All of me

5 Capítulo 05


Notas iniciais
Olá a todos! Estou um pouco atrasada com esse capítulo, mas estar de férias é assim mesmo hauhauha Espero que vocês gostem :)

Acordei algumas horas depois, na verdade sem nenhuma ideia do horário, no entanto eu sabia que não podíamos ficar ali para sempre. A Rose ainda dormia agarrada a mim, sem nenhum sinal de que acordaria em breve, eu teria que chamá-la. Fiquei adiando o momento, olhando-a com o semblante pacífico e tranquilo que geralmente não ficava à mostra quando ela estava com pessoas à volta. Gostei de saber que ela se sentia relaxada e confortável ao meu lado, mais um motivo para aumentar o meu sorriso.

Eu podia muito bem esperá-la acordar sozinha, mas eu sabia que quanto piores fossem as consequências dessa nossa transgressão às regras, menores seriam as chances dela cogitar qualquer tipo de repetição. Por isso eu levei a mão aos cabelos dela e chamei seu nome baixinho enquanto a acariciava, esperando ser o suficiente para fazê-la abrir os olhos. Ela nem se mexeu com a minha primeira tentativa, aparentemente Rose Weasley tinha o sono pesado, mais um item para a minha coleção de coisas que eu sabia sobre ela, e esse era um que bem poucos deviam ter conhecimento. Eu não queria simplesmente chacoalhá-la, ninguém gosta de ser acordado assim, então decidi distribuir beijos rápidos pelo ombro dela até chegar ao seu pescoço, onde eu tinha feito também outra descoberta: ela sentia cócegas.

Ela respirou mais fundo quando meus lábios fizeram contato com a pele do pescoço e finalmente a senti se mexer quando eu substitui minha boca por um arranhão de leve com os dentes. Ela se espreguiçou e eu levantei os olhos a tempo de ver os dela se abrindo. O rosto, ainda marcado pelo sono, se enfeitou com um sorriso no canto dos lábios que eu já estava com vontade de beijar de novo. Fiz menção de levar minha cabeça até a altura da dela, porém ela infiltrou a mão nos meus cabelos, enroscando os dedos nas mechas e me mantendo no lugar.

—Posso saber por que você me acordou? — ela resmungou com a sua característica autoridade.

—Que tal porque aqui não é onde teríamos que estar quando o castelo inteiro acordar? — respondi olhando brincalhão, mesmo que eu não quisesse sair dali, eu sabia que ela pensaria nisso, não adiantava deixar o assunto de lado, mas não me impedia de encarar tudo como um desafio.

—Ah, então enquanto todo mundo dorme não tem problema? — ela levantou a sobrancelha, mas eu a vi prensar os lábios para segurar um riso.

—Tem? — por mim não tinha problema nenhum, mas eu estava mais interessado na opinião dela sobre o assunto.

Fiquei ansiosamente aguardando a resposta, porém ela apenas largou os meus cabelos e riu com gosto, se desviando totalmente de me dar alguma informação concreta. Aproveitei a minha nova liberdade de movimento e me inclinei completamente sobre ela para abafar os risos com um beijo que ela não demorou para corresponder.

—Você não me respondeu — eu insisti, separando momentaneamente nossas bocas.

—Beijos ou respostas? Você não vai ter os dois — ela respondeu num tom atrevido.

Fiquei sem saber o que fazer, eu queria os beijos, mas também queria saber o que ela pensava de tudo o que tinha acontecido, porém ela não me deu uma real escolha, pois se aproximou novamente de mim, jogando a opção de exigir respostas pela janela quando mordeu o meu lábio, puxando-o de encontro a si. Ficamos algum tempo perdidos nos braços um do outro, o lençol que nos cobria já estava embolado aos nossos pés. Ela girou o corpo passando a perna por cima de mim para se acomodar sobre o meu corpo. Foi mais fácil conseguir deslizar a mão sobre as costas dela, me demorando na parte detrás das coxas, seguido de uma aperto mais forte na bunda que a fez gemer, como eu sabia que faria. Eu já estava me deixando levar pela nova onda de sensações, mas estava determinado a não deixar o que aconteceu por isso mesmo. Então levei a mão ao rosto dela e a mantive longe quando nossas bocas se separam em busca de ar.

—Rosie, sobre ontem… — comecei, mas notei instantaneamente pelos olhos dela que o assunto não era muito bem vindo.

—Vamos não falar disso — ela se desvencilhou da minha mão e afundou o rosto no meu pescoço.

—Não falar? — consegui perguntar antes que ela roubasse as minhas palavras também.

—Foi bom — ela levantou o rosto para me encarar séria — pronto.

—Só isso? — eu precisava de mais, porém com a pessoa que eu estava lidando, tudo tinha que ser feito de formas camufladas e esquivas, qualquer confronto direto a faria correr, isso eu tinha total certeza.

—Agora eu sei que você tem outros talentos além de beijar — o sorriso indecente que surgiu em seu rosto me fez engolir em seco, quando ela me provocava assim, eu perdia completamente a linha de pensamento, e eu jurava que ela sabia disso.

—Ah, mas agora eu sei várias coisas sobre você também — provoquei, o melhor era mudar de estratégia e entrar no jogo dela, quem sabe assim eu não conseguia pelo menos um pouco do que eu queria, que era arrancar dela alguma resolução.

—Como por exemplo? — foi a minha vez de sorrir com atrevimento, antes de me inclinar em direção ao ouvido dela e responder.

—Sei diretinho onde apertar pra te fazer gemer — eu estava sendo muito mais ousado do que de costume, mas a Rose não jogava com apostas baixas e eu não podia ficar para trás, era um jogo que eu participava há muito tempo para aceitar derrota.

—Dá pra ser mais abusado? Foi pouco — rimos em conjunto, me dando um gostinho dessa nova dinâmica.

—Mas agora você e eu…. — comecei com cautela, tentando voltar ao assunto que eu realmente queria discutir.

Ela saiu de cima de mim, se ajeitando de novo ao meu lado, de forma a me encarar, não gostei nada da mudança, já sentindo falta do contato mais completo.

—Scorpius, não somos namorados — ela falou convicta. Claro que não éramos namorados, ela nunca ia aceitar nada tão fácil, mas eu adoraria escutar o contrário — não quero que você confunda as coisas.

—Confundir o que com o que? — eu queria ouvi-la dizer.

—Não é pra você pensar que eu… gosto de você nem nada — levantei a sobrancelha nem me dando ao trabalho de esconder meu sorriso irônico ao escutar a hesitação na voz dela — e não faz essa cara!

—Não to fazendo cara nenhuma — dei de ombros, exagerando na inocência.

—Ta sim! — ela protestou, quase me fazendo rir com a cara de contrariada que me lançou — você sempre me olha como se soubesse melhor do que eu o que eu estou sentindo, notícia pra você: não sabe!

O problema era: eu tinha quase certeza que sabia sim. Ela gritaria e espernearia dizendo até o fim que estar junto comigo não tinha significado nada, mas então por que ela hesitou ao dizer que não gostava de mim? E por que as mãos dela ainda continuavam a passear pelo meu corpo, mesmo que fosse num carinho apenas com a ponta dos dedos? Talvez fosse só a minha mente insanamente otimista, como diria o Albus, mas precisaria de mais do que essa afirmação para me convencer que ela não me queria por perto.

—Mas bem que eu queria saber — resmunguei brincando, tentando trazer de volta o clima mais descontraído.

—Outra coisa — ela tinha a cabeça apoiada numa mão, e a outra cessou o contato com a minha pele para apontar o indicador quase na minha cara — não quero ninguém sabendo disso, ouviu! Nem o Al, mantenha essa boca — ela pegou a minha boca, apertando-a com os dedos — fechada — me puxou contra si, esmagando os lábios nos meus, num beijo rápido.

—Eu posso até não abrir a minha boca, mas ele vai perceber, Rosie, é o meu melhor amigo, vai ler na minha cara — confessei. Eu fui sincero, sempre contei tudo ao Albus, mas mesmo que fizesse diferente dessa vez, ele com certeza saberia, até porque minha cama não teria ficado vazia por nada.

—Quer que eu brigue com você para resolver esse problema? Posso providenciar.

—Você não quer brigar comigo — lancei um sorriso presunçoso antes de continuar — prefere mais me beijar que eu sei.

—Alguém aqui está muito convencido — ela deslizou a mão pelo lado do meu corpo até chegar na minha cintura, me causando um arrepio que a fez sorrir satisfeita.

—E como vamos fazer isso — prendi uma das mechas vermelhas do cabelo dela nos meus dedos, brincando com os fios — você vai embora eu vou embora e aí?

—E aí nada… a gente se fala.

—Que vago — não gostei da resposta.

—E o que você quer? — ela me olhou interessada.

—O que eu quero, você não quer escutar — ela fez cara feia, não precisei nem completar o meu pensamento porque para mim, eu não a largaria mais, só que eu sabia não ser o que ela tinha em mente, pelo menos por enquanto, mas eu seria paciente.

—Que tal sermos amigos? — ela sugeriu com humor nos olhos.

—Amigos… — saboreei a palavra — Acho que não dói, né? E como isso funcionaria? — eu estava genuinamente curioso para saber o que ela imaginava para uma relação entre nós.

—Amigos conversam, dão risada, acho que você ia ficar feliz seu eu não te olhar feio mais, não? — o olhar de superioridade que ela me lançou era tão a cara dela que eu quase cai na risada, mas me contive, era uma parte muito importante da nossa conversa para quebrar o momento.

—Depende — respondi — vem com beijos?

—Vem — ela se inclinou para me beijar, dando uma certa tranquilidade para o meu coração — por enquanto os seus sãos os melhores que eu conheço — e se dependesse de mim, ela não ia sair por aí provando mais nenhum.

—Preciso ir — ela declarou se afastando — aliás você também, seu caminho é maior que o meu.

—E como você sabe disso? — perguntei intrigado.

—Você acha que eu não sei onde são as entradas de todas as casas? Por favor! — ela soou quase ofendida com a minha falha ao pensar no assunto.

—Claro que você sabe…

Ela se levantou da cama, pegando rapidamente a calcinha e o sutiã que estavam jogados no chão ali perto e colocando-os. Eu fiquei observando em silêncio, porém ela notou o que eu estava fazendo e me lançou um olhar que dizia sem palavras que era melhor eu começar a fazer a mesma coisa e parar de ficar só olhando se não quisesse irritá-la. Vesti rapidamente a minha cueca e a calça. O resto das nossas roupas estava mais longe, peguei o amontoado de tecido do chão e fui até a Rose para entregar-lhe o vestido. Coloquei sem maiores problemas a minha camisa, não me dando ao trabalho de fechar o colete ou recolocar a gravata que permaneceu desamarrada em volta do meu pescoço. Eu precisava apenas calçar os meus sapatos para estar pronto para partir, mas foi aí que percebi que ela não estava tendo tanta facilidade quanto eu. Ela já tinha colocado o vestido no lugar, mas estava lutando com os fios que o prendiam às costas.

Me posicionei atrás dela e peguei o tecido que estava em uma de suas mãos. Ela sobressaltou por não ter notado a minha aproximação.

—Deixa que eu ajudo.

—E você sabe alguma coisa sobre colocar vestidos por acaso? — ela respondeu, sempre desafiadora.

—Bom, parto do princípio que se eu sei tirar, colocar não deve ser tão difícil — ela virou o rosto para mim e a vi revirando os olhos para o meu comentário, o que me impulsionou a beijar-lhe a bochecha antes de voltar a minha atenção para a tarefa a minha frente.

—Anda logo que eu não tenho o dia todo — ela reclamou.

—Calma, que estou quase terminando — o vestido era preso por várias voltas daquele tecido que formavam “X”, eu tinha chegado quase ao último que terminava na base da coluna, logo abaixo da cintura — tá, já coloquei todos.

—Então puxa, ué.

—Tá bom assim? — perguntei depois de ter aumentado a tensão dos fios.

—Ainda está frouxo, vai escorregar desse jeito — puxei mais — agora você quer me deixar sem ar, é?

—Prefiro outras maneiras de te deixar sem ar — ela não falou nada, mas eu vi, no rosto ligeiramente inclinado em minha direção, um sorriso se formando. Aquela dinâmica de comentários atrevidos estava me agradando muito.

Soltei as amarras num nível intermediário e dei o laço no final, ganhando a aprovação pelo serviço. Ela calçou as sandálias e declarou que já podíamos sair.

—Ainda deve estar bem cedo, e num sábado não deve ter ninguém nos corredores, mas não vai ficar desfilando por aí! Vai com cuidado e rápido — achei graça na preocupação dela em me orientar na minha primeira volta ilícita para o dormitório, mas eu não era nenhum idiota, claro que não ficaria a toa em nenhum canto.

—Tudo bem, faça o mesmo então — zombei, e ganhei um torcer de nariz,

Chegamos até a porta da sala precisa, quando a abríssemos, seria cada um para o seu lado, a pequena bolha onde estávamos desde ontem, se estouraria sem volta. Ficamos encarando a saída, até que ela se virou em minha direção e eu imitei o movimento, nos encarando em silêncio por alguns instantes.

—Tchau, Rosie — eu falei colocando a mão na cintura dela.

—Você vai ficar me chamando assim?

—Vou, eu gosto do som — respondi, além de saber que ninguém a chamava dessa maneira.

—Se você continuar a me chamar por esse apelido besta eu vou te chamar de Scorpy só para você ver como é bom — a resposta dela veio acompanhada de um sorriso maldoso.

—Ah não, Scorpy é milhões de vezes pior — resmunguei. Meu nome já era estranho o suficiente para eu ainda ter que sofrer com algum apelido.

—É só não me chamar de Rosie.

—Acho que eu me acostumo com esse apelido — eu não ia parar só por causa desse percalço, até porque eu duvidava que ela fosse realmente me chamar assim, diria a todos muito mais do que ela gostaria de admitir.

—Vamos ver… tchau, Scorpy — ela estalou um beijo nos meus lábios e correu para abrir a porta, saindo depois de olhar atentamente para os dois lados.

A volta para o dormitório foi mais tranquila do que eu imaginava, não encontrei ninguém no caminho, por mais que tenha me assustado várias vezes pensando ouvir passos. A última coisa que eu precisava era de algum professor me encontrando nos corredores, ou pior ainda: a diretora McGonagall. Isso me renderia uma detenção infinita e um adendo no meu histórico escolar que não estava nos meus planos. Ainda estava cedo demais para os meus colegas estarem acordados, então consegui cruzar a sala comunal sem ser notado e entrar no dormitório que eu dividia com o Albus e mais dois alunos do meu ano. Fui pé ante pé até a minha cama, porém antes que eu pudesse me esconder por detrás das cortinas, o Albus abriu as da cama dele, me olhando acusador.

—Ah, e não é que ele está vivo? — perguntou em voz baixa cruzando os braços.

—O que você está fazendo acordado, Albus?

—Eu poderia te perguntar o mesmo… e mais um monte de outras coisas, começando com: onde você estava até agora?

—Em lugar nenhum — dei de ombros tentando disfarçar, eu era péssimo nisso.

—Ah sim, claro. Você podia ter sido pego andando por aí! Isso ia nos custar vários pontos, a casa está indo muito bem no torneio desse ano! — ele argumentou ainda bravo

—E desde quando você se importa com isso?

—Mas você se importa, o que deixa tudo mais estranho ainda.

—Vou dormir, você devia fazer o mesmo — eu já tinha me ajeitado debaixo das cobertas, nem me importando de colocar o pijama, era para dormir só mais um pouco de qualquer maneira.

—E essa sua cara está animada demais… não vai me contar mesmo? Geralmente eu escuto muito mais do que quero saber — eu ainda não tinha conseguido apagar o sorriso do meu rosto, e provavelmente nem dos meus olhos.

—Já falei que estava em lugar nenhum — repeti.

Ele ficou calado me observando atentamente, até que seus olhos se arregalaram.

—Ai meu Deus, é a Rose, só pode ser! Essa cara de besta, não pera… como assim a Rose? Você e ela… vocês…

Ele me olhou confuso e eu acabei entregando tudo com a minha cara, do jeito que eu falei para a Rose que aconteceria, simplesmente era impossível esconder as coisas do Albus.

—Eu estava com a Rose

—Desde ontem? — eu assenti — até agora? — a cara de espanto dele só foi aumentando.

—Sim.

—Não vou perguntar o que aconteceu… eu provavelmente não quero escutar nada disso, mas… você saiu vivo, então parabéns

—Ela que foi atrás de mim — declarei convencido.

—Hã?

—Me viu junto com a Polly e só faltou explodir a cabeça da menina — expliquei com um sorriso satisfeito.

—Essa história está ficando cada vez mais estranha — ele estreitou os olhos.

—Aí ela começou a me beijar e… — eu já estava me empolgando ao lembrar de tudo.

—E é a hora que você para, esqueceu que tá falando da minha prima? — ele interrompeu o monólogo que eu começaria.

—Tá bom, ela falou que não era pra te dizer mesmo…

—Agora eu entendo a falta de vontade em compartilhar os acontecimentos! — parece que uma peça tinha se encaixado na mente dele.

—Então você não sabe de nada — avisei, agora num tom mais sério.

—Se você insiste, então agora vocês então tipo… juntos?

—Ah não… de acordo com ela, somos amigos.

—Cara, sua vida dá pena, é muito esforço pra pouco resultado — ele zombou.

—Pouco? Com licença se eu meço minhas conquistas de maneira diferente de você, estou cada vez mais perto de chegar aonde eu quero — afirmei satisfeito com o andar das coisas.

—Eu provavelmente vou me arrepender disso, mas onde é esse lugar?

—No coração dela, claro.

Notas finais
Essa Rose não ia aceitar as coisas de maneira simples, né! Oh menina teimosa huahauh Mas o Scorpius não vai desisitir, não tem a cara dele! O que vocês acharam das ações dele? O que esperar para o próximo capítulo? Não esqueaçam de me deixar um comentário com suas opiniões, amo saber o que vocês acham. Até o próximo capítulo Bjus