmente, eu sabia que as minhas suspeitas sobre a maneira que eu seria recebido estavam corretas. Ele veio se colocar ao lado da senhora que falava comigo.

—Não sabia que tinha mais convidados esse ano — ele comentou em tom sério, a cara completamente fechada.

—Amor, esse é o Scorpius, amigo do Al — a ruiva explicou para o bruxo mais famoso do mundo.

—Sei quem é — ele falou em tom seco, mas eu percebi o olhar feio dela, fazendo-o rever um pouco da recepção — prazer, Scorpius, fique a vontade.

As apresentações com a minha chegada chamaram a atenção do resto do grupo para mim, o que não fez nada para me deixar menos nervoso. Tias e tios do Albus vieram me cumprimentar, até que foi a vez dos pais da Rose, o que desintegrou definitivamente qualquer resíduo de tranquilidade que ainda existia no meu corpo. Ali na minha frente estava a mãe dela, de quem eu sabia que ela era a cópia exata, salvo as cores dos olhos e cabelos que pertenciam ao pai, que eu percebi já me olhar contrariado.

—Tudo bem? Seja bem vindo, é Scorpius, não é? — a mãe da Rose me perguntou com um sorriso simpático, eu quase ri do fato de que foi muito mais amigável do que o meu primeiro encontro com a filha dela.

—É sim, Sra Ministra, muito prazer em conhecê-la — eu nao consegui tirar o tom de admiração da voz, porque além de ser a mãe da garota por quem eu era apaixonado, Hermione Granger-Weasley, era uma das bruxas mais brilhantes de todos os tempo, e eu era um fã.

Ela riu da maneira que eu a chamei, me assegurando que eu não precisava de tanta formalidade. Já o pai da Rose se dignou a me dar um aceno de cabeça e ir logo se ocupar com outra coisa. Nós chegamos bem na hora do almoço, então fomos orientados a deixar as nossas coisas em algum lugar, lavar as mãos e seguir para o jardim atrás da casa, onde a mesa estava posta. Subimos as escadas até o banheiro e, enquanto eu esperava a minha vez de usar a pia, o Albus disse.

—Tá dando pra respirar ainda, ou sua cabeça já está entrando em modo de fuga? — ele zombou chacoalhando as mãos para se livrar do excesso de água.

—Sua família é…. grande — completei, meio sem saber como definir aquelas pessoas de maneira sucinta.

—Isso com certeza — ele concordou, me dando a vez para colocar minhas mãos sob a água.

—E seu pai e seu tio definitivamente não foram com a minha cara.

—Eles nem te conhecem ainda, Scorpius.

—Não foram com o meu sobrenome então — dei de ombros.

—A gente já imaginava que ia ser meio assim, né? Mas não se preocupe que temos a minha mãe e a tia Mione do nosso lado, elas vão manter os dois na linha — ele deu um sorriso travesso e eu acabei rindo junto e ficando um pouco mais tranquilo.

Chegamos ao jardim, onde a família toda já se reunia em volta de uma mesa gigante. Fomos em direção às duas cadeiras que se encontravam vazias, o Albus se sentou ao lado da mãe e eu puxei a cadeira perto da dele, porém antes de me sentar, uma voz me chamou atenção.

—Quem é esse rapazinho que eu ainda não conheço? — uma senhora de idade avançada estava atrás de mim, ela tinha o rosto gentil, as bochechas vermelhas, combinando com o emaranhado de cabelos ruivos, ali estava a vó Weasley.

—Esse é o meu amigo Scorpius, vó — o Albus se apressou a fazer as apresentações — veio passar as festas com a gente, não ia dar para ir para casa esse ano.

—Ainda bem que você veio então, passar o natal sozinho naquele castelo gelado não é muito animador, oh, mas onde estão os meu modos? Sou a Molly, querido — ela se aproximou e me deu um abraço, me deixando completamente surpreso com a reação — espero que você goste da comida, não é nada muito elaborado, mas você está tão magrinho, pode começar a encher o prato! — eu quase ri do jeito preocupado dela mesmo acabando de me conhecer. Ela se despediu, indo sentar ao lado do marido na ponta da mesa.

—Sua avó é muito legal — cochichei para o meu amigo assim que me sentei, ele concordou sorrindo.

—Mas se prepara que ela vai te fazer comer por um batalhão, é o que ela mais gosta na vida.

A refeição estava realmente uma delícia, uma conversa animada com os participantes nunca deixava de ecoar nos meus ouvidos, eu porém permaneci calado a maior parte do tempo, me atendo mais em observar. A Rose estava sentada de frente para mim, ladeada pelos pais. Prestei atenção em como estava descontraída com todos a sua volta, dando opiniões na maioria dos assuntos. Notei que às vezes o olhar dela se demorava em mim, e contive os sorrisos que sempre queriam aparecer nesses momentos. Do meu lado direito, estava sentada uma das tias do Albus, a que era francesa. Ela se virou para mim conversando sobre amenidades.

—Adorrei o seu cabelo, querrido — o sotaque dela ainda era carregado — é naturral? — ela passou os dedos pelo meu cabelo, me deixando meio sem graça, abri a boca para tentar formar uma resposta coerente, mas outra pessoa fez isso por mim.

—Claro que é natural, tia! — a Rose a olhou como se ela tivesse dito a maior besteira do mundo, mas ao direcionar meus olhos a ela, percebi no leve empinar do nariz e no franzir sutil da testa, que ela estava insatisfeita com alguma coisa.

Olhei curioso para ela, gostando de ver a reação imediata que a cena tinha causado, a tia dela fez a mesma coisa, o que a deixou um pouco hesitante, como se tivesse se tocado apenas naquele momento do que tinha falado. Rapidamente, ela empinou o nariz e emendou.

—Por que quem ia querer pintar o cabelo dessa cor? — o tom dela se esforçava para ser desinteressado, mas meu estômago se encheu de borboletas ao ver que ela estava de olho no que acontecia à minha volta e mais do que isso, parecia levar a sério a afirmação de que só ela podia bagunçar o meu cabelo.

O resto da refeição correu sem maiores incidentes, a Rose fez questão de não olhar para mim mais nenhuma vez sequer, mas isso ao invés de me deixar chateado, só confirmou a minha teoria anterior de que ela tinha ficado com ciúme. Depois que a mesa foi recolhida, a família se dividiu em vários grupos, se ocupando de atividades diferentes.

—Acho que está na hora da nossa revanche anual! — o pai da Rose falou se dirigindo a esposa e a filha.

—Está pronto para mais uma derrota, amor? — ela respondeu com superioridade.

—Nada disso, eu e o Harry estamos especialmente preparados esse ano, né Harry? — ele olhou em direção ao amigo, que lançou um olhar um tanto hesitante.

—Pela cara do tio Harry, pai, vocês vão levar uma surra de novo.

Eu não sabia do que se tratava, mas pelo jeito era algo que a Rose adorava, ainda mais ganhar, ao julgar pelo tom animado dela ao desafiar o pai.

—Porra, Harry, eu falei pra você estudar aquele livro de curiosidades! — o ruivo olhou feio para o amigo.

—E você estudou alguma coisa por acaso? — ele rebateu.

—Claro que não, por isso eu te mandei estudar — ele respondeu de cara feia.

—Ai, ai… vai ser outra vitória fácil para nós, meninas — a mãe do Albus se juntou à cunhada e a sobrinha — o tabuleiro já está na sala.

O grupo se dirigiu à mesa da sala, e eu não sabia se ia ou ficava.

—Anda, Scorpius, vamos — o Albus me chamou.

—Vamos aonde?

—Todo ano a gente disputa num jogo de perguntas e respostas, meninos contra meninas — aquilo me interessou, era bem o tipo de coisa que eu gostava — e todo ano nós perdemos, mas dessa vez vai ser diferente!

—Por quê? — perguntei curioso.

—Porque você vai jogar, claro!

—Vou? — ele assentiu — com o seu pai? — mais um aceno positivo de cabeça do meu amigo — e o seu tio?

—Sim, e eu e a Vic, que também adora esses jogos.

—Isso não vai dar certo, eles não vão me querer no time, Albus.

—Ah, vão sim, deixa isso comigo.

Os dois times já estavam posicionados em lados opostos da mesa, o Albus e eu, chegamos para nos sentar junto aos outros integrantes da ala masculina.

—Ele vai jogar, é? — o tio dele me olhou atravessado.

—Você quer ganhar esse ano, tio?

—Claro!

—Então aqui está a nossa chance — ele apoiou o braço no meu ombro, sorrindo confiante.

—Você sabe alguma coisa de alguma coisa, moleque? — ele me perguntou desconfiado.

—Sim, senhor! — respondi, mais alto e nervoso do que deveria.

—Hum… só acredito vendo — ele trocou algumas palavras com o Sr Potter antes de começarmos a jogar.

—Deixa eu explicar as regras para o nosso jogador novo — a mãe da Rose interrompeu a todos antes de ser lançado o primeiro dado — os dados são para quantas casas andamos no tabuleiro, e a casa que você cai, determina o tema da pergunta que seu time tem que responder. O outro time faz a pergunta, se você acertar ganha um ponto para o seu time, e a pessoa do time adversário fica com uma penalidade. Se você errar, o outro time ganha o ponto e você fica com uma penalidade. Cada três penalidades para um jogador, o elimina da partida, e assim vai indo até sobrar só um jogador que determina que time vai ganhar, entendeu?

Levei alguns segundos assimilando as informações e sedimentando as mecânicas do jogo na minha cabeça, eu não queria fazer feio. Eu estava em meio a família do Albus e da Rose, além de tê-la me olhando com ar de desafio o tempo todo. Tirando, sei lá da onde, uma competitividade que eu nem sabia que tinha, decidi que daria tudo de mim para fazer que aquele fosse o primeiro ano de vitória do time dos meninos, o difícil seria enfrentar os conhecimentos da Rose e da mãe dela, mas eu iria tentar.

—Deixa eu ver se entendi, então o melhor é colocar os jogadores mais fracos perguntando para os adversários mais fortes e o inverso nas respostas, certo? — os integrantes do meu time ficaram me olhando como se eu tivesse falado em alguma língua perdida.

—É isso mesmo, Scorpius — a ministra respondeu.

—Acho que ele entendeu o jogo mais rápido do que a gente em todos esses anos, Ron — o pai do Albus zombou o amigo, e eu fiquei sem graça com o elogio embutido na observação.

—Falei que ele ia ser uma ajuda — o Albus se vangloriou.

—Isso a gente vai ver quando ele começar a responder tudo certo — o Sr Weasley resmungou, ali estava uma pessoa difícil de convencer.

—Eu se fosse vocês, nem me animaria tanto, nosso time continua o melhor — a Rose tinha um sorriso presunçoso no rosto, que agora tinha virado a minha prioridade apagar e, já que não dava para ser com um beijo, teria que ser ganhando o jogo.

—Tá bom, chega de papo, vamos começar! — a Sra Potter declarou e os primeiro dados foram lançados.

Nosso time caiu numa pergunta de esportes e a mãe do Albus pulou para a opotunidade de fazer a pergunta. Para nossa sorte o pai da Rose era o mais entendido do assunto no nosso time e era ele que responderia.

—Vamos lá, Roniquinho — ela abriu um sorriso maligno para o irmão — qual o time campeão da copa de quadribol em 1934, com que placar e qual jogador fez o último ponto?

—Ei, não era uma pergunta só? — indaguei confuso.

—As regras são “maleáveis” — meu amigo explicou.

—Principalmente com essa minha irmã que adora me provocar, mas dessa vez não conseguiu, porque o país foi a França, com 250 a 200 e o último ponto foi feito pelo Henry Beauchamp — ele sorriu triunfante.

—Ele acertou — a ruiva respondeu de mau gosto.

—Claro que acertei!

Eu estava admirado com os detalhes na resposta.

—Viu, moleque, é assim que se joga — ele se dirigiu a mim, que apenas assenti.

A próxima pergunta para o time das meninas era sobre história da magia e a prima do Albus, que tinha se mantido praticamente calada até então, responderia. Todos os meus colegas de time se olharam hesitantes sobre quem deveria fazer a pergunta, aparentemente não era um tópico que nenhum deles gostava muito.

—Eu posso fazer a pergunta — me ofereci, era uma matéria que eu adorava.

—Só não vai estragar nosso jogo perfeito até aqui, viu! — o pai do Albus me advertiu, acabando por me deixar um pouco ansioso.

Procurei na minha mente entre todas as informações que eu sabia, buscando alguma que fosse difícil o suficiente para ela não saber.

—Em que ano foi promulgada a lei que tornava obrigatório o registro de criaturas mágicas no ministério? — fui recebido com sorriso pelo meu time, que aparentemente gostou da pergunta.

—Por Mérlin, não faço ideia… — a garota olhou para as colegas de equipe, a Rose e a mãe estava mortificadas, provavelmente porque sabiam a resposta.

—Ei, Vic, nada de olhar para elas, sem roubo! — o Albus reclamou.

—Ah, vou chutar 1897?

—Não, 1754, mais precisamente no dia 5 de novembro — corrigi.

—Ele está certo — a Rose resmungou contrariada.

—Claro que estou! E eu ia perguntar algo que eu não sei?

—Rose, sem ficar emburrada porque o seu time está perdendo, querida — o pai dela zombou, recebendo uma cara feia em resposta.

O jogo foi seguindo, perguntas sendo lançadas de um time ao outro. Logo ficou estabelecido que eu era o melhor jogador do nosso time, então fui poupado de fazer perguntas tanto para a Rose quanto para a mãe dela, me atendo a tentar eliminar as outras duas participantes e a responder na minha vez. Acabamos restando eu e o Albus, contra a Rose e a mãe. Eu e a Rose com uma penalidade e os outros dois com 2. A torcida estava acirrada para os dois lados, pelo jeito esse jogo não durava tanto tempo há vários e vários anos. Para a nossa sorte, a mãe da Rose caiu num tema de esportes, fazendo o marido dela se animar.

—Isso! É a nossa chance, meninos, perguntem qualquer coisa moderadamente difícil que ela não vai saber! — ele estava tão empolgado com a chance de ganhar que tinha até esquecido a animosidade comigo e nem pareceu ligar para o olhar mortífero que a esposa lançou em sua direção com a indicação de que ela não sabia algum assunto.

—Acho melhor você perguntar, Scorpius — o Albus me falou — eu sou o próximo a rodar o dado.

—Tudo bem — fiquei alguns segundos tentando decidir o que perguntar, não era a minha especialidade, isso era um tópico em que a Rose era muito melhor do que eu, mas tinha que ter alguma coisa que a minha adversária não soubesse. Não podia ser nada técnico, pois eu tinha certeza de que ela tinha lido livros sobre o assunto, teria que ser sobre algum campeonato. Foi aí que me ocorreu uma idéia, já fazia anos que ela tinha saído de Hogwarts e eu duvidava que ela tivesse se mantido atualizada.

—No campeonato de quadribol de Hogwarts, quantos títulos tem a Sonserina e qual foi a última partida ganha?

—Boa, moleque! — o Sr Weasley me deu um tapinha nas costas — Pode responder, amor.

A esposa dele ainda ficou alguns instantes ponderando o assunto, mas acabou desistindo.

—Você me pegou nessa, Scorpius, não vou nem tentar responder.

—Mãe! — a Rose protestou.

—Vou fazer o que, Rose? — ela deu de ombros, aceitando até bem demais a derrota — ainda temos você para garantir a vitória — ela sorriu, deixando a filha um pouco menos contrariada.

—Bom, a Sonserina tem 238 títulos e a última partida que ganhamos foi contra a Grifinória, né, Rose? — o final da minha resposta foi só para provocar, ainda mais que eu sabia que ela ainda não tinha engolido aquela derrota por tão pouco, ela perdeu o pomo no último instante.

Na próxima rodada a Rose — que ainda me olhava feio pela provocação anterior — destruiu com as chances do Albus de dar qualquer tipo de respostas fazendo uma pergunta sobre feitiços de defesa que desafiaria até o nosso professor da matéria.

—Agora é com você, Scorpius — meu amigo me encorajou.

A Rose me encarava com faíscas saltando dos olhos, por um momento acabei esquecendo que tinham os restos dos nossos times a nossa volta, toda minha concentração estava nela. Ela jogou os dados e caiu no tema de poções, droga! Eu era muito bom nisso, mas ela também.

—Vamos lá Rosie, agora somos só nós — eu provoquei, nem me tocando que tinha usado o apelido dela.

—Pode mandar a pergunta, Scorpy, só não vale sair chorando quando perder — ela respondeu convencida.

Apenas nesse momento eu percebi que tínhamos ficado tão focados um no outro que agimos como se não tivesse plateia, nos chamando de maneira que nunca tínhamos feito em público. Notei alguns olhares curiosos dos outros participantes, mas deixei aquilo de lado, até para não chamar a atenção do fato para a Rose, que permanecia alheia à informação.

—Qual o ingrediente faltando para a poção que contém, losna, raiz de valeriana e de asfódelo em pó? — não adiantava eu pensar muito sobre o assunto, qualquer coisa que eu soubesse, ela saberia também.

—Alguém andou decorando os ingredientes da poção do morto-vivo — ela respondeu vitoriosa — mas eu estudei também, o que falta é vagem sudorífera, preciso dizer o modo de preparo também?

—Não precisa — respondi seco, ela estava radiante com o ponto ganho, agora eram duas penalidades para mim e uma para ela, eu não podia errar a próxima pergunta de jeito nenhum.

Rolei os dados e cai no tema de personalidades, ali não tinha como saber sobre o que ela perguntaria, podia literalmente ser sobre qualquer bruxo importante.

—Não vai errar agora hein, moleque — o pai dela me advertiu sendo endossado pelo amigo.

—Agora falta pouco, nunca estivemos tão perto desde… acho que desde nunca na verdade — o Sr Potter completou.

—Vocês querem ficar quietos e deixar o Scorpius se concentrar? — quase agradeci verbalmente ao meu amigo, mas me mantive calado observando o semblante pensativo da Rose.

—Bom, personalidade pode ser qualquer bruxo importante, não é mesmo? — ela olhou a sua volta e eu sabia que viria uma pergunta sobre alguém da família dela, eu estava perdido — minha mãe se enquadra muito bem, então vamos lá: em que ano de Hogwarts a minha mãe deu um soco em outro aluno, que aluno foi esse e por quê?

—Ai, merda! O moleque nunca vai saber isso — o pai dela já tinha as mãos no rosto conformado com a derrota.

A Rose já me olhava com a cara triunfante de quem tinha ganhado o jogo e eu permaneci alguns segundos para realmente acreditar que ela tinha me perguntado aquilo. Eu só não caí na gargalhada porque quis manter a expectativa por mais tempo. Até entendi a lógica dela de me fazer aquela pergunta, eles provavelmente imaginavam que essa história nunca teria chegado aos meus ouvidos, mas a verdade era muito diferente, aí estava o problema de julgar as pessoas sem conhecê-las.

—Hum… — ainda enrolei fingindo pensar.

—Pode desistir logo, Scorpius, fica menos feio.

—Feio é você achar que eu não sei que a sua mãe deu um soco no meu pai no terceiro ano por causa do hipogrifo que estava quase sendo condenado — respondi como se não fosse nada, foi a vez do meu sorriso ficar imenso e do dela se dissolver.

—Mas… — ela estava incrédula com o meu acerto.

Olhei à minha volta e percebi todos me encarando com olhares idênticos de surpresa.

—E não é que o Malfoy contou isso por aí… — o Sr Weasley falou para ninguém em especial.

—Até o Draco está surpreendendo a gente hoje, acho que vamos ganhar! — o pai do Albus falou.

—Eu não acredito que você sabe essa história — a mãe da Rose disse rindo.

—Ah, já ouvi várias vezes — falei dando de ombros — meu pai sempre conta porque a minha mãe adora essa história, ela diz que se conhecesse a senhora pessoalmente um dia, ia agradecer — contei sorrindo ao lembrar da vez em que a minha mãe nos disse isso quase chorando de tanto rir.

—Diga a ela que eu falei de nada — ela respondeu bem humorada.

—Chega de enrolar, temos uma partida para terminar! — a Rose chamou atenção de volta para o jogo, lançando os dados e caindo no tema de famílias bruxas.

A ideia veio automaticamente à minha cabeça e eu abri um sorriso que a deixou ainda mais furiosa.

—Se você pode perguntar sobre a sua família, eu posso perguntar sobre a minha, quem foi o primeiro Malfoy a chegar ao Reino Unido, da onde ele veio e quando? — ela me olhou incrédula — parece que alguém andou negligenciando a história de algumas famílias bruxas, não Rose?

—Como você quer que eu saiba isso?

—Essa é a graça, eu não quero que você saiba.

—Essa pergunta não vale, Scorpius!

—Ah, vale sim! — meu time todo entoou em conjunto.

—Vai dizer que não sabe? — ela bufou e cruzou os braços se recusando a dizer as palavras — vou tomar isso como um sim, mas só para perguntas futuras foi o Armand Malfoy que chegou em 1066 da França.

—GANHAMOS! — meu time levantou em comemoração, me puxando para me juntar aos gritos e comemorações, enquanto o outro time permanecia boquiaberto e incrédulo.

—Até que você sabe alguma coisa, Scorpius! — o pai da Rose falou, me deixando feliz por ter subido do status de “moleque”.

Os adultos do nosso time começaram a fazer um escândalo chamando a atenção da família toda para o fato de um acontecimento inédito ter se passado há pouco. Eu me senti muito feliz e satisfeito por ter conseguido me sair bem, porém quando olhei de novo para a Rose, ela tinha levantado e estava saindo a passos duros da sala. Olhei para todos e vi que ninguém estava prestando muita atenção em mim e a segui. Ela saiu pela porta da frente se sentou no banco do jardim de entrada. Fazia um frio agressivo naquela hora da tarde, mas ela parecia não ligar, mesmo estando só com uma blusa de lã.

—Você ficou brava comigo? — perguntei me sentando ao lado dela.

—Claro que você veio se vangloriar — ela revirou os olhos.

—Não vim!

—Veio pra que então? Foi só sorte de principiante — ela cruzou os braços ainda de cara fechada olhando para frente, sem me encarar.

—Não queria que você ficasse brava por causa de um jogo bobo, Rosie — subi a mão até a bochecha dela que já estava rosada pelo frio, fazendo carinho com os dedos.

—Não é um jogo bobo — ela disse, agora um pouco menos incisiva — e não me chame de Rosie. — Fazia tanto tempo que ela não reclamava disso, que eu acabei rindo.

—Não te ouvi fazendo objeções lá dentro e eu nem reclamei quando você me chamou de Scorpy — ela se virou imediatamente para mim e eu retirei a minha mão do seu rosto, pousando-a no espaço entre nós.

—Eu não chamei!

—Chamou sim, nem percebeu — dei de ombros.

—Você roubou com aquela pergunta final — ela desviou o assunto de maneira magistral.

—Todo mundo discorda.

—Então está todo mundo errado.

—Você vai ficar o resto do feriado brava comigo?

—Talvez… mas amanhã vai ter disputa de quadribol e as coisas podem mudar.

—Por quê? — perguntei curioso.

—Porque você vai jogar e eu vou acabar com você — finalmente ela sorriu, mas foi um sorriso maldoso, não importava, eu amava todos os sorrisos dela.

—Eu deixo você acabar comigo quando quiser — sorri também, mudando o foco da conversa para algo muito mais agradável.

—Lá vem você — ela revirou os olhos novamente, mas eu vi o sorrisinho no canto da boca.

—Tá vendo, já estou te fazendo sorrir, vem cá para eu terminar o serviço — sem esperar a resposta dela, puxei-a pelos ombros e colei meus lábios nos dela num beijo delicado e sutil, que não durou muito.

—Estamos no jardim da minha vó, Scorpy — ela falou, porém sem se afastar.

—Que bom que está todo mundo lá dentro então — roubei mais um beijo, subindo a minha mão pelos braços dela até chegar ao rosto que eu senti gelado na ponta dos meus dedos — você está congelando, vamos voltar lá pra dentro.

—Não adianta ser todo bonzinho, Scorpy, ainda vou te jogar da vassoura amanhã — ela resmungou, mas aceitou a minha mão quando eu me levantei e a incentivei a me seguir de volta para o ambiente mais aquecido.

Notas finais
E aí. o que acharam? Eu achei foi bem feito a Rose ter perdido hauhauha Quem mandou todo mundo continuar achando que o Draco era o mesmo imbecil da época da escola? Meio difícil ele ter um filho tão fofo e lindinho igual ao Scorpius se ainda fosse um babaca, né? Parece que até o Ron já não está olhando feio pro Scorpy, mas temos que levar em consideração que ele neeeeem sonha que o garoto encostou na filha dele hauhauha Como será que vai ser esse jogo de quadribol do dia seguinte?? Quem vai ganhar? Façam suas apostas! E não esqueçam de me dizer nos comentários tudo o que acharam. Nos vemos no próximp capítulo Bjus