All of me
5 O dia de muitas surpresas
Notas iniciais
Nicolas P.O.V
Eu e a Rebeca estamos nos relacionando há três meses, nesse tempo, minha vida mudou completamente. Eu era o cara que todas as meninas da escola queriam, mas na realidade, eu só queria uma, só queria ela. Antes de ir para a escola, passei em uma floricultura e comprei um buquê de flores para surpreendê-la. Deixei na sala da coordenação para que ela não descobrisse. Antes da aula anterior ao intervalo terminasse, eu pedi permissão para ir a coordenação pegar o mesmo. O sinal do intervalo havia soado e eu fui em direção ao refeitório, antes pedi para um amigo meu verificar se ela já estava lá, e para minha sorte estava. Fui em direção a mesa que ela estava com meninas. Ela estava sorrindo por algum motivo, com o seu jeitinho meigo. Caminhei com as flores na mão e pedi silêncio para as meninas assim que me aproximei da mesa para fazer uma chegada triunfal. Fiz um “pseudo” de tosse e comecei a falar.
— Com licença, meninas. Bom dia, senhorita Matter.
Ela virou-se para me olhar e se assustou com o que estava em minhas mãos. Eu gentilmente entreguei o buquê para ela e dei um sorriso bobo.
— Nicolas, elas são, são lindas. Respondeu com os olhos marejados.
— Nada se compara com a sua beleza, meu anjo. Mas antes de tudo, queria lhe fazer um pedido. Disse estendo a mão para ela se levantar da cadeira e eu me ajoelhei perante ela. – Rebeca Matter, você aceita namorar comigo?
— Meu Deus. Ela disse quase gritando. – E-eu não sei o que lhe dizer. Eu sinceramente não esperava isso de você, estou surpresa.
Todos no refeitório diziam em coro “ACEITA, ACEITA, ACEITA”
— Apenas diga que sim, ou não. Não sei. Disse me levantando para me preparar para o pior, ou não.
Como que num passe de mágica, todo o refeitório se calou para esperar a resposta final
— Bom, eu estou muito surpresa com tudo isso. Mas a resposta é... Quando ela disse “mas a resposta é...” eu juro que minhas células congelaram por um milésimo de segundo. – Sim. A resposta é sim. Disse me puxando e me dando um beijo.
Rebeca P.O.V
Ele me pegou desprevenida na frente de toda a escola. Para falar a verdade eu demorei um tempo para dar a resposta porque eu não sabia o que iria falar para ele. Não sabia pelo simples fato de não saber se realmente gosto dele a ponto de começar um relacionamento sério. Pensei no Ian e no que eu sentia por ele,pensei em tanta coisa que quase não dei a resposta ao Nick. Talvez seja ele que vá me fazer feliz. Talvez ele me faça esquecer o que eu sinto pelo Ian. Ai meu Deus, o que eu estou fazendo?
As aulas passaram tão rápido depois daquilo, que nem me dei conta. Nicolas me ofereceu carona e me levou para casa. Meu pai voltou a usar o carro dele e minha mãe voltou da viagem e continuava a me levar para escola. O trajeto até a minha casa foi em silêncio, só não foi absoluto devido a música que tocava no rádio. Quando paramos em frente a minha casa,ele saiu do carro primeiro e abriu a porta para mim e ainda me ajudou a sair do mesmo. Olha que cavaleiro.
— Obrigada por me trazer e por ser tão cavaleiro. Disse sem jeito.
— De nada, meu amor. Ele respondeu com um sorriso no rosto. Será que namorar comigo é uma coisa tão boa? Talvez fosse. – Estou tão feliz que tenha aceitado o meu pedido. Pensei que iria dizer não. Já estava pensando como iria me recuperar do papelão que seria.
— E porque motivos eu negaria esse pedido? Eu gosto muito de você, Nicolas.
Ele foi se aproximando cada vez mais de mim. Puxou-me delicadamente pela nuca e foi me aproximando cada vez mais do seu corpo. Ele me beijou, e esse beijo começou calmo e foi esquentando cada vez que nossos corpos se aproximavam ainda mais. Nossas línguas dançavam juntas em perfeita sincronia. Nicolas beijava muito bem, não falhava nesse requisito. Fomos interrompidos por nada mais nada menos que Leonard Matter,vulgo meu pai. Ele estava com os braços cruzados em frente o portão com uma cara assustadora.
— Então... Disse meu pai com uma cara de poucos amigos.
Nós levamos um susto e nos separamos rapidamente,mas a vontade era de continuar beijando o Nicolas e ignorar meu pai. Acabamos soltando algumas risadas e meu pai ficou ainda mais furioso
— Então. É... ahn. Oi pai. Disse um pouco envergonhada com aquela situação embaraçosa.
— Oi, querida. A sua mãe pediu para lhe avisar que o almoço está pronto.
— Claro, estou indo.
Despedi-me de Nick com um simples selinho. Entrei em casa com a esperança de que meu pai me acompanharia, mas para o meu azar, ele ficou do lado de fora encarando o Nicolas e provavelmente estaria prestes a iniciar um dialogo aterrorizante.
— Então, rapaz. Qual é seu nome mesmo?
— Me chamo Nicolas, senhor. Nicolas Turquetti.
— E quantos anos você tem, Nicolas?
— 16 anos.
— Pelo que eu percebi o senhor tem um interesse na minha filha. Quais são as suas intenções?
— O senhor tem uma ótima percepção, senhor Matter. Digo-lhe que tenho ótimas intenções em relação a sua filha.
— Você é um rapaz que sabe agir sob pressão. Pois bem, agora pode ir embora. Disse em um tom autoritário.
— Sim senhor. Tenha uma boa tarde. Disse Nicolas educadamente.
— Pra você também. Entrou batendo o portão na cara do menino como sempre fez com todos.
Depois que vi e ouvi toda aquela cena,me encaminhei para o meu quarto. Joguei-me em minha cama e poucos segundos depois,meu celular começou a vibrar,indicando que haviam chegado mensagem da Geysa e da Horrana.
“COMO ASSIM VOCÊ ACEITOU O PEDIDO DELE ?” Rana
“O Ian já sabe dessa loucura ?” Geysa
“Me responde vagaba,porque fez isso,você nem o ama”Rana
Depois de ler as mensagens eu comecei a pensar sobre o que Rana disse. Realmente eu não sabia se o amava, mas não custava tentar e descobrir o que eu realmente sinto por ele. E que a sorte esteja comigo.
Ian P.O.V
Cheguei em casa muito atordoado. Não consegui me concentrar em nada depois daquela cena no refeitório. Vou direto para cozinha e encontro a minha mãe sentada na bancada da cozinha chorando de soluçar. Fui a sua direção para saber o que havia acontecido de tão ruim. Ela gritava repetidamente a mesma frase
“Porque meu Deus,porque?”
Eu sem nada entender o que se passava, abracei-a e ela logo retribuiu o abraço e se refugiou em meus braços. Suas lágrimas molhavam intensamente a minha blusa. Nunca a tinha visto daquela maneira, nem quando ela se separou do meu pai. Ela apenas chorava e não me dizia nada. Só me restou fazer carinho em seus belos fios loiros.
— Mãe, pelo amor de Deus. Conte-me o que aconteceu.
— Seu avô, Ian. Ela voltava a cair no choro.
— O que tem o meu avô, mãe?
— Ele, ele. E caiu no choro novamente e me deixava mais confuso e nervoso.
— Mãe, respira. Eu preciso que você se acalme e me conte o que aconteceu com o vovô. Disse tentando tranqüilizá-la um pouco.
— O seu avô faleceu, Ian. A empregada dele ligou não tem muito tempo, minutos antes de você chegar. Para me dizer que ele veio a óbito.
Eu senti as lágrimas brotarem em meus olhos e a vontade de chorar junto com ela aumentava ainda mais. Mas eu precisava ser forte, eu precisava consolá-la. Ela acabará de perder o pai. Eu nunca tive muito contato com o meu avô. Minha mãe me teve quando estava com dezoito anos e ele não queria que ela largasse a faculdade e os planos que ele tinha para ela, por causa de uma criança. Mas ela não deu ouvidos e trancou a faculdade por alguns anos para cuidar de mim. Com isso, ele quase nunca me visitava.
— E onde ele está?
—Está no hospital.
— O que aconteceu com ele?
—Teve uma parada cardíaca e não agüentou.
— Vamos para o hospital, agora.
Ela assentiu e foi para o andar de cima para pegar a sua bolsa. Ela precisava ir ao hospital, por mais doloroso que fosse. Ela precisava assinar as papeladas do óbito do meu avô. Assim que chegamos ao hospital, ela respirou funda e parou de chorar. Concentrou-se e começou a assinar toda aquela papelada que era necessária para que o médico legista liberasse o corpo para o enterro e toda a burocracia do hospital. Fiquei com ela até o fim. Depois de tudo assinado e tudo acertado para o dia seguinte, a levei para casa, pois eu sabia que amanhã seria o pior dia. O dia do enterro.
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