All of me
6 A visita
Notas iniciais
Eu realmente estava preocupada com o Ian. Fazia dias que ele não ia para a escola, uma semana para ser exata. Ele não dava sinal de vida, nem mesmo respondia as minhas mensagens, muito menos atendia as minhas ligações. E isso já estava me deixando furiosa. Decidi ir a casa dele por conta própria, Maiquel me passou o endereço e eu fui. Acabei não avisando a ninguém e como eu estava com o carro da mamãe achei que não iria demorar muito. Quando cheguei ao endereço indicado no GPS do carro, saltei do carro e fui em direção a varandinha que tinha e me direcionei a porta e toquei a campainha, pouco minutos depois,uma moça loira dos olhos azuis me recepcionou.
— Boa tarde, tudo bem? Chamo-me Rebeca. Você deve ser a senhora Ewerling. Acertei?
— Rebeca Matter?
— Eu mesma, senhora.
— Então é a senhorita, a dona do sorriso do meu querido filho.
No mesmo instante comecei a ficar vermelha. “a dona do sorriso do meu filho” como assim?
— Oh querida, não fique com vergonha. O Ian está em seu quarto, pode entrar.
Ela deu uma pequena abertura para que eu pudesse entrar em sua casa e gentilmente indicou aonde se localizava o quarto do Ian. Eu nunca tinha entrado naquela casa, então me senti muito constrangida.
— Fique a vontade, querida. Logo leve algo especial para vocês comerem. Falou seguindo para outro cômodo da casa que eu imaginava ser a cozinha. Segui para o quarto do Ian e bati duas vezes na porta. Ele resmungou algo,mas mesmo assim abriu a porta e fez cara de surpreso com quem estava a sua frente.
— Por um acaso, seu namorado sabe que você está aqui?
— Por um acaso, é necessário ele saber sempre aonde eu vou?
— Por um acaso,eu não sei,precisa?
— Para de gracinhas, Ian. Disse o abraçando.
— Como eu senti falta disso.
— Disso o que?
— Da sua presença. Do seu abraço e do seu perfume.
Fiquei vermelha no mesmo instante. Ele parecia tão triste.
— Porque faltou tanto nos últimos dias?
— Parece que alguém sentiu minha falta. Sentiu?
— Por favor, não responda a minha pergunta fazendo outra.
— Eu tive alguns problemas aqui em casa. Agora sua vez de responder.
— Que pergunta idiota. É claro que senti você é meu melhor amigo.
— Ai que bonitinha. Quer passar a tarde aqui comigo?
— Por mim, pode ser.
Logo em seguida ele me deu passagem para entrar em seu quarto e pulou e se deitou em sua cama. Ele me puxou para deitar junto com ele. Eu deitei apoiando a minha cabeça em seu peitoral enquanto a sua mão estava em minha cintura e a outra em meus cabelos fazendo um carinho tão bom. Eu facilmente poderia ficar ali para sempre.
— Você, quer ver um filme? Perguntou-me, tirando-me dos meus pensamentos bobos.
— Creio que não é necessário. Quero ficar do jeito que estamos.
Ele se levantou e automaticamente eu levantei junto. Ficamos centímetros um do outro. Ele olhava detalhadamente em meus olhos e minha boca. Eu fazia a mesma coisa, até que involuntariamente mordi meu lábio inferior. Foi como uma espécie de sinal para ele entender o que o meu subconsciente pecador queria. Ele veio com tudo para cima de mim e me beijou. O beijo começou de uma maneira lenta e torturante. Com o passar dos segundos, sua língua pediu passagem e eu logo cedi sem pensar. Nossas línguas dançavam uma dança sensual e sincronizada. E a cada segundo a coisa esquentava ainda mais. Logo o oxigênio havia se tornado um desconhecido para nós. Precisamos nos separar por segundos para recuperar o fôlego. Ele me deitou na cama e ficou por cima de mim, ele voltou a me beijar com a mesma intensidade do primeiro e parecia que todo o desejo reprimido por meses enfim foi liberto. Eu o interrompo para falar algo em seu ouvido.
— Isso é redondamente errado. Disse e logo em seguida mordi seu lóbulo.
— Então erre muitas e muitas vezes.
Repetimos o gesto centenas de vezes, até que fomos interrompidos por sua mãe. Ela trouxe o lanche que havia me prometido.
— Esqueci de bater na porta, desculpa se atrapalhei algo. Eu prometi a Rebeca, que traria um lanche para vocês. Disse sorrindo.
—A senhora não atrapalhou nada. Estávamos apenas conversando. Obrigada por trazer comida.
— Sim, apenas conversando. Meu anjo, eu vou ter que dar uma saída e volto um pouco tarde. Se forem fazer algo além de “conversar”, usem proteção.
— Ai meu Deus, mãe. Não pode ficar um dia sem falar besteira e sem me deixar com vergonha.
— Sou sua mãe. Eu tenho obrigação de colocar juízo na sua cabeça.
— Não iremos fazer nada que precise usar “proteção”, senhora Ewerling. Disse sem jeito.
— Oh querida. Esqueça essa coisa de senhora, pode me chamar de Briana. Vou indo, pois estou atrasada. Comam e depois arrumem tudo. Beijinhos. Disse e se foi fechando a porta.
Senti-me muito envergonhada, quando ela disse para usar camisinha na hora de transar. Mais envergonhada por ainda ser virgem e ficar vermelha igual pimentão, quando falam nesse assunto. Não a culpo por querer por “juízo” na cabeça do filho, a minha mãe faria o mesmo. Parei de pensar e comecei a observar o Ian. Ele estava tomando suco de uva, o seu favorito. Eu estava tomando um copo de limonada. Eu poderia ficar horas e observar a sua beleza.
— Posso saber o que tanto olha?
— Eu estou olhando você. Não posso?
— Claro que pode, eu acho. Mas é estranho.
— Ai que bobagem, Ian. Disse rindo da cara dele.
Depois de lancharmos e lavar a louça, nós voltamos para o quarto e continuamos a “conversar” por mais algum tempo. Quando me dei conta, o relógio marcava 16h00min e eu não tinha avisado a minha mãe que eu viria para a casa do Ian. Levantei da cama e peguei as minhas coisas que estavam espalhadas pelo chão do quarto e fui me despedir do meu “melhor amigo”.
— Você já vai para casa?
— Sim. Eu não avisei ninguém que viria aqui, ou seja, devem estar me procurando. Amanhã, talvez eu passe aqui.
— Amanhã é sábado. Não é o dia de sair com o seu namorado?
— Não sabia que eu tinha dias certos para sair com o Nicolas. Mas para sua informação, ele vai para casa dos seus avôs.
— Não vai contar para ninguém, o que aconteceu aqui, né?
— Por mais maravilhoso que tenha sido, foi errado. E erros nós não devemos cometer novamente.
— Mas para mim não foi um erro. Para mim isso foi maravilhoso.
— Não podemos por isso em discussão, Ian. Eu tenho que ir.
Estava caminhando em direção a porta,quando ele me puxou pelo braço e deixou-me frente a frente com ele e me beijou. Um beijo de perder o oxigênio e a consciência dos meus atos. A minha consciência gritou e eu me separei dele.
— Por favor,Ian. Não faça mais isso. Eu estou com o Nicolas.
— Se é isso que você acha certo e quer. Adeus Rebeca. Disse soltando meus braços.
— Adeus, Ian. Disse me retirando do seu quarto e instantes depois de sua casa.
Sai da casa dele com a cabeça totalmente atordoada. O que eu fiz meu Deus. Isso foi totalmente errado, eu não deveria ter feito aquilo. Na primeira semana de namoro eu fico com o melhor amigo do meu namorado. Rebeca que mostro você se tornou. Na minha cabeça passavam mil coisas e eu queria me livrar de todas elas. Cheguei em casa e mal consegui a porta da frente,quando consegui entrar em casa me deparo com a minha mãe com uma cara furiosa. Mas sinceramente, eu não iria conseguir ouvir mais nada.
— Pelo amor de Deus, se for me dar sermão,me dê mais tarde,de preferência amanhã. Disse com um rio de lágrimas se formando em meus olhos.
Ela me olhou sem entender nada e me deixou passar. Fui correndo para o meu quarto, me tranquei assim que entrei, não queria ninguém me incomodando. Larguei minhas coisas em qualquer canto do quarto e senti meu celular vibrar em meu bolso. Não consegui nem ver quem era que estava ligando, desliguei o aparelho para não ser incomodada por ninguém. Eu precisava de um tempo para digeri todas as minhas atitudes de hoje, eu precisava de paz.
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