All of me

20 Capítulo 20


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas do meu coração! parece mesmo um milagre, mas aqui está um capítulo novinho de AOM ♥ Na verdade foi o milagre das férias que ajudou esse acontecimento, então quem sabe ele não ajuda o próximo capítulo a chegar também, não é? Espero que vcs ainda estejam com a paciência maravilhosa de esperar uma atualização. Como sempre, peço desculpinhas pela demora, mas vcs já sabem que, infelizmente, a vida não é só fanfic... Bom, sem mais delongas, espero que vocês gostem! PS: se você não conhece o grupo fechado que tenho no facebook com mais duas escritoras de fanfic, venha nos conhecer! Postamos lá sempre que temos atualizações e ideias novas :) (https://www.facebook.com/groups/1779275052355810/)

Embora eu tivesse tentado, foi exatamente como eu disse a Rose: não preguei os olhos naquela noite. Não era com a resposta dos meus pais que eu estava preocupado. Várias versões de reações dos pais da minha namorada ficavam circulando em minha mente, principalmente as piores possibilidades. E se a mãe dela resolvesse não gostar mais de mim? E se o pai dela a proibisse de me ver? A única coisa que eu sabia era que ninguém me colocaria para longe da Rose, a não ser ela mesma. Eu enfrentaria o mundo todo pela minha ruiva, mas eu preferia que fosse mais fácil.

O que me deixava ainda mais incomodado era que, se os pais dela implicassem com algo, não teria nada a ver diretamente comigo. Ressentimentos e raivas de ações e situações do passado, muito antes de eu sequer pensar em existir. Além disso, a pessoa por quem, aparentemente o pai e tio da Rose ainda nutriam uma boa dose de desdém, nem existia mais. Por todas as histórias que eu já ouvira, meu pai não lembrava em praticamente nada o menino arrogante e prepotente de anos antes. As pessoas só precisavam se dar ao trabalho de tentar ver isso.

Decidi não ficar enrolando na cama, pois de nada mudaria o conteúdo das cartas que as corujas trariam naquela manhã. Eu teria que encarar o que quer que aparecesse e, pelo menos, ainda tínhamos algum tempo antes das aulas terminarem e termos que encarar nossos pais. Daria tempo de tentar o mínimo de preparo psicológico, o que eu sabia que iria precisar, pois as histórias me diziam que não era legal contrariar um Potter ou um Weasley e eu estava me colocando na mira da família toda.

Meu amigo ainda dormia e alto e bom som, então me encaminhei sozinho para o salão principal, pronto para me distrair com o café da manhã. Dei uma risadinha baixa ao notar um pontinho vermelho entre os bancos da mesa da Sonserina. Parecia que o sono não tinha sido tranquilo para a minha namorada também.

—Caiu da cama, Rosie? — eu a peguei de surpresa, dando um beijo no topo de sua cabeça.

—Nem te ouvir chegar — ela me recebeu com um sorriso, dando espaço para que eu me acomodasse ao seu lado, e puxando um prato para mim — mas realmente não dormi muito bem.

—E por quê? Posso saber? — eu não precisava perguntar para saber, mas era engraçado ver que ela também tinha as mesmas inseguranças que eu.

—É feio fazer perguntas para as quais já se sabe a resposta, Scorpius — ela torceu o nariz, mas eu sabia que a bronca era fingida.

—Somos dois bobos, não é? Com medo do que nossos pais irão dizer.

—Eu não tenho medo do que os meus pais dirão, tenho medo do que virá dos seus — ela rebateu baixinho e, naquela hora, eu percebi que ela realmente achava que meus pais podiam criar algum caso em relação ao nosso namoro.

—Pois pra mim é o exato contrário, meus pais já sabem que eu sou apaixonado por você há séculos, o que me preocupa é o Sr Weasley!

—Eles sabem? — era adorável como os olhos dela se arregalavam, deixando-os ainda mais brilhantes.

—Claro que sabem, é muito difícil esconder alguma coisa deles…

—E eles não tentaram te fazer desistir dessa ideia de conquistar uma Weasley? — notei o interesse disfarçado por baixo de suas palavras.

—Se você quer saber, nem um pouco… meu pai não tem ressentimentos ou birras com coisas do passado e a minha mãe, como eu já falei, é apenas ótima — dei de ombros e ela pareceu satisfeita com a resposta.

Acabamos deixando aquele assunto um pouco de lado e nos distraímos numa conversa sobre o campeonato de quadribol enquanto devorávamos a comida deliciosa que tínhamos à disposição. Não demorou muito, no entanto, para escutar a rajada de asas e os pios que denunciavam a chegada do correio. Num piscar de olhos o meu estômago se transformou em um emaranhado de nós. Subi a visão em direção ao teto, à procura das correspondências que estavam me deixando tão ansioso.

Notei que a minha namorada estava tão atenta quanto eu e, foi com mais nervosismo ainda, que vi um envelope branco caindo em suas mãos. Não tive muito tempo para remoer os sentimentos enquanto ela quebrava o lacre, deixando transparecer a letra que eu sabia ser da mãe dela, pois eu também havia recebido uma carta com o timbre tradicional dos Malfoy e a escrita delicada da minha mãe em verde esmeralda.

Sem delongas, desdobrei o papel e corri os olhos pelas linhas.

Olá, querido

eu e seu pai recebemos com muita alegria a sua notícia. Você sabe o quanto a sua felicidade é importante para nós e até que enfim as coisas se acertaram com a Rose. Não é nenhuma surpresa a de que queremos conhecer, o mais breve possível, a menina que conquistou seu coração, não, é? Espero que ela não se assuste com isso…

Seu pai não queria que eu escrevesse essa parte para você, mas ele ficou meia hora rindo e dizendo “eu sabia que ia terminar assim” e você sabe que ele não é dado a gargalhadas. Consigo dizer o quanto ele está contente.

Sem mais novidade por aqui, meu amor, mas nos mantenha informados de tudo.

Com amor,

Mamãe

Eu estava mais do que feliz, apesar de nada surpreso, com a resposta da minha mãe. Gostaria até de ter visto meu pai rindo da notícia, como se ele fosse algum tipo de profeta. Foi aí que eu notei uma pequena frase no final da carta, dessa vez com a letra do meu pai.

Alguma notícia da reação do Weasley?

Dei uma gargalhada ao ver a preocupação do meu pai. Ele, bem mais do que a minha mãe, conhecia os pais da Rose, então havia mais preocupação por seu lado. Porém, eu realmente esperava que não fosse ser tão difícil.

—O que tem de engraçado aí? — a Rose já tinha terminado de ler sua carta e tentava espiar o conteúdo da minha.

—Só o meu pai preocupado com a reação do seu — expliquei — quer ler? — eu estendi a carta para ela que não demorou em nada para aceitar.

—Quer ler também? — ela me ofereceu a sua.

—Não sei… quero? — eu não sabia que estava pronto para alguma notícia ruim, mas o rosto tranquilo que me encarava foi bom para me acalmar.

—Acho que quer — ela piscou para mim antes de me entregar a folha de papel que tinha mais coisas escritas do que eu esperava.

Oi, minha querida

em primeiro lugar, me desculpe por não ter enviado essa carta logo ontem, mas eu queria ter tudo em mente primeiro para depois te escrever. Em segundo lugar, estou muito feliz com a notícia, filha! Não que eu não estivesse esperando, mas é muito bom ter a confirmação de que você está feliz. O Scorpius me pareceu um menino muito bom no tempo que esteve aqui. Tão inteligente e estudioso! Espero que ele te traga muitas alegrias e você a ele também.

Agora quanto ao seu pai, eu entendo que você esteja preocupada, querida, mas eu te asseguro que isso é bobagem. Você sabe como o seu pai é, basta te ver contente que ele se derrete todo, nem vai lembrar de birras da época de escola. Não tem nem cabimento mais, já se passaram tantos anos! Está mais do que na hora de deixar essas coisas de lado e dar novas chances para as pessoas. E se o Draco tem um filho como o Scorpius, com certeza ele mudou bastante, e para melhor. Eu sei que a Astória é uma ótima pessoa, mas o seu namorado não seria como é se tivesse uma versão do Lúcio Malfoy como pai. E mesmo que tenha, Rose, você namora o Scorpius, não o Draco e seu pai não tem o que opinar em relação aos seus sentimentos.

Mas pode deixar, filha, eu darei a notícia a ele como me pediu e garantirei que ele entende tudo isso. Pode ser que leve um tempinho para ele processar o caso, mas vamos acreditar que o bom coração do seu pai é maior do que a teimosia juvenil. Até porque ele te ama demais para não gostar de quem você ama. Fique tranquila.

Eu queria continuar escrevendo, fazer milhares de perguntas sobre como tudo aconteceu, mas eu sei que você consegue ser muito evasiva com cartas, portanto, aguardo todos os detalhes ao vivo. Aliás, pode dizer ao Scorpius que ele está mais do que intimado a nos visitar, quero saber tudo sobre os planos dele para depois da escola.

Vou mandando notícias, minha querida, e você também não esqueça de me atualizar em tudo. Os Malfoy já sabem?

Amor

Mamãe

Ps: a infusão de losna não deve ser manipulada junto com ingredientes amadeirados, tente separar que com certeza o resultado final da poção vai ficar perfeito e seu trabalho vai ganhar um Ótimo.

Eu tinha um sorriso imenso no rosto quando cheguei ao fim da carta. Foi engraçado ver aquele desfecho onde a mãe da Rose dava dicas para um dos trabalhos de poções que tínhamos que entregar em breve, me parecia que era algo corriqueiro nas correspondências das duas, porém isso não era o mais importante daquele texto.

Ela ainda gostava de mim!

A mãe da Rose, senhora Ministra da Magia, ainda gostava de mim! Eu era um menino muito bom na sua opinião e isso não deixava de trazer borboletas de felicidade ao meu estômago.

—Que cara alegrinha é essa, Scorpy? — minha namorada perguntou ao terminar de ler a carta que eu havia lhe dado.

—Sua mãe disse que eu sou um menino bom!

—Cheia de elogios pra você, vi que adorou essa parte — ela zombou.

—Claro! Não é todo dia que se lê elogios da Ministra da Magia dirigidos à minha pessoa — me defendi, fazendo-a rir ainda mais.

—Estou começando a entender esse amor todo por mim, quer só elogios da Ministra, não é? — a Rose fez um bico adorável que eu tive que me conter para não capturar num beijo ali mesmo.

—Claro, isso sempre foi meu objetivo, como descobriu? — fingi uma cara de espanto e ela não conseguiu mais se manter séria.

—Bobo.

—Mas falando sério agora, fiquei muito feliz com essa carta, ela me parece muito confiante em relação ao seu pai e muito certa sobre o que falou da minha família, meu pai não é nada como meu avô — eu sabia que isso era algo que incomodava demais o meu pai. A maioria das pessoas ainda tinham a impressão de que ele era uma versão mais jovem de seu pai e isso era tão longe da verdade quanto algo poderia ser. Porém, ao ver a mente aberta da Sra Granger Weasley, eu senti que com algum convívio, meu pai faria a família dela ver como tinha mudado.

—Eu também fiquei, Scorpy! Com a carta da sua mãe também — ela completou — e não vou me assustar deles quererem me conhecer, quero muito conhecer seus pais também, pode dizer isso a ela.

—A dona Astória vai ficar mais do que satisfeita!

—O que vai deixar sua mãe satisfeita? — fomos distraídos pela voz do Albus que chegou para tomar café ainda com cara de sono.

—Conhecer a Rose — expliquei e ele assentiu, tomando o lugar à minha frente.

—Quer dizer que os sogros já estão a par de tudo então? Quero saber das novidades — ele não enrolou para comunicar que não ficaria de fora das reações dos nossos pais e eu jamais esconderia isso dele, era meu melhor amigo, no final das contas.

—Como falei, meus pais adoraram a notícia.

—Minha mãe também — a Rose comunicou, ainda sorridente.

—Que bom, nada fora do esperado, né? A tia Mione adorou o Scorpius, ela vai ajudar com o tio Ron?

—Eu pedi para ela contar a ele, com aquele jeitinho todo especial que só ela tem — a cara da Rose denunciava o fato de que o tal “jeito” de sua mãe era algo comumente comentado da família, o que foi confirmado pelo riso do meu amigo.

—Ela vai conseguir, como sempre!

Os últimos meses em Hogwarts passaram com uma velocidade impressionante. Era estranho como algo que esperávamos ansiosamente por sete anos, se tornava um fato que também desejávamos adiar o máximo que pudéssemos. Assim que as últimas provas passaram e toda a loucura de estudos e nervosismos com questões e notas se desfizeram, eu me dei conta de que não me sentia nem um pouco pronto para dizer adeus ao Castelo.

Por tanto tempo aquele conjunto de paredes, corredores e escadas foram a minha casa, muito mais do que a mansão onde estavam meus pais, que eu sentia uma ansiedade incômoda em pensar que não teria o conforto de um ambiente conhecido e acolhedor dali em diante. A incerteza do futuro era algo que latejava no fundo da minha mente. Uma ansiedade controlada, ao menos por enquanto. Porém, a euforia também estava presente, o diploma do colégio era minha primeira conquista na vida. Meu boletim tinha vindo com todas as notas boas que eu queria tirar, e a sensação de dever cumprido era inebriante.

—Não acredito que esse é nosso último boletim — a Rose olhava fixamente para o pergaminho com suas notas. Ela tinha a cabeça deitada em meu ombro, estávamos na sombra de uma das árvores do terreno de Hogwarts, aproveitando o sol da nossa última tarde ali.

—Nem eu, hoje é nosso último tudo aqui… — comentei, tentando não soar melancólico.

—Sabe que eu vou sentir saudades? Eu não esperava por isso — foi a vez do Albus se posicionar, ele tinha a visão fixa no lago, parecia admirar algo que nunca tinha visto.

—No próximo dia primeiro de setembro não terá um lugar no trem para nós — a Rose parecia triste com isso.

—Verdade, Rosie, mas tem muitas outras coisas esperando por nós lá fora… já pensaram no que vão fazer? — isso era algo que eu não tinha discutido com eles até então, só me dei conta naquele momento. Acho que entramos numa pequena onda de negação e não levantamos o assunto.

—Ainda não sei… recebi algumas propostas de times de quadribol e também do ministério, não me decidi — Rose deu de ombros, e eu achei estranho ela não estar pirando com aquilo.

—Que maravilhoso, Rosie! Você vai ser extraordinária em qualquer um — dei um beijo rápido em sua bochecha e ela se aninhou mais em mim com um sorriso.

—Se ela pudesse, se empregaria nos dois, tenho certeza — meu amigo zombou, arrancando uma careta da Rose que lhe mostrou a língua.

—Não sou tão maluca assim. Por um lado seria ótimo já começar no ministério, a seção de execução das leis mágicas me interessa muito, mas eu também gostaria de tentar o quadribol por alguns anos enquanto ainda tenho pique para isso — naquele momento eu percebi que a minha namorada já tinha passado horas e horas pensando sobre o assunto, o que me pareceu mais a cara dela.

—Pelo jeito você já tem um plano então — enrolei uma mecha do cabelo dela nos dedos, brincando com os fios vermelhos num carinho que eu sabia que ela amava — de que time eu compro a camiseta?

—Vai trocar seu amado time? — ela sabia que eu torcia pelos Cannons, mas o que era um time de desconhecidos contra o time da mulher que eu amava?

—Claro, nunca vou torcer contra você — ela gostou da resposta porque se esticou para me dar um selinho.

—Holyhead Harpies, óbvio! Eu não aceitaria nada menos que o melhor time de todos! — a Rose era super fã das meninas do Harpies, principalmente pela tia ter sido uma das grandes estrelas do time — E você, Scorpy?

—Ainda não sei para que área seguirei… — eu tinha me interessado por várias áreas de atuação do Ministério, já tinha conversado bastante com meu pai sobre isso, mas faltava a decisão final.

—É outro que se pudesse faria tudo — Albus riu, adorando debochar da minha paixão pelos estudos.

—Melhor do que não gostar de nada — dei de ombros — você já decidiu? — perguntei a ele. Eu sabia que a pressão era muito grande para que ele seguisse o caminho do pai e do irmão na carreira de auror, mas não tinha a cara do meu amigo.

—Sim, quero trabalhar na área de feitiços, principalmente se for com o esquadrão anti-feitiços.

—Pelo menos alguém aqui é decidido — minha namorada riu, mas eu sabia que ela estava feliz pelo primo.

—Não vamos mais nos ver todos os dias — o humor deixou os olhos claros do Albus.

—Não… mas vamos nos ver bastante! Nada de ser aqueles adultos que se ignoram porque não tem tempo pra nada — me apoiei nos cotovelos, conseguindo mirá-lo nos olhos.

—Claro que não vamos ser assim! — ele se apressou em dizer o que me deixou satisfeito.

—Nossos pais nunca deixaram de se ver — Rose comentou para o primo.

—Ajudou o fato de que todos estavam na mesma família — ele riu, antes de olhar de uma forma engraçada para nós — mas quem sabe, né?

Eu e a Rose não sabíamos pra onde olhar quando ele jogou aquela suposição no ar. Nenhum se apressou a confirmar, mas também não houve negativas. Era uma coisa que só o tempo diria. Eu não tinha intenção nenhuma de sair de perto da garota que eu tinha nos braços, quem sabe se a família Malfoy, ao contrário do que bom senso esperava, um dia não se misturaria com os Weasleys?

Passei a minha última noite em Hogwarts com a Rose enrolada em mim, escondida entre as cortinas da minha cama. Ela me acordou com vários beijos quando o sol começou a surgir, para que eu pudesse ajudá-la a sair sem que ninguém percebesse. O café da manhã naquele dia tinha o tom de despedida de final de aulas. A Grifinória tinha ganhado a taça de quadribol, por muito pouco, mas o salão tinha as cores verde e prata da Sonserina, campeã daquele ano entre as casas.

Eu e o Albus já tínhamos enchido a paciência da Rose com isso, mas ela insistia em dizer que não era sua culpa a Grifinória ter pedido, mas que ela tinha muito a ver com a conquista do troféu de quadribol, o que não podíamos negar. Passamos os dia arrumando nossas coisas, e depois batendo papo com todos os primos Weasleys e Potter juntos até a hora de pegar o trem.

Como era de costume, os formandos do ano seguiam para o lago, onde voltavam de barco para a plataforma do trem, assim como tinham feito no primeiro ano para chegar à escola. O Hagrid já nos esperava na beirada do lago e eu me juntei à Rose e o Albus para me acomodar num barquinho.

Vimos o castelo diminuindo até virar quase uma miniatura de brinquedo, refletido no espelho d’água, enquanto a fumaça do trem já anunciava a última partida para casa.

—Vou sentir saudades dos anos aqui — falei para ninguém em especial, era como se eu estivesse tentando dizer à entidade que era aquele castelo, a minha gratidão por tudo.

—Até da época que eu te maltratava? — a Rose adorava me provocar e eu gostava de entrar na brincadeira.

—Sim, até dessa época — assenti — porque eu tive que passar por ela pra chegar ao presente — puxei-a para prendê-la num beijo delicado, mordendo de leve seus lábios.

—Ei, não esqueçam que tem uma terceira pessoa nesse barco, eu, hein! — o Albus rosnou, quebrando totalmente o clima e nos fazendo rir.

Como de costume, arrumamos um vagão para nós, onde Lily e Hugo vieram nos encontrar depois de alguns minutos. A viagem de volta foi tranquila, tomada por conversas amenas e aleatórias. Além do fato de que agora a Rose vinha com a cabeça deitada no meu colo e ninguém achava nada demais nisso. Estavam mais do que acostumados com a nossa interação.

O tempo foi passando e eu só conseguia pensar que veria meus pais em breve, mas que também veria os pais da Rose. Será que eles iam querer falar comigo? Eu sabia que meus pais iam querer falar com a Rose, mas talvez não fosse o melhor momento…. não pensei em como seria um encontro dos nossos pais ali no meio de todos. Tinha muita possibilidade de dar errado e essa era a última coisa que eu precisava.

A Rose tinha me contado que sua mãe já tinha dado a notícia do nosso namoro ao pais dela e que tudo estava “correndo bem”, mas eu não sabia exatamente o que aquilo significava. Podia ser que ele me achasse a pessoa mais legal do mundo, ou que quisesse me azarar assim que eu saltasse do trem. Pensa nisso não me deixou menos nervoso.

—Já estamos quase chegando — minha namorada murmurou, num momento em que os primos e o irmão discutiam como iam passar a próxima semana.

—Sim… está nervosa?

—Se eu disser que não, ia ser mentira, mas não estou tãaao nervosa assim — ela se sentou, olhando para mim e se pôs a arrumar o cabelo com os dedos.

—Você acha que seus pais já estarão lá esperando? — eu não sabia como iria agir com a situação, melhor me preparar ao máximo.

—Com certeza, minha mãe nunca se atrasa para nada, então meu pai também não — ela riu, como se aquilo fosse algo que causava transtornos na família — e o seus? — ela tentou esconder a apreensão, mas eu notei que estava ali.

—Costumam ser bem pontuais também, minha mãe fica impaciente — ali estava a questão então… ia cada um para um lado ver seus pais? Cumprimentaríamos um os pais do outro? o que fazer? — como vamos fazer isso, Rosie?

—Tentei não pensar nisso, na verdade, Scorpy… mas não sei — e se a gente fizesse o que sempre fizemos e visse no que dá?

—Meus pais vão pedir pra te conhecer, tenho certeza — comentei já adiantando o inevitável.

—Os meus já te conhecem, fica mais fácil — ela sorriu e eu fiquei feliz ao lembrar de quando os conheci — mas acho que vão querer falar com você porque a situação agora é outra…

—Só resta saber a versão do seu pai que vai querer me ver — meu tom foi descontraído, mas por dentro eu estava um misto de ansiedade e apreensão.

Quando o trem parou na estação, eu não tive problema nenhum em deixar os outros ocupantes do vagão irem embora para que eu deixasse a Rose me puxar pela mão até a saída. A plataforma era um emaranhado de pessoas, uma confusão de vozes e reencontros. Meus olhos buscavam atentamente meus pais, mas antes que eu os encontrasse, avistei os pais da Rose.

—Seus pais estão ali — eu apontei para o meu lado, de forma que ela os visse.

—Já viu os seus?

—Ainda não — em geral meu pai não gostava de se colocar tão no meio da bagunça toda, já que muitas pessoas ainda se sentiam desconfortáveis com ele por perto — devem estar mais perto do portal.

—Então vem comigo — ela não me deu tempo de confrontar a decisão e voltar ao plano inicial de falar com meus pais primeiro.

Quando dei por mim, estávamos de frente ao casal Granger-Weasley e a Rose tinha largado a minha mão para se afundar nos braços da mãe. Seu pai, por sua vez, me olhava de cima a baixo, sem dizer nada.

—Que saudade de você, querida — a ministra apertou a filha por alguns instantes, antes que a Rose fosse dar atenção ao pai e ela pudesse se dirigir a mim — e você Scorpius, posso jurar que está mais alto desde a última vez que te vi — ela brincou e se aproximou para me abraçar também.

Fiquei um tantinho surpreso pelo acolhimento receptivo, apesar de ela não ter sido nada além de cordial comigo no passado. Pude notar a cara de diversão do Hugo que observava a cena.

—Seus pais não vieram te buscar, moleque? — foi a primeira interação de Ronald Weasley comigo e eu não conseguia dizer se ele estava bravo ou não, só extremamente sério ao me olhar.

—Tenho certeza que Draco e Astória estão por aqui, nós que nos grudamos ao trem, amor — e Ministra pegou no braço do marido, sorrindo de leve para ele, mas algo me diz que aquele sorriso tinha muita coisa encoberta.

—Certo, ótimo, ele não pode ir sozinho pra casa — eu quase ri da observação aleatória do ruivo.

Por detrás dos pais da Rose, consegui avistar os cabelos loiros do meu pai e um alívio me encobriu, eu estava ficando cada vez mais tenso debaixo do olhar observador do Senhor Weasley.

—Falando neles, estão ali — olhei para a Rose, indicando que eu iria até eles e ela assentiu — foi muito bom revê-los, senhor Weasley, Senhora Ministra.

—O prazer é nosso, Scorpius, você é um amor, não é, Ron? — mais uma vez ela se virou para ele que pareceu achar a voz.

—Claro, encantador — eu vi que até a Rose se segurou para não rir do jeito quadrado e sem graça do pai.

—Mas o Scorpius vai nos visitar em breve, não vai, Scorpy? — ela me olhou, pegando meu braço em suas mãos.

—Vou? — ela apertou os olhos e eu entendi que não era uma pergunta — claro que vou, combinamos os detalhes — o sorriso da minha namorada indicou que ela havia gostado da resposta.

—Vai, eles estão te esperando — ela deu um selinho rápido nos meus lábios e eu pude jurar que ouvi um muxoxo, mas não parei para ter certeza, deixei para trás o local e fui respirar nos abraços dos meus pais.

—Parecia que o dia de você voltar não ia chegar nunca! — minha mãe insistia em continuar me amassando, passou a mão pelos meus cabelos e parecia se certificar que eu estava inteiro.

—A viagem foi boa, filho? — meu pai perguntou assim que minha mãe deu uma brecha.

—Foi sim, nada demais, só um pouco de tristeza por ser a última — expliquei.

—E o encontro com os pais da namorada? — ali estava o tom divertido e debochado do meu pai, estava demorando para aparecer — vimos de longe.

—Ainda estou inteiro, não é? — ele riu com a minha resposta.

—Eles já te conhecem, e nós? Não vamos conhecer a Rose? — minha mãe reclamou, como eu sabia que faria.

—Não sei, mãe…

—Eles ainda estão lá — ela se esticou para olhar e eu me virei para ver que era verdade, os Granger Weasley se juntaram aos Potter e ainda estavam na plataforma esperando por mais alguém — chama ela um pouquinho, Scorpius — eu não ia conseguir fugir de um pedido da minha mãe.

—Prometemos não assustar a menina — meu pai me encorajou e eu respirei fundo, antes de me virar e voltar em direção ao grupo.

Quando eu estava a alguns passos, o olhar da Rose se prendeu no meu e eu acenei para que ela viesse até mim. Percebi quando ela se empertigou, falou alguma coisa com a mãe e começou a se dirigir em minha direção. Logo após, eu vi a Ministra fazer o mesmo, e puxar o marido junto.

Por Mérlin, eu não sabia se estava pronto para aquilo.

Eu nunca tinha ouvido falar do meu pai conversando com os ex colegas de Hogwarts em público dessa forma, mas pelo jeito, era agora ou nunca. Tudo que vinha na minha cabeça é que eles não iam causar um escândalo ali na frente de todo mundo. Meu pai odiava esse tipo de coisa e o pai da Rose… bom, ele tinha a mãe da Rose para dar um jeito nisso, caso fosse necessário.

—Isso vai dar certo, não se preocupe — a Rose sussurrou no meu ouvido, ao pegar a minha mão e andar ao meu lado até onde meus pais aguardavam com caras atentas.

—Mãe, pai, essa é a Rose — eu indiquei a minha namorada com a cabeça, como se houvesse qualquer chance deles confundirem sobre quem eu estava falando.

—Olá, querida — minha mãe se aproximou para cumprimentá-la, seguida do meu pai — prazer em conhecê-la.

—O Scorpius falou tanto de você que parece que até já a conhecíamos — meu pai adicionou, fazendo a Rose corar um pouco, eu percebi que ela estava colocando toda a pose de confiante que só ela sabia ter, porém estava um pouco nervosa.

—Ele me falou muito de vocês também, Sr e Sra Malfoy.

—Sem formalidades, querida, pode me chamar de Astória — minha mãe não era dada a protocolos e, por mais estranho que parecesse, nem meu pai.

—E o senhor Malfoy continua sendo meu pai na maior parte do tempo, vamos evitar também, sim? — meu pai brincou e eu vi que a Rose relaxou um pouco.

Os pais dela escolheram esse momento para se aproximar e eu fiquei sem ter a menor ideia do que fazer. Eu os apresentava? Mas era idiota porque claro que eles já se conheciam, mas aí só íamos ficar lá nos encarando? No entanto, não precisei pensar mais no assunto, pois a Rose tomou as rédeas da situação.

—Ah, pai, mãe, esses são os pais do Scorpius — ela indicou meus pais para os dela — eu sei que vocês já se conhecem, mas faz tanto tempo, não é? Vale uma reapresentação.

—Tem um bom tempo mesmo que não te vejo, Astória! Mal saio daquele gabinete ultimamente, você continua ótima como sempre — nossas mães trocaram um abraço rápido, mas eu ainda não tirava os olhos do pai dela que parecia a pessoa com menos ideia do que fazer ali.

—Acho que a última vez que nos vimos foi no evento beneficente dos elfos domésticos há dois anos! Lembra, amor? — minha mãe virou em direção ao meu pai.

—Lembro que eu perdi todas as partidas daquele jogo que você insistiu que eu jogasse, bongo? — ele riu ao recordar no momento.

—Ah, bingo! Não sabia que você jogava, Draco — a Ministra achou divertida a situação, pelo jeito.

—O que é que a minha esposa não me convence a fazer, não é mesmo? Até passar vergonha em festas.

—Não é só a sua, a minha é ótima nisso também — eu percebi uma ligeira surpresa no semblante de todos ao escutar o Senhor Weasley se misturando na conversa, até ele próprio parecia não acreditar que estava fazendo aquilo.

—Parece que se juntaram para nos avacalhar, Hermione! — minha mãe protestou.

—Deixa eles pensarem que tem razão — a mãe da Rose falou em tom conspiratório, como se ninguém mais pudesse ouvir — bom, precisamos ir, Rose, sua vó com certeza está esperando.

—Tudo bem — minha namorada assentiu, e eu vi como ela estava satisfeita de tudo ter corrido relativamente bem, nossos pais não sairiam declarando juras de amor um pelo outro, mas também não se mataram — você nada de se demorar em ir me ver — ela falou enquanto me abraçava.

—Você tem que nos visitar também, querida — falou minha mãe — Aliás, por que não vão todos? Podemos marcar um jantar lá em casa não é, Draco? O que vocês acham? — meu pai apenas assentiu, como sempre fazia quando minha mãe colocava algo na cabeça.

—Será um prazer, claro que vamos, não é, Ron? — foi engraçado notar a similaridade ali, as esposas estavam decidindo e os maridos apenas tinham consciência de que deveriam seguir ao som da música.

—Ótimo, o Scorpius vai mandar as instruções todas certinhas, endereço e tudo o que precisar.

—Sabemos onde fica a mansão — o pai da Rose se manifestou e eu notei um pequeno desconforto no ar.

—A mansão é outra faz tempo e não precisa se preocupar, Weasley, só usamos os cômodos legais para visitas — meu pai manteve o tom descontraído, mas parecia tentar realmente confortá-lo sobre algo que eu não entendi.

—Ótimo, não vou aceitar menos que o melhores pratos para jantar, Malfoy — o Sr Weasley deu um sorrisinho e eu quase ri junto ao ver que eles estavam se provocando, mas não de uma maneira mortífera e sim amigável.

—Temos uma coleção inteira esperando especialmente para esse dia, não é, amor? — foi a vez do meu pai de rir.

—Você pare de bobeira, Draco, homens parecem que não crescem — minha mãe zombou, recebendo um aceno de concordância da ministra — ah, Scorpius, chame o Albus também, faz tempo que ele não vai lá em casa! Os pais dele e irmãos também, claro.

—Tudo bem, mãe — aquilo estava ficando cada vez mais assustador na minha cabeça. Era quase uma reunião da época de Hogwarts. Eu já sabia que não ia dormir direito até aquela noite chegar.

—Isso vai ser no mínimo interessante — o Senhor Weasley falou, antes de todos se despedirem e irmos para casa.

Como apresentar a minha namorada para os meus pais tinha se transformado em um jantar na minha casa não só com ela, mas com seus pais, tios e primos? Eu ainda não sabia se os Potter aceitariam o convite, mas imaginá-los todos na Mansão Malfoy era algo tão inusitado que eu tinha certeza que s Rita Skeeter daria sua varinha para ter essa fofoca em primeira mão.

Por Mérlin, que todos saíssem vivos no final.

Notas finais
Aaaaaaaaaaaah! Os sogros todos se conhecendo! E agora? Como vai ser esse jantar? Alguém aí espera momentos tensos? Brigas? Diversão? Façam suas apostas! Espero todas as suas opiniões lá nos comentários e até o próximo capítulo! Bjus