All Over Again
8 Capítulo 8
Deixei que ele se sentisse melhor e o tirei dali enxugando-o e enrolando a toalha em seu quadril. Merda, merda e merda! Alisar o corpo dele e ainda vê-lo apenas de toalha.. Tem que ser muito sangue frio, MUITO, para não ceder. Segurei em sua mão e o guiei até a cama sem me importar pela primeira vez que se sentasse molhado sobre ela.
— Você vai ficar bem.
— Eu sei, você sempre cuidou muito bem de mim.- Sorri com o elogio e ele calou-se
— Deixa eu ver se tem algo seu aqui ainda para que possa vestir, está bem?
— Você sabe que não tem.
Essa resposta me incomodou, afinal, fazia com que eu me recordasse do motivo pelo qual acreditava que nosso relacionamento nunca funcionaria, me fazia recordar do fim. O deixei sozinho e fui até o banheiro pegar a cueca que ele havia acabado de retirar, eu definitivamente não o deixaria nu. Quando voltei, James já estava cochilando. O vesti com ela e delicadamente coloquei uma coberta sobre seu corpo. Sai do quarto e voltei para o leilão deixando que ele descansasse. Ao chegar, a festa ainda não tinha acabado e agradeci a mim mesma por saber que segundo a programação teria apenas que agüentar mais quarenta minutos. Caminhei calmamente até a mesa dos rapazes me sentando ao lado de Andrew.
- Obrigada, guys. E obrigada Trisha, você me substituiu muito bem, certamente.
- Não há de que, o leilão em si já havia terminado, tudo que tive que fazer foi apresentar a banda e fazer alguns agradecimentos, nada demais.
- As pessoas não estranharam meu desaparecimento?
- De maneira alguma, afinal você subiu apenas na hora do show.
- Que sorte!
- James está bem? — Ryan perguntou
- Está dormindo. Irrita-me quando ele bebe dessa forma!
- Ele estava irritado também, Gi.
- Já sei, ciúmes. — Bufei demonstrando raiva
- Aquele homem estava te desejando, e muito! – Dessa vez Ethan disse.
- E quem o James pensa que é para se meter em futuros relacionamentos que eu possa ter?
- Hmmm... Deixa eu pensar... O homem que te ama! – Ai como a ironia de Ethan me dava vontade de dar uns tapas nele (de brincadeira, é claro).
- Claro que me ama! Ama tanto que passou os últimos três anos se afastando, me deixando sozinha, sem mal dizer que me amava, que só focou em trabalhos e nada além. E QUE AGORA ME PEDIU O DIVÓRCIO COM A DESCULPA DE QUE POSSO ACHAR ALGO MELHOR! – Gritei a última frase
- Talvez isso seja uma prova de que ele te ama muito a ponto de não querer mais te ver mal- Andrew argumentou
- Ah claro e acha que posso achar outro alguém, mas quando a oportunidade parece surgir, ele impede! – Cruzei os braços
- Você acha mesmo que não vão voltar? — Ryan perguntou – Quero dizer, é um casamento antigo, vocês tem um filho!
- Honestamente, eu não sei.
- Você o ama, certo?
- Amo. – Respondi baixinho, mais para mim do que para qualquer um que pudesse ouvir
- Então não tem porque estarem separados.
- Pois é, só que você perguntou se EU amo, essa é a diferença. – Passei as mãos pelos cabelos irritada e depois deixei minha armadura de cavaleira medieval cair – Eu não merecia essa separação. – Disse em um tom choroso
Ethan levantou-se e veio me dar um abraço apertado. Um a um, todos os rapazes fizeram o mesmo e quando me dei conta estava asfixiada por aqueles braços fortes ao meu redor, só que era muito reconfortante. Eles eram meus amigos desde... Nem consigo definir uma data mais, é como se nos conhecêssemos durante toda a vida.
Por sorte os quarenta minutos passaram depressa. Subi ao palco para agradecer à banda e fazer o encerramento. Todos os convidados aplaudiram, principalmente quando a diretora da organização beneficiada com o dinheiro se emocionou. Leilões beneficentes sempre eram assim: uma mistura perfeita de bom jantar, música agradável, arte erudita e uma boa causa por trás que será agraciada com o dinheiro. Assim que pude me desvencilhar dos elogios e abraços ainda pesarosos pela minha recente (e mal resolvida) tragédia grega, voltei para dentro de casa. Como era bom poder tirar o salto e pisar no chão gelado.
Subi as escadas apressada e parei em frente ao quarto de Nicolas, abri a porta cuidadosamente e percebi que meu anjinho dormia lindamente. Entrei devagar me abaixando para dar um beijo de boa noite e por dentro culpei-me por não estar dando a atenção que ele merecia nos últimos dias. Sai de lá com o coração na mão e de repente fui obrigada a colocá-lo de volta em meu peito quando recordei de quem estava em minha cama só de cueca. Merda, se meu coração vai acelerar, que seja dentro de mim onde posso segurá-lo com amarras fortes antes que ele faça algo indevido como pular de mãos dadas com o coração de James para um precipício.
Entrei em meu quarto na ponta dos pés e meu ex marido permanecia desacordado sobre nossa cama. Troquei-me e coloquei uma camisola fresquinha, como fazia falta pegar uma camisa dele e dormir com aquilo! Peguei meu travesseiro no armário e coloquei ao lado de James com cuidado para que ele não acordasse, deitei devagar e puxei uma coberta sobre meu corpo. Sorri quando me dei conta de que ele estava dormindo do mesmo jeito que todos esses anos: com a barriga para baixo, as pernas desalinhadas e sem a coberta que coloquei.
— Calorento! – Falei baixinho em meio a um sorriso bobo enquanto passei as mãos pelos seus cabelos. Se eu não queria que ele acordasse, por que fiz isso? James mexeu-se desconfortável e imediatamente parei de tocá-lo. Confortei-me virando para o lado e dormi apreensiva sem saber se ao acordar o teria junto de mim.
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