All of me
19 Capítulo 19
Notas iniciais
A manhã seguinte realmente chegou com uma integrante a mais no meu dormitório. Claro que o que nós dois menos fizemos foi descansar, então acabamos dormindo mais do que deveríamos, nada muito seguro naquela situação, Eu ainda sentia o corpo da Rose enroscado no meu quando uma voz exasperada interrompeu meus sonhos.
—Morreu aí na cama, Scorpius? Já perdeu o café da manhã, vai perder o almoço também? — pelo tom de voz do meu amigo, não demorava muito para ele sacudir minhas cortinas e me arrastar para fora da cama.
O barulho acordou a Rose também e eu tampei de leve a boca dela para que o Albus não escutasse. Quando ela finalmente conseguiu entender o que estava acontecendo, seus olhos se arregalaram de um jeito que eu achei quase cômico. Claro que não era a minha ideia favorita a do meu melhor amigo descobrir que eu estava namorando a prima dele com uma situação assim, porém não seria o fim do mundo, já que por conta do feriado, o dormitório estava praticamente vazio.
—Já vou, Albus… acabei ficando acordado até mais tarde ontem terminando uns trabalhos… — tentei manter a risada que queria sair longe da minha voz, nada muito fácil, ainda mais com a Rose tendo que segurar o riso também — pode ir na frente, eu te alcanço.
—Você acha que eu sou idiota, Scorpius? Anda logo senão perco a paciência e você vai ter que se virar sozinho pra contrabandear a Rose pra fora daqui.
—Como você sabe? — a surpresa da declaração, me fez abrir de vez a cortina e encarar meu amigo que tinha um olhar muito convencido no rosto.
—Scorpy! Quem disse que ele sabia? — levei um tapinha da ruiva, sem que, no entanto, ela fizesse menção de se esconder.
—Como eu disse, cara prima, não sou idiota. Em sete anos de escola nenhum de vocês jamais perdeu o horário, não existe coincidência num sumiço conjunto, ainda mais de vocês dois.
—Seu palhaço — peguei um dos travesseiros e joguei na direção dele, mas ele conseguiu pegar o objeto sem ser atingido — vamos ter uma conversa mais tarde sobre suas intervenções — eu provoquei.
—Se eu fosse deixar tudo por conta dos dois, Hogwarts ia fechar antes de vocês se entenderem… aliás — ele olhou de mim para ela atenciosamente — tudo certo agora?
—Sim! — respondemos ao menos tempo e meu coração deu um pulinho ao olhar em direção à Rose e ver um sorriso sincero estampado em seu rosto.
—Por Mérlin, já começaram com essas coisinhas de casal — ele revirou os olhos, mas eu conhecia meu amigo o suficiente para reconhecer que ele estava feliz.
—Não seja invejoso, Al — a Rose provocou antes de se afastar e levantar da cama — mas agora andem logo os dois, eu tenho que passar na minha sala comunal antes de irmos comer.
—Mandona como sempre… — o Albus torceu o nariz com a ironia carinhosa que sempre reservava à prima — estava quase com saudade de você assim, bem vinda de volta.
—De volta da onde? — ela ficou confusa.
—De onde quer que você tenha se enfiado quando estava brigada com aquele ali — ele apontou para mim — você calada dá mais medo….
—Não vou nem te retrucar, mas só porque estou feliz hoje — ela deu de ombros e eu ri enquanto trocava o pijama por uma roupa qualquer.
—Eu estava errado, você feliz dá mais medo ainda!
Mesmo com a escola consideravelmente vazia em relação à épocas normais, uma aluna passeando em uma casa que não fosse a sua era algo levado muito a sério. Sabíamos que a punição por isso era severa então não nos arriscaríamos, por mais que eu tivesse plena convicção de que o fato ocorresse bem mais frequentemente do que se imaginasse. A ajuda do Albus facilitou muito a vida, de modo que não demoramos para conseguir levar a Rose até a torre da Grifinória, onde ela pode se trocar para não perdermos o almoço.
Meu amigo acabou indo na frente para o Salão Principal e, enquanto eu fiquei esperando a minha namorada, percebi o quanto eu estava com fome.
Minha namorada!
Um sorriso me veio ao rosto ao notar o quão natural o pensamento me chegava à mente. Eu sentia como se fosse assim há muito tempo. Eu vi de longe no corredor o buraco do quadro se abrindo e a minha ruiva favorita surgindo. Ela me buscou com os olhos e sorriu de volta ao me encontrar ainda pensando nela.
—Tão feliz assim de me ver, Scorpy? — ela provocou se esticando na ponta dos pés para me dar um beijo rápido — só fiquei longe uns minutos.
—Cada minuto é uma eternidade — respondi com a voz mais dramática que consegui imitar, arrancando risadas de nós dois.
—Esse meu namorado é um exagerado — ela revirou os olhos, ainda sorrindo e eu tive a certeza de que nunca me cansaria de ser chamado assim, a pirueta do meu coração era a prova — anda, vamos, estou morrendo de fome.
Ela enroscou os dedos nos meus e fomos andando lado a lado em busca da comida que nossas barrigas já exigiam. Eu estaria mentindo se dissesse que não foi uma sensação diferente a de caminhar pelos corredores da escola com a mão da Rose na minha, por mais que não houvesse ninguém por perto para ver. Aquela situação foi um sonho distante por tanto tempo que a realidade estava demorando para se assentar.
Chegamos ao nosso destino e, sem perceber, ambos paramos na porta, nossos olhos imediatamente se procuraram. Vi uma pontada de preocupação passando pelo rosto da Rose e eu não seria mentiroso a ponto de dizer que estava completamente despreocupado. Nos mantemos em silêncio, mas ela foi a primeira a falar:
—Como a gente faz isso? — ela separou a mão da minha, passando os dedos pelos cabelos, de fato estava apreensiva.
—Não tem jeito certo nem errado, não é?
—Acho que não precisamos fazer nada, só entramos e…
A Rose sempre seria a Rose. Ela gostava de ter controle de tudo, até do fato de como toda a escola, principalmente sua família, descobriria que ela agora tinha um namorado e não qualquer um! Um namorado da sonserina, um Malfoy. Seria a fofoca do ano.
—Isso, não vamos fazer nada — peguei de novo a mão dela na minha, pronto para encarar pessoas pela primeira vez, já que o Albus não contava. Eu estava prestes a dar o primeiro passo quando ela me impediu.
—Você está nervoso? — ela apertou ligeiramente os olhos como se quisesse ver mais do que aquilo que estava em sua frente.
—Um pouco — eu dei de ombros — mas não por sua causa! — eu me apressei em completar, não queria um mal entendido.
—Eu sei que não — ela respondeu com humor na voz antes de voltar a ficar séria — eu já te falei que a minha família te ama, Scorpy — me assegurou novamente.
—Me amam sendo seu amigo… — nem eu mesmo sabia que me sentia tão inseguro em relação àquilo. Eu gostava de todos os Weasleys e Potters, não queria que nada mudasse.
—E vão te amar ainda mais como meu namorado.
—Até o seu pai? — eu zombei, por mais que estivesse bem interessado na resposta.
—Hum… uma coisa de cada vez, certo? Vem.
Ela não me deu mais tempo de ficar pensando em coisas que pudessem me deixar preocupado e partiu em direção ao salão. Eu não saberia dizer exatamente o que esperava, talvez pela situação ser tão inacreditável para mim, eu imaginasse que seria como se aparecêssemos com fogos de artifício acima das nossas cabeças. Porém o salão Principal — mais vazio do que de costume pelo feriado — permaneceu o mesmo, sem quem ninguém levantasse sequer a cabeça em nossa direção enquanto passamos por entre as mesas para chegar até a da Grifinória onde o Al e o resto da família já comiam.
Claro que ali a reação foi diferente.
Ainda tínhamos as mãos enlaçadas quando tomamos nossos lugares e eu estava tentando com muito afinco impedir que um sorriso do tamanho do mundo surgisse no meu rosto.
—Até que enfim, por Merlin! — zombou o Hugo que estava do outro lado da mesa, de frente para nós.
—Não entendi do que o meu irmão intrometido está falando, você entendeu, Scorpy? — minha namorada me olhou com uma expressão clara de diversão, era um lado muito mais solto e divertido da Rose que eu tinha visto raras vezes.
—Nem um pouco, Rosie — fiz questão de usar o apelido assim como ela tinha feito — ele deve estar imaginando coisas — completei dando de ombros.
—Olha como eles já são insuportáveis — o Albus revirou os olhos, demonstrando um incômodo fingido, pois ele ria.
—Se vocês demorassem mais uma semana para ficarem juntos de vez eu ia trancar os dois numa sala até que isso se resolvessem — Lily não era das mais falantes, então foi engraçado ouvir sua reação.
—Você ia roubar! — o ruivo mais novo reclamou.
—Isso não é roubar, Hugo! É apenas direcionar a sorte ao meu favor — ela lançou um sorriso confiante — falando nisso, você está me devendo! Os dois, aliás — ela olhou do primo para o irmão estendendo a mão.
—Devendo? — a Rose perguntou curiosa.
—Ótimo, desmiolada, precisava cobrar aqui? — o Hugo torceu o nariz, o que tornou tudo ainda mais estranho.
—Está com medo do que a Rose vai dizer quando contarmos que fizemos uma pequena aposta? — o sorriso diabólico na cara de Lily me mostrou de vez por todas que ela era uma Potter perfeita, já tinha visto a mesma imagem na cara de James e Albus várias vezes.
—Agora vocês tem que explicar bem detalhadamente sobre essa aposta — exigiu Rose, por mais que fosse fácil adivinhar o que aconteceu.
—Nós estávamos meio entediados com a falta de acontecimentos com vocês brigados — Hugo deu de ombros.
—E? — minha namorada os incentivou a continuar.
—E aí apostamos para ver quem adivinhava quanto tempo demoraria para vocês se acertarem.
—Vocês fizeram uma aposta sobre nós? — a cara da Rose se fechou completamente e em segundos, os primos e o irmão arregalaram os olhos alarmados.
—Foi só uma brincadeira, Rose… — o irmão dela começou a se explicar.
—No final das contas foi a Lily que ganhou — meu amigo estava tentando se safar também, mas foi aí que eu vi a boca da Rose se inclinar ligeiramente para cima, os olhos com um brilho diferente.
Ela estava brincando com eles.
—Pois saibam que isso é um absurdo e não vai ficar assim!
—Rose, você não precisa envolver a mãe nisso! Foi só um passatempo — pelo jeito era a ameaça que sempre funcionava, pois agora eu via que os três tinham ficado tensos de verdade.
—Claro que não, mas eu quero minha parte do prêmio — ela finalmente quebrou a seriedade em risada e os três levaram alguns instantes para se recuperar do choque, só não sei se de perceber que não estavam enrascados, ou de que a Rose estava brincando tão abertamente.
—Você não está brava? — o Hugo perguntou incrédulo, para qual recebeu uma resposta negativa da ruiva.
—Nem um pouco? — emendou o Albus.
—Credo, parece que vocês querem que eu fique brava! Sou tão assustadora assim, Scorpius? — ela virou para mim e foi minha vez de rir.
—Claro que não, Rose, só é a regra em geral — ela torceu o nariz pra mim e voltou a rir da cara dos primos.
—Só foi engraçado ver vocês sem jeito.
—Scorpius, você é meu herói! — a Lily declarou bem humorada — tem cinco segundos que vocês estão juntos e a Rose já nem liga mais pra brigar com a gente.
O resto do almoço foi todo assim, divertido e bem humorado. A família da Rose não fez nenhum caso do fato de que agora éramos namorados, exatamente como ela falou que seria, e eu estava aliviado por isso. Claro que o verdadeiro desafio não estava entre os representantes mais novo, eles me conheciam melhor do que os outros, porém eu deixaria para pensar nisso quando fosse necessário.
Hogwarts podia ser um colégio milenar, cheio de tradições e conhecimentos, porém nem um local importante e austero como esse escapa da boa e velha fofoca. Com o feriado chegando ao fim e os corredores novamente populados por alunos, não demorou nem uma semana para chegar ao ouvido de todos que a filha da ministra da magia agora namorava um Malfoy. No entanto, foi engraçado notar que ninguém achou isso lá muito estranho. Claro que recebíamos alguns olhares quando passávamos de mãos dadas de uma aula para a outra, ou sorrisos e risadas escondidas quando alguém nos via em meio de algum abraço ou beijo.
O melhor foi ter total certeza de que a Rose não se importava nem um pouco com isso. Me dava mais confiança em nós, toda vez que ela simplesmente ria junto com as pessoas e fazia questão de agarrar ainda mais forte os meus dedos. Estávamos juntos o máximo que podíamos, o que descontava as aulas que não tinhamos juntos e os treinos de quadribol dela, além dos momentos com nossos próprios amigos que mantínhamos como antes, bom, no meu caso, amigo.
—Não sei se ainda me acostumei com isso de vocês dois juntos… — o Albus estava me pentelhando mais uma vez ao invés de se focar na lição de casa que devíamos estar fazendo.
—Você devia estar feliz, sempre reclamou do tanto que eu falava da Rose e como eu gostava dela — dei de ombros provocando também.
—E você parou com isso, por acaso? — ele riu e eu não consegui nem negar.
—Não fica com ciúmes, Albus, tem espaço pra você no meu coração — debochei, passando meu braço pelo pescoço dele, que estava sentado ao meu lado, e fazendo menção de puxá-lo num abraço.
—Sai pra lá, palhaço — ele me deu um chacoalhão, mas eu fui mais forte e completei o abraço o que terminou em risadas.
—Mas é verdade, você, sabe, não sabe? — voltei a um tom menos brincalhão, meu amigo precisava saber que ele não tinha um segundo lugar de importância pra mim — Não existe uma competição entre vocês pra mim.
O Albus ficou em silèncio por alguns segundos e eu percebi que ele tinha gostado de escutar aquilo. Nessas últimas semanas eu tinha passado muito tempo com a Rose, mas nada substituia o meu melhor amigo que esteve ao meu lado desde sempre.
—Claro que sei — ele finalmente respondeu num tom convencido — até porque, quando o tio Ron quiser te matar, pra casa de quem você vai fugir? Muito mais seguro estar comigo!
—Nem me lembra disso…
Essa era a única parte que ainda me deixava apreensivo: o pai da Rose. Até tinhamos nos dado bem durante o natal que passei na Toca, mas isso foi bem antes dele imaginar que eu estava interessado na filha dele. Só esperava que me conhecer um pouco fosse o suficiente para aplacar o desgosto que ele tinha pela minha família. Aquilo era uma besteira sem tamanho.
—A Rose já contou pra eles?
—Não, ela me disse que preferia fazer isso em pessoa — respondi sem muita convicção.
—Será que isso é a ideia mais inteligente? A escola inteira já sabe de vocês dois, não é difícil de imaginar que a fofoca vai sair de Hogwarts em breve.
—Você tem razão — passei a mão pelo rosto, imaginando a cena de Ronald Weasley tendo um ataque cardíaco com alguém comentando com ele sobre as novidades que ouviu de um filho ou filha que estuda aqui.
—Mas você tem uma vantagem, Scorpius!
—Tenho? — franzi o cenho, não entendendo de onde ele tinha tirado aquilo, eu era um Malfoy da Sonserina, não via nada de vantajoso nessa situação.
—Claro, a tia Mione gostou de você! A Rose devia falar com ela primeiro, ela sempre dá um jeito em tudo, principalmente no tio Ron.
—Até que não é uma má ideia…
—Minha mãe vai ajudar também, pode deixar!
—Seu pai parece mais tranquilo do que seu tio — pensei em voz alta — por que eu não fui gostar da sua irmã? — reclamei rindo.
—Você nunca teve nem chance, meu caro, a Rose chegou primeiro.
—Sim — sem perceber, um sorriso bobo tinha se insinuado em meu rosto.
—Pronto, já tá com essa cara de apaixonado bobo de novo — ele jogou a pena que estava segurando na minha direção, o que me trouxe de volta ao presente.
—Só me distraí — fiz uma careta pra ele, e voltei a olhar para o meu trabalho que não tinha saído do lugar há bons minutos.
—Ainda falta um tempo pra acabar o treino da Grifinória, segura a onda aí.
Entramos em um silêncio confortável, ao menos tentando chegar a algum progresso com as nossas responsabildades, mas nenhum de nós estava muito a fim de descrever itens e mais itens das poções mais complicadas que conhecíamos.
—E o seus pais? — meu amigo quebrou de novo o silêncio, jogando de vez a pena na mesa, sinal de desistência.
—O que tem eles?
—Acorda, to perguntando se eles já sabem.
—Ainda não também.
Eu tinha debatido internamente entre mandar ou não uma carta aos meus pais contando o fato, porém ainda não havia chegado a uma decisão. Meus pais já sabiam do meu interesse pela Rose e eu sabia que não teria problemas com isso, mas eu queria tanto que eles gostassem dela como eu gostava que não sabia qual a melhor forma de apresentar isso a eles.
—Mas eles vão dar uma de tio Ron também?
—Não nada disso. E para de falar assim, a gente nem sabe se seu tio vai querer me matar mesmo… — eu estava tentando me convencer de que não seria tão ruim assim.
—É só brincadeira, eu também acho que não vai ser tão ruim assim…
—Sério? — agora eu queria ouvir mais sobre aquilo.
—Sim, não tem nada que derrete mais o meu tio do que a garotinha dele feliz e, para sua sorte, ultimamente os sorrisos dela tem muito a ver com você — ele deu de ombros, sem saber o quanto eu apreciava aquelas palavras — mas voltando ao senhor e senhora Malfoy…
—Meus pais já sabem há tempos que eu gosto da Rose
—Então você devia contar logo, eles provavelmente vão ficar felizes por você e não falta muito para voltarmos de vez pra casa, sem Hogwarts no próximo semestre.
Aquilo me deixou ligeiramente triste. Foram tantos anos e tantos acontecimentos naquele castelo, era difícil imaginar uma nova etapa da vida em que a escola não estivesse incluída, principalmente pelo fato de que eu não estaria diariamente com meus amigos e a Rose. Porém, a vida tinha que seguir em frente, não dava pra ser criança pra sempre.
—Você está muito sábio hoje, Potter!
—Sou sempre sábio, Malfoy, você que teima em não me ouvir — mais uma vez seu tom convencido se insinuou levando ambos a risadas.
—Eu nunca cheguei a te agradecer pelo que você fez — o assunto não sumiu da minha mente nessas semanas, mas eu nunca achei um momento certo para dizer obrigado ao Albus.
—E o que foi que eu fiz? — ele se fez de desentendido, mas eu sabia que ele só estava brincando comigo.
—Eu sei que você falou com a Rose, que ajudou com outras coisas…
—Bom, meu melhor amigo e minha prima favorita não podiam ficar mal se eu pudesse ajudar — ele deu de ombros — e você jamais vai dizer a ela que eu falei isso! — ele apontou o dedo na minha cara, o que me fez abrir um sorriso malvado
—Aposto que a Rose vai amar saber que é a sua prima favorita.
—Abre a boca, Malfoy que eu mando uma coruja no mesmo instante pro tio Ron.
—Jogo sujo, Potter — torci o nariz antes de me dar por vencido.
Ficamos mais algum tempo jogando conversa fora até dar o horário em que eu tinha combinado de encontrar a Rose. O tempo já estava esquentando, então não precisei levar todos meus aparatos de frio para cruzar os gramados e chegar ao campo de quadribol. Vi o restante do time da Grifinória se afastando antes de me esgueirar para dentro do vestiário onde apenas a minha ruiva se encontrava sentada em um dos bancos terminando de tirar o uniforme.
—Posso te ajudar com isso? -falei num tom nada inocente e abri um sorriso assim que os olhos dela se levantaram para encontrar os meus.
—Hum… não sei, o senhor está atrasado — ela torceu o nariz sem, no entanto, me desencorajar.
—Só uns poucos minutos… — eu sentei ao lado dela e percebi os olhos dela escurecendo, aumentando a vontade que eu tinha de tocá-la — mas posso recompensar.
—Como?
—Se você me deixar ajudar a tirar essa blusa — eu me inclinei para frente, afastando a gola da blusa que já se encontrava frouxa em seu corpo — posso te dar um beijo aqui.
Aproximei a minha boca do pescoço dela, me segurando para não encostar meus lábios em sua pele, mas era gostoso demais essa provocação, nunca perderia a graça. Principalmente depois de me acostumar com o fato de que ela amava tanto quanto eu e não tinha problema nenhum em admitir isso.
—O que mais?
—Pode ser que uns beijos venham passear por aqui também — eu insinuei minhas mãos por baixo do tecido da blusa, deslizando os dedos pela barriga dela e adorando vê-la morder o lábio ao conter um gemido.
—Ótimo, mas primeiro quero um beijo aqui — ela me empurrou para trás, se levantando para passar as pernas sobre mim e sentar em meu colo.
Em segundos, a boca dela estava colada na minha, como o restante dos nossos corpos, e eu nem ligava pelo fato da minha roupa ficar cheia de areia que ainda estava no uniforme dela. Esses nossos momentos não eram mais roubados, nós agora criávamos as oportunidades sempre que podíamos e eu adorava a certeza de ser sempre recebido com um sorriso no rosto e desejo de mais.
Nos apressamos a voltar para o castelo depois de termos aproveitado bastante o tempo sozinhos. Não valia a pena enfrentar o risco de tentar retornar depois que escurecesse, uma bronca da diretora não estava entre os itens desejados por ninguém. Já dava pra ver a entrada principal, quando a conversa que tive mais cedo com o meu amigo me veio a cabeça.
—Eu estava falando com o Albus hoje, ele perguntou se nossos pais já sabiam sobre nós e deu uma ideia…
—E qual seria? — ela me olhou levantando a sobrancelha, como se duvidasse que o primo fosse ser muito brilhante.
—Que talvez fosse melhor você contar logo pra sua mãe… assim talvez o seu pai não…
—Scorpy — ela me interrompeu, parando a caminhada e virando de frente para mim — vai dar tudo certo com meus pais, você sabe, né?
—Sei? — eu não sabia de nada.
—Meu pai é um pouco teimoso, mas não é uma decisão dele, fora que…
—Fora que o que? — a interrupção dela me chamou a atenção.
—Eu já mandei uma carta para minha mãe — ela estava meio sem jeito.
—Mandou? Ela respondeu? O que ela disse? Por que você não me falou? — as perguntas surgiam na velocidade da luz.
—Exatamente por isso! — ela deu risada ficando na ponta dos pés, para me dar um beijo na bochecha — eu sabia que você ia pirar, ia te falar só quando chegasse a resposta, mas mandei ontem, ainda não veio.
—Não vou dormir mais — passei a mão no rosto, sabia que a ansiedade em saber o que a mãe dela acharia ia ser difícil de conter.
—Sem dramas, Scorpy, minha mãe te adorou — ela revirou os olhos.
—Mesmo?
—Eu já te falei isso milhões de vezes.
—Tudo bem, vamos esperar antes de surtar.
—Só quem surta é você — ela riu.
—Então você não quer saber o que os meus pais acharam? — os olhos dela se arregalaram, mostrando claramente que eu não era o único preocupado ali.
—Você contou? Por, Merlin, me diz que não foi um desastre…
—Calma, ainda não contei nada, vou mandar uma carta para eles essa noite ainda, mas já sei o que eles vão dizer…
—O que seria?
—Que eles estão muito felizes por mim e doidos para te conhecer.
—Já falei que amo esse seu otimismo? Podia usar para você também — ela me deu mais um selinho nos lábios antes de me puxar para retornar o nosso caminho.
Quando retornei a sala comunal da Sonserina para me recolher, resolvi escrever logo a tal carta aos meus pais. Chega de ficar pensando no melhor jeito de contar isso, não era nem um fim do mundo. Eles já sabiam de qualquer forma.
Oi, pai e mãe
como vocês estão? Aqui em Hogwarts tudo está bem, melhor do que bem até! Não sei se vocês já ouviram alguma coisa, mas prefiro que saibam por mim do que de qualquer outra forma. Eu e a Rose estamos namorando!
Sim, eu sei que vocês tem milhões de pergunta agora, podem fazer em doses pequenas, de preferência. Os pais dela ainda não estão inteirados do assunto… Mas eu queria contar logo pra vocês, estou muito feliz! Espero que vocês possam se conhecer em breve e que gostem dela tanto quanto eu.
E com vocês, alguma novidade?
Com amor
Scorpious
Pronto, feito! Eu não estava preocupado, tanto, com o que eles diriam, mas agora era só esperar para saber. O mesmo com a mãe da Rose, a ministra da Magia! Isso sempre seria difícil de acreditar em minha mente, mas ela era uma pessoa, apenas. Eu só esperava que fosse uma pessoa que gostasse de mim como namorado da filha dela. Com as atitudes que ela teve durante o natal, eu tinha uma grande esperança de que a resposta fosse positiva. O correio do dia seguinte diria se seu estava certo.
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