All of me

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Olá, pessoal! Cheguei um pouquinho mais cedo essa semana, mas é que estou muito ansiosa para saber a reação de vocês com esse capítulo. Só peço para não querem a minha morte.... hauhauha Espero que gostem :)

A correria habitual do primeiro dia na escola não me permitiu falar com a Rose quando chegamos. Aproveitei o jantar delicioso, depois da seleção dos novos alunos, com o Albus, terminando de colocar em dia os acontecimentos que não tivemos tempo para discutir no trem. Assim que a cerimônia acabou, fomos mandados direto para o dormitório e meu caminho não cruzou com o dela, não tinha mais o que fazer além de dormir.

—Olha, minha cama ainda está aqui! — zombei ao ver que tudo permanecia em ordem, mesmo com as ameaças do meu amigo.

—Não por muito tempo se você não me trouxe nada, Malfoy! — ele rebateu sem pestanejar.

—Vamos ver se eu lembrei de trazer…

Nos trocamos rapidamente, abandonando os uniformes pelos pijamas, e eu comecei a vasculhar o meu malão, em busca na sacola onde eu sabia que a minha mãe tinha colocado todos os itens que eu havia comprado durante a viagem.

—Não acredito que você esqueceu mesmo! — o Albus protestou, já jogado na cama, quando eu demorei mais do que devia para encontar.

—Calma, seu apressado! — reclamei — ah, achei!

Levantei o saco fazendo-o sorrir e fui até a cama dele.

—Chega pra lá — empurrei-o sem cerimônias para poder sentar também.

Ele fez uma cara feia com a intromissão, mas acabou se sentando e me dando espaço suficiente para colocar a sacola de tecido no colchão entre nós e tatear lá dentro até pescar alguns dos tabletes.

—Pronto, minha cama está salva — joguei em direção a ele, que pegou o chocolate no ar.

—Ah, meu amigos que saudade de vocês — ele falou quase como se o chocolate fosse uma pessoa.

—Esse negócio da sua mãe não te deixar comer doces está afetando sua cabeça, Albus — zombei. Eu sabia que a Sra Potter tinha uma política bem restrita em relação a isso, e o meu amigo sempre vinha reclamando depois das férias, pois era o período do ano em que ela realmente podia controlar o que ele comia, já que de acordo com ele, no natal as regras não valiam.

—Nem me lembra disso — ele abriu uma das barras e enfiou uma boa parte na boca — por, Mérlin esse treco é melhor do que eu lembrava.

—Larga de ser um trasgo e come que nem gente — eu joguei o travesseiro nele, tentando frear a velocidade com a qual o chocolate estava sumindo.

—Experimenta ficar três meses sem comer doces e aí a gente conversa — ele me desafiou.

—Não está mais aqui quem falou — levantei as mãos em derrota.

—Deixa eu ver o que tem mais aí dentro — ele puxou a sacola antes que eu pudesse impedir.

—Você ainda tem chocolate! — tentei conseguir de volta, mas não deu.

—Só vou ver… por enquanto — ele abriu um sorriso travesso e se colocou a retirar tudo o que tinha dentro — o que é isso? Que bonito!

Ele tinha pegado o presente da Rose, e retirado o papel que o envolvia;

—Ei, quem mandou você abrir? Pode tirar o olho que não é seu! — eu me estiquei e tirei o enfeite dos dedos dele.

—E quem falou que eu queria? Só to dizendo que é bonito, eu hein… — ele estreitou os olhos, me encarando por alguns segundos — esse é o presente da Rose, por acaso?

A pergunta foi totalmente inesperada, mas por mais que não parecesse, meu amigo era bem observador.

—E se for? — eu me endireitei, me defendendo nem sei do que.

—Se for ótimo — ele deu de ombros — eu, seu melhor amigo ganho só chocolates, mas tudo bem…

—E devia estar mais do que contente, eu trouxe quase a loja toda! — torci o nariz.

—Devia ter trazido duas então! Tenho que juntar reservas de açúcar no meu sangue, é o meu último ano longe da minha mãe — ele rebateu com cara de deboche e acabamos os dois caindo na gargalhada.

Como eu já esperava, o último ano de Hogwarts não era nem de longe parecido com os anteriores. Se tratava das nossas últimas horas de estudo antes de sermos considerados bruxos formados, então não era difícil imaginar que a carga e trabalhos e cobrança seria a maior que já pesou em nossas costas. Eu adorava estudar, então para mim não era nenhum sacrifício ter que ficar um pouco mais afundado em livros, porém isso me tirava parte do tempo livre que antes eu possuía, e consequentemente, os momentos que eu podia passar com a Rosie. A culpa mesmo, era dos fundadores da escola, que acharam uma boa ideia separar os alunos em casas. Muitas vezes tínhamos que nos restringir às nossas salas comunais, tornando difícil nos vermos.

Passei a próxima semana inteira tentando conseguir falar com a Rose. Eu estava doido para entregar a ela o presente que tinha trazido, mas não dei sorte de ter nem uma aula sequer junto dela, o que culminou num grande desencontro. Eu podia ter tentado falar com ela durante as refeições — único momento em que eu realmente sabia onde ela estava — mas não era algo que eu queria fazer na frente dos outros, preferia que estivéssemos sozinhos. No primeiro final de semana, eu acordei um pouco mais tarde do que o normal, e perdi de encontrá-la na mesa da Grifinória. De acordo com o Hugo, a irmã tinha acabado de sair, provavelmente para a biblioteca.

Nem esperei que ele terminasse antes de sair correndo atrás dela. Pela primeira vez a sorte pareceu estar do meu lado, pois eu a encontrei antes que chegasse ao local em que não poderíamos conversar com muita liberdade.

—Rosie! — chamei em voz alta, alcançando o braço dela.

—Que susto, Scorpius, precisa gritar assim? Tá todo mundo olhando — ela me lançou um olhar irritado, e eu realmente percebi os olhos compridos em nossa direção vindos dos alunos que tentavam disfarçar.

—Desculpa — retirei a mão do braço dela — só queria falar com você, nem nos vimos direito ainda.

—As aulas estão muito puxadas — ela suspirou.

—Eu sei…

—O que você queria? — identifiquei o lampejo de curiosidade.

—Ainda estou com saudades — eu dei um sorrisinho, puxando-a para virar o corredor em direção a uma parte deserta.

—Scorpius! — nem dei chance para que ela continuasse a reclamar, colei meus lábios nos dela recebendo a resposta habitualmente gostosa por parte dela.

No entanto, antes do que eu esperava, ela se separou de mim, e não era uma cara feliz que me aguardava.

—Você não pode fazer isso assim no meio da escola! — ela reclamou.

Fiquei um pouco confuso com a reação tão adversa, essa era uma Rosie que eu não encontrava já há algum tempo, e foi ela que quebrou várias vezes — por mais que em escala menor — essa regra.

—Não tem ninguém aqui, qual o problema?

—As pessoas já estão falando — ela fechou mais ainda o rosto.

—Falando? Falando do que? — aquela conversa não estava fazendo sentido nenhum para mim.

—De você e eu! Como se fosse um nós! Vai me dizer que não escutou os cochichos ainda?

—Não, e se tivesse escutado, qual o problema? — eu não estava gostando nem um pouco do caminho que aquele encontro estava tomando. Parecia que todo o avanço que tínhamos feito estava sendo minado aos poucos pelo que quer que seja que ela tivesse escutado. Mas o que me incomodava mais, era ela ainda hesitar em relação a isso. O que eu mais queria era poder andar de mãos dadas com ela, sem me importar com o que as pessoas diriam ou com o que ela pensariam, só queria poder dizer para todo mundo que eu era apaixonado por ela e que ela gostava de mim também. Mas se nem eu sabia realmente o que ela sentia, como poderia dizer aos outros?

—O problema é as pessoas terem uma ideia errada do que existe entre você e eu e…

—E o que é que existe entre você e eu? — eu não estava irritado, nem alterado, apenas com o coração batendo apertado com a ansiedade em conseguir a resposta certa.

Ela olhou para os lados, se certificando de que ainda estávamos sozinhos e o gesto bateu no fundo do meu peito, ela não fazia mais isso há tempos, o que tinha acontecido? Eu queria ter o poder de ler os pensamentos dela, saber o que se passava naquela cabeça que eu não conseguia entender.

—Existe o que sempre existiu, Scorpius, somos amigos — ela falou em voz baixa, terminando a frase quase num sussurro.

—Ah sim, claro… — resolvi não estender o assunto que não chegaria onde eu queria, mas fiz um trabalho bem ruim de esconder a minha decepção — mas foi você que me abraçou na estação, a culpa não é minha — o comentário saiu antes que eu pudesse engolí-lo, mas escutá-la minimizar mais uma vez o que tínhamos, me fez querer que ela encarasse um pouco a responsabilidade do que ela sentia.

—Eu… ai, deixa pra lá, é só a gente não dar corda que esses rumores passam — ela desviou do assunto, aparentemente ela era ótima em ignorar aquilo que não queria ver — agora eu tenho que ir, tenho vários centímetros de pergaminho para encher sobre todas as guerras bruxas.

Ela passou por mim, com a intenção de voltar para o corredor movimentado que levaria à biblioteca, mas eu não tinha intenção nenhuma de deixá-la sair com a situação tão estranha entre nós.

—Não, espera — mais uma vez eu peguei a mão dela, fazendo-a parar — a carta, você leu?

Ela parou imediatamente e respondeu sem olhar para mim.

—Não — a voz dela saiu esganiçada, e os olhos baixos ajudaram a confirmar a minha teoria, eu já a conhecia bem demais.

Sem soltar a mão dela, eu me aproximei até me encostar às suas costas, abaixando até que a minha boca estivesse perto do seu ouvido.

—Por que você está mentindo, Rosie? — sussurrei, e senti, mais do que vi, ela se arrepiando.

—Você tem que parar de fazer isso — ela nem se deu ao trabalho de responder a minha pergunta, tão evidente era que a verdade estava bem longe, porém não senti nenhuma determinação na voz dela, parecia mais que a fala era para ela mesma.

—Isso o que? — indaguei, subindo os meus dedos pelos braços dela, e escutando com satisfação quando a respiração dela falhou.

—Parar de ser tão… de ser tão você! — ela titubeou, mas conseguiu se firmar o suficiente para virar de frente para mim e cortar nosso contato — já falei que está dando a ideia errada para todo mundo, inclusive você! — ela apontou em minha direção.

—Será que não é você que está com a ideia errada, Rosie? — por mais que essa negativa dela, que eu já não estava mais acostumado a receber, tivesse me pegado de surpresa, meu coração se agarrava ao fato de que ela tinha que estar errada, tinha que estar se enganando. Então eu ia tentar ao máximo provar que estava certo, e para isso eu não podia bater de frente diretamente, com ela, era sempre pelas beiradas.

—Não estou — ela se endireitou — e…

Eu não a deixei terminar, cortei o assunto completamente, pois com certeza a próxima frase não seria nenhum tipo de pensamento que eu queria fixado na mente dela.

—Eu trouxe um presente pra você da viagem, era isso que eu queria te falar — expliquei, e vi o rosto dela passar de uma expressão de confusão para uma que eu não pude ler — queria te entregar.

—Você não devia ter comprado nada — ela chacoalhou a cabeça.

—Mas eu quis — dei de ombros.

—Então você tem que não querer. Eu não comprei nada do mesmo jeito você tem que não comprar nada.

—Eu não me importo com isso, Rosie, não me importo de não ganhar um presente — dei um passo à frente, ela estava assim porque não tinha me comprado um presente ou porque não queria o meu?

—Mas eu me importo de ganhar, então não precisa me dar — a voz dela não estava brava, mas transmitia em sua calma, algo que eu não gostei.

—Tá bom… se você mudar de ideia me fala — naquele assunto eu tinha sido derrotado, não adiantava nada insistir, nós apenas acabaríamos brigando.

—Obrigada.

—Nós não brigamos agora, brigamos? — eu só queria saber se continuava tudo bem com o “nós” que pra ela não existia.

—Não, claro que não — ela chacoalhou a mão em negativa — tudo está como sempre — ela deu um sorrisinho que eu não consegui deixar de pensar que era meio forçado — tchau, Scorpy — ela olhou mais uma vez em volta e ficou na ponta dos pés para dar um beijo na minha bochecha antes de sair apressada.

Fiquei parado olhando-a partir, as palavras com as quais ela se despediu de mim — dizendo que tudo estava bem — não iam de acordo com o sentimento que assolava o meu peito. Alguma coisa devia ter acontecido para que ela de repente agisse daquela maneira, e eu não conseguia pensar em nada que fosse uma explicação coerente, o que era um problema, pois ela não me diria. Decidi que eu deveria ficar um pouco mais atento aos tais “cochichos” que ela mencionou, quem sabe assim eu entenderia alguma coisa. Respirei fundo, jogando de lado a decepção por não ter mais para quem dar o presente que eu tinha gostado tanto de comprar, porém eu não deixaria que aquilo ocupasse a minha mente, o melhor era me focar em entender a situação que se apresentava.

Eu passei anos e anos perseverando quando o assunto era a Rose, e não deixaria que algo como a hesitação dela, ou a recusa de um presente me desmotivasse. Aquilo não era nada, nem de perto das outras barreiras que eu tive que ultrapassar, o meu otimismo natural me ajudava a pensar só nos meus avanços e não nas minhas derrotas, embora a pontadinha de tristeza por ter ouvido novamente um “somos só amigos” estivesse me incomodando. Um dia eu teria que estudar como uma pessoa podia ser tão teimosa quanto a Rose, que lê uma carta como a minha, e diz que não. Eu tinha plena certeza de que ela havia gostado do que estava escrito naquele papel, por que ela não podia simplesmente me dizer isso? Por que ela continuava impedindo que as coisas se acertassem de vez?

Não seria naquele dia, parado no canto de um corredor qualquer, que as minhas respostas seriam respondidas, e eu nem tinha tempo para isso, o número de trabalhos para fazer já na primeira semana era impressionante. Resolvi voltar para a sala comunal e iniciá-los, eu bem que podeira me juntar a Rosie na biblioteca, mas achei mais prudente dar um pouco de espaço, a nossa última conversa havia sido um tanto estranha.

As semanas que se seguiram conseguiram o recorde de tempo em que eu menos vi a Rose desde o baile de inverno do ano anterior. De vez em quando conseguíamos nos cruzar pelos corredores, onde eu ganhava um aceno ou ocasional sorriso, dificilmente o tempo era propício para conversarmos, porém, em uma das vezes em que eu consegui alguns minutos para mim, eu escutei pela primeira vez um grupinho de alunos da grifinória passando e dando risadinhas ao olhar para nós. No mesmo momento eu vi a Rose se endireitando, ela arrumou logo uma desculpa, desvencilhou os dedos dos meus e foi embora. Aquilo acabou com o meu ânimo do dia, pois claramente ela fugiu de mim ao ver a reação dos outros alunos.

Cheguei a noite no dormitório, depois de passar várias horas estudando na biblioteca, e fui direto para a cadeira do lado da que o Albus ocupava.

—Comeu algum doce estragado por acaso? — ele me olhou de soslaio por cima do livro que lia.

—Não.

—Então pra que essa cara feia? — ele deve ter sentido que alguma coisa me preocupava, pois fechou o livro e o colocou na mesa, me dando toda a atenção.

—É a Rose…

—Claro, sempre a Rose — ele revirou os olhos e eu fechei a cara — o que ela fez dessa vez?

—Na verdade ela não fez nada… tá mais para o que ela não fez…

—Olha, Scorpius já está tarde e eu estou com sono, então quer fazer o favor de me ajudar e ser mais claro? — o tato normal do meu amigo.

—Você por acaso já ouviu algum rumor sobre mim e a Rose? — perguntei num fôlego só.

—Seu eu já ouvi? — ele me olhou com uma expressão engraçada que eu não gostei nada — tenho dois ouvidos, meu caro, claro que já ouvi.

—Merda! — afundei o rosto nas mãos, antes de passá-las pelos meus cabelos.

—Não vai me dizer que você não sabia disso? Nem era tanta coisa assim no ano passado, mas pelo que eu escutei vocês tiveram um reencontro muito público na plataforma esse ano…

—Eu não sabia — resmunguei.

—E claro que a Rose sabe — aquilo não foi uma pergunta, mas eu assenti com a cabeça mesmo assim.

—Acho que ela escutou alguma coisa que não a deixou contente, parece que ela está escorregando dos meus dedos, nem nos vemos mais quase.

—Eu vou te dizer uma coisa que eu aprendi com a experiência da minha vida inteira: a Rose é complicada.

—Nem me fala — comentei irônico.

—Então nem tente adivinhar o que passa na cabeça dela, porque provavelmente você vai estar errado — ele deu de ombros.

—O que eu faço então? — parecia uma situação sem saída.

—Acho que a sua melhor chance é perguntar pra ela.

—E você acha que ela vai me dizer?

—Se ela não disser pra você, meu caro, não vai dizer pra mais ninguém — ele deu uma batidinha no meu ombro numa tentativa frustrada de me animar.

—Eu só não entendo porque ela se importaria com isso…

—Tenho meus palpites — ele falou pensativo,

—Que são? — perguntei curioso.

—Nem tenta, Scorpius, isso é entre você e ela. Eu prometi desde o começo que não ia me envolver nessa história?

—Prometeu pra quem? — reclamei.

—Pra mim mesmo, não quero confusão pro meu lado. Você é meu melhor amigo, e se por acaso você esqueceu, ela é minha prima, e eu quero muito que ambos continuem a ser exatamente isso pra mim. Se eu me intrometo e depois dá alguma coisa errada, eu perco o amigo e ganho uma prima emburrada pra sempre — ele explicou com cara de que achava tudo muito lógico.

—Eu não deixaria de ser seu amigo! — protestei.

—Eu sei, Scorpius, mas vamos manter as coisas o menos complicadas possível, tá?

Eu entendia a posição do meu amigo, por mais que quisesse saber o que ele pensava sobre a prima. Minha intenção não era a de que nada desse errado, mas quando é que alguém queria que as coisas dessem errado? Elas simplesmente davam e pronto, não tinha feitiço para assegurar sucesso, apenas ações, então eu resolvi agir. No final das contas, acabei concluindo que seguir o conselho do meu amigo era o mais sensato. Eu não ia adivinhar sozinho as razões da Rose, portanto só me restava perguntar e esperar pelo melhor. Esperei até o próximo final de semana, onde ela não poderia se desvencilhar de mim com a quantidade de aulas e trabalho.

—Rose, posso falar com você? — perguntei discretamente depois que terminamos o café da manhã.

—Tá bom — fiquei até admirado com a facilidade com a qual ela aceitou, mas me abstive de fazer qualquer comentário.

Sem dizer mais nada, nós nos levantamos e eu a segui, deixando que ela decidisse onde aconteceria essa tal conversa. Andamos por vários corredores, que se encontravam relativamente vazios naquela hora da manhã — até que ela abriu uma das salas e, ao verificar que estava vazia, entrou do mesmo jeito que eu fiz apenas segundos depois. Ela me esperou passar por ela, e murmurou um feitiço para trancar a porta.

—E então? O que você quer? — ela me olhava curiosa, a expressão não denunciava que ela sequer suspeitava do assunto que eu queria tratar.

—Por que você está fugindo de mim, Rosie? — decidi perguntar sem rodeios, minha voz saindo mais sentida do que eu esperava.

—Fugindo? — ela franziu as sobrancelhas em confusão — eu não estou fugindo de você.

—Então por que a gente quase não se vê mais? Por que que toda as vezes que eu te encontro nos corredores, parece que você faz questão de desaparecer mais rápido? — dei uma passo chegando mais perto dela, que permaneceu atônita.

—Eu estou muito ocupada com tanto trabalho, Scorpy! Não estou fazendo nada disso, é impressão sua — ela rebateu.

—Como pode ser impressão minha quando parece que eu nem lembro mais o gosto da sua boca? — estiquei a mão e coloquei uma mecha de cabelo solta para trás da orelha dela.

—São só os estudos, Scorpius… — ela insistiu — você sabe que esse ano é muito puxado.

—Eu sei, mas não quer dizer que não posso sentir saudades — completei, minha mão ainda brincando com o cabelo dela.

—Se eu estivesse fugindo de você, não estaria aqui agora — ela deu um sorrisinho e se aproximou de mim passando as mãos pela minha cintura.

—Talvez não… — eu ponderei as palavras dela, mas ainda não me parecia totalmente certo.

—E aliás, por que eu fugiria? Seus beijos ainda são meus favoritos — o sorriso dela se alargou antes de colar a boca na minha, porém aquele beijo não teve o efeito mágico de aplacar todas as minhas dúvidas.

Claro que, mesmo não conseguindo as respostas que eu queria, eu nem fingia ser capaz de me desvencilhar dos beijos dela, então aproveitei as sensações que a boca dela na minha causavam. Porém, as palavras dela continuavam a martelar na minha cabeça: “seus beijos ainda são meus favoritos”. O que isso queria dizer? Que ela estava apenas esperando aparecer alguém melhor? Será que era essa a razão da hesitação recente? Eu nunca tinha dado atenção a esse tipo de dúvidas antes quando ela fazia o mesmo tipo de comentário, mas as coisas tinham mudado. Nós estávamos tão mais próximos antes das férias, e agora eu sentia que tudo estava desandando, de modo que as raízes da insegurança começaram a querer aparecer, e ela nem disse em momento nenhum que estava com saudade também…

—Está mais felizinho agora? — ela separou os lábios dos meus, permanecendo abraçada a mim, a respiração ainda acelerada.

—Um pouco — resmunguei sem conseguir conter um sorrisinho, eu era incapaz de não ficar feliz ao lado dela.

—Ótimo, não gosto de te ver emburrado — a voz dela foi tão manhosa que eu acabei abrindo um sorriso inteiro — esse é o sorriso que eu amo — ela falou do nada antes de estalar mais um selinho na minha boca.

Uma frase, apenas uma frase era necessária pra me deixar com o coração batendo acelerado e esquecer de todas as dúvidas que eu tinha até ali. A expressão dela não denunciava o peso das palavras, me dando a impressão de que ela nem tinha se dado conta do que tinha falado. Ela podia até não enxergar o significado daquilo, mas o meu coração apaixonado gravava cada gesto, cada palavra. Nas minhas divagações, acabei não percebendo a intenção dela de se afastar, quando senti os braços dela não mais em contato comigo, era tarde demais para reclamar.

—Preciso ir, Scorpy. Nos vemos mais tarde — ela deu um beijo na minha bochecha e saiu.

O saldo daquela conversa tinha sido positivo, certo? Ela falou que não estava fugindo, e eu escolhi acreditar. Eu não era o tipo de pessoa que começava a criar milhares de teorias péssimas na cabeça, só para conseguir piorar ainda mais o que eu nem sabia realmente se estava ruim, Saí da sala para começar os meus afazeres do dia, colocando na cabeça de que as coisas estavam bem e que eu daria um jeito de nos vermos mais.

Entretanto, não foi isso que aconteceu. Eu e a Rose continuamos a nos ver com uma frequência baixa o que, eu não estava feliz de reconhecer, foi piorando o meu humor pouco a pouco. Ela continuava se encontrando comigo, os beijos permaneciam os mesmo, mas já fazia tempo que não passávamos uma tarde inteira juntos, ou que eu sentia a presença dela ao meu lado durante uma noite inteira.

Eu estava na biblioteca, tendo acabado de terminar o meu trabalho de poções para o final da semana quando percebi a Polly se aproximando da minha mesa.

—Oi, Scorpius — ela falou sorridente.

—Olá, Polly — respondi educado.

—Você está terminando algum trabalho?

—Sim, o de poções.

—Ah, ótimo! — eu não entendi a satisfação dela, porém antes que eu pudesse falar qualquer coisa, ela já estava sentada ao meu lado — será que você podia dar uma olhada no meu? Não estou muito certa se fiz tudo do jeito que tem que ser — ela me olhava tão despretensiosamente, que eu acabei cedendo, que mal tinha eu ajudá-la.

—Claro — ela sorriu em resposta e abriu a bolsa que agora estava em cima da mesa.

—É esse aqui — ela colocou um pergaminho na minha frente, se inclinando sobre mim o que me deixou ligeiramente desconfortável.

—Tá, deixa eu ver — tentei disfarçar e ir para o canto mais afastado da cadeira, conseguindo um pouco de distancia entre nós.

Ela ficou me encarando enquanto eu passava meus olhos sobre o trabalho dela, que não tinha absolutamente nada de errado, era claro que ela sabia o assunto.

—Pelo que eu estou vendo, está tudo certo — comentei.

—É mesmo? Tem certeza? Até essa parte aqui? — mais uma vez ela se aproximou, indicando com a mão direita o tópico que gostaria que eu olhasse de novo no mesmo momento que eu senti a outra mão dela se pousando na minha coxa.

O gesto me pegou de surpresa e me deixou alarmado. Eu estava mais do que desconfortável com a situação e queria sair bem depressa dali.

—Tudo certo, certíssimo! É… eu preciso ir — pulei da cadeira, juntando as minhas coisas rapidamente.

—Mas já? — ela pareceu decepcionada.

—O Albus está me esperando — era mentira, porém ela não precisava saber.

—Pelo menos não é outra pessoa — ela murmurou, sem que eu realmente entendesse.

—O que?

—Nada — ela deu de ombros — mas se eu precisar de ajuda nos outros trabalhos posso falar com você?

Eu não estava muito inclinado a ajudar, mas e se ela realmente precisasse? Minha mãe sempre me ensinou a ser legal com todos, então acabei não recusando.

—Tudo bem, qualquer coisa você me falar — com tudo guardado, eu não perdi tempo em ir embora — tchau.

Eu achei meio estranha aquela aparição da Polly e mais ainda a atitude, mas resolvi que não pensaria mais nisso, o dia já estava ruim o suficiente pois a esqueceu que tinha que terminar o projeto de transfiguração e acabou não podendo me ver naquele dia. O melhor que eu tinha a fazer era voltar para a sala comunal e ver o que o meu amigo estava fazendo, quem sabe assim eu melhorava o meu humor.

—Você ainda não terminou esse trabalho, Albus? Por Merlin, eu te vi começando quinhentas vezes, é para amanhã! — recriminei o meu amigo que estava concentrado sobre uma das mesas perto da lareira da sala comunal.

—Não se preocupa “mãe” vou entregar — ele zombou torcendo o nariz para mim.

—A professora McGonagall entregou esse trabalho há dois meses, Albus! Terminar no dia antes não é um bom presságio para suas notas — continuei argumentando, ao me sentar do seu lado.

O Albus nunca foi tão preocupado com notas como eu, ou a prima. Ele era um ótimo aluno, mas lição de casa não era o forte dele. Passei todos esses anos o encorajando a terminar todas em dias, além de dar broncas quando chegavam em situações como a presente. Claro que ele detestava, mas era meu dever de amigo.

—Você vai me emprestar a sua para copiar, por acaso? — ele me olhou de cara feia por cima dos papéis.

—Claro que não! — ele já tinha tentado mais de um milhão de vezes esse atalho, sem nunca conseguir, simplesmente não era certo.

—Então para de dar palpite!

—Só estou querendo te ajudar, não dá pra ficar sem essa nota…

—Ai, Scorpius, vai procurar a Rose, vai… e me deixa em paz que eu tenho que terminar logo isso.

—Seu mal agradecido! — resmunguei — além disso, ela está ocupada hoje — completei com menos satisfação ainda.

—Ah, então essa é a causa de sua chatice maior do que a normal — um risinho debochado saiu de seus lábios.

—Lembro de alguém dizendo que não queria se intrometer — reclamei — isso inclui não tirar sarro do amigo, viu!

—Você emburrado é uma piada — ele riu — aliás, eu pensei que você fosse ficar mais tempo na biblioteca...

—Eu até ia, pretendia começar as resenhas de história da Magia, mas aconteceu uma coisa meio estranha que me fez correr de lá — expliquei.

—Pronto, você definitivamente tirou a minha atenção dessa porcaria de trabalho, me explica direito isso.

—Foi a Polly, ela veio me pedir ajuda num trabalho, mas tava tudo certo, e aí ela estava muito perto de mim… — comecei a tagarelar o que fez o Albus gargalhar.

—Mas você é besta mesmo, Scorpius! Claro que isso era só uma desculpa dela!

—Desculpa pra que? — levantei as sobrancelhas achando aquilo muito ilógico.

—Pra ir atrás de você, claro! Ou ela não fez nada? — falou irônico.

—Ela meio que colocou a mão na minha perna…

—E tenho certeza que teria colocado em outros lugares se você tivesse deixado — ele zombou.

—Albus! Eu estou com a Rose! — me defendi.

—Não estou falando que você está interessado, só que ela está — ele deu de ombros.

—Larga de ser idiota, ela sabe que não tem nada entre nós.

—O que não a impede de querer que tenha, certo? Não é como se você e a Rose tivessem nada oficial.

—É oficial para mim, e é o que basta — cruzei os braços mal humorado, aquele papo do Albus estava me deixando irritado, não fazia o menor sentido… A Polly tinha consciência de que eu e ela não éramos nada mais do que amigos, conhecidos na verdade, ainda mais depois do fiasco que foi o meu convite ao baile, ela estava lá quando a Rose chegou, não tem como não entender a situação.

—Leva essa sua rabugisse pra outro lado então, que agora eu preciso mesmo terminar esse trabalho — meu amigo pediu, o que me fez resmungar mais uma vez e ir para a cama terminar um livro que eu tinha pegado no dia anterior.

As semanas foram se passando com tudo permanecendo igual: muito estudo e pouca Rose. No entanto, cada momento que eu conseguia roubar a atenção dela para mim, parecia uma bolha de naturalidade onde tudo estava bem. Eu tantava me convencer de que eram realmente apenas os estudos que a mantinham muito mais ocupada e sem tempo para mim, porém não era o suficiente para aplacar a minha saudade.

Já estávamos quase em dezembro e mais uma vez as férias de Natal chegariam, o que me trouxe a mente o fato de que eu precisava comprar um presente decente naquele ano para a Rose. O do ano anterior tinha sido improvisado e, mesmo com a recusa da lembrancinha que eu trouxe da minha viagem, o mesmo não valia para as festas, certo? Se ela aceitou o do ano anterior, aceitaria o desse ano também. Fora que não combinava comigo desistir antes de tentar.

Acabei me distraindo durante toda a aula de história da magia daquela tarde ao ponderar o que faria um presente bom o suficiente. O Albus me cutucou algumas vezes para que eu ao menos mudasse as páginas do livro, mas acabou cansando de revirar os olhos ou fazer qualquer tipo de expressão exasperada. Se contentou apenas em me alertar em silêncio. Os minutos acabaram passando mais rápido do que o normal e quando me dei conta já estava na hora de ir embora. Como aquela era a última aula do dia, não precisava de pressa para chegar à próxima sala.

Segui meu amigo até a saída, mas fui parado antes de poder passar pelo batente por uma mão que se enroscou em meu braço. Me virei para ver que se tratava da Polly que me chamava com um sorriso no rosto. Eu realmente não entendia o que ela esperava conseguir ao pedir minha atenção nas últimas semanas, mas não fui criado para ser mal educado, por isso escutei com atenção enquanto ela me fazia algumas perguntas sobre a aula. Para minha sorte, eu pude responder por já ter lido sobre o assunto, e ela pareceu satisfeita ao esclarecer as dúvidas que tinha, já que — de acordo com ela — tinha medo de perguntar ao professor.

—Muito obrigada, Scorpius, você é um amor — ela se despediu me dando um beijo na bochecha antes que eu pudesse impedir, mas também não tinha nada demais, ela era meio que minha amiga.

Finalmente consegui sair da sala e encontrei meu amigo me esperando encostado na parede em frente. Seus braços cruzados e sobrancelhas levantadas me diziam que ele tinha algo para falar. E não era nada que ele achasse legal.

—Que cara é essa, Albus?

—A Polly agora vive de beijinhos e abraços com você? — notei o tom de provocação na voz dele.

—Ela só queria tirar umas dúvidas sobre a aula — dei de ombros nem um pouco interessado em passar mais tempo falando da garota.

—E tinha que perguntar para você, claro, até porque o professor não sabe tanto quanto um aluno que não conseguiu nem prestar atenção na matéria de hoje.

—O que você está insinuando, Albus? — meu amigo não tinha o hábito de controlar os meus passos, mas aquele dia parecia muito interessado.

—Nada. Só estava aqui pensando o que a Rose acharia disso — ele deu um sorriso maldoso.

—Que eu sou uma pessoa solícita, não tem o que pensar, Albus — aquilo já estava começando a me irritar.

—Você sabe que ela está te cercando, não sabe?

—Ela pode até ter alguma ideia doida na cabeça, mas eu não estou interessado, além disso, o que você quer que eu faça? Jogue a menina pro outro lado quando eu quiser passar?

—Você tem o coração bom até demais, Scorpius…. qualquer dia ainda vai te trazer algum problema — ele balançou a cabeça, mas notei que ele estava rindo.

—Então é por isso que você é meu amigo? Eu tenho o coração no tamanho suficiente para nós dois? Agora eu entendi! — dei um soquinho no braço dele e acabamos rindo juntos, nem nossas implicâncias duravam muito.

—Anda logo, deixa de besteira e vamos comer — ele falou pro fim indicando com a cabeça o caminho do salão principal.

Passei a semana seguinte toda tentando me decidir sobre o presente da Rose até que cheguei na escolha perfeita. Enviei na hora uma coruja a fim de fazer o meu pedido, torcendo para que minha encomenda chegasse antes da nossa despedida para o feriado do final do ano. Fui surpreendido com a rapidez do serviço, pois no próximo sábado, uma coruja parda carregando um embrulho pequeno veio em minha direção. O único problema era que, como de costume já há algum tempo. eu estava tomando café da manhã na mesa da Grifinória, então foi impossível esconder da dona do presente.

—O que você recebeu, Scorpius? — ela perguntou curiosa ao me ver colocar o pacotinho no bolso da calça.

—Nada demais, depois eu vejo — respondi fingindo não estar interessado.

—Se não é nada demais por que você não abriu? — ela franziu as sobrancelhas e eu estava muito perto de considerar aquilo um ataque de insegurança, o que não deixava de ser algo surpreendente por parte dela.

—Deixa de ser enxerida, Rose! A correspondência é do Scorpius, não sua! — o irmão da Rose a repreendeu do outro lado da mesa e eu quase o agradeci pois conseguiu tirar a atenção dela de mim, não teria a mesma graça se o presente não fosse surpresa.

—Quero saber quando foi que essa conversa chegou ao outro lado da mesa, Hugo.

Os dois começaram a trocar frases bem pouco carinhosas como sempre faziam quando se irritavam um com o outro. Foi preciso que Lily e eu fizéssemos as vezes de apaziguadores para acalmar os irmãos Granger-Weasley.

—Vamos, Rose, ficamos de repassar alguma matérias hoje, lembra? — eu me levantei e esperei pela resposta dela.

—Sim, minhas anotações já estão aqui comigo — esse detalhe era uma daquelas besteirinhas que me deixava feliz, ela não tinha esquecido do nosso combinado do começo da semana.

Andamos lado a lado a caminho da biblioteca. Ela se manteve em silêncio até que eu escutei sua voz soando baixinho.

—Você não vai mesmo me dizer o que era naquele pacote? — eu parei para olhá-la e quase ri com a curiosidade estampada no rosto dela.

—Bem que eu achei que tinha sido muito fácil te despistar, você é teimosa demais! — eu ri ao ver que ela torcia o nariz.

—Nunca neguei, mas sou curiosa também. E então?

—Eu vou te dizer, mas não agora, pode ser?

—Você só conseguiu piorar as coisas para mim — aquilo era realmente a Rose fazendo um bico?

Eu aproximei meu rosto do dela, sussurrando de modo que apenas ela pudesse escutar.

—Rosie, não olha assim pra mim, porque se não, eu vou ter que te beijar aqui no meio do corredor e a culpa não vai ser minha.

—Não tem graça, Scorpy — ela rebateu, mas eu ouvi o embargo em sua voz.

—É melhor chegarmos logo à biblioteca então, lá tem lugares mais escondidos — dei um sorriso sugestivo deixando-a momentaneamente sem nada a dizer.

Eu consegui uma boa dose de beijos naquela manhã, o que, claro, significou que sobrou muito pouco tempo para o que realmente tinhamos ido fazer na biblioteca, mas teriamos ainda bastante tempo para estudar aquelas matérias. Quando a Rose de despediu de mim naquele dia antes de nos recolhermos em nossos dormitórios, ela tinha um ar pensativo que não combinava com ela. Sempre tão decidida, eu estava acostumado a ver seus olhos afiados. Decidi não tocar no assunto, mas aquilo ficou na minha cabeça, me fazendo imaginar o que podia ter levado dúvidas a mente dela.

Eu ainda ponderava o assunto durante as aulas na segunda feira. Decidi que sairia da última aula e iria para a biblioteca estudar, o Albus porém não quis me acompanhar. Deixei-o na sala comunal e tomei o caminho tão conhecido. Os corredores se encontravam praticamente vazios no terceiro andar onde a biblioteca se encontrava e eu andei distraidamente, contando com a memória dos meus pés para me levar até lá. Minha mente vagava tão longe que eu quase fui de encontro com uma garota que andava na direção oposta.

—Polly, me desculpa! — eu estiquei os meus braços até os ombros dela. a tempo de impedir o impacto, porém no processo ela acabou derrubando os papéis que trazia consigo.

—Não foi nada — ela se abaixou para pegá-los, e eu prontamente me coloquei a ajudá-la afinal a culpa era minha por não prestar atenção — indo para a bilbioteca?

—Sim, quero adiantar alguns tópicos — expliquei me levantando e dando a mão para ajudá-la a fazer o mesmo.

—Sempre tão estudioso, gosto disso em um homem — ela sorriu para mim de um jeito que me deixou sem graça.

—Eu.. é… obrigado? — meu agradecimento acabou saindo mais como uma pergunta, fazendo-a dar uma risadinha.

—Você não tem que me agradecer, Scorpius, só estou dizendo a verdade. Você tem muitas qualidades.

Aquela conversa estava me deixando altamente desconfortável, ainda mais com a maneira que a Polly me olhava. Parecia que ela avaliava um item que estava decidida a comprar. Eu porém não tinha nada a vender ali.

—É melhor eu ir — eu entreguei os papeis na mão dela, fazendo menção de terminar nossa conversa — não quero terminar muito tarde… — dei um sorriso desconcertado e passei por ela para continuar o meu caminho.

—Mas já? — a mão dela se fechou no meu pulso o que acabou por me sobressaltar, me parando no lugar — eu já fiz a minha revisão de hoje, e se eu te ajudasse? — por algum motivo a oferta dela não me parecia nada inocente.

—Eu… eu prefiro estudar sozinho — desconversei, a mão dela continuava firmemente presa a minha.

—Você me disse, mas quem sabe você não gosta dos meus métodos? — não gostei nada do passo em minha direção que ela deu

—Polly acho melhor…

Eu ia recusar mais uma vez a oferta, me esforçando ao máximo para não ter que ser mal educado, porém ela me interrompeu e de uma maneira que eu não esperava nem de longe. Antes que eu pudesse continuar a minha frase, ela puxou meu braço com tudo, ao mesmo tempo que se impulsionou para frente colando os lábios aos meus.

Aqueles nãos eram os lábios pelos quais eu perdia o fôlego. Não era a boca que me trazia arrepios e me tirava o sono. Eu não sabia o que tinha dado na Polly, só sabia que precisava me livrar do contato da boca dela. Subi os braços até seus ombros, empurrando-a com mais força do que eu gostaria de ter que usar. Porém as mão dela que se fecharam na minha cintura não me deram outra opção. Por fim, consegui dar um passo para trás e afastar inteiramente os nossos corpos, mas por algum motivo, o olhar no rosto da garota era triunfante.

—Polly! Você não… — comecei o meu discurso irritado, se era assim que ela ia tratar as coisas, eu não queria mais nenhuma proximidade entre nós.

Porém um um ruído as minhas costas me chamou atenção, uma exclamação dividida entre surpresa e decepção. Foi aí que eu entendi exatamente a expressão da garota que tentava há semanas conseguir mais do que a minha atenção. Me virei imediatamente, e claro que só podia ser uma pessoa a ter presenciado tudo aquilo.

A Rose me encarava com os olhos escurecidos de uma maneira que eu nunca havia visto e eu senti que algo se partia dentro de mim.

Antes que eu pudesse falar alguma coisa, ela se virou e correu sem olhar para trás.

Notas finais
Ai meu Deus! E agora? A Rose andava meio distante por algum motivo e a Polly não se fez de inocente e as coisas acabaram se complicando.... será que o Scorpius consegue dar um jeito na situação? Vai convencer de vez a ruiva dele a engatar uma relação ou vai tudo por água abaixo? Façam suas apostas! Não deixem de me dizer tudo nos comentário, aguardo ansiosamente! Bjus :)