All of me

9 Capítulo 09


Notas iniciais
Olá, pessoal! No último capítulo deixamos o Scorpius e a Rose se beijando e abusando da sorte, o que será que vai acontecer?? Espero que gostem :) Vejo vocês lá no final Grupo fechado no facebook: https://www.facebook.com/groups/1779275052355810/

Acabamos nos perdendo demais naquele beijo, porém quando eu tinha a mão dela enroscada no meu cabelo e o corpo tão próximo que eu conseguia sentir em todo o comprimento do meu, era impossível lembrar que tinha uma família inteira se despedindo logo ali do lado. Eu amaldiçoei mentalmente a falta que a minha mão direita fazia, mas mesmo assim, enlacei a cintura dela com a outra mão. Senti o livro que eu tinha dado a ela de presente quase caindo do seu braço quando eu mordi o lábio dela antes de voltar a explorar a sua boca com a língua. Eu teria ficado ali indefinidamente, não fosse o som de alguém limpando a garganta às nossas costas que nos fez pular, separando as nossas bocas e colocando um passo de distância entre nós.

Eu já estava nervoso antes de registrar quem tinha nos flagrado, o que só piorou quando eu descobri a mãe da Rose nos olhando com as sobrancelhas erguidas e os braços cruzados.

—Mãe! — a Rose exclamou, o rosto completamente vermelho, o que era novo e totalmente adorável — o Scorpy… Socorpius só estava me dando um presente de natal — ela se embolou nas palavras, mas se apressou a levantar o livro que tinha nas mãos.

—Sim, claro — o olhar divertido dela, com um sorrisinho de quem sabe das coisas, dizia que ela não acreditou em uma só palavra — só vim dizer que o Harry e a Ginny estão te esperando, Scorpy — ela sorriu ainda mais irônica ao me chamar da mesma maneira que a filha tinha deixado escapar.

Eu não sabia o que dizer, muito menos o que fazer para não piorar a situação. Ela parecia estar achando graça, mas eu não a conhecia o suficiente para saber se aquilo era um prelúdio para uma tempestade. Por isso, juntei toda e minha coragem e me apressei a sair do recinto, até porque, visto que a Rose nem olhava mais em minha direção, eu achava que ela me queria bem longe o quanto antes.

—Já vou indo, muito obrigada Sra Ministra — no meu mini ataque de pânico eu ainda fiz uma mesura que depois me soou a coisa mais idiota do mundo, mas ela apenas assentiu enquanto ainda encarava a filha.

Corri para voltar a segurança do cômodo que não sabia de nada que tinha se passado entre mim e a Rose, mas não antes de escutar o que eu supunha ser a primeira de muitas perguntas que a mãe faria a ela.

—Não vai nos apresentar seu namorado direito, Rose?

Eu queria muito ouvir o que ela teria a dizer, entretanto decidi que o mais sensato seria me juntar aos Potter e desaparecer dali. Não era a minha intenção estar por perto se a ministra resolvesse que contar ao marido era uma ótima ideia. Eu tinha percebido pelas interações entre eles que o Sr Weasley era bastante ciumento, ainda mais da filha, e eu gostava demais de todos os meus membros para arriscar tê-los arrancados pelo ruivo.

O Albus e eu fomos direto para a cama, eu ainda não me sentia estável o bastante para pensar em outra coisa que não fosse a mãe da Rose nos encarando. Meu estômago permanecia gelado e eu sentia uma ansiedade quase incontrolável por não saber o que eu encontraria na manhã seguinte na Toca.

—Você tá muito calado, Scorpius… — o meu amigo comentou, assim que o pai dele foi embora de nos desejar boa noite — aconteceu alguma coisa?

—Aham — confirmei.

—Desembucha — escutei ele se virando para ficar de frente para mim.

—Eu acho que estou enrascado.

—O que você fez? — ele perguntou reclamando.

—Nada que já não tenha feito antes — me defendi — o problema foi que dessa vez alguém viu.

—Quer fazer o favor de me explicar direito, não estou nessa sua cabeça maluca — eu não precisava nem de luz para saber que o meu amigo tinha a cara fechada e as sobrancelhas franzidas.

—A sua tia viu eu e a Rose nos beijando — confessei.

—Ui… — foi tudo o que ele disse.

—É, ui.

—Foi um beijo na bochecha, pelo menos? — ele zombou.

—Claro que não, foi na mão! — corrigi e acabamos rindo juntos.

—Tá, mas agora falando sério, o que ela disse? — ele voltou ao assunto principal.

—Pra mim nada, agora pra Rose eu não sei…

—A Rose deve estar até agora respondendo um interrogatório — ele disse se divertindo com a situação.

—Albus, sua tia não vai mandar me prender nem nada, né?

—Claro que não, seu animal! Minha tia é uma ministra muito séria para ficar gastando espaço no ministério com namorados da filha — ele jogou um travesseiro que acertou em cheio a minha cara, mas eu nem me importei, pois a afirmação me tranquilizou um pouco.

—Foi o que eu imaginei… mas ela não vai ficar feliz, vai?

—E como eu vou saber? Eu tenho cara de quem entende o que se passa na cabeça das mães?

—É, você tem razão… vou ter que descobrir amanhã — declarei conformado.

—Bom, ela de fato deu um soco na cara do seu pai… não é um bom histórico.

—Muito obrigada pela injeção de ânimo — resmunguei.

—Mas por outro lado, ela consertou o seu braço, então acho que as probabilidades são neutras — a lógica dele até que fazia sentido, mas eu estava mais preocupado com outra coisa.

—Será que ela vai contar para o seu tio?

—Putz, aí você está ferrado mesmo, o tio Ron morre de ciúmes da Rose — conte com o Albus para nunca mascarar uma verdade assustadora.

—Ela não pode contar! — pedi para ninguém em especial.

—A sorte é que a tia Mione é a pessoa mais sensata da minha família, então se ela não quiser te ver sendo transformado em picadinho, provavelmente vai guardar a informação.

—Será que eu posso ficar doente amanhã e não sair da cama? Aliás, doente até o ano novo? — essa ideia já estava começando a me parecer bem plausível.

—Larga de ser um bundão, Scorpius! Você gosta da Rose desde que eu te conheço, achou o que? Que nunca ia ter que lidar com a família dela? Onde entra esse detalhe nos seus planos mirabolantes de se casar com ela e ser feliz para sempre?

Realmente ele estava certo, se eu tinha qualquer pretensão de levar as coisas em frente com a Rose — e claro que eu tinha — uma hora eu teria que lidar até com o pai dela. Porém eu sempre soube que — sendo quem eu sou — isso não seria muito fácil, então decidi eliminar o problema da minha mente, não pensar muito no assunto, mas agora que era uma possibilidade bem real, eu estava aterrorizado. Se fosse por mim, ainda demoraria um pouco para o Sr Weasley ficar sabendo de qualquer coisa.

—Claro que eu sei que tem a família toda — respondi ao meu amigo — mas não precisava ser exatamente agora…

—Tem hora certa pra isso?

—Pelo menos quando ela já estivesse disposta a enfrentá-los do meu lado — do jeito que as coisas estavam entre mim e a Rose, ela nunca admitiria a nossa relação e eu seria deixado sozinho para ser queimado na fogueira, minha expectativa era que em breve isso mudasse e quando ela decidisse que éramos pra valer, eu tinha certeza que ela convenceria o mundo todo se precisasse, esse era o tipo de determinação que eu sabia que ela tinha.

Na manhã seguinte, entrei na Toca literalmente trêmulo. Eu olhava para todos procurando por olhares descontentes ou de reprovação, porém não encontrei nada do gênero. Fui me acalmando aos poucos, conforme os integrantes da família foram chegando, porém eu precisava era ver como os pais dela estariam. Ela chegou primeiro que os pais na cozinha, onde as pessoas já estavam tomando o café da manhã e — aproveitando que não tinha nenhum sinal da mãe dela e do pai — eu me aproximei para me certificar de que tudo estava bem.

—Bom dia, Rose — cumprimentei normalmente.

—Você! — ela apontou o dedo na minha cara, tendo o cuidado de permanecer silenciosa para não chamar atenção da família toda — eu quero você bem longe de mim!

—O que aconteceu? — meu estômago já era um nó só — sua mãe brigou com você? Contou pro seu pai?

—Brigar? Antes fosse isso! — ela jogou as mãos para cima exasperada — vem cá.

Ela me puxou pela porta da cozinha que saia para os fundos da casa, fechando-a com cuidado para não chamar atenção.

—Minha mãe fez um milhão de perguntas!

—O que ela perguntou? — eu estava curioso para saber.

—Não interessa! Só que agora, mesmo eu tendo negado tudo, do jeito que realmente é, ela acha que estamos perdidamente apaixonados — ela me olhou de cara feia, os braços cruzados na altura do peito.

—Apaixonados? — eu não consegui deixar de sorrir com a notícia, o que fez a Rose ficar mais brava ainda.

—Pode tirar essa cara de besta do rosto! Ela está imaginando coisas! — ignorei completamente as últimas observações e perguntei direto o que eu precisava saber.

—Mas o que ela achou disso? Ela não vai me chutar para fora daqui, vai?

—Bem que deveria! Mas pelo jeito ela é quase pior que você, saiu sorrindo e achando graça.

—Sabia que eu gostava da sua mãe, agora gosto mais ainda — pensei em voz alta.

Ela bufou e prendeu os dedos na minha camisa, me trazendo para perto, até quase colar a testa na minha.

—Isso não tem graça, Scorpius! — ela falou entre dentes, a mandíbula flexionada.

—Mas eu não estou rindo — me defendi, porém a verdade era que eu estava adorando as circunstâncias.

—Você vai ficar longe de mim pelo resto do feriado, entendeu? Não quero a minha mãe tendo ideias erradas — ela me olhou furiosa, esperando a minha resposta e quando eu não dei nenhuma, ela me chacoalhou pela mão que ainda agarrava a minha blusa e repetiu — entendeu?

—Mas é uma semana inteira, Rosie… — reclamei fazendo bico.

—Que fosse um mês!

—Você não vai ficar com saudade de mim? — provoquei, mesmo sabendo que ela não admitiria.

—Claro que não — ela revirou os olhos, mas não se afastou.

Eu me inclinei para frente, roçando meus lábios nos dela.

—Dos meus beijos então? — ela entreabriu a boca para responder, mas eu passei a língua pelo lábio inferior dela, fazendo a nova negativa evaporar. Eu senti a respiração dela ficando entrecortada, o que me deu a resposta que eu queria, pois ela podia negar o quanto quisesse, mas não era nem um pouco imune a nossa proximidade, da mesma maneira que eu não era.

Antes que ela pudesse se recuperar e me mandar embora de vez, eu completei o beijo explorando inteiramente a boca dela. A minha vitória não foi longa, no entanto, pois alguns segundos depois ela me empurrou com as mãos no meu peito, cessando o nosso contato. O peito dela ainda subia e descia num ritmo acelerado que era similar ao meu, mas mesmo assim, ela recobrou a pose séria e fechada antes de dar veredito final.

—Até o ano que vem Scorpius — ela se virou e entrou de volta a cozinha sem mais nenhuma palavra, e eu fiquei ali por mais alguns instantes, tentando fazer o meu batimento cardíaco voltar ao normal e colocar todos os meus pensamentos em ordem.

Claro que eu não estava satisfeito com a ideia de passar uma semana na mesma casa que a Rose, sem poder estar perto dela, ou ainda, conseguir roubar alguns beijos escondidos. Porém, o motivo daquela decisão não deixava de me alegrar: a mãe dela achava que estávamos apaixonados! No meu caso, isso já era verdade há muito tempo, mas o meu coração desejava tão veementemente que fosse verdade também para a Rose, que eu acabei me deixando levar pela esperança de que a mãe dela estivesse certa, afinal de contas não era lei a de que as mães sempre tinham razão? A minha Rosie era teimosa e orgulhosa, mas já fazia tanto tempo que eu tentava fazê-la permitir o meu acesso ao coração dela que qualquer fiapo de esperança era suficiente para encher o meu peito de felicidade.

Ficar ali fora no frio não ia ajudar em nada, então eu abri a porta e voltei para a o aconchego da cozinha que agora se encontrava mais vazia, já que vários do Weasley já tinham terminado a refeição. Eu, no entanto, ainda não tinha comido, então me aproximei da mesa, sem notar que estava por perto.

—Ah, Scorpius aí está você! — a mãe da Rose veio em minha direção — ainda não comeu, querido? — ela sorria simpática, mas mesmo assim fiquei um pouco apreensivo.

—Na..não — falei, gaguejando um pouco.

—Vem se sentar com a gente então, vamos comer agora também — ela me guiou até o lado da mesa onde ela e as cunhadas se encontravam, me indicando uma cadeira vazia entre ela e a Sra Potter.

Me senti um tanto desconfortável por estar sendo alvo de tantos olhares femininos ao mesmo tempo, além de ter achado aquela atitude meio estranha, será que ela estava tentando me assustar? Me inclinei para alcançar a comida na minha frente, porém fui impedido.

—Deixa que eu pego para você, o que você quer? — ela ainda me olhava sorridente.

—Qualquer coisa está bom — respondi sucinto.

Ela começou a encher o meu prato com vários dos bolinhos e quitutes que estavam à disposição, porém da onde ela estava, não dava para alcançar todos.

—Ginny, põe um pouco desses daí pra ele — a cunhada pegou tranquilamente o prato das mãos dela e fez como foi pedido. Eu fiquei calado, apenas observando o prato se tornar uma bela montanha de comida, porém quando eu a vi se aproximar do muffin de morango, eu tive que protestar.

—Ah, esse não Sra Potter.

—Não gosta de morrango, chère? — a tia Fleur perguntou.

—Eu até gosto bastante, mas sou alérgico — expliquei.

—Fora do seu alcance então — a Sra Potter brincou, passando a mão por cima deles e chegando no de chocolate.

—Tem alergia a mais alguma coisa, Scorpius — a mãe da Rose me perguntou.

—Não, senhora, pelo menos que eu saiba.

—Não precisa me chamar de senhora, meu bem — ela me olhou de maneira divertida, mas como em nome de Mérlin eu a chamaria?

—Você está assustando o menino, Mione — a tia Angelina brincou.

—Não estou não, estou? — ela olhou para mim, esperando a resposta, que não veio, eu apenas arregalei os olhos.

—Acho que isso diz tudo, não? — a Sra Potter respondeu e as mulheres entoaram um coro de risadas.

—Não se prreocupe, chère, a Herrmione não é tão brrava quanto as histórrias dizem.

—Não sou? — ela colocou a mão no peito com um ar de indignação fingido e mais uma vez elas riram.

Eu me tranquilizei um pouco com a conversa descontraída delas, contente em comer a minha comida e apenas observá-las.

—Ele é tão educadinho, comendo todo quieto, se fosse o James ou o Albus já tinha engolido a comida toda e estava fazendo um escarcéu por mais — a mãe do meu amigo falou e as outras concordaram.

Eu engasguei com a comida, contendo um riso com a imagem exata que ela descreveu do Albus.

—Ele é assim na escola também, o Albus — expliquei para os olhares curiosos virados para mim.

—Isso é tudo culpa dos genes esganados dos meus irmãos, passaram direto para eles, coitados — ela revirou os olhos.

—Nesse caso você foi a única que deu azar, Gin — a tia Angelina provocou.

—Pelo menos a Lily se saiu a mim, uma lady — ela sorriu brincando.

—Lady? — a mãe da Rose zombou — você é a mesma Ginny que estava jogando quadribol ontem e xingando mais do que um caminhoneiro?

—Caminhoneiro? — as três a olharam confusas

—Deixa pra lá — ela deu de ombros — mas conta mais pra gente, Scorpius como vão as coisas em Hogwarts?

—Bem? — a minha afirmação saiu mais como uma pergunta, pois eu não tinha ideia do que ela queria dizer com aquilo.

—Só bem? — a Sra Potter se adiantou — as aulas continuam a mesma chatice?

—Eu gosto das aulas — eu dei de ombros.

—Claro que ele gosta! — a ministra olhou para mim com aprovação nos olhos — e as suas notas?

O que se seguiu foram uma infinidade de perguntas que me fizeram entender exatamente o que tinha sido o objetivo dela me chamar até ali: ela estava juntando informações. E pelos olhares cúmplices que a mãe do Albus lançava a ela enquanto disparava algumas perguntas próprias, eu logo deduzi que ela já sabia não só desse plano, mas da história toda entre mim e a Rose. Eu já tinha contado sobre as minhas notas, matérias favoritas, pretensões de trabalho, sobre a minha mãe — que elas não conheceram na escola — entre várias outras coisas. Eu achei que nunca mais sairia dali, pois elas não davam indícios de quererem parar, mas fui salvo pelo Albus que veio me chamar.

—Scorpius, tava te procurando por todo canto! Vem, vamos estrear o meu presente de natal! — ele falou empolgado e eu olhei da mãe dele para a tia, pedindo uma permissão silenciosa para me ausentar do inquérito.

—Pode ir, querido, já te ocupamos demais.

Eu levantei num pulo, olhando agradecido ao meu amigo enquanto saíamos para a sala, ainda escutando os comentários das mulheres que ficaram para trás.

—Minha tia acabou de te chamar de lindinho? — ele me olhou com cara de desgosto.

—E sua mãe concordou — eu olhei meio sem jeito pra ele — É melhor do que ir preso, né?

—Definitivamente.

—Aliás, obrigado por me tirar de lá, eu estava vendo a hora que elas iam começar a fazer perguntas sobre mim que nem eu mesmo sei — arregalei os olhos em pensar no assunto.

—Percebi que você estava sendo interrogado, mas pelo menos parece que ela gosta de você.

—É — eu abri um sorriso satisfeito e nos sentamos para jogar a primeira partida de xadrez no tabuleiro novo do Albus.

A Rose se manteve firme em me evitar durante a semana que levou ao último dia do ano. Eu ainda tentei buscar a companhia dela algumas vezes, porém ela sempre se esquivava com a mesma facilidade que fazia quando estava sobre uma vassoura. O mais engraçado foi ver a mãe dela sempre prestando atenção, ela nos seguia com o olhar e tinha um sorrisinho permanente no rosto. Para a minha sorte, o pai da Rose parecia ainda estar no escuro quanto aos meus interesses pela filha dele, pois eu duvidava que ele ainda estivesse falando normalmente comigo, se o caso fosse outro.

Aquele tempo todo em contato com a família Weasley e Potter me deixou completamente tranquilo entre eles, da mesma forma que eles comigo. Eu entrei no ritmo das refeições e discussões, até me permitindo comentários em várias delas, rindo junto com todos quando uma piada era contada e arregalando os olhos todas as vezes que a vó Weasley dava uma bronca em alguém. Eu entendi qual era o medo que todos tinham dela, aquela mulher sabia dar uma bronca como ninguém! Tomei cuidado extra para não fazer nada de errado na presença dela.

Finalmente a nossa última noite de férias chegou. A família já tinha jantado a última ceia maravilhosa do ano e agora estavam à espera do toque da meia noite para soltar os fogos de artifício e desejarem uns aos outros “feliz ano novo”. Eu estava ansioso, pois a cada minuto eu me aproximava mais da linha que a Rose tinha colocado para nos separar. Minhas mãos — que agora já estavam boas — formigavam para abraçá-la e o que eu mais queria era poder beijá-la de novo. O relógio começou a avisar os último segundos do ano e a família explodiu em uma contagem regressiva que terminou em beijos e abraços. Logo após todos se juntaram do lado de fora, para começar o espetáculos de luzes brilhantes que eram disparadas no céu. Eu procurava a Rose com o olhar, mas não a achava.

—Ela não está aqui, querido — a mãe dela me falou baixinho e eu nem me dei ao trabalho de perguntar de que ela estava falando — ela sempre prefere ver os fogos lá do telhado — ela apontou para cima da casa.

—Ah… — falei desanimado.

—Geralmente ela fica lá sozinha… são as últimas escadas do corredor — ela piscou para mim, antes de ir se juntar ao marido.

Ela tinha realmente me dado as indicações para encontrar a filha dela sozinha? Eu resolvi não perder tempo pensando no assunto e tomar aquilo como uma aprovação e pronto. Minhas pernas fora quase que automaticamente pelos corredores até as escadas que me haviam sida indicadas. Subi os vários andares até atingir o último, onde a Rose se encontrava sentada no parapeito da janela, com os pés apoiados no telhado.

—Rosie — eu chamei, fazendo-a se sobressaltar.

—O que você está fazendo aqui? — ela reclamou, a primeira sentença completa em vários dias.

—Fiquei sabendo que você estava aqui sozinha… vim te desejar um bom ano novo.

—Tudo bem, já falou — ela falou, se virando novamente para fora.

Eu não ia me desanimar por essa recusa.

—Sabe, já é o ano que vem… — eu falei me aproximando devagar, até estar bem atrás das costas dela.

—E?

—E você falou “até o ano que vem, Scorpius” — eu continuei meu argumento, apoiando as minhas mãos nos ombros dela, e sentindo-a estremecer com o toque quando eu acariciei a pele do pescoço.

—Isso não quer dizer hoje, pode ser qualquer dia — ela se manteve olhando para frente, mas eu percebi a voz menos firme.

—Mas que tal hoje? — eu me aproximei para abraçá-la completamente pela cintura, apoiando o meu queixo na curva do pescoço dela.

Ela ficou em silêncio, mas os dedos dela desceram pelos meus braços até se embrenharem nos meus, aceitando o meu abraço. Eu virei o meu rosto na direção do dela, deslizando o nariz pela pele macia antes de distribuir alguns beijos rápidos, subindo pelo queixo e chegando a bochecha dela. Escutei um suspiro saindo dos seus lábios e soltei uma das minhas mãos para apoiá-la na coxa dela, onde eu apertei por sobre o tecido da calça que ela usava.

—Você é muito abusado — ela falou com a voz entrecortada.

—E você adora — respondi confiante no ouvido dela, apertando mais uma vez a sua coxa e sentido-a prender os joelhos.

Soltei a minha outra mão da dela e subi até afundar os dedos em um dos seus seios, minha boca continuava explorando o pescoço e o seu colo que estava agora exposto por eu ter puxado a blusa que ela usava para baixo. Dei uma mordida de leve no lóbulo da orelha dela, que como resposta afundou os dedos no meu cabelo, mantendo a minha cabeça presa onde estava. Ela levou a outra mão para trás de si, fechando os dedos na minha perna. Com as costas dela apoiadas no meu peito, eu conseguia senti-la se remexendo enquanto as minhas mãos passeavam pelo corpo dela, me atendo nos lugares que eu sabia que a fariam soltar suspiros e gemidos. A minha respiração também não tinha mais ritmo certo, mas eu juntei todo o meu fôlego para falar mais uma vez.

—Eu estava com saudade — murmurei.

Aquilo era tão verdade que eu nem me importei com o local em que estávamos, ela ainda sentada para fora da janela, metros acima do resto da família inteira, que se a sorte nos ajudasse não conseguiria nos ver de onde estavam. A minha maior felicidade foi perceber que ela também não estava muito preocupada com o fato. Assim que as minhas palavras chegaram aos ouvidos dela, eu a senti se mexer, virando o corpo para ficar de frente para mim e passando as pernas sobre o parapeito da janela se posicionando sentada em minha direção.

O que eu mais queria era escutar dos lábios dela que ela também tinha sentido saudade, mas não foi dessa vez. O aperto no meu coração no entanto, foi removido pelo que eu vi nos olhos dela. Ela me olhava com a brasa costumeira de sempre, mas tinha algo a mais, uma ânsia que só nasce da privação do que se quer por perto. Ela esticou os braços puxando os meus ombros para si e colando nossas bocas num beijo faminto. Eu me encaixei no meio de suas pernas, deslizando os meus braços pelas costas delas até apertar com força a sua bunda, fazendo com que ela enlaçasse as pernas a minha volta me trazendo mais para perto.

Não era um local apropriado para nada do que estávamos fazendo, mas eu queria mais, tocá-la mais, fazê-la se arrepiar mais e principalmente fazê-la sentir mais as sensações que eu sabia dar. Minhas mãos se perderam no cós da calça dela, abrindo com facilidade o botão e o zíper. Ela gemeu quando eu afundei os dedos pela abertura da roupa, impulsionando o quadril em minha direção. O acesso não era o suficiente, então com alguns puxões, eu consegui afastar a calça dela até as coxas, deixando o caminho livre para os meus dedos acariciarem por cima da calcinha branca. Eu adorava as reações dela ao meu toque, as mãos já estavam me arranhando por debaixo da blusa, as pernas agora caídas ao meu lado, se encontravam o mais afastadas possível e da boca dela surgiam gemidos entrecortados pelo fôlego falho.

Ela estava completamente excitada, o corpo entregue ao ritmo dos meus dedos. Eu capturei a boca dela mais uma vez, ao mesmo tempo que afastei o tecido fino que a cobria e deslizei um dedo para dentro dela. Ela separou a boca da minha e afundou o rosto no meu pescoço abafando os gemidos cada vez mais frequentes ao passo que eu acelerava o movimento. Os fogos de artifício ainda explodiam lá fora e foram um complemento perfeito para o momento em que eu senti o corpo dela tremer, as mãos se agarrando a mim, enquanto ela se deliciava de olhos fechados. Meu coração batia acelerado assim como o dela. Levantei meus braços para abraçá-la, segurando o seu corpo que se encontrava totalmente jogado sobre o meu.

—Feliz ano novo, Scorpy — ela susurrou no meu ouvido.

—Feliz ano novo, Rosie — respondi sorrindo.

Notas finais
Muitas de vcs apostaram as fichas na Mione pegando os dois no flagra, o que acharam da reação dela? Eu acho muito a cara dela tentar desenterrar o máximo de informações sobre ele e ainda por cima ajudar hauhauh Não tem como não ver que ele é bem o tipo de menino que ela ia amar ver junto da filha, o que resta agora é imaginar o que vai acontecer quando o Ron souber... E a reação da Rose? Ela bem que tentou ficar longe do Scorpius, mas ele não facilitou as coisas quando o ano acabou, apesar de que ela não pareceu reclamar nem um pouco.... Não esqueçam de me dizer o que acharam, deixando aqueles comentários lindos que eu amo taaaaaaaanto! Eles sempre me inspiram e animam a continuar postando :) Até o próximo capítulo Bjus