All of me

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Olá, pessoal! Sei que o capítulo está um pouquinho atrasado essa semana, mas para compensar é o mais até agora! Vamos ver como serão as férias desses dois... Espero que gostem :)

A primeira semana de férias foi passada quase que 24 horas por dia com os meus pais. Eles sempre faziam questão de se desvencilhar dos afazeres habituais para ficar comigo no tempo que tínhamos disponível durante o ano. Como sempre, a semana foi usada para discutir o que faríamos com o resto das férias. Estávamos na sala de estar, tentando achar algum sentido na lista de possibilidades da minha mãe, mas a verdade era que a minha cabeça estava a vários quilômetros de distância, imaginando o que a Rose estaria fazendo no momento.

—Querido? Scorpius? — minha mãe elevou um pouco a voz tentando chamar a minha atenção e eu percebi que ela devia estar tentando há um bom tempo, a julgar pela cara confusa dos meus pais.

—Oi, mãe, desculpa eu acabei me distraindo um pouco…

—Só um pouco? — meu pai levantou a sobrancelha, o tom seco escondendo o senso de humor que eu sabia estar por baixo.

—O que você queria, mãe? — desconversei, sem ter a mínima vontade de trazer à tona a razão da minha distração.

—Conseguimos chegar em dois finalistas para a nossa viagem: Egito ou Rússia?

—Já visitamos os dois lugares…

—Já visitamos quase todos os lugares, querido — minha mãe argumentou, e era verdade. Principalmente ela amava viajar, e sempre que podíamos estávamos em algum lugar diferente, foi assim a minha vida inteira, e eu adorava conhecer culturas e lugares novos.

—Da onde você gostou mais, filho? Pode votar assim — a ideia do meu pai foi boa.

—Meu voto vai pra Rússia então, pelo menos não vai estar tão quente, e quem sabe dessa vez eu consigo convencer vocês a me deixar experimentar a vodka! — brinquei, aquele assunto continuava sendo uma provocação desde a nossa última viagem ao país quando eu tinha treze anos.

—Nada disso, ainda faltam alguns anos na suas costas — meu pai deu um tapinha na minha cabeça rindo da cara de inconformado que eu fiz.

—Se você quiser mudar o voto eu deixo, mas a vodka não entra, Scorpius — minha mãe se juntou ao meu pai nas risadas.

—Pelo menos eu tentei… meu voto continua o mesmo então.

—Ótimo! Amanhã vou agendar tudo e podemos partir na segunda feira — ela juntou as mãos batendo palminhas e eu não consegui não ser contagiado pela empolgação dela.

Era sempre assim, minha mãe conseguia animar qualquer pessoa, principalmente o meu pai, que no momento permanecia apenas observando-a listar tudo o que precisaria, o olhar costumeiro de adoração no rosto.

—Vou precisar que você libere a passagem do portal com o Ministério, amor — ela sorriu para o meu pai que não tinha nem chance de conseguir negar, não que ele quisesse.

—Claro, amor, mais tarde eu mando uma coruja para o Linus e resolvo isso, não deve ser um problema.

—Obrigada — ela deu um beijo rápido nele antes de se levantar com o objetivo de começar a separar tudo o que precisaria levar e nos intimando a fazer o mesmo, seriam apenas dois dias até a nossa partida, as viagens eram sempre com emoção.

—Vamos lá, Scorpius melhor começarmos a escolher as nossas bagagens, não queremos ver sua mãe igual na última viagem à Espanha, não é? — ele arregalou ligeiramente os olhos ao se lembrar do modo general que tinha se apossado da minha mãe quando os preparativos para a viagem de dois anos atrás tinham se atrasado de maneira alarmante.

—Não mesmo! — concordei, seguindo-o pelo corredor até chegar a escadaria que levava ao meu quarto.

No dia seguinte, eu já tinha separado toda a roupa que eu levaria, desenterrando os meus casacos mais pesados para aguentar o clima sempre frio do país. Em breve algum dos nossos funcionários viria arrumar tudo o que eu separei, mas eu sabia que primeiro haveria uma inspeção da minha mãe que gostava de saber se tudo estava do acordo. Depois do almoço, eu voltei para o meu quarto e sentei na escrivaninha, encarando pela milésima vez a carta que eu queria escrever. Por enquanto o texto se resumia a “ Querida Rosie”. Segurei mais uma vez a pena em meus dedos, mas não consegui pensar em nada, ou me convencer a escrever.

Eu queria escrever, queria dizer que já estava com saudade, contar que viajaríamos para Rússia, lugar que ela me falou não conhecer ainda, mas que amaria visitar. Porém, sempre me vinha à cabeça ela dizendo que não queria montanhas de cartas. Isso significava que eu não devia escrever? Eu não queria ser sufocante, mas ao mesmo tempo, me gelava por dentro o mero pensamento de que ela poderia esquecer de mim nesse tempo longe, mas isso era impossível, certo? Eu não voltaria a Hogwarts para encontrar uma Rose distante e indiferente em virtude dos meses passados fora do alcance dos meus olhos.

A dúvida me consumia aos poucos, escrever ou não escrever? Eu estava tão compenetrado em chegar a uma conclusão que nem escutei os passos da minha mãe entrando no meu quarto. Quando notei sua presença, ela já estava do meu lado observando atentamente o que eu estava tentando fazer.

—Mãe! Oi… é… o que você quer? — disfarcei ao máximo, passando minha mão por cima do pergaminho, mas eu tinha quase certeza de que ela tinha visto tudo.

—Só saber se você já tinha separado as suas coisas…. — ela frisou os olhos, me observando atentamente — algum problema, querido? Você anda meio… distraído.

—Não, mãe! Tudo certo, é só a primeira semana de férias, me acostumando com o ritmo de não estar na escola.

—Claro. — ela assentiu, mas o tom dela me levou a crer que ela entendeu mais do que eu gostaria — bom, vou ver se o resto das coisas já estão prontas, seu pai é um enrolão às vezes.

Ela riu e saiu do meu quarto, me deixando respirar normalmente pela primeira vez desde que ela apareceu. Eu sabia que a minha mãe tinha ideia de que eu gostava da Rose, várias observações dela indicavam isso, porém era algo muito diferente de descobrir o real estado da nossa relação, e eu não tinha muita segurança sobre o que ela — e pior ainda, o meu pai — achariam disso. Voltei a olhar para o papel amarelado, num movimento de hesitação, a pena que eu segurava acabou escapando dos meus dedos e borrando toda a folha, fazendo um bela sujeira.

—Droga! — exclamei, ao ver a bagunça no meu material de escrita.

Me apressei a tirar tudo de volta que pudesse sujar, já me preparando para pedir por algum feitiço de limpeza para fazer tudo voltar ao normal. Eu estava prestes a levantar da minha cadeira quando escutei uma batida na porta;

—Posso entrar, filho? — meu pai era sempre consciencioso, diferente da minha mãe, nunca entrava sem bater.

—Claro, pai.

Ele abriu a porta e cruzou o espaço do meu quarto se colocando ao meu lado.

—Parece que teve um acidente aí — ele olhou curioso para a minha mesa manchada de preto.

—Deixei a pena cair com tinta — expliquei.

—A distração está forte mesmo — ele murmurou, sem que eu conseguisse entender direito.

—Hã?

—Nada, deixa eu dar um jeito nisso pra você — ele puxou a varinha de dentro do paletó cinza e murmurou um feitiço que trouxe a minha escrivaninha de volta à perfeição.

—Então, você vai me dizer o que anda passando pela sua cabeça? — ele puxou a cadeira vazia do lado da minha e se sentou.

—Nada — dei de ombros tentando desconversar.

—Tem uma garota — ele declarou sem rodeios, me encarando com os olhos curiosos.

—Isso foi uma pergunta? — ainda me apeguei à noção de que conseguiria desviar do assunto.

—Não

—A mamãe me entregou, não conseguiu ficar quieta, né? — respondi exasperado, apesar de não estar bravo.

—E quando ela consegue? Ela me pediu pra falar com você.

—Falar o que?

—Qualquer coisa que você quiser, pode parecer estranho, mas eu já fui um jovem apaixonado também — ele se empertigou, um sorrisinho divertido enfeitando o rosto.

—Não parece estranho, você é apaixonado até hoje — isso era uma coisa muito clara quando se conhecia os meus pais.

—Sou mesmo — ele confirmou sem pensar nem um segundo — mas essa conversa não é sobre mim. Você gosta dessa garota?

—Muito — confirmei, não via mais razão em negar.

—E ela?

—Eu não sei, pai… quer dizer, eu acho que sim, mas ela nunca me diz nada, sempre que eu tento falar… como a gente sabe com certeza?

—Ah, filho, isso é um dos mistérios mais difíceis do mundo, entender a cabeça das mulheres, ainda não cheguei lá.

—Mas como você soube com a mamãe? — qualquer ajuda seria bem vinda.

—Tive que esperar ela dizer com todas as letras, e acho que na décima vez eu acreditei — ele sorriu, os olhos distantes, provavelmente se lembrando das memórias felizes — mas você é diferente de mim, Scorpius. eu não conseguia entender como alguém — principalmente alguém como a sua mãe — poderia gostar de mim, mas você é um garoto maravilhoso, não tem como não gostar de você.

—Acho que você é obrigado a dizer isso pelo contrato de parentesco — brinquei.

—Claro, foi só por isso — ele se juntou a mim na brincadeira.

—Mas é que…

—O que foi, filho? Pode me dizer — ele me olhava incentivando que eu continuasse e eu decidi ir até o fim.

—Você promete que não vai ficar bravo?

—Bravo? Por que eu ficaria bravo?

—Acho que você não vai gostar muito de quem é…

—Não precisa me dizer se você não quiser — ele me assegurou.

—É a Rose Weasley — falei de uma vez.

—Eu sei — ele respondeu sorrindo.

—Mas a mamãe tem a língua comprida mesmo!

—Ei, não fale assim da sua mãe! — ele me deu um tapinha no ombro, mas a bronca foi uma brincadeira.

—Mas o que você acha? Acha que eu devia gostar de alguém da minha casa? — fiz a pergunta com medo da resposta que eu poderia receber.

—Da onde você tirou isso, Scorpius? Acho que você está me confundindo com seu avô, não? — ele franziu as sobrancelhas, me deixando mais calmo ao ver a confusão no rosto dele.

—Eu sei que você e os pais dela não se davam bem…

—Filho, presta atenção no que eu vou te dizer: as minhas ações do passado, não tem nada a ver com você. Por mais que eu tenha certeza que não será muito fácil para o seu lado em relação à família dela, eu não tenho nenhum problema com isso. Como eu posso te condenar por gostar de alguém de outra casa quando eu fiz o mesmo? E ainda por cima a sua mãe era alguém que seu avô detestava.

—Obrigado, pai — eu disse com toda a sinceridade, era muito importante para mim o fato dos meus pais estarem de acordo com isso.

—O Weasley já sabe? — ele tinha um sorrisinho no rosto.

—Espero que não, mas a mãe dela sabe… ela nos pegou juntos.

—Juntos? — ele levantou a sobrancelha, claramente querendo saber mais.

—Estávamos nos beijando — confessei.

—E?

—Fui interrogado por ela e a Sra Potter depois, mas acho que ela gosta de mim, ganhei até presentes para os exames.

—Imagino o terror desse interrogatório, aquelas duas podem ser assustadoras, mas é claro que ela ia gostar de você. Estudioso, inteligente, educado, acho que você é um sonho para a Granger como namorado da filha — ele riu.

—Mesmo eu sendo da Sonserina? — eu quis saber.

—Pelo que eu conheço dela, ela nunca implicaria com isso… já o pai… bom com esse aí vai ser mais difícil.

—Espero que ele não saiba de nada ainda… eu só queria que a Rose me falasse alguma coisa, não consigo decidir nem se escrevo ou não uma carta pra ela — passei a mão pelos cabelos ansioso.

—Então esse era o problema da carta — eu assenti — por que não mandaria?

—Porque ela falou que não queria um monte de cartas todos os dias — expliquei.

—Você pode deixar a Weasley sem carta por um tempo. Um pouco de saudade vai fazer bem, não acha? — ele sugeriu.

—Mas e se ela me esquecer? Ou achar que eu esqueci dela?

—As coisas não funcionam assim, Scorpius. Se ela gosta de você, não vai te esquecer, vai é perceber a falta.

—Até que faz sentido.

—Seu pai sabe uma coisa ou duas — ele disse irônico.

—Mas o problema é se ela não gostar…

—Não tem ganho sem aposta — ele deu um tapinha no meu ombro antes de se levantar e se despedir.

Meu pai tinha me dado muito o que pensar. Fiquei feliz de saber que tinha o apoio deles, e acabei resolvendo escutar as palavras do meu pai e deixar a Rose sem cartas, afinal se ela quisesse uma, teria dito. E se meu pai estivesse certo, não escrever não faria mal. Na segunda feira com tudo pronto, partimos para a Rússia. Eu consegui mandar uma carta para o Albus antes de ir, esperava que ele conseguisse me encontrar para que eu recebesse a resposta.

A viagem foi muito divertida, passar tempo com meus pais estava entre os meus momentos favoritos. Visitamos vários pontos turísticos, em diversas cidades, além dos vários tours com guias especializados. A tradição bruxa na Rússia era muito forte, então pude aprender curiosidades que não chegavam aos ouvidos da comunidade inglesa. No entanto, a constante na minha mente, era sempre imaginar o que a Rosie estaria fazendo, e o que ela pensaria se estivesse ao meu lado. Não foram poucas as vezes em que eu me peguei pensando que ela gostaria de ver algum determinado lugar, ou amaria saber uma informação nova. Todas as vezes que meu olhar se perdia em pensamentos, meus pais davam sorrisinhos discretos sem, entretanto, comentar nada, e eu os amava mais ainda por isso.

Já estávamos no último final de semana da viagem, e eu me encontrava incomodado pela noção de que eu não tinha nada para levar de presente para a Rose. Em todos os lugares que visitamos eu permanecia atento para ver se encontrava algo com a cara dela, porém nada me chamou real atenção. Eu enchi umas boas sacolas com o chocolate delicioso da região — presente que eu daria para o Albus e os outros — mas eu queria algo mais para ela. Nós estávamos vagando por uma rua do comércio de Moscou, quando eu parei na vitrine de uma loja que parecia vender de tudo. Fique observando a miríade de objetos, tentando encontrar algo que sobressaisse. Minha mãe veio se colocar ao meu lado, provavelmente depois de ter me observado por um bom tempo na minha investigação.

—O que você está procurando com essa cara tão pensativa, querido? — como sempre, a voz tranquila dela não denunciava nenhum tipo de recriminação.

—Eu… queria comprar um presente — expliquei.

—Para a Rose? — meu pai se aproximou também, e eu me limitei a balançar a cabeça em afirmação, achando um pouco menos estranha essa situação por não ter que falar em voz alta.

—Por que você não entra então? Pode ser que eles tenham algo legal lá dentro — ela sugeriu.

—Tudo bem, mas é que eu não faço ideia do que dar.

—Vai que você bata o olho e ache alguma coisa interessante? — meu pai me aconselhou já abrindo a porta e fazendo menção para que entrássemos.

Passei alguns minutos averiguando as várias prateleiras abarrotadas de itens típicos do país, que variavam dos mais simples aos mais rebuscados. Eu já estava perdendo as esperanças quando cheguei a um pequena móvel de vidro que continha os bibelôs mais delicados que eu tinha visto na vida. Eram pequenos ovos de porcelana, que me deixaram hipnotizado pelas cores e trabalhos intrincados. O vendedor percebeu o meu interesse e veio ao meu lado;

—Esses ser famossos ovos Faberge, muito lindos, típicos da Rússia — ele explicou com certa dificuldade com a língua.

O nome não me soou estranho, eu já tinha ouvido falar dos pequenos ovos que eram muito populares na realeza russa, só nunca tinha botado os olhos em um, eram verdadeiras obras de arte. De repente, eu vi o presente perfeito: um dos pequenos ovinhos se abria para revelar um conjunto de rosinhas vermelhas no interior, não dava para combinar mais. Minha mãe seguiu o meu olhar e aprovou a escolha.

—Esse está perfeito, filho! Ela vai adorar.

—Se ser presente, você escolher certo, ovos Fabergé dura pra sempre — o vendedor elogiou.

O preço estava disposto em números pequenos embaixo, e eu fiz rapidamente a conversão de rublos para libras na minha cabeça, habilidade adquirida nos muitos dias no país. A conclusão era que o presente era absurdamente caro.

—Deixa, mãe é muito caro — mesmo eu sabendo que meus pais tinham mais dinheiro do que provavelmente gastariam durante a vida toda, eu não me sentia confortável em pedir por tanto.

—Deixa, disso, filho! Você gostou? — meu pai perguntou.

—Sim — respondi baixinho.

—Então pode mandar embrulhar — o vendedor deu um sorriso enorme ao entender o que o meu pai quis dizer.

—Obrigado, pai! — agradeci abraçando-o.

—Tenho certeza que a Rose vai gostar — ele piscou para mim indo pagar.

Assim como a ida, a volta da nossa viagem ocorreu sem nenhum contratempo. Mais uma vez eu me encontrava dentro das paredes da nossa mansão, com os pensamentos porém a quilômetros de distância, imaginando a garota que não saía da minha mente. Na segunda semana depois que eu voltei, uma coruja — que eu conhecia como pertencente ao meu amigo — pousou perto de mim durante o almoço. No bico ela trazia uma carta do Albus. Eu estranhei a falta de resposta por parte dele, mas assim que eu comecei a ler, entendi a causa.

Oi, Scorpius

desculpa a demora com essa resposta, mas a minha coruja ficou doente e o trasgo do meu irmão não quis emprestar a dele.

Por aqui tá tudo tranquilo, não vai dar pra viajar esse ano porque o meu pai está em missão. Claro que a minha mãe ficou uma fera com isso, mas ele já prometeu uma viagem no aniversário deles e ela já está toda felizinha de novo, sabe como é, né? E como foi a viagem de vocês? Conseguiu provar a vodka dessa vez? Espero que tenha comprado aqueles chocolates de novo pra mim, se não nem se incomode em voltar para a escola, vou sumir com a sua cama!

Olha, não sei que mágica que você fez por aqui, mas a família toda perguntou por você assim que eu cheguei na Toca, minha vó ficou até triste quando eu falei que você não ia fazer uma visita no verão. E ela me fez prometer que te diria que você está oficialmente convidado para vir quando quiser.

Mas o que eu queria perguntar mesmo é se você aprontou alguma coisa com a Rose… ela quase arrancou a minha cabeça quando eu falei que tinha recebido uma carta sua, nem toquei mais no seu nome porque eu amo muito a minha vida. Mas vê se se resolve aí, seu tapado, porque aguentar Rose emburrada um verão inteiro é pior do que exames finais. Minha sorte é que essa semana ela está viajando e só volta semana que vem, um pouco de paz ao menos.

Espero que seus pais estejam bem.

Tchau

Albus

Eu ri com os comentários do Albus e também com as notícias. Saber que a família dele perguntou por mim me deixava feliz, eu tinha gostado muito do feriado que passei com eles e aparentemente eles também. Eu conseguia imaginar com perfeição o convite da vó Weasley, dizendo toda autoritária para o meu amigo que eu podia visitar sempre que quisesse. Mas o prêmio de melhor notícia tinha que ficar com a parte sobre a Rose. Eu não sabia o que esperar dela em relação a não mandar nenhuma carta. Claro que eu havia conjecturado sobre o assunto, porém ainda sim foi surpreendente ler que ela tinha ficado brava. Só que a falta de informações específicas na carta me impedia de saber exatamente o que tinha suscitado esse comportamento. Eu escolhi acreditar que era por não ter recebido uma carta minha, sem porém ter total certeza.

—De quem é a carta que te deixou todo sorridente, querido? — minha mãe perguntou assim que eu acabei de ler.

—Do Albus, mãe — expliquei — ele tava dizendo que se eu não levar os chocolates dele, minha cama vai sumir.

—Ainda bem que você comprou bastante então — ela riu — mas foi só isso?

—Teve um pedacinho sobre a Rose também — eu respondi despretensiosamente.

—Tá mais explicado agora — meu pai me provocou, se juntando à minha mãe nas risadas.

Minha dúvida sobre escrever, ou não, para ela cresceu, porém acabei mantendo a minha decisão inicial de não mandar nenhuma carta, por mais que a minha vontade fosse a de até aparecer lá na Toca e poder vê-la logo. Eu já tinha tudo arrumado para o próximo -e último — ano letivo, e mesmo assim três semanas de férias me encaravam. Na última semana, eu não me aguentava de ansiedade. Meus pais desistiram até de perguntar a razão da minha euforia, se limitando a lançar olhares divertidos um para o outro, com certeza dividindo algum comentário exclusivo para eles. Eu não me importava mais dos dois saberem de tudo o que eu sentia, até preferia que fosse assim, era bom ter o apoio dos meus pais no que quer que fosse.

Na última sexta feira, eu estava praticamente desejando que houvesse um feitiço para adiantar o tempo até a segunda, onde eu me dirigiria até a estação de trem e jogaria fora toda a saudade que habitava o meu peito. Eu estava deitado na minha cama, contemplando pela milésima vez os detalhes entalhados no teto, quando a minha mãe entrou portanto um sorrisinho divertido.

—Chegou uma carta para você, Scorpius. Algo me diz que você vai gostar dessa — ela me deixou curioso com o anúncio, se limitando a me entregar o envelope e me deixar sozinho,

Fiquei encarando o papel pardo que continha uma letra elegante desenhando o nome da minha ruiva favorita. Senti meu pulso acelerando no mesmo instante, a ansiedade para saber que palavras me aguardavam queimava nas minhas veias. Me sentei, apoiando as costas no encosto da cama e, com todo o cuidado quebrei o selo, revelando um texto curto e direto.

Caro Scorpius,

não sei se está dentro dos seus interesses saber, mas estou bem, aliás todos aqui estão. As férias foram ótimas, não parei um segundo, quase nem percebi os dias passando. Espero que as suas tenham sido igualmente satisfatórias.

Atenciosamente

Rose Weasley

Eu li duas vezes as poucas linhas só para me certificar que não tinha passado nada errado. Ela realmente tinha sido exageradamente formal ao se dirigir a mim! Atenciosamente Rose Weasley? Acabei caindo na gargalhada com a piada que era aquela carta. Eu conseguia imaginar com perfeição a cara irritada dela perfurando o pergaminho ao rabiscar aquelas palavras. Naquele momento eu me dei conta de que ela realmente tinha ficado sentida por eu não ter mandado nenhuma carta, e meu coração não pode deixar de ficar feliz ao perceber que isso só podia significar que ela tinha sim sentido minha falta e que as palavras daquela mensagem não eram nada se não vazias.

Deitei novamente na cama, a carta pousada sobre o meu peito e meus pensamentos a mil por hora. Já não tinha mais tempo para mandar nenhuma carta para ela antes da nossa volta para a escola. Eu estava doido para ver como ela me receberia, apesar que pelo conteúdo do pergaminho, provavelmente alguma bronca estaria envolvida, eu só precisava saber se a saudade seria grande o bastante para atrapalhar a irritação.

Acabei não conseguindo me conter e pulei da cama em direção a minha escrivaninha, onde puxei um pedaço de papel e escrevi a carta que eu gostaria muito de mandar, por mais que eu soubesse já ser um caso perdido. A última coisa que eu faria era mandar uma carta para a casa dela que corresse perigo de chegar quando ela não estivesse mais. Só de imaginar o pai dela abrindo a correspondência, meu sangue gelava. Da outra vez que tentei escrever, as palavras não saiam, porém dessa vez, meus pensamentos se traduziram facilmente em tudo o que eu queria dizer a ela.

Oi, Rosie

essa carta já devia ter sido mandada, eu talvez nem devesse ter sido escrita. A verdade é que eu não sei… você me disse que não queria cartas, mas o tempo todo eu queria escrever. Te contar tudo o que aconteceu nesses meses em que eu não tinha você ao alcance da minha voz pra poder sussurrar todas as minhas aventuras no seu ouvido.

Pode não parecer, mas eu sou meio teimoso, então acabei escrevendo mesmo sem ter muita ideia do que fazer com essas palavras depois. Sabe quanto tempo levou para eu sentir a sua falta? Acho que menos do que levou para chegar na minha casa depois de ter te visto pela última vez. É estranho, porque são tantos os anos que nos conhecemos, mas nunca passei férias tão compridas e que eu desejasse que terminassem tão rápido.

Não me entenda mal, foram ótimas férias! Dessa vez, minha mãe organizou uma viagem para a Rússia, só que tudo o que eu conseguia lembrar era a sua cara empolgada me dizendo que adoraria conhecer o país. Vou te contar um pouquinho então, dessa vez eu prestei mais atenção.

Lá o vento é o mais gelado que eu já senti na vida, principalmente no norte onde também fomos. Estava tanto frio, que aquele dia em que fomos surpreendidos pela tempestade de neve ao sair do campo de quadribol não chegou nem perto. Estávamos tremendo dos pés a cabeça, mas acredite, lá consegue ser mais frio! Mas vale a pena, a paisagem é fantástica. Moscou então, é uma beleza a parte, você ia amar visitar o Kremlin, sabia que tem toda uma história de bruxos por baixo das monarquia Russa? Claro que você sabe, mas vou fingir que estou sendo surpreendente.

Tivemos a chance de ver um pôr do sol ali na praça vermelha, o local se torna brilhante e é impossível não ficar impressionado. tudo se tinge em tons de laranja e vermelho, me lembrando mais uma vez de você e da saudade que eu tinha de correr os dedos pelos seus cabelos. Eu consegui imaginar direitinho você se encaixando naquele espetáculo. Espero que você possa visitar em breve.

Não consegui convencer meus pais a me deixar provar a vodka de lá. mas me conformei pois os doces são maravilhosos! Queria que você estivesse comigo para provarmos de todos, do mesmo jeito que fazemos na dedosdemel, não tinha nenhum com cara de mofado, mas dava pra achar alguns bem estranhos. Nem preciso dizer que minha mãe adorou essa parte da viagem né?

Foi muito bom cada um dos dias que passamos visitando o país, vi coisa lindas e diferentes, além de ter aprendido bastante, só seria melhor se você estivesse por perto para me dizer tudo o que achou também, até porque eu tenho certeza que você seria uma guia melhor do que o bruxo que nos foi designado. Eu sabia que você estava em outro país, Rosie, distante de mim por tantos quilômetros que eu nem sei contar, mas eu procurava vocês em toda parte e em todo lugar que eu ia. Só que ninguém tinha o azul idêntico dos seus olhos, nem o sorriso involuntário que é só pra mim,

Depois da viagem eu passei o resto do verão em casa, fazendo nada e sentindo saudades. Saudades da escola, das aulas, dos passeios e de você. Sonhei um dia que tínhamos esquecido de entregar nossos trabalho finais de transfiguração, acordei no escuro com a ideia de que eu tinha que te achar para consertar o problema, só para me dar conta de que ainda seriam mais duas semanas antes que eu pudesse te ver de novo, não voltei a dormir naquele dia. Você disse que sempre dorme bem ao meu lado, pois naquela noite, eu precisei do meu sonífero também, só que não vende em lugar nenhum.

Agora quero saber de você. Como foram as suas férias? Seus pensamentos andaram por perto de mim também? Eu fiz falta um pouquinho? Essa carta provavelmente não vai sair do meu quarto, então não espero resposta… só queria muito que fosse sim! Um dia você vai me dizer que sente minha falta do jeito que eu sinto a sua? Que queria que eu estivesse por perto no número de vezes que eu desejei a sua presença? Que parece que tem alguma coisa faltando só porque seus olhos não encontraram os meus pelo menos por alguns segundos no dia?

Como você vê, nem três meses de férias mudam nada, continuo o mesmo de sempre: apaixonado pela garota de cabelos ruivos, sorriso difícil, boca afiada e beijos doces. Só o que aumentou foi a vontade de pegar a sua mão na minha, envolvê-la com os meu braços e te beijar até decorar mais uma vez o seu gosto.

Não vejo a hora de te ver de novo e de poder ter você só pra mim, Rosie. Sinto falta de cada pedacinho de você, até da mecha teimosa do seu cabelo que sei que você não gosta.

Sempre seu

Scorpius

Eu abaixei a pena, depositando-a na mesa assim que assinei a carta. Não reli o que escrevi, não precisava de confirmação para o que eu sentia, já convivia há tempo demais com os meus sentimentos para entendê-los perfeitamente. Minha única incerteza estava em se essas cartas chegariam às mãos da destinatária um dia. Isso eu só saberia quando a visse de novo, quando conseguisse determinar definitivamente onde se encontravam os sentimentos dela em relação ao que eu considerava “nós”. Dobrei o papel e coloquei num envelope, deixando sobre a mesa, para colocá-lo nas coisas que eu levaria no trem.

A segunda demorou mais do que o normal para amanhecer, essa era a única explicação para ter levado tanto tempo. Me arrumei num tempo recorde, e no horário de sempre, eu e meus pais fizemos o trajeto habitual até King’s Cross. Minha mãe foi fazendo as recomendações de sempre, porém dessa vez eu nem fingi prestar atenção, não era nada que eu já não soubesse e tudo que eu pensava era que colocaria meus olhos na Rosie em poucos minutos. Chegamos na estação 9 ¾ que já estava bem populosa, principalmente com os alunos do primeiro ano e seus pais. Automaticamente, comecei a vasculhar o ambiente para qualquer sinal de cabelos vermelhos, até que meu pai me chamou atenção.

—Filho, sei que você está doidinho para voltar aos seus estudos, mas ainda merecemos um abraço, certo? — ele zombou.

—Claro, pai! — me virei na direção deles, me sentindo envergonhado pela total falta de atenção que eu estava dando a ele — desculpa.

—Que isso, querido, nós entendemos — eles se olharam sorridentes antes que ela se adiantasse e me envelopasse em seus braços — só não esquece de escrever.

—Não vou — ela beijou a minha testa e me largou para dar vez ao meu pai que me deu o seu abraço muito mais contido,

—Vamos sentir saudades — ele falou ao se separar de mim.

—Também vou — e como sempre, o momento me atingiu, sem mais vê-los todos os dias.

As férias me deixavam mal acostumado a ter meus pais ao alcance das minhas vistas, eu nunca pensava na mudança que o ano letivo traria até que fosse necessário. O primeiro apito do trem soou, dizendo que os alunos podiam começar a embarcar, e meus pais me apressaram a não perder tempo em encontrar um lugar. Soltei a mão que minha mãe ainda segurava e dei um passo em direção ao trem.

—Amamos você, Scorpius — minha mãe falou antes que eu me virasse, agora ela estava abraçada ao meu pai.

Num impulso voltei para perto deles, e prendi meu braço ao redor dos dois.

—Também amo vocês — sussurrei.

Eles se despediram de vez e desapareceram pelo portal, desde o segundo ano, eles não esperavam o trem ir embora, sempre deixava a minha mãe muito triste e eu insistia para que eles não ficassem. Agora era apenas eu ali naquela multidão de gente, voltei a procurar por algum sinal da Rose, ou do Albus, eu era alto o suficiente para enxergar por cima da maioria das pessoas, mas parecia que eles não tinham chegado. Fiquei parado perto de uma das entradas do trem, esperando por algum deles, quando meu olhar se prendeu na Rose se abraçando aos pais dela do outro lado da estação. Até esqueci que eu poderia procurar pelo meu amigo. A visão dela — cabelos esvoaçantes e tudo — tão perto de mim foi o bastante para me hipnotizar.

Por estar de costas para mim, além de bem distante, ela não percebeu a minha atenção focada nela. Reparei quando os pais dela se afastaram, o pai puxando a mãe dela pela mão para ir embora. Naquele instante ela se virou em direção ao trem e nossos olhos acabaram se encontrando conforme ela andava para entrar no veículo. Meu coração deu uma pirueta quando eu vi o sorriso radiante que se formou no rosto dela ao me ver, sorriso esse que era idêntico ao meu. Eu pensei que ficaria muito feliz ao vê-la de novo, mas me enganei, pois a definição de felicidade, foi presenciar a Rose correndo, abrindo caminho por entre aquele mar de pessoas — para me alcançar. Aquilo foi tão inesperado pra mim, que eu não soube nem reagir de acordo, eu podia ter corrido também em direção a ela, nos encontrando no meio do caminho, mas eu só consegui ficar parado, vendo a distância entre nós desaparecendo.

Quando finalmente ela se encontrava na minha frente, eu abri a boca para dizer qualquer coisa, nem que fosse apenas um “oi” que era o mais provável no meu estado de surpresa. No entanto, ela não me deu tempo para nada, em poucos segundos os braços dela estavam em volta de mim, me apertando contra ela. O gesto era mais do que habitual para mim, então não demorou nada para corresponder ao contato, fechando a cintura dela com meus braços. O rosto dela estava encostado no meu ombro, os dedos dela ainda me apertando num abraço gostoso. Abaixei a cabeça para o contorno do pescoço dela, respirando fundo o cheiro do perfume que eu amava tanto. Ela estava de novo nos meus braços, e melhor ainda, num gesto mais do que espontâneo, mostrando um reconhecimento que ela nunca tinha deixado transparecer, pois não eram poucas as pessoas que estavam em volta.

Eu sentia meu coração bater acelerado no peito, quase querendo sair para poder explodir com toda a felicidade que eu sentia. As mãos dela saíram do meu pescoço e se agarraram possessivamente aos meus cabelos, se aquilo não demostrava que ela tinha sentido minha falta eu não tinha muita ideia do que demonstraria. Porém aquela era a Rose, e mais cedo ou mais tarde a fachada de distância sempre a alcançava, dessa vez, entretanto, era tarde demais para aplacar o retumbar do meu coração.

—Não! — ela reclamou incisiva, se desvencilhando de uma vez de mim, me deixando tão atordoado quanto no início do abraço — você nem mandou notícias! — percebi porém, que o tom era mais magoado do que irritado, por mais que a pose dela sugerisse ao contrário.

Eu não diria a ela, mas notei alguns pares de olhos se virando para assistir àquela cena, mesmo que nossas vozes permanecessem baixas.

—Você falou que não queria uma montanha de cartas — dei de ombros, como se eu não tivesse passado cada dia querendo escrever para ela.

—Eu falei que não queria todo dia! Não que não queria — ela revirou os olhos com as mãos na cintura, aquela foi a parte da bronca.

—Eu escrevi uma… só não mandei — confessei baixinho aproximando-me dela mais uma vez.

—Agora não adianta mais — ela tirou as mãos da cintura e cruzou-as em frente ao peito, mas não adiantava ela fingir querer distância, a reação inicial dela desmentia tudo.

—Tá bom, depois eu jogo fora então — deixei qualquer tom de decepção fora da frase, e me virei para entrar no trem.

—Espera, você está com ela? — ela me parou colocando a mão no meu ombro.

—Aqui no meu casaco — indiquei o bolso interno, sem no entanto interromper o meu caminho.

Entrei no trem e comecei a caça por alguma cabine sem, entretanto, deixar de notar que ela tinha me seguido rapidamente. No segundo vagão, encontrei um local deserto e entrei, nem precisando pedir para que ela me acompanhasse, pois a Rose entrou imediatamente atrás de mim.

—Onde está a carta? — ela perguntou mais uma vez tentando disfarçar o interesse, apesar de nem ter se sentado ao meu lado esperando a resposta.

—É essa — respondi, tirando o papel do bolso — rasgo agora se tiver te incomodando — falei sem pretender nenhum pouco completar a ação, eu só queria ver o que ela faria, mas o teatro foi completo, fiz menção de destruir a carta, que sumiu dos meus dedos quase que instantaneamente.

—Não, é minha! — ela arrancou o papel da minha mão, me olhando feroz.

—Mas você falou que não queria,,,

—Você não pode estragar o que é dos outros — ela argumentou e eu quase ri da cara de proteção com a qual ela olhava o pergaminho.

—Você vai jogar fora então?

—Eu… — ela se calou sentou ao meu lado — depois eu penso nisso — finalizando o assunto, ela guardou a carta no próprio casaco.

Eu notei o desconforto dela com todo o descompasso do nosso reencontro, aquilo não era o normal para ela que sempre agia da forma mais contida possível quando em público. Eu amei ver tudo aquilo, mas queria logo trazer o sorriso tranquilo de volta para o rosto dela. Deslizei a mão pelo banco até encontrar os dedos dela, que eu enrolei com os meus. Eu olhava direto para ela, porém aqueles olhos azuis estavam focados no ponto em que nossas mãos se juntavam.

—As minhas férias não foram rápidas, senti saudade de você — sussurrei baixinho, trazendo os olhos dela para mim — todos os dias.

—Senti sua falta também — ela falou num fôlego só — um pouco — ela se apressou a completar, mas eu nem liguei só registrei a parte importante, ela estava com saudades! Era muito mais do que um pequeno avanço, era quase um novo patamar inteiro na nossa relação.

—Não gosto de não poder te ver, te contar as coisas — continuei, soltando minha mão da dela e deslizando os dedos pelo seu braço até chegar no pescoço dela, onde eu a vi morder o lábio que eu já queria tanto beijar.

Prendi o olhar dela com o meu e usei a mão que agora estava na nuca dela para guiar a boca dela até a minha, num beijo demorado que consumiu todo o nosso fôlego, além de tirá-la do estado de hesitação. Agora as mãos dela estavam nos meus cabelos, nossos corpos colados, Afastei ligeiramente a boca da dela para respirar, pronto para puxá-la para o meu colo e matar mais um pouco da saudade, porém o barulho da porta se abrindo nos assustou fazendo cada um pular para longe do outro.

—Não sei porque eu ainda me impressiono — o Albus entrou na cabine rindo e sem nem se importar com a interrupção, já que eu tinha total certeza de que ele sabia o que estava ocorrendo ali.

—Você não perde a habilidade de ser pontual — falei irônico.

—Eu sei, é mágico, né? — ele devolveu no mesmo tom e se sentou de frente para mim.

A Rose olhou meio contrariada para o primo, mas não tinha muito o que fazer, dessa vez ela não tinha história nenhuma para ajudar, até porque o James — que era o quem sempre ajudava com esse tipo de coisa — tinha se formado no ano anterior.

—Como foram as férias, Albus?

—Primeiro o mais importante, trouxe os meu chocolates? — ele me olhou desafiador e eu acabei rindo.

—Chocolates? — a Rose perguntou franzindo as sobrancelhas e o Albus explicou — você não pode sumir com a cama dele! — ela vociferou, mas quando o primo a olhou com uma cara engraçada, ela se deu conta do que tinha falado e se apressou a consertar — você seria expulso e imagina a felicidade da sua mãe com isso…

—Eu não seria expulso só por isso — ele deu de ombros — certo, Scorpius? Você leu tipo as regras todas da escolha — ele olhou para mim.

—Provavelmente não, mas detenção com certeza.

—Sua mãe não ficaria muito mais feliz com isso — a Rose continuou, rindo quando ele concordou.

O trem apitou anunciando a partida e, pouco tempo depois, o Hugo veio se juntar a nós.

—Posso ficar aqui com vocês? Tem tantos alunos do primeiro ano dessa vez que tem quase gente viajando pelos corredores — ele riu e claro nós o recebemos.

Ele sentou ao lado da irmã e continuamos conversando, atualizando as novidades das férias. A Rose não se encostou mais em mim, o que era uma pena, mas eu não faria nenhum movimento nesse sentido na frente da família dela, pois arriscaria uma reação completamente adversa o que apenas sabotaria o dia maravilhosos que eu estava tendo. Ela me seupreendeu mais uma vez porém.

—Hugo, vai sentar do lado do Al, vai — ela apontou para o banco em frente.

—Qual é o problema de eu estar aqui? — ele perguntou com um sorrisinho.

—Só vai, pirralho — ela deu um tapinha na cabeça do irmão que reclamou, mas acabou fazendo o que ela pediu.

Sem dizer nada, ela se virou e se esticou no banco, deitando a cabeça no meu colo. Meus olhos se arregalaram, indo dela para o olhar divertido dos meninos a nossa frente.

—Era só dizer que você queria o colo do Scorpius — o Hugo zombou — eu teria saído rapidinho.

—Cala a boca, Hugo só estou com sono, acordei muito cedo — ela se defendeu.

—Porque quis — ele deu de ombros.

Será que ela estava tão ansiosa quanto eu para voltar à plataforma que o sono sumiu? Tudo eram detalhes que se juntavam para me dizer que aquele seria o melhor ano de todos.

—Vamos voltar ao assunto anterior e para de me encher o saco — ela terminou essa discussão e retornou a perguntar sobre as aulas daquele ano.

O mais estranho era o quanto aquilo parecia normal: ela deitada com a cabeça no meu colo, e todos conversando como se não fosse nada. O que só confirmava mais ainda a minha teoria de que boa parte da família dela já sabia sobre nós, Notei apenas depois que já tinha começado, mas meus dedos tiraram uma mecha teimosa do cabelo dela que estava caída sobre os olhos e continuei brincando com com os fios, num carinho delicado. Pensei que ela fosse reclamar, mas nada aconteceu, nem ela protestou, nem os garotos fizeram algum comentário, então me permiti continuar, afundando os dedos nos cabelos dela, num afago gostoso. Ela foi ficando calada, participando cada vez menos na nossa conversa, e quando percebi, a respiração dela saia ritmada, os olhos fechados confirmando que ela dormia. Tive que me conter para não sorrir igual a um idiota, ainda mais quando senti a mão dela apoiada sobre a minha perna. Continuei como se aquilo fosse o evento mais comum do mundo, mesmo que por dentro um carregamento inteiro de fogos de artifício estivesse sendo explodido. Aquele ano já tinha começado bem.

Notas finais
Oooownmm, mas estõa muito fofinhos esses dois, não? Gostaram da participação dos papais Malfoy? Eu acho que o Draco deu os melhores conselhos huahuah E sustiu efeito, né? Porque aquela carta da Rose foi a prova de que ela morreu de saudades do lindinho dela. E esse reencontro deles na plataforma? Rose, kirirda, admite logo tudo que já tá ficando até feio.... hauhauh Como disse o Scorpius, o ano começou bem... será? Não deixem de me dizer o que acharam lá nos comentários. Até o próximo capítulo. Bjus