Notas iniciais
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Acordei cerca de minutos depois com vários pares de olhos em volta de mim, dentre eles os do meu marido que parecia extremamente nervoso.
– Giselle! Ah meu Deus, finalmente. Eu fiquei tão preocupado! — Ele vinha abraçar-me em um misto de desespero e cautela, suas mãos acalentavam meus braços, subiam pelo meu rosto, tocavam meu cabelo. Era como se ele precisasse sentir — sim, em tato — que eu estava bem
– Onde ele está? Onde ele está? — Eu repetia frenéticamente ainda buscando com o olhar onde Alejandro poderia estar
– Amor, se acalme. Olhamos por todo o redor e não havia sinal algum dele aqui.
– Nem mesmo nos outros andares?
– Não senhora, não há nada. — Mike respondeu
– Então como? Como ele sabia da minha roupa? Como sabia que eu estava olhando ao redor em sua busca?
– Verificamos as câmeras de segurança e havia um carro a poucos metros estacionado. Ainda não conseguimos aproximar as imagens, mas pode ser uma hipótese. — Dessa vez Petterson quem me informou. Em que momento mesmo ele chegou aqui?
– Mas e a distância estipulada?
– Vida, você sabe que ainda não conseguimos entrar com o pedido. Talvez esse ato de hoje possa agravar a situação dele e as coisas sejam feitas mais depressa.
– Jay — respirei fundo tentando explicá-lo do quanto isso me aterrorizava — ele está nos seguindo.
– Não amor, ele apenas está numa espécie de surto no qual acredita ser um Deus que tem o poder de decidir nossas vidas, mas nós não somos fantoches dele, ele não decide nossos destinos.
Eu o observei sentar na cadeira ao meu lado e logo senti seu braço ao meu redor envolvendo-me com ternura. Apoiei a cabeça em seu ombro e ele ficou a acariciar meus cabelos. Aquilo era bom, era reconfortante, mas ainda não era o suficiente.
– Vem, vamos para casa. — James sugeriu sendo encarado por um olhar assustado meu — Não se preocupe, os seguranças irão conosco
– E se ele estiver lá?
– Daremos uma surra nele! — Um olhar brincalhão iluminou o rosto do meu marido e só assim o ar pesado da sala se dissipou. Katherine veio, agilmente, com meus pertences e me levantei sendo amparada pelos braços musculosos do homem que jurei amar por toda a vida. Fomos até o meu carro e ele sugeriu dirigir, deixando-me no banco do carona. Os seguranças iriam no carro de James — até porque quem iria levá-lo de volta? — e fariam nossa retaguarda até chegarmos em casa.
– Pequena! — Ele me chamou enquanto sua mão firme trocava as marchas
– Sim...
– Estive falando com o nosso agente mais cedo e ele sugeriu que fizessemos uma participação em um talk show.
– Mesmo? Jay, não acredito que seja o momento adequado.
– É, eu concordo contigo, mas partindo do ponto de vista dele seria ótimo para não apenas esclarecer nosso divórcio e não divórcio, mas também para deixar todos a par do que tem acontecido e também trazer as atenções da mídia para nós dois. Você sabe, com papparazzis em cima e fotografando tudo, a chance dele se expôr é menor.
– Realmente, eu não havia pensado nisso. Poderia ser! Para quando ele prevê que seja essa aparição?
– Sábado à noite no talk show da Ellen Degeneres.
– Tão perto assim?
– Amor, quanto antes melhor.
– Certo, confirme com ele.
– Obrigada, rainha. — Ele disse tocando minha coxa rapidamente antes de voltar a atenção para a estrada

Em cerca de trinta minutos chegamos à nossa casa. Meu carro passou tranquilamente pelos portões, mas pude observar pelo retrovisor que até mesmo o carro de James — que estava repleto de seguranças — foi revistado meticulosamente antes de adentrar a residência. Jay estacionou em uma das vagas e desci pronta para entrar em casa e estar em paz. Deixei minha bolsa em cima de uma bancada pouco me importando com a bagunça e tirei os saltos que apesar de confortáveis me deixavam exausta.
– Vou subir para trocar essa roupa e já comemos alguma coisa, tá meu amor?
– Uhum, tudo bem. Vou ficar aqui embaixo!
– Está tudo bem? Está se sentindo bem?
– Eu estou, de verdade. — Respondi não tão certa da minha afirmação
– Eu te amo! — Jay disse jogando um beijo no ar e subindo as escadas que davam acesso ao segundo andar. Ainda tentando compreender tudo que houve, caminhei pela casa sentindo o chão gelado acalmar a base do meu corpo e logo Julieta veio ver-me.
– Senhora, eu soube do que houve. Está tudo bem? — Ela estava tão próxima que eu sentia que havia a demanda de um contato físico naquele momento. Dei alguns passos a frente abraçando-a com ternura como uma filha à uma mãe, com o mesmo respeito e entrega.
– Está tudo mais tranquilo, Julieta. Pelo menos por enquanto! Não sabe como me incomoda saber que aquele homem está nos olhando, tomando conta das nossas vidas. O que mais quero é que esse processo corra depressa. — Respondi soltando-a logo após.
– Se Deus quiser tudo ficará bem. Ele está protegendo essa família! — Minha governanta proferiu e se benzeu como se estivesse abençoando as próprias palavras
– Espero que sim, de verdade. — Suspirei — Onde está meu baixinho?
– O Nicolas? Como assim? Um dos seguranças ligou dizendo que estava o pegando e que o traria com a senhora.
– Não Julieta! Nenhum segurança ligou pra lugar nenhum e muito menos tem ordem de tirar o Nicolas da escola.
– Como não, senhora? Ele falou comigo e... Ai meu Deus!

Congelei com a expressão de pânico no rosto daquela mulher. Meu coração tomou um ritmo descompassado esperando pelo pior e lágrimas de preocupação já brotavam em meu rosto. Fiquei dividida entre correr para James ou sair o mais rápido que podia, mas meu instinto materno me levou até o elevador. Apertei diversas vezes os botões em vão e acometida pela pressa fui pelas escadas de emergência. No meio do caminho, no entanto, meu celular tocou mais uma vez e com a voz falhada pela respiração acelerada atendi.
– O que quer? — Eu sabia quem era, é claro que eu sabia
– Seus seguranças atrapalharam minha visita mais cedo, estava sendo tão lindo te olhar de longe.
– Babaca! Onde está o Nicolas? — Encostei-me na parede tomando folego
– Onde está o pirralho? Ele está bem. Devo admitir que aparecer por lá mesmo que rapidamente e mobilizar 90% dos teus seguranças em um único lugar foi brilhante, o pestinha ficou exposto.
– Ale, Ale pelo amor que tem à mim... Libera o meu filho. — Eu já sentia lágrimas escorrerem pelo meu rosto
– Vem buscá-lo.
– Eu vou, vou onde você quiser.
– Muito bom Giselle, porque é exatamente isso que eu quero, que faça o que eu mandar.