Notas iniciais
Só notificando que estou demorando a postar mais uma vez porque as senhoritas sumiram. Tem capitulo que tenho recebido só dois ou três comentários, o que é isso?

Os rapazes se empanturraram tanto com a feijoada de Julieta que perdi as contas de quantos pratos comeram. Não que eu ficasse contando, é claro, mas quando se trata de almoçar com eles é quase uma competição para ver quem come mais. Por sorte meu marido não participa desse tipo de coisa, fica apenas de fora rindo e deixando que eles passem mal mais tarde. Ethan, como sempre, não perdia a oportunidade de falar alguma merda, ora se gabando das suas façanhas e em outras deixando Trisha bem sem graça com comentários sexuais inapropriados, o que sempre arrancava gargalhadas de todos nós. Ainda assim, apesar dos risos que deixava escapar, algumas vezes meus pensamentos ficavam presos na agonia e ansiedade que estava sentindo. Meu coração ainda estava apertado e mesmo estando em meio a tantas pessoas, eu desejava mais do que tudo nesse mundo que as coisas parassem de dar errado daquela forma, que eu pudesse compartilhar daquela alegria verdadeiramente sem que aquele sentimento de opressão me atingisse. James, naturalmente, estava reparando e volta e meia seu olhar encontrava o meu perdido em um objeto qualquer. Bem baixinho para não chamar a atenção de nossos convidados, ele perguntou-me se estava tudo bem e de pronto concordei, alegando que se tratava apenas de um mal estar. Tentei, então, disfarçar um pouco mais. No entanto, a hipótese de que talvez Alejandro estivesse ali observando-me como mais cedo causava pânico dentro de mim. Céus! E a maldita mala? Será que Roberto já tinha ido buscá-la? Eu estava angustiada o bastante para me manter sentada dando pequenos sorrisos que não eram sinceros e agarrei com força qualquer oportunidade que me fizesse tomar um pouco de ar.
– Pessoal, vou até a cozinha pegar a sobremesa. — Falei tão de repente cortando o assunto de Andrew que todos me olharam surpresos
– Quer ajuda, querida? — Trisha se manifestou já fazendo menção de levantar
– Oh, não, não se preocupe. Eu mesma pego! Julieta deve ter feito algum doce maravilhoso e brasileiro para combinar, vocês vão gostar.
– Amor, não tem necessidade. Ela mesma pode trazer e nos servir. — Jay disse pegando em minha mão e acariciando-a observando-me de pé.
– Vida, ela tá cansada. Você acha que fazer uma feijoada dessas é moleza? Não custa nada eu ajudar um pouquinho. Vou só pegar na geladeira e separar alguns potinhos de vidro para comermos. Já volto, tudo bem? — Falei dando-lhe um selinho e saindo antes que pudesse ser impedida.

Passei pela porta apressada entrando na cozinha e me debruçando sobre a mesa. Meu Deus, eu vou explodir se guardar isso por mais tanto tempo! Escutei o barulho da porta se fechando atrás de mim e de imediato dei um grito que fez Ryan rir.
– O que foi, criatura de Deus? — Ele gargalhava enquanto meu coração ainda estava acelerado e sobressaltado pelo medo
– Não é nada, você só entrou de repente na cozinha e fechou a porta como se estivesse me esperando parar matar-me aqui dentro.
– Sério mesmo que bolou essa história agora ou é o roteiro de algum filme que ainda não assisti? — Ryan disse erguendo uma sobrancelha e eu apenas mostrei minha lingua irritada pela brincadeira — Tudo bem, não brinco mais, chata!
– Desculpa, eu só ... Estou um pouco cansada.
– Cansada do que, mulher? Faltou até o emprego que eu sei.
– COMO SABE? — Gritei e mais uma vez fui repreendida pelo meu lado mais sábio que rigorosamente me fez parecer idiota por acreditar que meu melhor amigo estava me seguindo também.
– Por que será? Ah claro, porque graças às minhas habilidades fantásticas como decorador você teve uma manhã perfeita.
Fiquei envergonhada e senti minhas bochechas corarem.
– Para, vai. Você não tem noção do quanto foi lindo! Jay até cantou para mim!
– É mesmo? Isso eu juro que não sabia.
– Foi! E depois fizemos guerra de chocolate, parecemos duas crianças bobocas e apaixonadas. Como pode?
– Acredito que vocês finalmente estão começando a valorizar o tempo que passaram juntos. Terem perdido um ao outro mesmo que temporariamente fez com que reforçassem os próprios laços.
– Concordo, eu não poderia estar mais feliz do que agora.
– Feliz? Apaixonada você pode até estar, Gi, mas feliz não parece.
– Como assim? Do que você está falando?
– Eu disse a eles que viria aqui te ajudar a pegar as coisas, mas foi apenas um pretexto para saber o que está havendo. Eu não sou bobo, você está com essa carinha de cachorro que caiu da mudança o dia inteiro, quase não fala e quando ri é de alguma bobagem.
– Eu não estou triste, por qual razão estaria? — Abri a geladeira para pegar a sobremesa fazendo com que a porta da mesma me escondesse
– Olha, eu sei que você e James voltaram ontem a noite e que até então você estava completamente magoada. O que houve? Ainda não perdoou? — Ryan colocou as mãos nos bolsos e debruçou-se na pia olhando-me com suspeita
– Não, ursão, por Deus. Não é nada disso! O Jay está um amor, me explicou tudo que aconteceu e eu estou conseguindo compreender. Já te falei que estou completamente apaixonada e, aliás, não tem nada de errado.
– Promete? Se estiver precisando de qualquer coisa, você me dirá?
– Claro que eu prometo. Fica tranquilo!
– Certo. Hun, onde estão os potes de vidro? — Ele disse desconversando e eu apenas apontei com o indicador para uma parte do armário. Havia eu sido tola o bastante para deixar passar a oportunidade de contar sobre a ligação? Mas, também, o que Ryan poderia fazer? Talvez Alejandro nem entrasse em contato de novo e eu estava torcendo para que tudo aquilo tivesse sido um blefe.

Levamos a sobremesa para fora e passamos o tempo comendo o doce feito com caipirinha. Tive que prometer a Ethan que daria a receita de qualquer maneira, mas mesmo assim ele quis carregar o que sobrou alegando que não poderia desperdiçar. Nos despedimos horas depois e eu já estava me sentindo um pouco saudosista, afinal, não era sempre que eu poderia vê-los devido aos compromissos que todos os quatro possuíam.

JAMES POV:

Assim que nos despedimos dos nossos amigos, entramos novamente para casa e eu ainda percebia Giselle esquisita. Será que eu havia errado em alguma coisa? Que a surpresa mais cedo não havia sido o suficiente? Talvez eu não estivesse sendo o marido carinhoso que ela pensou ou, quem sabe, errei em chamar os rapazes e ela tinha pensado que teríamos um almoço mais romântico e de casal. Merda, será que foi isso? É tão complicado tentar acertar depois de alguns longos anos errando. Puxei-a pela cintura, o que fez com que ela soltasse uma risada fofa e gostosa de escutar.
– Meu denguinho — Eu a chamei mantendo-a grudada a mim e meu braço ao seu redor
– O que foi, meu dengo? — Ela retribuiu a brincadeira, dessa vez com um sorriso maior.
– Gostou da visita deles?
– Claro, amor. Por que não gostaria? Adorei rever todo mundo, até porque, a última vez que os vi não foi tão boa assim. Nossa, você viu o quanto Ethan amou o doce?
Ótimo, ela estava puxando assunto, então o problema não era esse.
– Eu vi sim, aliás, a senhorita está proibida de colocar coisas com bebida por aqui. Não quero ter que passar a vergonha de você me dar banho de novo.
– Ah é mesmo? — Giselle fez uma carinha de quem ia aprontar e, ufa, minha mulher estava de volta! — Mas você adora tomar banho comigo. Esqueceu de mais cedo?
– Não safada, não esqueci. Só que no dia do leilão você me deixou a ver navios.
– Não reclama, você mesmo disse que não transaria comigo.
– Mas se eu te puxasse e te jogasse na parede, você transava. — Aleguei
– Por favor amor, você não estava em condições nem de matar uma mosca.
– Então é assim? Quer que eu te mostre quem é que não estava em condições? — Gargalhei instigando-a mais uma vez a uma brincadeira de gato e rato
– Vem, me pega se é capaz, sr. fortão!
Gi mostrou a língua e correu subindo as escadas até o nosso quarto. A segui mais uma vez, mas logo que cheguei a vi parada na porta observando com pavor a mala que Roberto trouxe. Minha esposa praticamente não se movia e a expressão de medo em seu rosto era clara de ser observada. Sua pele ganhou um tom esbranquiçado e só então desviei meu olhar para a bagagem. Minha mala estava completamente destruída.
– Merda! Que caralho é esse, porra? — Me aproximei abaixando próximo ao objeto que estava destruído como se uma tesoura, faca ou algo mais pontiagudo tivesse perfurado repetidamente. — Onde está o Roberto? Ele viu isso assim?
Abri o zíper da mala e ouvi um grito estrondante de Giselle, um grito não apenas de medo mas também como se o choro estivesse preso em sua garganta. O único boné que eu tinha e que por coincidência tinha sido usado quando a conheci estava queimado e, curiosamente, todas as peças abaixo dele estavam intactas. Quando o retirei, nossa foto estava abaixo em picadinhos com um pequeno bilhete: "Eu ia levar como troféu, mas essa é uma ótima lembrança de que o jogo apenas começou". Li em voz alta e observei sair do quarto chorando. Porra, o que era aquilo?