Notas iniciais
Meninas, primeiramente MIL PERDÕES. Vocês sabem que eu não fico mais do que um/dois dias sem postar e meu planejamento para o carnaval era aproveitar que vocês estavam a toa para enchê-las de capítulos recheados, só que aconteceu um probleminha (like always!). Fui viajar feliz e contente com notebook, 3G e pronta para agradá-las, o que me ocorre? Meu 3G queimou! Então tive que passar esses cinco agoniantes dias sem entrar em contato com vocês :/ Espero que possam me desculpar, mas garanto que aproveitei o ócio para escrever muito muito muito rs Um beijo e tomara que tenham tido um bom carnaval!

- O que vamos comer? – Indaguei ainda recebendo o carinho sobre minha mão
- Como disse mais cedo: sua comida favorita.
- Nããão, eu sei que minha comida favorita não é a mesma que a sua comida favorita.
- Pensei que em nove anos de casamento você se lembraria que eu sou facilmente convencível.
- Que mentira, é todo o contrário, você é muito teimoso! – Retruquei acompanhada de uma leve risada que deixei escapar
- Isso é verdade, mas não custa ser torturado aquele “treco ruim” que você come.
Estreitei os olhos fingindo irritação e pude perceber o brilho no olhar do meu ex marido.
- Aquele “treco ruim” é tabule com carne de carneiro e molho árabe.
- Carneiro, Giselle, carneiro! Logo você que é tão amante da natureza e animais vai sacrificar um pobre carneiro! – Ele fazia drama
- Olha quem fala, sr. “eu não gosto de plantas”
- Deixei escapar isso em um momento de fragilidade emocional e psíquica
- Aham, diga-se: embriaguez!
- Exatamente, minha garota.

Estávamos nos divertindo provocando um ao outro de uma maneira saudável. A impressão que eu tinha era que naquela mesa estavam dois melhores amigos que se conheciam durante toda a vida e essa visão em momento algum me incomodou. James era meu melhor amigo e parte do nosso relacionamento era sólido justamente pela amizade que possuíamos. Eu sabia que poderia correr por um jardim que ele viria atras de mim e me derrubaria no chão, sabia que seria acordada com cócegas de manhã cedo, que ele puxaria meu cabelo para implicar ou provavelmente me faria medo com alguma coisa. Eramos assim! Falavamos besteiras, nojeiras e o que fosse desde que arrancasse uma gargalhada um do outro. Pelo menos éramos e, para ser bem franca, sinto falta do James-Namorado, do James-Noivo. O James-Marido? Bem... Respirei fundo entrecortando meus próprios pensamentos e pude sentir meu consciente me olhando impaciente e provocando: “Pare de criticá-lo, o rapaz está tentando”, decidi concordar com meu lado mais racional.
Assim que o garçom se aproximou, Jay fez o pedido do meu prato predileto – acompanhado de uma careta — e pediu uma garrafa de vinho francês.
— Gi, acho que ainda não expliquei o motivo do meu convite. – Ele disse enquanto mexia na nuca disfarçando
— Uma trégua, não é?
— Sim, é. Só que as coisas ficaram um pouco confusas desde o dia em que acordei na nossa cama novamente.
Fiz menção em dizer algo, mas ele apenas ergueu o dedo indicador pedindo-me para esperar.
— O fato é que estamos em uma segunda feira e daqui a dois dias terei que partir para a Espanha – ele fez uma pausa como se pensasse na melhor maneira de dizer e então continuou – Eu sei que estamos separados, que não pretende voltar comigo e que deixamos claro que resolveríamos tudo isso apenas quando eu chegasse. Mas então fui dar aquela maldita entrevista para a Trisha e de repente estava declarando para Deus e o mundo o quanto te amo porque, sabe, eu amo.

Fiquei parada encarando James sem saber o que dizer. Meus olhos permaneciam tão confusos quanto eu, ora mirando os olhos dele, ora sua boca, ora o prato vazio diante de nós, ora o movimento de pessoas. Será que eu deveria responder algo? Então ele continuou.
— O que quero dizer é que sei que entramos em um acordo de esperar que eu voltasse, que teríamos esse tempo para pensar em tudo, só que cada minuto distante tem sido sufocante para mim. É como se eu tivesse passado toda a minha vida ao seu lado e não soubesse como caminhar sem estar segurando a sua mão, entende?
— Mas você não passou, Jay, não passou e é exatamente por isso que as coisas chegaram a esse ponto.
— Eu sei e é por isso que parte desse almoço é mais uma proposta. Venha comigo para a Espanha, Giselle. Eu, você e nosso filho. Como te falei, iremos quarta de noite e podemos ficar juntos até domingo, tomar essa decisão juntos.

Quando dei por mim, minha cabeça estava balançando involuntariamente dizendo “não” por conta própria sem questionar ao meu coração. Meus olhos se arregalaram, minha vontade era de sair dali e todo meu corpo parecia estar soando um alarme de “corra antes que se fira caso aceite essa ideia”. Encurralada, sussurrei baixinho:
— Não posso.
— Como não? Você sabe que pode.
— Jay, por favor... Quer me deixar mais confusa? – Levei as mãos ao rosto deslizando meus dedos pela minha testa
— Não. Quero te mostrar que podemos ainda ser uma família independente da distância, da kilometragem, se estaremos aqui nos Estados Unidos, na Espanha, onde for. Se estivermos os três juntos, ficará tudo bem.
— Se VOCÊ não mudar, não ficará bem. Como vamos escrever um novo capítulo da nossa história se daqui a uns dias você voltar a ser aquele marido frio que mal me tocava ou dizia algo romântico?
— Gi, eu estou tentando. – Sua voz saiu um murmuro fraco. Ele parecia extinguir suas forças numa tentativa de me mostrar que as coisas podiam ser diferentes e eu ainda não tinha certeza se criar expectativas seria o mais correto
— Eu sei e quero tentar ao seu lado.
— Então vamos!
— Mas e meu trabalho?
— Deixa para lá, você merece umas férias em família.
— E seus compromissos?
— Nada que eu não possa fazer correndo e voltar para você.

Ajeitei-me na cadeira insegura e deixei que meu olhar mirasse o teto decorado acima de nós. Respirei fundo deixando o ar pesado invadir meus pulmões e o cansaço mental ficou evidente. James continuava me olhando atentamente da mesma maneira que uma criança quando aguarda da mãe a permissão para algo. Merda, esse olhar não.
— Vou pensar, está bem?
- Gi, não tem o que pensar.
- Tem James, para mim tem. Entenda-me, por favor.
Fomos interrompidos pelo garçom que trazia nossos pratos e ele apenas respondeu:
- Pense com carinho, você é boa nisso.

Enquanto comíamos, a oferta de James não saía da minha cabeça. Apesar de ele manter-me ocupada com assuntos triviais, perguntando sobre a vida escolar de Nicolas e comentando sobre como estão os rapazes, o eco de sua voz ainda percorria todos os cantos e recantos da minha mente como uma espécie de gravação que eu não podia parar de reproduzir. Por sorte, meu ex marido não fez menção de voltar à proposta feita anteriormente e em meu intimo fiquei grata por não ser questionada de novo.