All Over Again
45 Capítulo 45
Notas iniciais
ALEJANDRO POV:
A madrugada chegou e junto com ela todos os pensamentos raivosos e vingativos voltaram à minha cabeça. Sentado em minha mesa com um copo de whisky com gelo, minha mente só tinha lugar para uma pessoa: ela. Passei os dedos pela borda do recipiente de vidro e logo o segurei levando aos meus lábios e tomando mais um pouco da bebida. Quando conheci Giselle há dois anos atrás de imediato percebi o quanto era especial. Seu jeito doce de falar e rir, a maneira como sempre chegava enrolada com os desenhos ainda interminados ou até mesmo o carinho que tinha com o pirralho faziam dela um objetivo que eu queria conquistar. Ainda assim, devo admitir que o fato dela ter um filho foi uma das coisas que mais me incomodou. De pronto me disponibilizei para investir na empresa apenas para suprir meu desejo de tê-la perto por mais tempo, no entanto, sempre que tinhamos a possibilidade de passar algum momento juntos trabalhando lá estava aquela criança irritante chegando de surpresa, ligando para dizer que a amava ou o quer que fosse. Sei que parecia estupidez me incomodar com um projeto de gente, mas era extremamente frustrante ter de competir com alguém que sem dúvidas teria o amor dela muito mais do eu jamais poderia despertar. Eu conseguia ter raiva daquela criança com todas as forças e para a minha surpresa, não havia apenas Nicolas no meu caminho, mas também seu pai. Saber que Giselle tinha um filho já me incomodava, mas nunca supus que ela ainda estava casada por tanto tempo com o mesmo homem. Ter que esbarrar com James em eventos sociais, festas ou até mesmo nos desfiles que a minha deusa fazia era fazer um absurdo esforço para me conter e não iniciar uma briga. Ainda assim, apesar de toda a vontade de ocupar seu lugar, seria muito mais fácil para meu rival se ele percebesse minhas intenções e decidisse afastá-la de mim, então tentei disfarçar o máximo que pude tudo que sentia. Era claro que com a separação de ambos não pude resistir à oportunidade de que finalmente ela seria minha. Tentei, tentei e apesar de todos os esforços parecia que seu coração estava sempre entrelaçado ao dele. Apertei o copo entre minhas mãos lembrando do maldito convite para que jantassemos e de como fui interrompido mais uma vez por aquele filho da puta. James passou tanto tempo sendo o marido errado que vê-la ali indefesa e clamando pelo meu carinho era tudo que eu precisava. Coincidência ou não, foi isso que ela fez. Quando magoada, Giselle veio até mim como sua segunda opção, seu step, seu substituto. Se eu gostei da ideia? Por favor, quem gostaria? Ainda assim, aquela seria a chance perfeita de fazê-la esquecer do modelo perfeito de homem. Provar seus lábios, tocar seu corpo. Uau, aquilo era tudo e mais um pouco que qualquer homem poderia querer! Em pensar que o cantorzinho de merda havia facilitado tudo colocando chifres nela... Só que Giselle se revelou uma puta traidora assim como ele. Brincou com meus sentimentos, me fez acreditar que depois de anos finalmente eu tinha tido o prazer de assumir o posto como seu homem. Ela jogou com minhas expectativas tão friamente apenas para fazer ciúmes naquele viado e enquanto eu posava como o babaca da situação planejando uma forma de agradá-la, ela estava se divertindo passando a mão no pau dele. Ótimo! Talvez Giselle seja como todas as outras: fácil demais. Eu não poderia deixá-la sair fácil dessa situação. Foram anos de dedicação, anos investindo em seus sonhos apenas para vê-la sorrir. Eu fui o marido dela por tanto tempo enquanto o outro estava ocupado o bastante se preocupando com a própria carreira, como ela pode não se dar conta disso? Sei que ameaçá-la era baixo — muito baixo — mas se ela não pode se apaixonar pelo Alejandro perfeito, certamente não se apaixonará por nenhum outro. "Quer brincar de família feliz com o James? Você vai brincar!", falei em voz alta atirando o copo contra a parede e assistindo-o se despedaçar em milhões de pedaços assim como eu queria despedaçar a cara do "marido do ano". Levantei andando pela sala tentando imaginar uma forma de atingi-los sem de fato cometer um crime. Eu não sou tolo e muito menos o tipo de homem que se prejudica por outros, eu os separaria com classe e sem deixar óbvio que se tratava de um ato meu. Se bem que... Merda, me arrisquei demais mais cedo no hotel. Respirei fundo bufando de raiva e levei a mão ao bolso segurando um pacote pequeno e branco entre os dedos. Talvez ter colocado as drogas na mala fosse a melhor forma de afastá-los por um curto período, mas ainda assim não seria o suficiente. Qualquer fiança medíocre o tiraria de lá e devolveria para os braços da mulher que EU amo. Passei a palma da minha mão esquerda pela barba recém crescida enquanto meus olhos encontraram um ponto fixo em algo abstrato pesando na balança o que eu teria a perder. Uma carreira sólida, nenhuma esposa ou família. Resumindo, só perderia dinheiro e, honestamente, é algo justo quando se trata de tirar de James algo muito maior, algo que ele próprio jogou no lixo. Retirei o pacote do bolso da minha calça e cuidadosamente despejei o conteúdo na borda da mesa. Peguei um papel que estava espalhado perto da luminária e o usei para alinhar perfeitamente o pó fazendo uma carreira, logo o enrolei criando uma espécie de tubo e com rapidez inalei a droga. Respirei fundo dando pequenas fungadas enquanto usava as costas da minha mão para limpar qualquer resíduo que possa ter ficado. Ah, Giselle, por que instiga o pior de mim? Por que parece despertar em mim as piores vontades? Você despertou paixão, desejo e podia ter se dado por satisfeita com isso, no entanto, rejeitou-me e rechaçou-me com tamanha facilidade como se eu fosse lixo, como se eu fosse descartável. "Mas vai pagar por isso Giselle, ah vai!", pronunciei em voz alta antes de inalar mais uma carreira de cocaína.
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