Notas iniciais
Minhas leitoras, estou muito obrigada à todas que recomendaram, demonstraram carinho e me defenderam (Diiii! rs). Essas certamente valem ouro e são o motivo pelo qual estou aqui, muito obrigada.

O dia seguinte, inevitavelmente, foi pior do que o anterior. Eu não havia conseguido pregar os olhos de noite ou me alimentar. Estava cansado, sob uma pressão absurda e quanto mais as horas passavam, mais desesperado ficava. Meus sogros haviam chegado e além deles, meus pais também apareceram. Os quatro se instalaram em quartos de hospedes e tentavam ser carinhosos com Nicolas, me dar apoio e estar presentes. No entanto, quanto mais movimentada a casa ficava, mais agoniado eu também estava. Entendo que a intenção de todos era estar ao meu lado em um momento como este, mas eu não estava pronto para lidar com tanta gente me sufocando sem perceber. A noite meus amigos também vieram trazer uma dose de leveza para meu lar. Ryan, Ethan e Andrew tentaram incessantemente me distrair e afastar meus pensamentos de toda a tragédia que acontecia, mas no fundo eu me sentia impotente por não poder ajudar a mulher que jurei prometer desde a primeira vez que a vi e nos conhecemos em situações no mínimo embriagantes. Nós jantamos, quer dizer, eles jantaram — eu não consegui comer nada, por mais que minha mãe sempre protetora insistisse — e depois todos se reuniram na sala. Ao que parece, seria difícil expulsá-los da minha casa e então decidi que eu mesmo me afastaria mesmo que por alguns minutos. Subi ao nosso quarto e de imediato fui remetido ao dia em que parti dessa casa. Em como seus olhos estavam entristecidos por me ver colocando peças e mais peças dentro da mala, na forma como joguei todo nosso relacionamento fora tão rapidamente acreditando ter uma boa causa quando na verdade daria tudo para não ter passado aquelas semanas longe da mulher que amo. Tê-la supostamente em perigo, estar afastado por mais de vinte quatro horas sem saber seu paradeiro e, principalmente, o medo de que talvez fique mais um tempo sem poder tocá-la ou beijá-la, isso tudo faz com que um enorme remorço pese em meus ombros por ter disperdiçado dias nos quais poderia tê-la feito minha, apenas minha. Andei para dentro do closet abrindo as portas que protegiam as inúmeras roupas de Giselle. Com cuidado, toquei cada uma delas sentindo seu cheiro exalar por todo o cômodo. Respirei fundo guardando dentro de mim as inúmeras vezes em que aquele aroma ficou fixo em minha pele após fazermos amor. Engoli devagar sentindo um maldito nó na garganta e meus pensamentos me levaram até seu rosto, à sua risada, à maneira como se pendurava em mim e como me beijava. Fechei os olhos deixando uma lágrima escorrer e fui acometido por outras que pareciam não ter fim. Sentei-me no chão próximo aos seus pares de sapato infinitos e deixei que aquele mar de lágrimas salgadas descessem pela minha pele em busca de quem as causou. Como eu gostaria de estar em seu lugar nesse momento, de estar segurando sua mão ou de ao menos ouvi-la me ofendendo como quando nos separamos só para ter certeza de que estava em segurança. Recostei a cabeça na parede atrás de mim batendo devagar duas vezes deixando minha raiva se tornar real até que Ethan entrou pelo cômodo.

- Hey Jay! Posso entrar?

Passei a mão pelo rosto rapidamente tratando de limpá-lo para não deixar evidente o que estava acontecendo, apesar de saber que o tom vermelho em minha pele denunciava.

- Ethan, por favor, outra hora tá?

- Não, irmão. — Ele se aproximou contra a minha vontade e sentou ao meu lado — Lugar feminino demais, não acha? — Vi meu amigo brincar enquanto percorria os olhos pelo closet

- Me lembra dela.

- Claro que lembra. Assim como fotos, como seu filho e tudo nessa casa. Não pensa que é um pouco mórbido estar aqui?

- Eu estou sentindo a falta da Giselle mais do que tudo nessa vida, Ethan. Eu sequer sei onde ela está, se está bem, se está em segurança e a porra daqueles policiais não conseguem rastrear o celular, ele foi desligado.

- E estar aqui adianta? Ela não está morta, James e ficar preso à coisas materiais dela não vai mudar a situação real.

- Eu só... Eu só...

- Eu sei, irmão, eu sei. — Ele deu um tapinha nas minhas costas e puxou-me para um abraço não muito longo. — Você sabe que nunca fui um amigo baba ovo ou que tem um poema pronto para dizer nesses momentos, não é? — Eu ri, era verdade — Sabe que eu sou sempre o das palhaçadas, o que brinca e que fala merda, mas quero que saiba que eu estou aqui, Jay. Todos nós estamos e não arredaremos o pé dessa casa enquanto a Giselle não voltar.

- E se ela não voltar?

- Você vai deixar isso acontecer? — Ele ergueu uma sobrancelha

- Não mesmo.

- Foi o que eu pensei. — Ethan dedicou a mim um sorriso verdadeiro e se levantou estendendo-me a mão — Agora levanta daí, mariquinha, nada de chorar. Estamos contigo e tem um pequeno cheio de sono lá embaixo chamando pelo pai!

- Hey, cara, obrigado. — Falei enquanto segurava a mão do meu companheiro de banda e me reerguia

- Você me paga umas cervejas em forma de agradecimento quando isso se resolver, tenha certeza. — Senti mais um tapinha em minhas costas e sorri. Ethan tinha razão, eu precisava me manter forte não apenas pelo meu filho, mas também pela minha esposa que estava necessitando de ajuda em algum lugar.

GISELLE POV:

O quarto permanecia iluminado apenas pela luz fraca. Alejandro apareceu poucas vezes apenas para trazer comida, me tornando ainda mais impaciente. Eu perguntava por Nicolas incessantemente e não encontrava respostas ou pistas de que ele estivesse por perto. Não o ouvia gritar ou chamar por mim e muito menos sabia se de fato estava na casa já que fui trazida para esse cômodo desacordada. Também não havia como ter noção de tempo, visto que nao existia qualquer janela ou lugar pelo qual pudesse ter acesso à claridade externa. Acredito que já tenha passado quase um dia que estou aqui — ou quem sabe mais — porque a comida já foi trazida duas vezes nas últimas horas, o que eu considero como supostos almoço e janta. Isso significaria que está de noite? Não tenho a menor ideia. Deitei no colchão mais uma vez tentando dormir, mas por mais que tentasse parecia em vão. Meu corpo denunciava o cansaço, todavia, minha mente estava ligada em pensamentos que pareciam não ter fim. Pouco a pouco fui me desligando de tudo e vencida por alguma parte do meu cérebro, apaguei em um sono leve e temeroso. Não tenho certeza de quanto tempo se passou, mas pelos meus olhos estarem ressecados acredito que não dormi muito. Meu sono foi interrompido pelo estrondo da porta se abrindo mais uma vez, era Alejandro.