All Over Again
3 Capítulo 3
Aquelas perguntas me atordoaram, passei o resto da tarde enrolada na cama com um pijama de seda que por azar era ele quem havia me dado. Sei, sei que não sou uma adolescente e que deveria estar cumprindo minha agenda. Ainda havia festas beneficentes para organizar e, claro, o leilão do final de semana estava chegando e eu ainda precisava preparar tudo porque a festa seria na minha própria casa. Perfeito, quem manda ser solidária! Além desses compromissos ainda tinha que tomar conta do meu filho, que não merecia em hipótese alguma uma mãe caminhando minuto após minuto para uma crise depressiva. Aliás, EU não merecia isso. Liguei a televisão zapeando os canais e não pude deixar de ouvir os comentários de uma apresentadora loira, siliconada e de voz fina falando do meu casamento. Gritei um palavrão estrondoso e desliguei imediatamente, jogando o controle em seguida.
James POV:
Eu não tinha cabeça para nada que não fosse meu casamento arruinado e o destino do meu filho, mas ainda assim tinha que estar em um ensaio da banda. Cheguei atrasado e entrei no estúdio de dança com o capuz do casaco de moletom cinza caído pelas minhas costas, tamanha a pressa. Percebi Andrew me olhar assustado e passei as mãos pelo cabelo tentando construir uma aparência mais apresentável, entretanto acabei deixando-o ainda mais bagunçado.
— Que foi? Viram fantasma? – Joguei uma mochila no canto com meus itens pessoais e parei em frente ao grande espelho para o qual ensaiávamos, apoiei as mãos nos bolsos da calça também de moletom – Andem, não temos o dia todo, gente. Essa coreografia tem que estar pronta para o show.
Os três ainda assim permaneciam parados e percebi que um por um foram cruzando os braços enquanto me olhavam. Parecia que eu ia ser interrogado por um bando de detetives, aqueles que colocam luzes fortes em seu rosto como tortura e forma de intimidação. Comecei a alongar meus braços, ia ignorar o que estavam tentando fazer.
— James, não pense que vai passar despercebido! Toda vez que você tem um problema parece que o gato comeu sua língua e não pense que somos alienados o bastante para não saber o que está havendo, sabemos da sua separação. – Ryan disse e tentou chegar perto, eu não sabia se deixava ou não, mas por fim o apoio dos meus amigos era importante. Ele deu um tapinha nas minhas costas e continuou: — Estamos ao seu lado para tudo, você sabe!
— É, cara! Olha, se quiser, pode ficar na minha casa com a Trisha, será sempre bem vindo. – disse Ethan
Honestamente? NÃO, eu não ficaria na mesma casa que Ethan com sua nova esposa viciada em sexo sendo filmado com minha angústia que seria televisionada no reality show de ambos. Como Giselle disse durante uma de nossas brigas: nossa vida já tinha virado um espetáculo.
- Não se preocupem, estou em um hotel por uns dias e também logo faremos os shows da Espanha, eu mal ficaria em casa. – Encolhi os ombros, de fato eu nunca estava por lá.
- Como está a Giselle? – Ryan quis saber sentando-se no chão, era incrível como o ensaio sequer havia começado e ele já estava com preguiça
- Ela... Eu não sei dela. Não consegui olhar muito ontem enquanto ia embora, hoje liguei, mas a Julieta disse que ela estava dormindo. Ela não dorme até tarde, sabe?
- Você ta preocupado, cara! – Andrew disse
- Claro que estou!
- Você continua é apaixonado, não sei por que veio com essa bobeira de separação! O sexo ficou ruim com o tempo, por acaso? – Ethan perguntou, sempre indiscreto.
Tirei o casaco ficando sem camisa e bati nele com o mesmo. Não agüentei quando meu amigo começou a rir, é claro que era isso que ele queria de mim: que eu sorrisse também!
- Idiota! – gritei entre risos, eu me divertia com eles e isso era inevitável.
- Chega, pessoal. Vamos começar!
O coreógrafo ordenou enquanto vinha e então só deu tempo de Ryan falar baixo antes de começarmos:
- Manda um sms para ela, inventa uma desculpa.
Eu era um cafajeste por querer ver minha mulher um dia após dispensá-la? Não era por um sentimento romântico e, não, eu não estava confuso quanto ao que sentia. Eu sabia que a amava e sempre saberei, mas com o tempo deixei muito a desejar e parte de amá-la era entender que ela seria mais feliz com outro alguém. Eu apenas precisava vê-la hoje, olhar em seus olhos, saber se ela estava bem. Creia ou não, eu me preocupava com ela, com Nicolas. Sou culpado por isso? Ok, condene-me, mas parece que desde que cruzei aquela porta ontem é como se em momento algum eu tivesse saído dali. Meu corpo saiu, mas estou preso sentimental e espiritualmente àquele lugar. Já teve a sensação que uma parte sua foi e outra ficou? Acho que uma parte minha ficou com Giselle quando a olhei nos olhos depois de tantos anos sem fazer isso e, por alguma razão, algo em mim sente a necessidade de passar a vida inteira olhando-os de novo. Puxei o celular rápido digitando “Gi, pode trazer o Nicolas até aqui? Estou no estúdio de dança e quero ver meu filho... Por favor.” O deixei em um canto e comecei o ensaio, se ela viria ou não era impossível prever.
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