Notas iniciais
Ai minhas gatinhas lindas, estou tão feliz com o carinho de todas vocês. Cada vez mais leitoras tem aparecido, vocês tem dedicado tanto carinho e isso tem me deixado muito contente. Muito obrigada por tudo! s2

GISELLE POV:

James me apertava com desespero e alguma coisa dentro de mim me mostrava que finalmente ele havia entendido que em uma situação desesperadora como aquela nós tinhamos que permanecer unidos e não discutindo. Deixei minha cabeça apoiada em seu ombro enquanto sentia o calor de sua pele e o movimento de seu peitoral conforme respirava aceleradamente. Se ele ao menos imaginasse como seus braços eram meu abrigo mais seguro, jamais pensaria em ir embora novamente.

- Promete? Promete que não vai me perder? Eu estou morrendo de medo, Jay. Se não te contei é porque temi que sua reação fosse exatamente como agora, que me culpasse.

- Gi... — Ele iniciou e isso fez com que eu voltasse minha atenção para seus olhos

- O que?

- Precisamos esclarecer algumas coisas.

- Não James, de novo não.

- Sim, Giselle, de novo sim. Não quero que nunca mais me diga o tipo de coisas que falou agora e não quero voltar a ter esse tipo de discussão. — Ele segurou minhas mãos e fiquei atenta ouvindo o que tinha a dizer — Quando voltei aquele fatídico dia de viagem e decidi que colocaria um ponto final no nosso casamento foi exatamente por isso. Eu te via mal, te via sacrificando sua vida por mim e pelo bem da nossa relação, eu via em ti um empenho que já não existia mais em mim e isso me deixava culpado, compreende? Eu me sentia um lixo, Giselle, por te ver noites chorando e não poder te arrancar mais um sorriso sequer. Minha intenção era, sim, que fosse feliz com alguém bacana e que te desse o valor que eu não estava mais sabendo dar, no entanto, quando te perdi me dei conta de que não podia mais estar longe de você. Fui idiota por não respeitar o momento e ficar caçando motivos banais para te ver, mas é que eu não poderia suportar te ter longe de mim.

Meus olhos já se enchiam novamente de lágrimas, dessa vez não por medo, mas por emoção. Meu marido, então, continuou:

- Eu sou fraco, meu amor. Sou fraco quando se trata de te ver em outros braços, de ver que alguém pode ser para ti tudo que um dia me dispus a ser. Só quero que entenda que semanas atrás quando fiz aquela burrice jamais pensei que essa bola de neve cairia sobre as nossas cabeças. Eu não esperava que isso acontecesse! Quero dizer, parece loucura. Novos relacionamentos existem, claro, mas nunca pensei que poderia existir na vida real esse tipo de pessoa obcessiva, que ameaça, que é capaz de cometer maldades a esse ponto. Para ser franco, me incomoda até mesmo que ele não tenha sido homem o bastante e tenha vindo falar diretamente comigo.

- Não... — Eu interrompi. James e Alejandro em um embate não!

- Amor, por favor, deixe-me continuar. Preciso que acredite que nada disso era minha intenção! A única coisa que eu quero era e ainda é a tua felicidade. Todavia, isso tudo aconteceu e agora vejo que foi apenas por uma sequência de deslizes meus, nada mais. De qualquer forma, quero que saiba que esse tipo de loucura não pode acontecer dessa forma. Existem provas de que aquele latino filho de uma puta está querendo nos fazer algum mal e só precisamos dar queixa disso, tudo bem? Pedirei ao Petterson que dobre o número de seguranças apenas para que se sinta mais segura, mas você tem que se desligar disso. O que ele fez, hun? Queimou um boné, grande maldade a dele. Isso existe em filmes e se existir na vida real, saberemos nos defender. Combinado?

Não, combinado não. Sei que isso parece surreal demais, mas só de imaginar que alguém pode fazer mal ao meu homem, meu corpo já se arrepia por inteiro de medo. Ainda assim, decidi concordar para tranquilizá-lo.

- Tudo bem Jay, tentarei me acalmar.

- Isso mesmo, minha pequena. E se ele voltar a ligar ou te importunar, quero que me conte, está bem? — James segurou meu rosto entre suas mãos e seus olhos claros penetravam a escuridão dos meus. Sorri com a segurança que ele me passou e me acomodei encostando na cabeceira da cama. Jay pegou uma mecha do meu cabelo colocando-a atrás da orelha e insistiu: — Por que não descansa um pouco, heim? Os dois últimos dias foram muito cansativos! Vou pedir para a Julieta te fazer um chá bem quentinho e você dorme um pouco, tudo bem?

- Mas e o Nicolas?

- Ele vai se distrair fazendo os deveres da escola, não se preocupe.

Alguns minutos depois James saiu e voltou do quarto trazendo consigo uma xícara quentinha e cheia de chá de erva cidreira, um dos meus favoritos. Bebi devagar devido a temperatura do liquido e não demorou muito para que pudesse relaxar. Meu marido me cobriu com carinho e deu-me um beijo demorado no topo da cabeça como se eu fosse uma criança doente que precisava dos pais como remédio. Talvez Jay fosse isso: meu remédio particular e exclusivo. Se for, quero deixar bem claro que funciona. Aos poucos fui pegando no sono e uma cena escura invadiu minha mente. Eu estava caminhando em um lugar, caminhando apressadamente e olhando para trás como se me garantisse de que não estava sendo seguida. A fuga era implacável e meus passos cada vez se tornavam mais rápidos. Parecia que aquela escuridão não terminaria nunca até que finalmente pude enxergar uma luz forte a minha frente. Era Alejandro, ele e seu carro no qual tive o desprazer de entrar quando acordada. Ele acelerou em minha direção e me vi obrigada a correr na direção contrária, mas foi em vão. Não demorou muito para que o automóvel me atingisse e caída no chão ainda pude vê-lo sair devagar e me olhar de cima, poderoso, vitorioso e se glorificando. Suas mãos estavam repletas de sangue, mas não eram meus. Olhei então para um lado e vi uma enorme poça de sangue que seguia um rastro até um cadáver, esse cadáver era James.