All Over Again
55 Capítulo 55
Notas iniciais
1- http://fanfiction.com.br/historia/364196/Uma_Noite_De_Amor/
2- http://fanfiction.com.br/historia/364500/Still_Into_You/
Liguei o aparelho tomando cuidado e vigiando a porta a todo instante. "Por favor, meu Deus, me proteja" , eu pedia mentalmente torcendo para que Alejandro não me visse. Tremendo e com o coração acelerado, disquei os números de casa e a cada toque de discagem, mais rápido meus batimentos cardíacos pareciam ficar. Com os olhos fixos na entrada do cubículo onde estava sendo mantida, curvei-me como um feto tendo a certeza de que estava escondendo minhas orelhas o suficiente com o cabelo. O telefone discou mais algumas vezes até que do outro lado pude ouvir o único som que me tranquilizava:
AMOR, AMOR! GRAÇAS A DEUS! ONDE VOCÊ ESTÁ GISELLE? PELO AMOR DE DEUS!
Jay! — Eu sussurei tão baixo que tive medo que ele não escutasse
Eu estou aqui, meu amor. Me diz onde está e eu vou te buscar imediatamente!
Eu... Eu não sei. — Tentei aumentar minha voz para que as palavras fossem claras e falei pausadamente — O Alejandro me trouxe para um lugar que eu não conheço. Ele me prometeu que devolveria o Nicolas, mas... — Não consegui terminar, pois um mundo de lágrimas já me invadia. Coloquei a mão na boca tentando abafar os soluços para não chamar a atenção do meu sócio.
EU SABIA, EU SABIA QUE ERA CULPA DAQUELE FILHO DA PUTA! — Escutei o som de algo sendo derrubado e já pude presumir que James descontou a raiva em algum objeto — Eu vou tirar você dai.
O Nicolas está mesmo seguro?
Está, ele estava na escola. Oh meu amor, você devia ter me explicado o que estava havendo.
Eu te explico o que quiser, mas me tira daqui. Eu... Eu não vou aguentar mais se ele... — Mais uma vez senti lágrimas salgadas descerem pelo meu rosto ao recordar do que havia acontecido minutos atrás
O que houve? Giselle, O QUE HOUVE?
Eu estou trancafiada, Jay. — Omiti
Eu vou acabar com a vida daquele babaca. Meu amor, fica tranquila, tem uma equipe policial aqui e estávamos tentando rastrear seu celular desde que desapareceu. Os detetives estão rastreando nesse momento e nós chegaremos até você.
Promete!
Eu prometo.
Eu te amo, James, eu realmente te amo muito.
Shhh.. Não fala assim. Eu também amo você!
Desliguei a ligação e tratei de deixar o aparelho ligado para que Jay pudesse continuar fazendo o que quer que fosse para me encontrar. O escondi novamente embaixo do colchão e não demorou muito para que a porta fosse aberta. Alejandro apenas entrou sem dizer uma única palavra e esticou a mão diante de mim como se esperasse por alguma coisa. Meu coração gelou e engoli a seco temendo que ele tivesse escutado tudo.
Agora que já matou a saudade, me devolve o telefone. — Ele disse com tamanha rispidez que me fez estremecer
NÃO ADIANTA! Eles vão me encontrar, tenho certeza de que vão!
Ah pode apostar, querida, eu quero que eles encontrem. — Alejando puxou-me pelo braço fazendo com que eu ficasse de pé e o impulso foi tão grande que quase cai sobre seu corpo. Ele me balançou algumas vezes com violência deixando-me tonta e mais uma vez enjoada.
ME DIZ ONDE ESTÁ A PORRA DO CELULAR ANTES QUE EU REVIRE ISSO TUDO.
REVIRA! PROCURA! OU VOCÊ É HOMEM O BASTANTE PARA ME BATER MAS NÃO É INTELIGENTE PARA ACHAR UM CELULAR?
QUER APANHAR DE NOVO? — Sua mão apertou meu braço deixando-o dolorido e o encarei no fundo de seus olhos escurecidos pela raiva
BATE! — Ordenei, mas Alejandro apenas soltou-me e foi em direção a onde eu estava puxando as roupas e por fim o colchão fino e empoeirado. Ele o segurou e colocou dentro do bolso enquanto me olhava com um sorriso vitorioso e saiu sem dar uma palavra. Passei a temer quais planos poderiam estar se passando por aquela mente doentia. Qualquer pessoa normal fugiria, mas curiosamente ele não o fez.
JAMES POV:
Os policiais haviam localizado o celular de Gisele e todos em casa comemoravam pelo contato recém feito por ela. O detetive e seus subordinados pareciam montar um plano tático e eu permanecia andando de um lado para o outro, dessa vez desesperado por tê-la em meus braços mais uma vez. Por fim, o chefe da equipe veio até mim explicando que o local onde minha esposa estava era uma zona de risco ocupada por criminosos de alta periculosidade, uma espécie de guetto e que pela hora — onze da noite — seria adequado esperar pela manhã para irmos até a área. No entanto, ao que tudo indicava, existia a hipótese de que fosse descoberta a ligação e Giselle fosse transferida para outro cativeiro, então havia uma dúvida sobre irmos agora ou depois. Após muita discussão, foi decidido que a equipe policial se mobilizaria em frente à favela bloqueando as entradas e saídas ao menos durante a madrugada e que assim que o sol nascesse a invadiriam até encontrar a casa. Eles justificaram que haveria risco dos criminosos atirarem contra os policiais e criarem emboscadas durante a noite já que essa — sem dúvida — era uma presença que eles odiariam ter em um território dominado pelo tráfico. Foram permitidas as presenças apenas dos homens, evitando que minha mãe e minha sogra passassem mal ou se desesperassem. Como eramos civis e nossas vidas tinham que ser preservadas, nos foi instruído que permaneceríamos junto com as viaturas em uma das saídas e que quando a invasão de fato acontecesse, teríamos que nos abrigar em um lugar seguro.
As horas passaram diante de uma das entradas daquele guetto. Eu simplesmente não conseguia mais ficar sentado dentro de uma viatura acreditando que Giselle ficaria bem quando na verdade eu tinha certeza de que ela estava presa por aquele desgraçado. Sai do carro e comecei a caminhar em círculos enquanto sentia minha respiração ser expirada com mais força demonstrando minha inquietação. Os rapazes continuavam todos dentro do carro e alguns policiais continuavam debatendo juntos já que a tal casa tinha sido encontrada. Guiei meus olhos para cima olhando aquele complexo de residências e suas vielas tão estreitas, imaginando qual delas abrigava a minha pequena e meu coração se apertou apenas ao imaginar. Balancei minha cabeça de um lado para o outro negando a mim mesmo o quanto estava sendo covarde por estar aqui parado esperando quando minha própria mulher se arriscou sem temer ao suspeitar que nosso filho estivesse em perigo e isso só fez com que eu me sentisse pior do que antes. Sentei no paralelepípedo de uma das calçadas e continuei olhando fixamente para as luzes de algumas casas que permaneciam acesas mesmo na escuridão que nos cercava. Atravessei minha mão pelo cabelo incomodado com tudo aquilo até que percebi Andrew se aproximar de mim. Ele parecia preocupado e sentou-se ao meu lado, boa coisa não podia ser.
O que foi? — Indaguei pronto para notícias ruins
Eles acreditam que a imprensa pode aparecer a qualquer momento. Somos famosos, James. Você é um cantor internacional, a Giselle é uma das estilistas mais renomadas da atualidade! Eu mesmo não me surpreenderia se já estivessemos sendo fotografados agora.
Isso comprometeria toda a ação. — Conclui
Sim, comprometeria. Além, é claro, de transmitir ao vivo para o Alejandro cada passo da policia.
Ótimo, era só o que me faltava. — Respondi levantando violentamente
Calma, cara, são duas da manhã e eles já vão entrar. Você sabe que no máximo seis da manhã estarão tirando-a de lá.
NÃO É SIMPLES ASSIM, ANDREW! — Gritei — A minha mulher está nas mãos daquele puto há dias e ainda terei que vê-la fica uma média de mais quatro horas lá dentro? NÃO. — Chutei uma lata de refrigerante que estava no chão próxima a mim
E o que pretende fazer? Ir lá sozinho? — Ele ironizou
Se for preciso, sim.
Se você mover o pé daqui, eu vou atrás de você. — Observei Andrew se levantar
Sente-se! Você não vai a lugar nenhum.
E nem você. É sério James! Mais vidas não tem que ser colocadas em risco e se você fizer alguma menção de entrar, vou ter que avisar aos policiais.
Que grande amigo você está sendo!
Sim, eu estou sendo mesmo um bom amigo. Não vou te colocar em furada. Nem mesmo a equipe policial se atreveu a entrar nesse lugar de noite!
Justamente por serem policiais e estarem em um território criminoso, mas eu não sou policial e tenho certeza que os bandidos daqui pouco se importariam de eu dar uma surra naquele canalha.
Olha James, eu me importo com você, eu sou seu amigo. Me desculpe, mas eu não vou deixar que saia daqui.
Está bem. — Fingi ter me dado por vencido
Mesmo? — Ele ergueu uma das sobrancelhas parecendo desconfiado o suficiente
Mesmo. — Assenti usando anos longos de interpretação para convencê-lo e afastei-me indo em direção ao detetive. Andrew permaneceu me olhando com pesar e eu tentei ignorar o quanto ele ficaria desapontado comigo.
James! — Robinson, o detetive, chamou-me assim que me aproximei
Sim. Alguma novidade?
Acredito que seu amigo já tenha explicado.
Já sim. Sabem qual a casa que ela está?
Sabemos e, tenho que admitir, esse Alejandro parece conhecer bem o local. Criamos um mapa com o qual trabalharemos para encontrá-la.
Ótimo. Posso dar uma olhada?
Claro. — Ele disse abrindo um papel razoavelmente grande com pontos e linhas em vermelho — Está vendo? — Robinson perguntou — Seguiremos por esse trajeto.
Parece bom.
Sim, será. Você precisa confiar na nossa equipe James, somos treinados para realizar coisas do tipo.
Está certo. Hum, por acaso se incomodaria se eu fosse para casa? Acho que Nicolas precisa de mim.
Certeza? — Ele pareceu intrigado o bastante — Achei que gostaria de estar com a sua esposa.
Eu voltarei mais cedo quando estiver perto de invadirem.
Tudo bem, se prefere assim pedirei a um dos policiais que te leve.
Não, não precisa. Chamarei Roberto para me buscar, é a função dele.
Sendo assim, se me dá licença... — O detetive interrompeu a conversa indo falar com alguns outros policiais armados e com colete, acho que estavam se preparando para mais cedo.
Aproveitei do seu distanciamento para pegar o mapa e enrolá-lo em vários pedaços. Por sorte estava com um casaco de couro e o escondi embaixo do mesmo. Passei por Andrew notificando que iria para casa e recebi o apoio do meu amigo que prontamente se solicitou para levar-me, mas neguei. Eu jamais poderia explicá-los o porque de ir agora ou a minha necessidade em resgatá-la. Ninguém entenderia, talvez eu mesmo não entendesse, mas não podia mais permanecer estático. Ela era a minha rainha e como um bom "príncipe encantado" eu teria que salvá-la do vilão. Quer dizer, quem é Alejandro? Nada que eu não pudesse lidar.
Caminhei pelas ruas estreitas e escuras sempre olhando para trás para ter certeza de que os policiais não estavam me seguindo. Ao que parece eles ainda estavam reunidos confabulando a respeito de uma maneira de salvar minha mulher e essa era a deixa para que eu saísse sem perceberem. Continuei acompanhando o mapa e por algumas vezes acreditei estar perdido, até que encontrei o que parecia mais um galpão abandonado do que uma casa. Era exatamente onde o ponto vermelho estava riscado no papel e provavelmente onde minha esposa estava sendo mantida.
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