All Over Again
41 Capítulo 41
Notas iniciais
Encarei-a com assombro e de pronto levei as mãos aos seus ombros segurando-a com firmeza. Giselle desviou o olhar para baixo sem conseguir encarar-me e fui invadido por um misto de sentimentos que não conseguia identificar. Ao mesmo tempo que queria obrigá-la a dizer tudo que sabia, queria protegê-la e em poucos instantes minha visão a seu respeito mudou. Aquela não era a mulher madura com quem eu havia me casado ou a poderosa para a qual voltei recentemente, era uma criança indefesa e assustada diante de seu agressor.
– Giselle, do que você está falando? Diga-me de uma vez! — Meu toque se tornou mais suave e antes que pudesse me dar conta, meus dedos já a acariciavam com carinho onde antes apertei tão forte
– Eu sabia que isso tudo aconteceria, eu sabia. — Ela deixou escapar em meio à lágrimas mais fortes — Ele me ligou hoje, ele avisou, ele avisou.
– Shh, shhh! Calma, meu amor. Do que você está falando? Quem ligou?
– Mais cedo, James. Quando você saiu do banho e eu estava ao telefone! Eu sabia e... eu sabia que algo daria errado, pelo menos consegui impedir que fosse algo maior, mas a culpa é minha. — As palavras saiam depressa de seus lábios
De pronto fui remetido à horas atrás quando saí do banho e a encontrei na varanda do nosso quarto. Minha esposa estava bastante nervosa, insisti em saber se tudo estava bem e acabei me deixando levar por uma explicação tola acreditando que não poderia recomeçar com brigas quando tudo parecia tão bem entre nós. Como pude passar despercebido pelo seu medo? Como pude ser tão babaca assim acreditando que a culpa era minha, que era nossa relação?
– O que aconteceu Giselle? Você está me deixando nervoso! Se sabe de alguma coisa, se tem alguém brincando com essa situação, você tem que dizer.
– É o Alejandro, James.
– O QUE? VOCÊ SÓ PODE ESTAR BRINCANDO!
Fiz menção de levantar e Giselle apertou a mão mais forte em minha camisa puxando-me contra si, a afastei imediatamente deixando alguns centímetros entre nossos corpos ainda tentando assimilar tudo.
– Não James, não... — Ela choramingou
– Que porra é essa que você está falando? É aquele filho da puta que tá por trás disso tudo?
A vi engolir a saliva com força como se suas palavras fossem engolidas junto. Suas mãos trêmulas procuraram as minhas e as puxei para trás impedindo o toque. Olhei para o lado assentindo que nossos funcionários saíssem do cômodo e minha esposa começou a falar.
– Ele me ligou mais cedo, disse que não admite que eu tenha começado um relacionamento com ele para te substituir e que não permitia que acabasse assim. Ele nos seguiu, James!
– Ótimo, Giselle, parabéns! — Levantei-me finalmente do chão deixando-a ainda caída, a raiva nítida em minha voz e a respiração cada vez mais alterada devido ao ódio pulsante em minhas veias — É REALMENTE MUITO BOM SABER QUE SEU AMANTE ESTÁ NOS PERSEGUINDO.
– MEU O QUE? — Dessa vez ela quem se levantou, gritando — ISSO TUDO NÃO TERIA ACONTECIDO SE NÃO FOSSE POR VOCÊ!
– POR MIM? AGORA VAI ME CULPAR POR TODA ESSA BABAQUICE? "O JOGO APENAS COMEÇOU", VOCÊ ARRUMOU O QUE? UMA ESPÉCIE DE PSICOPATA? EU ERREI, MAS A ANNA PELO MENOS NÃO ERA ASSIM.
– AAAAAH CLARO, A ANNA NÃO. ATÉ PORQUE A VAGABUNDA ERA PERFEITA, NÃO É MESMO? — Giselle parou na minha frente, as mãos na cintura, a cabeça erguida para o alto encarando-me nos olhos
– ELA JAMAIS FARIA ISSO CONOSCO.
– TÁ DIZENDO QUE ELA É BOA O BASTANTE?
– E SE ELA FOR? — Indaguei.
– VAI PRA PUTA QUE PARIU! — Giselle gritou ainda mais alto indo até a cômoda mais próxima e atirando sua escova de cabelos em mim, por sorte desviei
– PORRA, VOCÊ ESTÁ AGINDO COMO UMA CRIANÇA.
– UMA CRIANÇA? VOCÊ NÃO SABE NADA DO QUE FIZ POR VOCÊ.
– O QUE VOCÊ FEZ POR MIM, HM? VAI JOGAR TUDO NA MINHA CARA AGORA?
– VOU! VOU SIM, EU JÁ SACRIFIQUEI MUITO POR VOCÊ E CONTINUO SACRIFICANDO ATÉ HOJE.
– AAAAH FOI? — Debochei
– FOI. VOCÊ SEMPRE ESTEVE MUITO OCUPADO, NUNCA TEVE TEMPO PARA MIM OU PARA O NICOLAS. AS VEZES PASSÁVAMOS O DIA INTEIRO SOZINHOS E SÓ TE VÍAMOS DE MADRUGADA QUANDO CHEGAVA!
– VOCÊ SEMPRE SOUBE QUE ERA MEU TRABALHO, VAI MESMO VOLTAR NISSO? — Passei as mãos pelo meu cabelo irritado.
– E PARA VOCÊ NADA FOI MAIS IMPORTANTE DO QUE TRABALHO, NÃO É? SUA FAMÍLIA SEMPRE ESTEVE EM SEGUNDO PLANO.
– TALVEZ TENHA SIDO POR ISSO QUE PEDI O DIVÓRCIO, PARA NÃO VER VOCÊ RECLAMANDO O TEMPO TODO SOBRE A MINHA AUSÊNCIA.
– ÓTIMO, ENTÃO POR QUE NÃO FICOU POR LÁ MESMO? JÁ ESTAVA COM OUTRA, QUE CONTINUASSE LÁ.
– DEIXA DE SER INGRATA, PORRA. EU PREPAREI UM DIA ESPECIAL PARA VOCÊ, ABRI MÃO DE GRAVAR AS MÚSICAS HOJE, EU ESTAVA TENTANDO ACERTAR, EU ESTOU!
– AH, ESTÁ?
– ESTOU, PORRA. — Sentei na cama me dando por vencido e Giselle finalmente relaxou deixando seus braços caírem ao lado de seu corpo — Como acha que eu me sinto sabendo que por culpa de você ter sido precipitada tem alguém querendo bancar o psicopata conosco?
– Eu posso ter sido precipitada, mas você tem muito o que me agradecer. SE NÃO FOSSE POR MIM, VOCÊ ESTAVA FODIDO!
– E posso saber por que? — Revirei os olhos
– Porque era uma cilada, James! O Alejandro me ameaçou, disse que não estava satisfeito de termos voltado. Ele que foi até o hotel e me ligou de lá, mexeu nas suas coisas, revirou a mala inteira, ia colocar cocaína na sua bagagem e fazer uma denuncia anônima para a polícia para que quando você chegasse ao hotel fosse preso por porte ilegal.
– Isso não pode ser verdade, não tem como.
Custei a acreditar e então lembrei-me de Giselle me pedir que eu não fosse ao hotel, aliás, ela insistiu tanto! E, porra, foi por isso que ela se abaixou em direção à mala e começou a revirá-la mais cedo. Meu Deus, ela estava se certificando de que Alejandro não tinha feito nada! Ela estava me protegendo. Levei minhas mãos ao meu rosto deslizando-as pelo mesmo sem coragem de olhar para a minha mulher novamente.
– Mas é verdade, James. Eu consegui impedir que fosse preso, mas ele garantiu que estava apenas começando, que ser preso era pouco. Ele quer te fazer mal a não ser que eu te afaste.
– Eu não vou deixar que alguém te tire de mim, entendeu? Nunca.
Puxei-a de repente fazendo com que se sentasse ao meu lado. Meus braços envolveram seu corpo com força como se em algum momento fosse vê-la partir e a verdade é que eu não estava pronto para que isso acontecesse. Perder Giselle mesmo que por alguns dias foi o pior que me poderia acontecer e eu jamais permitiria que algum babaca ciumento fizesse com que passássemos novamente pela ausência um do outro. Depositei-lhe um beijo demorado na testa e respirei fundo. Baixo, tão baixo para apenas ela escutar, sussurrei: eu nunca mais vou perder você.
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