Notas iniciais
Hey girls, tenho sentido falta de comentários. Onde estão minhas leitoras?

- Achou mesmo que eu apenas te expulsaria do meu carro ontem a noite e deixaria que vivesse um conto de fadas com seu marido?

Respirei fundo me recordando da forma com que Alejandro segurou meu braço com força e até mesmo do jeito exagerado com que sua boca explorou a minha. Isso fez com que eu estremecesse com um maldito calafrio subindo pela minha coluna e no fundo – bem no fundo – era como se um aviso de cuidado estivesse piscando para que eu me precavesse.

— O que você quer? – insisti novamente na pergunta

— Está sozinha?

— Qual a relevância?

— Está sozinha ou não Giselle?

Olhei para trás me certificando de que James ainda estava no banho e andei na ponta dos pés até a varanda do nosso quarto afim de impedir que ele escutasse a conversa.

— Estou agora.

— Ótimo. – Alejandro respondeu sarcástico – Não gostei do rumo que as coisas tomaram entre nós.

— Alejandro, olha, quero me desculpar pela forma como eu...- Fui interrompida

— Quieta. Eu é quem estou falando e é bom que você mantenha essa boca suja de boqueteira fechada enquanto é a minha vez de falar.

— Minha o que?

— CALADA, PORRA! Como você pensa que pode vir até mim, se oferecer daquela maneira, manter um relacionamento ridículo de dois míseros dias e simplesmente quando eu estou tentando fazer o meu melhor você arruma um encontro casual com seu ex marido? Quem você pensa que é para passar a mão no pau daquele filho da puta que te traiu? E o pior, você é tão vagabunda, tão piranha que aceita ser corna e ainda se sente a mulher mais sortuda do mundo perdoando ontem mesmo! Deixa eu adivinhar, ele coloca a piroca na tua boca e você perdoa?

O sangue já subia pelo meu corpo ao mesmo tempo em que aquelas palavras ácidas atingiam-me como um soco no estômago. Se Alejandro estivesse na minha frente, eu sem dúvidas teria avançado em sua direção e esbofeteado aquele rosto esculpido com botox, mas por telefone não tinha muito o que ser feito.

— Eu não vou me prestar ao papel de ser ofendida por alguém como você.

— Não, não vai mesmo. Você acha que eu só vou te ofender? Você brincou comigo, Giselle e brincou de uma maneira tão tola acreditando que eu aceitaria de mãos beijadas toda essa história de “preciso substituir meu ex por você” que sequer imaginou como eu estava me sentindo a respeito.

— Olha Alejandro, eu sei que eu errei, mas isso não te dá o direito de falar comigo dessa maneira.

— Realmente, não apenas falar. Dá o direito de muito mais!

— O que você quer dizer?

— O que eu quero dizer? Nada, não quis dizer nada. Aliás, você não me respondeu como foi o passeio mais cedo?

— Você nos seguiu?

— Own, tadinha dela, agora que entendeu.

— Isso não tem graça e você sabe que eu posso te denunciar para a polícia.

— Com que acusação?

— Ameaça!

— Eu estou te ameaçando? Receio que não estou. Mas, sabe Gizinha, não estou ficando nada satisfeito com a ideia do James estar morando ai de novo.

— Você não tem que se meter na minha família.

— Uma família falida, deixe-me corrigi-la, meu amor. Você como minha namorada deveria me respeitar mais. Imagina quão injusto seria se o seu EX – ele deu ênfase – marido fosse pego portando drogas ilícitas dentre as malas dele no hotel.

— O QUE? O James não se mete com esse tipo de coisa.

— Claro que não, mas você sabe como são esses artistas e pessoas de mídia, sempre tem algo a esconder. Tenho certeza que ser preso por porte de cocaína mancharia a carreira dele.

— O que você quer de mim, Alejandro?

— Não quero nada, Giselle, absolutamente nada. Você me sacaneou, sabia? Me fodeo pra cacete e agora quer bancar a boazinha e pedir pelo amor de Deus? Não não.

— Você colocou essas coisas na mala do James?

— Não, amorzinho, ainda não. Mas pensando bem, nesse bolso aqui...

— Aqui? Aqui onde? Onde você está?

— No quarto do James. Supostamente um empregado da família que veio buscar as malas. Quer vir também?

— Eu vou ligar para o hotel agora!

— Ligue, vamos lá, estou pronto para o show e tenho certeza que você dará uma excelente mocinha nessa história. Pense bem Giselle, por enquanto é o “Jay”, não queremos expandir para outras pessoas, não é? Ops, olha o que eu encontrei! Uma foto sua com ele e aparentemente do lado de um boné ridiculo. Isso deve significar algo para vocês dois, vou levar como lembrança.

Minhas mãos já estavam tremulas.

— Alejandro, por favor, nos deixe em paz.

— Eu vou deixar Giselle. Aliás, já estou de saída, é muito chato brincar contigo desse jeito! Por enquanto seu maridinho está a salvo, ser preso ainda é muito pouco e tenho certeza que qualquer fiança resolveria o problema.

— Então por que a ideia de esconder coisas e...

— Calma, coração, estamos apenas começando o jogo e esse foi o aquecimento. Entrarei em contato em breve, esteja preparada.

— Alejandro, espera!

Ele desligou. Meu coração estava acelerado de uma maneira assustadora e eu podia sentir o suor umidecer minhas mãos delatando meu nervosismo. Todo meu corpo parecia ter recebido uma carga elétrica altíssima e eu tremia assustada. Estava zonza, com a sensação de que iria explodir tamanha a adrenalina que tinha recebido e, puta que pariu, eu estava mesmo fazendo parte de um thriller psicológico? Isso é a vida real, porra. Que tipo de pessoa faz isso? Ainda com os nervos a flor da pele, pulei de sobressalto quando senti duas mãos sobre meus ombros. Era James que, carinhosamente, estava atrás de mim.

— O que foi isso? — ele riu da maneira como eu parecia assustada – Você está tão pálida que parece ter visto um fantasma, meu amor.

— Não é nada, sério. É que você chegou de repente, só isso.

— Hm, duvido muito. – James disse encostando seu corpo molhado no meu e percebi que ele estava apenas com a toalha envolvida em seu quadril. Logo alguns beijos foram sentidos sobre minha pele e arrepiei com o carinho dedicado à minha nuca. – Vai me contar o que houve?

— Já te falei que você sisma as vezes com coisas que não existem.

— Só estou preocupado, você parecia nervosa.

— Não estou, eu prometo.

Falei virando de frente para o meu homem e envolvendo os braços em seu pescoço. Me agarrei a ele com ternura, mas dentro de mim eu tinha a certeza constatada de que na realidade estava buscando por abrigo nos braços mais protetores que conhecia. Dei-lhe um selinho para disfarçar e ele pareceu comprar a ideia de que tudo estava bem.

— Quem era no telefone?

— Ninguém em especial, estava tentando agendar um horário com fornecedores de tecido.

— Não minha pequena, não. – Ele disse tirando o celular das minhas mãos e colocando na mesinha ao nosso lado – Nada de trabalho hoje, por favor. Aliás, eu estive pensando, o que acha de convidarmos os rapazes para um almoço? Certamente a Julieta pode aumentar a quantidade da comida e vai ser ótimo recebê-los. Acho até que estão com saudade de nos ver juntos! – James brincou

— Por mim pode ser.

— Mesmo?

— Mesmo.

— Então me dá aquele sorriso lindo, antes que eu pense que está triste porque a minha surpresa mais cedo foi um lixo.

— Nããão meu amor, claro que não foi! – Eu disse já fazendo dengo e o apertando um pouco mais em meu corpo

— É, eu sei, sou muito bom nisso!

— Convencido! – Bati de leve em seu ombro e ele riu — Vou tomar um banho e me aprontar. Você marca com eles então?

— Tudo bem, só tenho que ir no hotel e...

— NÃO!

— Gi, mas... Você que me mandou ir. – Ele riu da minha contradição

— Não amor, não vai, por favor. Pede ao Roberto para fechar a sua estadia por lá e pegar suas coisas.

— Mas eu posso fazer isso enquanto eles não vem, pequena.

— Amor, não vai. Por mim!

James me olhou curioso, mas por fim o vi apenas balançar a cabeça de um lado para o outro em negação e dizer para si mesmo algo como “essa mulher é louca”. Eu ri fingindo que estava tudo bem e que era apenas saudade, não podia arriscar que meu marido fosse até lá e tivesse uma espécie de cilada preparada ou até mesmo que tivesse um encontro com Alejandro. Ele estava mais seguro ali, sob meus olhos e eu agora possuía um fardo enorme para carregar. Sozinha.