All of me
9 Noite das meninas // parte 1
Notas iniciais
Nicolas P.O.V
Essa tarde com a Rebeca me fez muito bem. O que estragou a noite foi os idiotas dos meus pais falando o que não deviam, como sempre. Eu fiquei sem palavras quando eles a trataram mal, o engraçado que o tratamento mudou em questão de minutos depois de ela ter revelado a identidade do pai dela. Agora eles vão fazer de tudo para que eu fique bem com ela, provavelmente para ele tentar ser promovido. Mesmo meu pai sendo um dos melhores arquitetos da empresa do senhor Matter,ele nunca se dar por satisfeito. Às vezes eu tenho vergonha por ele ser assim. O caminho para a casa dela foi em silêncio absoluto e aquilo me deixou mal. Assim que chegamos a seu portão, ela quis sair do carro sem falar nada, mas eu não ira deixar aquilo assim.
— Por um acaso, a senhorita não está esquecendo-se de nada? Disse apontado para minha boca
— Por um acaso, eu acho que não. Deu um sorriso debochado. Eu a encarei por alguns segundos e ela me deu um selinho logo em seguida. Ela se desvinculou do cinto de segurança e destravou a porta.
— Queria me desculpar pelo o comportamento dos meus pais hoje.
— Não se preocupe não me ofendi.
— Me sinto um idiota por não ter feito nada.
— Relaxa Nicolas, acontece. E eu não vou fazer a cabeça do meu pai para demitir o seu. Nem me importo com os negócios dele, tudo bem?
— Obrigado por ser a namorada mais incrível do mundo.
— Obrigada por me conceder esse título.
— Boa noite, meu amor. Te amo.
— Boa noite, meu amor. Também te amo. Ela me deu um beijo carinhoso e doce, como ela.
Ela saltou do carro e eu esperei ela entrar em casa para enfim seguir o meu trajeto de volta.
Horrana P.O.V
Eu acho incrível como a Rebeca tem a capacidade de esquecer as coisas que combina com as pessoas. Estou praticamente há uma hora sentada no sofá da casa dela, esperando ela voltar da casa do Nicolas. Combinamos que eu ira dormir aqui, para fofocarmos sobre as nossas vidas amorosas e as vidas alheias. Falando em vida amorosa, a minha está péssima. Eu e o Thiago estamos brigando horrores ultimamente. Eu não consigo controlar os meus ciúmes. Ele diz que é besteira sentir ciúmes das lideres, mas eu estou certa em sentir. Não suporto quando aqueles projetos de piriguetes ficam se jogando em cima dele. Ele vive dizendo que não se importa com elas e que só tem olhos para mim. Mas é aquele ditado “um olho na missa e o outro no padre”. Outra que está atrasada é a Geysa. Fiquei sabendo que o Maiquel anda correndo atrás dela, mas como eu sou uma ótima amiga, eu já avisei a ela que ele não vale o pão que come. Convenhamos que ele seja meu amigo, mas por Deus, nunca vi alguém tão mulherengo como ele. Pela graça do senhor a Rebeca havia chegado.
— Olha só quem chegou. Como é mesmo aquele ditado? “quem é vivo sempre aparece”, né?
— Continuo viva, graças a Deus. Posso saber o que está fazendo aqui? Perguntou-me com uma cara assustada
— Eu estou ótima, obrigada por perguntar. Esqueceu que combinamos que hoje seria a noite das meninas? A Gey só está uma hora atrasada.
—Ai amiga, me esqueci completamente. A minha cabeça está mil por hora.
— Vamos conversar no seu quarto, querida. Eu trouxe sorvete e um potão de doce de leite.
— Você sabe como me agradar, não é mesmo? Disse cabisbaixa
— Querida, é claro que eu sei.
Ela aparentava estar muito tensa, seja lá o que o Nicolas tenha aprontado,eu irei descobrir e ele vai se ver comigo. E para fechar o clube da Luluzinha chegou a Geysa.
Geysa P.O.V
As meninas provavelmente iriam me matar só pelo simples fato de eu estar uma hora atrasada. Não é atoa que me chamam de lerda ou lesada, que para mim é a mesma coisa. Mas eu não me atrasei porque quis uma criatura chamada Maiquel, apareceu lá em casa, na hora que eu estava saindo para encontrar as meninas e digamos que aconteceram algumas coisas.
FLASHBACK ON
— Maiquel, o que está fazendo aqui? Está tudo bem? Precisa de algo? Perguntei assustada, pois estava tarde para ele ir lá em casa.
— Eu estou bem. Eu só precisava ver você.
— Aconteceu alguma coisa?
— Vai acontecer. E agora. Ele disse
Eu sem entender nada, fiquei olhando pra cara dele. Com o passar dos segundos ele se aproximou de mim e me beijou. O beijo parecia ter uma urgência arrebatadora. Ele apertou a minha cintura, enquanto eu estava com meus braços em volta de seu pescoço. Sua língua pediu passagem e eu cedo, deixando o beijo se aprofundar e esquentar cada vez mais. Com o tempo o oxigênio deixou de existir e eu precisei me desvincular dele para respirar, mas fiz isso com bastante calma. Eu estava bem atordoada com aquela situação. A pessoa vem na sua casa de noite e te beija sem explicação alguma.
— Porque fez isso?
— Eu precisava disso.
Como assim ele precisava de um beijo meu?
— Maiquel, não seja infantil e não brinque com isso. Não sou igual às meninas do time que você fica, transa e depois larga por aí.
— Geysa, eu não estou brincando. Eu não te vejo assim. Você é muito especial para mim. Ele falou tão rápido que quase não entendi.
— Assim como todas as líderes de torcida são especiais para você.
— Pare com isso, é claro que não.
FLASHBACK OFF
Eu não soube lidar com aquele tipo de pressão e corri para dentro de casa e fechei a porta na cara dele. Fiquei meia hora no meu quarto trancada até que decidi ir para a casa da Rebeca novamente.
Rebeca P.O.V
Toda essa situação que ocorreu com o Nicolas, me deixou super tensa. Mas era noite das meninas, era o momento de desabafar, com elas eu poderia contar tudo e não me sentir culpada, mas eu tinha certeza que não era só eu que precisava de conselhos amorosos e eu tenho certeza disso.
— Vamos meninas. Vamos logo lá pra cima.
— Vamos com calma, meninas. Eu tenho muita coisa para carregar. Disse Geysa toda atolada.
— Vamos logo, queridas. As fofocas não vão ser colocadas em dia sozinhas, não é mesmo? Disse Rana com o seu jeito Rana de ser.
Quando chegamos ao meu quarto, cada uma deixou as coisas em um canto. Rana foi a primeira a querer colocar o seu pijama e assim foi feito, depois dela seria a Geysa e por último seria eu. Eu estava sentada na minha cama esperando a digníssima Horrana sair do banheiro, quando meu celular vibrou indicando uma nova mensagem. Eu esperava que fosse do Nicolas, mas fiquei surpresa quando vi o remetente.
“Boa noite Rebeca,gostaria de falar com você,pode me encontrar amanhã depois da escola ?” Ian
Por incrível que pareça, eu não estava nem um pouco a fim de falar com ele, não hoje ou na semana que vem. Depois da nossa briga de hoje, eu acho melhor cada um ficar em um canto por um determinado tempo. Depois de um ano se vestindo, finalmente, Horrana saiu do banheiro.
— Pensei que estivesse fabricando o tecido do pijama no banheiro, querida. Disse com uma pitada de ironia.
— Como você é engraçada Rebeca.
Geysa logo se trancou no banheiro e minutos depois já estava de volta e se deparou com a mini discussão que estava tendo entre mim e a Rana
— Parem meninas, vai logo se trocar Rebeca. Disse Geysa toda meiga como sempre.
Troquei-me rapidamente e voltei para o quarto onde as meninas estavam sentadas em minha cama me esperando.
— Então, meninas. Eu tenho uma coisa para contar para vocês. Disse Geysa
— Diga. Eu e Rana dissemos ao mesmo tempo.
—Vocês sabem que eu cheguei um pouco atrasada hoje. Ela disse e Rana fez uma cara de como quisesse dizer “AH, JURA?” e Geysa riu. – Mas eu tenho um motivo. O Maiquel apareceu lá em casa. E depois de meia dúzia de palavras trocadas ele me beijou sem mais nem menos.
Eu olhei para o lado e vi que a Rana estava com uma cara de quem viu uma assombração.
— QUERIDA, COMO ASSIM? COMO ELE TE BEIJOU SEM MAIS NEM MENOS? Disse Rana quase gritando.
— Fala baixo sua louca, quer que os vizinhos escutem? Eu disse.
Geysa contou nos mínimos detalhes tudo o que aconteceu, e eu fiquei com pena dela. Eu sabia que ela sentia algo por ele. Mas o Maiquel já pegou a maioria do time de líderes e agora colocou na cabeça que quer ter algo com a Gey. Horrana por sua vez iria fazer um enorme discurso de que não era para ceder às vontades dele, que ele não prestava e por aí vai. Eu corri para colocar a mão em sua boca para ela ficar quieta. A menina não precisava ficar mais insegura do que já estava. Eu percebi que ela nutria sentimentos por ele desde a primeira semana em que passei com eles, quando eu me mudei. Respirei fundo e por alguns segundos hesitei ao fazer a pergunta, mas eu precisava saber a verdade.
— Gey, posso te fazer uma pergunta? Ela assentiu e eu continuei. – Por um acaso, você gosta dele?
Ela respirou fundo e demorou alguns segundos para responder. Parecia que ela estava procurando a resposta no seu subconsciente.
— Olha, pra falar a verdade, eu não sei o que eu sinto. Está tudo muito confuso para mim.
— Posso prever que vem chumbo grosso por aí, meninas. Rana disse. Por um lado ela estava certa. Era certo que nós teríamos muitos problemas com esse pseudo casal. Mas ela podia ficar quieta pelo menos uma vez na vida.
— Isso pode ser um problema. Mas nós vamos resolver isso juntas, ok? Amigas servem para isso. Disse puxando as meninas para um abraço triplo.
Não sabia como resolver isso,mas tenho certeza que vamos conseguir. De um jeito ou de outro.
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