All Over Again
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Estávamos esgotados, não éramos mais os garotos de vinte e poucos anos que dançavam por horas sem cessar. Ethan havia feito uma pausa para beber água e eu continuei me alongando. Era possível que meus ossos estalassem mais? Ri sozinho de mim mesmo e então ouvi o estrondo da porta batendo seguido por aquele grito que escuto há sete anos:
— PAAAAAAAAI! – Nicolas veio correndo e pulou em meus braços. Eu o girei no ar enquanto pude ver os outros caras rindo meio abobalhados do carinho que troquei com meu filho.
- Estava com saudade! – O apertei e em seguida o coloquei no chão agachando perto, dei um sorriso enorme para aquela miniatura e despenteei seu cabelo com força, ele sorria e isso me iluminou. – Sua mãe está ai? – sussurrei baixo o bastante para que ninguém mais ouvisse e ele concordou guiando o olhar até a porta.
Ela estava ali, eu mal podia acreditar, mas ela estava e para mexer mais comigo estava com uma legging que marcava aquela bunda de brasileira que tanto chamava minha atenção. Merda! Levantei e olhei-a de cima a baixo, todavia, tratei de disfarçar o encantamento.
- Oi!
- Oi – ela respondeu com timidez e eu não conseguia distinguir se havia um tom de frieza em sua voz
- Hey guys, quem quer comprar um sorvete enorme com granulados de chocolate pro Nicolas, heim? – Ethan disse e saiu puxando meu filho pela mão, merda de novo.
Giselle POV:
Não pude acreditar quando o vi parado ali apenas com calça de moletom larga e tênis, James estava perfeito com o peitoral levemente úmido devido aos ensaios e a respiração um pouco ofegante. Tentei não fixar o olhar em seu abdômen, não que isso fosse algo fácil de ser feito, mas respirei fundo e foquei minha concentração em qualquer coisa que não se situasse entre seu pescoço e seus joelhos. Claro que os guys, tentando bancar uma versão atualizada (e atrapalhada) de cupidos, arrastaram Nicolas dali e isso só tornou a situação mais constrangedora que antes. Não entendo porque diabos eles gastaram esforços nessa tentativa, meu divórcio com James foi um acordo e fim. Ele veio andando até o meio da enorme sala espelhada e entrei ficando um pouco desconcertada, encarei o chão o máximo que podia até que avistei seu casaco pelos cantos e joguei pra ele.
— Toma, veste isso.
— Não quero. – Bufei com a resposta. Como ele sabe ser irritante! — Te incomoda? – ele perguntou
— Não James, distribua sua nudez para o mundo, aproveita e chama os paparazzis que me seguiram para que eles exponham seu sexy obliquo nas capas de revista.
Ele riu e chegou mais perto. Isso me incomodava bastante, claro que incomodava. Dei alguns passos para frente e fiquei brincando com os dedos em meu cachecol.
— Ta bonita, heim.
— Ta desnudo, heim! – retruquei arrancando outra risada dele, mas logo fiquei séria – O que quer, James?
— Queria ver meu filho, somente.
— E por qual razão ele está lá fora agora e não aqui contigo?
— Porque os caras acharam por alguma razão que tínhamos que ficar sozinhos alguns instantes. Concorda com eles?
— Não, não concordo. Nosso casamento terminou, James, e VOCÊ quis isso. Então não tem razão para em menos de vinte e quatro horas fingir que está tudo perfeito e sair correndo para os meus braços. – Virei de costas andando pela sala sem encará-lo, o barulho do salto era a única coisa audível entre nós
— NÃO ESTOU DE PEDINDO PARA VOLTAR, CARALHO! – ele gritou
Desviei o olhar para ele assustada com a reação. Pelo visto o homem que estava na minha frente ainda era o mesmo grosseiro e insensivel que me deixava sozinha toda noite. Tratei de disfarçar minha mágoa com desdém, quem James Walker pensa que é para gritar comigo? Ajeitei a bolsa em meu ombro e fui a passos firmes e fortes em direção a porta sem direcioná-lo uma única palavra.
— Espera, desculpa. – Eu parei logo que o escutei. — Na verdade...
James começou a enrolar, ou pelo menos era o que parecia. Cruzei os braços esperando que ele desembuchasse!
- Quero combinar meus dias de visita.
- Claro, seu filho é um macaco preso na gaiola de um zoológico exposto a todo o show que se tornou nossas vidas e você quer comprar um ingresso para ver seu sofrimento enquanto sorri fingindo que está tudo bem!
- Giselle, não é isso! Nossa, as vezes você consegue distorcer tanto as coisas. Eu não estou abandonando vocês, estou buscando a minha felicidade, a sua... E não é por isso que vou me afastar do meu filho para sempre, eu sinto falta de tudo.
- Pensasse antes.
- EU NÃO ESTOU PEDINDO PARA VOLTAR! Só acho justo o bastante que eu possa entrar em um acordo para ver você, ver o Nicolas também, ficar perto.
- VOCÊ NÃO FICA PERTO DELE, NÃO FICA PERTO DE NINGUÉM! Quando você tem tempo para alguma coisa, James? Acha que é tempo o bastante ficar algumas horas com a gente antes de correr para um photoshoot? O seu filho está aqui porque queria estar perto de você, mas você é tão egoísta que o despachou como uma bagagem pesada e ele agora está lá fora enquanto você trata dos seus interesses pessoais exibindo seu corpo parcialmente nu para mim!
Ele deu de ombros e limitou-se a dizer:
- Você já viu bem mais que isso... E gostou.
Juro que respirei fundo por uma, duas, três, quantas vezes mesmo? Ah, que se dane! Varei minha bolsa com força naquele braço torneado, ele era capaz de me irritar quando fazia piadas sexuais para descontrair enquanto eu estava brigando. James segurou minha bolsa para que eu parasse com as agressões e me olhou sério. Com o mesmo tom áspero que um pai repreende uma criança ele me disse:
— Para!
E eu parei, imediatamente parei. Se eu o obedeço? Não, mas de alguma maneira a forma com que ele falou comigo foi capaz de me congelar. Puxei minha bolsa das suas mãos com toda a força que pude e a abri em seguida para pegar o cartão da minha advogada, o estendi para o homem que um dia pude dizer que era meu e murmurei com pesar:
— É o número da minha advogada, ligue para ela para que possamos tratar das visitas, do divórcio e... do sobrenome. – Olhei para baixo, sabia que aquilo ia ferir seu ego.
— Vai... tirar... o... Walker? – As palavras se arrastavam por sua boca, quase que inaudíveis
— Sim. – Fui seca, era o que ele de alguma forma merecia. E saí, saí antes que pulasse em seu colo e arrancasse aquela calça que caía perfeitamente em seus quadris, saí antes que fosse tarde e tenho consciência de que naquela sala restou um James quebrado em pedaços, talvez os mesmos pedaços em que ele me deixou.
Peguei Nicolas que estava ao lado de fora com os outros guys e entrei em disparada no carro. Simplesmente não podia ficar mais um minuto ali!
— Mamãe, ta tudo bem?
Apoiei minha cabeça no volante antes de virar a chave na ignição. Milhares de lágrimas salgadas vieram aos meus olhos e, fujonas como sempre, desceram pelo meu rosto. Quão egoísta James ainda era! Quem em algum momento disse que eu estava pronta para revê-lo? Como ele pode julgar que depois de partir deliberadamente eu suportaria olhá-lo e ainda discutir mais uma vez? Passei a mão sob meus olhos rapidamente enxugando o que podia e olhei para meu filho pelo retrovisor.
— Tudo bem, querido.
— Cadê meu pai? Achei que ele voltaria com a gente.
Engoli em seco. Virei para trás o suficiente para meus braços alcançá-lo e fechei o cinto de segurança em seu corpo, dei um sorriso triste respondendo apenas em um tom baixo:
— Isso não vai acontecer, meu anjinho.
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