All of me

10 Capítulo 10


Notas iniciais
Olá pessoas lindas do meu coração! Mais um capítlo de AOM, chegamos ao número 10!! Nem acredito que o tempo passou tão rápido, parece que foi ontem que comecei a postar... estou muito feliz com o retorno de vocês, cada comentário me anima e inspira um pouco mais. E mais do que os comentários, receber uma recomandação transforma o meu dia, colocando um sorriso permanente no meu rosto. Por isso eu tenho que agradecer imensamente à JúliaT pela recomendação linda! Suas palavras me emocionaram e eu espero que AOM continue a atingir suas expectativas e que você continue a torcer pelo Scorpius e pela Rose. Obrigada!! ♥ Agora sobre esse capítulo: estamos de volta à Hogwarts, como será que está a relação desses dois agora? Espero que gostem :)

Voltamos à Hogwarts e, consequentemente, à rotina habitual de dias ocupados com aulas, lições, trabalhos e muito estudo. O inverno deu lugar à primavera, amenizando as cores sombrias que permeavam o castelo, mesmo que o humor dos alunos começasse a se deteriorar com as provas finais cada vez mais próximas. Eu e a Rose também entramos no que parecia ser um acordo silencioso, ela passava cada vez mais tempo comigo e o Al, o que eu não apontava na cara dela para que ela não desistisse da ação, mas me deixava profundamente feliz. Ela ainda se mantinha afastada de mim aos olhos dos outros, porém cada momento que eu conseguia roubar para mim, nunca era negado.

Num sábado no começo de fevereiro, eu estava terminando de tomar o meu café da manhã enquanto fazia de tudo para convencer o Albus a ir comigo à Hogsmead.

—Anda, Albus vamos! Prometo que vai ser rápido — falei pela milésima vez.

—Já falei que eu só quero terminar de comer e voltar para a cama, esse resfriado está me matando — ele respondeu com a voz anasalada em virtude da sua condição de saúde.

—Por favor, é um saco caminhar até lá sozinho! — eu juntei as mãos em pedido, sem que meu amigo se compadecesse.

Nesse momento, a Rose se sentou ao meu lado, sem que eu percebesse a sua aproximação.

—Que teatro todo é esse? — ela indagou olhando para a minha pose em direção a um Albus que me ignorava.

—Ah, oi, Rose — me voltei para ela sorrindo — o seu primo que é um amigo desalmado — resmunguei olhando pidão para ele de novo.

—Nem vem, Scorpius! Nariz escorrendo, tosse, corpo doendo, eu vou para cama!

Eu cruzei os braços bufando, tendo que aceitar a minha derrota.

—Mas afinal, o que você queria? — a Rose me perguntou.

—Meus doces acabaram, tenho que ir em Hogsmead comprar mais, só que alguém não quer ir comigo — lancei um olhar feio ao Albus.

—Doces? Só isso? — ela me olhou confusa.

—É.

—Tá, eu vou com você — ela declarou do nada, puxando um pedaço do meu bolo, que ainda estava no meu prato, e colocando na boca.

—Vai? — respondi boquiaberto, até o Albus arregalou os olhos para a reação inesperada da prima.

Nós nunca fomos a lugar nenhum sozinhos, não algum lugar que tivessem outras pessoas a volta e eu nem perdi tempo tentando refrear os pulinhos que o meu coração dava.

—A não ser que você não queira — ela levantou a sobrancelha, sabendo muito bem que eu não recusaria a oferta.

—Claro que eu quero — me apressei a dizer e ela sorriu revirando os olhos.

—Vamos agora? — eu respondi afirmativamente — vou pegar meu casaco então, te vejo no portão em 15min, ok? Melhoras, Al.

Mais uma vez eu confirmei e ela se levantou para fazer o caminho até a torre da Grifinória. Meus olhos a seguiram até perder o contato de vez, eu ainda não tinha acreditado no que acabara de acontecer.

—Ela realmente se ofereceu para ir comigo, né? Ou eu perdi alguma coisa? — perguntei para o Albus que parecia tão surpreso quanto eu.

—Não perdeu nada, foi tudo ela mesmo… alguma coisa você está fazendo certo.

—Faço tudo certo desde o começo — falei convencido — só tá dando resultado, sempre falei que era um plano de longo prazo.

No horário combinado, a Rose veio se juntar a mim na saída do castelo e começamos a caminhada até o vilarejo. Nenhum dos dois muito certo do que fazer por ser uma situação nova. Ela andava a passos mais rápidos, acompanhando o meu ritmo, os braços balançando ao lado do meu, nossas mãos às vezes se tocando até que, num impulso, eu capturei a mão dela na minha. Os olhos dela voaram instantaneamente para onde nossos dedos se juntavam.

—Scorpy! — ela exclamou, mas não tinha nenhuma cara feia me olhando.

—Não tem ninguém vendo, Rosie — argumentei, já esperando uma réplica que me fizesse cessar o contato, mas ela não tocou mais no assunto, apenas continuou andando, me deixando para conter o sorriso que eu queria dar por estar caminhando de mãos dadas com a garota que eu gostava.

—Qual é a dessa sua fixação com doces? — ela quis saber.

—Eu só gosto, ué… você não?

—Gosto, só não tanto quanto você, nunca te vi sem uma bolsa cheia deles por perto — ela riu.

—Minha mãe adora doces, acho que herdei dela — expliquei.

Continuamos conversando até chegar à porta da Dedosdemel, onde só o cheiro dos produtos açucarado já me deixava mais feliz. Eram prateleiras e prateleiras dos mais variados doces, balas e chocolates. Eu sempre passava um bom tempo por lá, pegando os meus favoritos e selecionando novos itens para provar. A dona me cumprimentou chamando meu nome, já me conhecia de tantos anos sendo freguês, e me deu um dos saquinhos de pano para colocar toda a minha compra.

—A mulher te conhece pelo nome — a Rose se surpreendeu.

—Sou um ótimo cliente — eu sorri ao explicar.

—O que você vai comprar?

—Nunca planejo, só vou pegando o que gosto mais, você quer me ajudar a escolher alguns?

—Tudo bem.

Começamos a olhar pelas estantes coloridas, a Rose fazendo graça e jogando na minha sacola os doces mais estranhos que via pela frente.

—Esse aqui diz que faz a pessoa enxergar o mundo cor de rosa — ela riu.

—Pode por na sacola — eu estiquei o saco e ela jogou alguns lá dentro. — pega alguns desses caramelos para mim, por favor são meus favoritos — ela se virou e pegou o que eu pedi.

—Olha esse aqui! — ela me mostrou um doce que era literalmente a coisa mais nojenta que eu já havia visto.

—Credo, Rosie, parece que alguém já mastigou e não gostou, tem certeza que isso está bom?

—Você tem que levar esse, nem que seja um — ela zombou — como você se diz um apreciador de doces se não provar todos?

—Tá bom, mas um só!

Ela ficou toda satisfeita ao colocar o doce de aparência mofada na minha sacola. Logo em seguida eu fui até o caixa pagar, retirando as moedas necessárias de dentro do meu casaco. Voltamos para a rua principal do vilarejo, nenhum dos dois com vontade de retornar ao castelo ainda.

—Quer ir até a praça? Podemos provar algumas das suas escolhas duvidosas — convidei.

—Vamos — ela aceitou.

Caminhamos o pedaço curto da rua até chegar à única praça do vilarejo. O lugar era até bem arborizado, dispensamos os bancos e escolhemos uma das árvores para nos encostarmos. Poucas pessoas passeavam por ali no momento, em sua maioria, habitantes do povoado que começavam o dia cedo. Estávamos os dois sentados lado a lado com o saco de doces entre nós.

—Hum… qual escolher primeiro? — olhei indeciso entre as várias opções tentadoras.

—Você gosta mesmo de doces! É engraçada a sua cara de dúvida, não precisa sofrer, eles são todos seus — ela riu.

—Eu sei, mas decidir não é fácil.

—Deixa eu escolher pra você então — eu dei passagem para ela olhar dentro do saco e, sem demora, ela tinha um eleito — toma, você falou que eram os seus favoritos, então não tem erro — ela colocou um caramelo na minha mão e eu sorri por ela ter prestado atenção na informação.

Coloquei o doce da boca e insisti para que ela escolhesse um para ela também, que acabou se deliciando com um tablete de nugat. Terminei a bala de caramelo e já estava pronto para comer outro.

—Quero outro — indiquei o saco para ela que revirou os olhos.

—Sou sua escolhedora de doces agora? — eu abri um sorriso e ela apenas balançou a cabeça antes de colocar a mão entre as opções de novo — ah, já sei! Esse! — ela tirou o doce nojento, toda animada para me ver comer aquele treco horrível.

—Eu não vou comer isso, Rosie — fiz cara de nojo para o pedaço de sei lá o que.

—Mas você comprou — ela insistiu.

—Prefiro só jogar fora, parece mais apropriado numa lixeira.

—Larga de ser fresco! Se você não comer eu vou comer — ela me desafiou.

—A vontade — ela tirou o doce do plástico transparente e eu não consegui evitar uma careta quando ela colocou todo da boca, mastigando rapidamente — Por Mérlin! — ela arregalou os olhos.

—O que foi? Tá sentindo alguma coisa? Cospe isso, Rosie! — eu me apavorei, pensando nos efeitos adversos que aquilo apresentaria.

—Não! É delicioso, Scorpy! — o rosto dela agora estava corado, a expressão completamente satisfeita.

—Delicioso? — perguntei desconfiado.

—Sim, parece chocolate, mas com avelãs, e doce de leite e… e nem sei mais o que, é fantástico! — ela parecia tão certa daquilo que eu me arrependi de não ter provado.

—Poxa, você pegou só um — resmunguei — não tem pra mim.

Ela olhou para o meu bico de insatisfação e riu.

—Tem sim, vem cá — ela fez um sinal com a mão para que eu me aproximasse e, sem entender, eu fiz o que ela pediu. Ela levou a mão ao meu queixo e me deu um beijo, ali no meio da praça. Não tive nem tempo de registrar que ela estava me beijando num lugar onde qualquer pessoa pudesse ver, pois aquele beijo tinha o gosto mais delicioso de todos os que eu já tinha provado. A língua dela se enroscava na minha, com sabor de tudo o que ela tinha dito e mais. O beijo foi breve, rapidamente ela já estava de volta com as costas na árvore.

—E então, não é ótimo? — ela perguntou.

—Muito! — respondi, mas não era só do doce que eu falava.

—Um só foi pouco… — ela disse pensativa — espera aqui, já volto.

Antes que eu pudesse dizer alguma coisa, ela se levantou e correu rua abaixo, em direção à loja que tínhamos acabado de visitar. Fiquei olhando para ela desaparecendo, os cabelos esvoaçantes com o vento, nem parecia a Rose de sempre. Não, não era a Rose, era a Rosie. A Rosie que tinha andado de mãos dadas comigo e me beijado na praça só para eu sentir o gosto de um doce. Meu coração batia acelerado com os pequenos gestos, provando para mim que estava mais próximo o dia em que ela me diria com todas as letras que gostava de mim. Eu ainda tinha um sorriso bobo no rosto e o pensamento nas nuvens quando ela voltou com uma sacola cheias dos doces nojentamente deliciosos.

—Pronto, agora temos um monte deles — ela se sentou de novo ao meu lado colocando o saco de doces estranhos no colo, me oferecendo um.

—Como um treco tão nojento pode ser tão gostoso? — indaguei.

—Não sei, mas não tem discussão quanto a ser delicioso — ela afirmou — você deveria levar alguns para sua mãe quando voltar para as férias ela vai gostar se ama doces.

—Verdade, vou me lembrar de vir comprar mais antes de voltar para casa.

—Então… sobre a sua mãe e o seu pai — ela fez uma pausa antes de continuar — você nunca me falou deles.

—Você quer saber sobre os meus pais? — perguntei admirado.

—É que você nunca me contou nada — ela deu de ombros, mas eu percebi a curiosidade.

—O que você quer saber?

—Qualquer coisa, sei lá…

—As histórias da escola você conhece — eu zombei.

—Pelo menos a versão dos meus pais e tios, mas receio que seu pai não aparece bem na maioria delas — ela me olhou sem graça.

—Ah, mas nem na versão do meu pai ele aparece bem, ele era bem babaquinha nessa época, né? — eu ri.

O que a maioria das pessoas não sabia, era que meu pai não era mais o mesmo da época do colégio, no entanto foi como a história o deixou conhecido e ele nunca se importou de corrigir ninguém.

—Não entendi — ela ficou confusa.

—Eu conheço todas as histórias dessa época porque ele me contou a maioria e ele sabe que fez muita coisa errada.

—Seu pai não parece muito com a pessoa que eu imaginava então… como eles são, seus pais? Os meus você já conhece — ela riu.

—Eles são ótimos, de verdade! A minha mãe é a pessoa mais paciente do mundo, ela está sempre sorrindo e o meu pai, mesmo sendo mais sério e reservado, sei que nos ama do mesmo tanto. Ele só é menos… como posso dizer? Minha mãe distribui abraços e beijos, meu pai me escreve toda semana para saber se eu estou bem. A minha mãe é a que me dá doces para trazer na viagem e o meu pai as palavras de conselho.

—Eles parecem ótimos mesmo — ela me olhou admirada.

—No meu primeiro ano da escola, eu estava apavorado lá na plataforma, minha mãe colocou um saco de doces na minha mão, dizendo que eu não precisava me preocupar que tudo daria certo. Meu pai me chamou de lado e o que mais me marcou foi ele dizendo que eu devia me preocupar só em fazer amigos, não inimigos, porque na época dele, ele fez o contrário e até aquele dia se arrependia.

—Foi um bom conselho — ela colocou a mão no meu colo e eu comecei a brincar distraidamente com os dedos dela — e você seguiu direitinho.

—Sim, acho que sou o primeiro Malfoy desde sempre que não tem uma fila de inimigos na escola — eu ri — e tenho o Albus.

—Só o Albus? — ela me olhou hesitante.

—Tenho você também, né? — eu a encarei quase prendendo o fôlego, até que ela assentiu sorrindo. Ficamos algum tempo em silêncio, mas ela ainda não tinha esgotado a curiosidade.

—Como eles se conheceram?

—Ah, foi numa daquelas festas chatas de um dos meus avôs, não me lembro de qual… cheia de velhos que têm mais dinheiro do que vão precisar a vida toda — expliquei, meus pais sempre diziam o quanto odiavam ser arrastados para esses eventos.

—Nossa, deve ser muito divertido — ela disse irônica.

—Você não tem ideia — revirei os olhos, pois eu já tinha tido a minha cota delas. — e aí eles se encontraram e foram a saída um do outro. Meu pai diz que ele não seria a pessoa que é se não fosse a minha mãe e dá pra ver que ele melhorou muito, não é?

—Aham — ela concordou.

—E a minha mãe nunca negou a afirmação dele — eu ri, era uma brincadeira infinita deles, onde a minha mãe dizia que tinha os melhores olhos do mundo porque enxergou nele o que ninguém mais via, eu adorava como os dois se olhavam apaixonados até hoje.

—Engraçado, tantos rumores por aí, mas esses nunca chegaram aos meus ouvidos, ou nos de ninguém que eu conheça.

—Meu pai prefere não confirmar nem negar nada sobre nada, se é que você me entende, a nossa família tem muita fama negativa…

—Mas isso é errado! Você é… — ela ia dizer alguma coisa, mas se interrompeu, me deixando curioso. Ela limpou a garganta antes de continuar — o que eu quero dizer é que vocês são uma família muito melhor do que as pessoas pensam.

—Somos — eu assenti — mas nós sabemos, é o bastante, não?

Voltamos logo depois para o castelo, a tempo de largar nossas coisas no dormitório e retornar ao salão principal para o almoço. O Al tinha piorado um pouco da gripe e foi para a enfermaria ver o que a madame Pomfrey podia fazer por ele, me restando o destino de comer sozinho. Passei pela mesa da Grifinória a fim de chegar à da Sonserina, mas a Rose chamou a minha atenção.

—O Al melhorou, Socorpius?

—Não, foi para a enfermaria — contei.

—Você vai almoçar sozinho? — eu apenas dei de ombros, mas ela não me deixou continuar — senta aqui com a gente então — ela apontou para o lugar ao lado dela e do primo James.

—Na mesa da Grifinória? — o convite me pegou de surpresa.

—Qual é o problema? O Al já comeu várias vezes aqui com a gente — o James me falou.

—E não é nada diferente dos quinhentos jantares lá na Toca — o Hugo, irmão da Rose completou.

—E então? — ela continuava esperando a minha resposta.

Eles estavam certos, qual era a diferença de me juntar a eles ali e durante as refeições das férias, onde comemos, jogamos e conversamos?

—Tudo bem, obrigado — então eu sentei à mesa da Grifinória, e tive um almoço super animado.

Depois do almoço, eu me despedi de todos e me levantei para voltar à sala comunal, onde eu tinha alguns trabalhos para terminar, mas a Rose segurou o meu braço antes que eu pudesse me afastar.

—Onde você vai?

—Tenho alguns trabalhos para terminar — respondi,

—Ah, não. Eu fui com você até Hogsmead, agora quero um favorzinho também — ela me deu um sorriso cheio de segundas intenções que eu não consegui desvendar.

—Favor? — percebi o James e o Hugo prestando atenção, mas a Rose nem se deu conta.

—Sim, vai trocar de roupa, você tem 30 minutos para me encontrar no campo de quadribol.

—Posso saber para que, pelo menos?

—O que as pessoas fazem no campo de quadribol, Scorpius? — ela revirou os olhos, mas eu levantei a sobrancelha lembrando que já tínhamos feito bem mais do que o que seria normal naqueles vestiários. Ela entendeu o meu olhar e ficou encabulada, me dando um tapinha antes de completar — vai logo se trocar! E não esqueça a sua vassoura.

Eu não sabia exatamente o que ela queria, mas acabei cedendo. O Al ainda não estava de volta, então eu entrei direto para o dormitório, coloquei as roupas de treino das nossas aulas de voo, peguei a minha vassoura e segui o caminho para o campo de quadribol, onde a rose já me esperava com o uniforme de treino do time da Grifinória.

—Agora você vai dizer qual é esse favor? — perguntei a ela.

—Preciso treinar alguns passes para o próximo jogo, você vai me ajudar — ela falou sem nenhuma hesitação.

—Agora eu entendi porque você foi comigo até o vilarejo, quer me derrubar de novo da vassoura! — reclamei, fingido.

—Claro que não — ela rebateu ofendida.

—Eu sei, estava brincando, mas não sobre a parte de derrubar da vassoura… vamos evitar isso, ok? — eu sabia que tinha sido um acidente, mas não queria repeti-lo

—Você que tem que se segurar direito — ela falou contrariada.

—Eu mando uma coruja para a sua mãe se você me derrubar! — ameacei e ela me mostrou a língua torcendo o nariz — não adianta fazer cara feia, ela não ia gostar de saber que você jogou o pobre Scorpius no chão de novo — provoquei mais um pouco.

—Você pode ser muitas coisas, Scorpy, mas pobre não é uma delas — ela riu passando a perna pelo cabo da vassoura e tomando impulso, me pedindo para fazer o mesmo.

—O que eu tenho que fazer?

—Eu sou a apanhadora, então o maior problema é conseguir chegar onde eu quero sem ser bloqueada, você vai ter que tentar bloquear o meu caminho — ela explicou.

—Só isso, né? — falei irônico. Ela era melhor do que eu com a vassoura, eu não sabia o quão eficiente eu seria.

Ela fez alguns círculos, me avisando que iria em direção aos aros mais longe do campo. Até que foi uma atividade divertida, ela tentava voar em linha reta, mas eu aparecia para impedir a trajetória, a qual ela mudava com facilidade para prosseguir no seu objetivo. Brincamos de gato rato por um bom tempo, mas era claro que eu não era um gato que apresentasse tanta ameaça assim.

—Anda, Scorpy não fica pra trás — ela provocou e eu inclinei mais a vassoura dando uma pirueta e saindo na frente dela que se chocou contra mim, nos fazendo balançar no apoio que nos prendia — não vai cair! — ela agarrou o meu braço, me puxando desnecessariamente para perto.

—Eu não ia cair — me defendi.

—Foi você que se chocou comigo, não ia ser minha culpa — ela empinou o nariz.

—Já falei que eu não ia cair! — reclamei — melhor sair voando, Rosie, senão não vai chegar onde quer — eu virei a vassoura e comecei a bloquear novamente a passagem dela.

Ficamos ali por mais de uma hora, duas vezes eu tive que pedir tempo para poder rir da cara de exasperada que ela fazia quando eu conseguia de fato bloqueá-la. Voltamos para o chão, os dois ofegantes depois de tanto exercício.

—Se era para ficar com essa cara de contrariada quando eu te bloqueasse, pra que me chamou? — eu provoquei.

—Para treinar, já falei — ela deu de ombros, ignorando a provocação.

Ela se sentou um pouco no chão, esticando as pernas e se apoiando para trás nos braços, eu me juntei a ela na mesma posição.

—Aliás, por que você me chamou e não o James que está o time, ou ainda o Hugo? — perguntei, eu estava bastante curioso para saber a resposta dela sobre o assunto.

—Porque… porque sim, oras — ela falou irritada com a pergunta, mas eu adorei a falta de desculpa dela.

—Até porque, o que o seu time ia pensar se souber que tem um aluno da Sonserina te ajudando a treinar? — zombei.

—Acho que fica pior para você o que o time da Sonserina vai pensar se souber que um dos alunos está ajudando o time adversário — ela sorriu presunçosa.

—E quem disse que eu torço para o time da Sonserina? — ela arregalou os olhos surpresa, eu me aproximei dela, tirei uma mecha dos cabelos vermelhos que tinha caído do rabo de cavalo que ela usava e sussurrei no seu ouvido — mas é nosso segredinho, tá?

Ela riu e balançou a cabeça em descrença. O sol da tarde batia nos cabelos dela, fazendo-os brilhar ainda mais, os fios revoltos por causa das lufadas de vento, as bochechas vermelhas do exercício. Olhando ali para ela, eu tive certeza que ela me chamou porque nem pensou em chamar outra pessoa, só queria que ela reconhecesse isso, primeiro de tudo para si mesma. Ela sorria para mim como se não tivesse mais nada a nossa volta e eu venci o resto da distância que nos separava para roubar aquele sorriso com os meus lábios.

Notas finais
Esse capítulo para mim é um amontoado de palavras que só pode ser classificado de uma maneira: fofura. Quem aí acha que esses dois já parecem um casal de namorados? As atitudes da Rose parecem estar mudando, não? Só não sei se ela nota, mas o Scorpius com certeza sim hauhauha Não esqueçam de me dizer o que acharam lá nos comentários. Aguardo vocês no próximo capítulo, afinal o sexto ano deles está acabando... como será a separação das férias dessa vez? Bjus