Notas iniciais
Capítulo ligeiramente grande em relação aos anteriores e que certamente vai chocar a maioria de vocês. Estamos na reta final, meninas, acho que faltam pelo menos uns três capítulos ou no máximo quatro. Como estão se sentindo com o fim chegando?

Imediatamente cheguei meu corpo para trás ficando acoada. Alejandro olhou-me friamente e eu reparei que não havia nenhum prato de comida em suas mãos. Ele trancou a porta atrás de si e logo virou-se novamente ficando parado diante de mim sempre mantendo o ar de superioridade. Respirei fundo sentindo meu coração já acelerar e encarei o chão temendo o que poderia acontecer. Foi então que observei seus pés de aproximarem mais de mim e isso me fez gelar. Alejandro abaixou-se e segurou em meus cabelos puxando-os com força, o que me fez soltar um pequeno grito e desviar minha atenção para seu rosto.

- Não me segure assim. — Pedi

- Você não está em condições de pedir muita coisa.

- Mas eu vou pedir mesmo assim. Me devolva o meu filho, Alejandro.

- Não antes de você devolver o que me deve.

- Do que está falando? — Indaguei

- Estou falando, Giselle, da única coisa que seu marido tem e que eu ainda não tenho. — Seus dedos grossos e asperos percorriam meu rosto e com brutalidade seu polegar roçou em meus lábios

- O que, por exemplo? Meu amor?

- Não. Seu corpo.

- Desista! — Movimentei meus braços na esperança de me libertar de seu braço esquerdo que envolvia meu corpo com facilidade

- Acha mesmo que te pedi para usar isso a toa? — Sua mão que antes estava em meu queixo desceu para minha coxa e com pesar o senti alisá-la tocando o tecido da camisola branca

- E você, hum? Acha que estou aqui por isso? EU QUERO O MEU FILHO! — Gritei

- E você o terá... — ele fez uma pausa — Assim que eu tiver você.

- VOCÊ É DOENTE! — Gritei as palavras em seu rosto

- Posso até ser, mas você tem que convir que a vida de alguém que ama muito está em minhas mãos e seria triste o bastante se eu ficasse insatisfeito.

- Alejandro. Eu. Não. Vou. Transar. Contigo. — Murmurei pausadamente olhando em seus olhos quase como uma súplica

- Está bem! — Ele levantou as mãos — Como quiser!

O vi se erguer e levar as mãos para o cós da calça na parte de trás. Antes que pudesse me esquivar percebi que portava uma arma. Alejandro não a apontou para mim, muito pelo contrário, ele sorriu gloriosamente e caminhou até a porta.

- Espera, espera! Onde vai? — Levantei em desespero

- Isso realmente importa? — Me calei — Você sabe onde eu vou.

- NÃO, NÃO ALEJANDRO! PELO AMOR DE DEUS, NÃO. — Me atirei em seus braços na intenção de segurá-lo, mas é claro que eu era fraca

- Então faz o que eu estou pedindo.

Fechei meus olhos pensando por dois segundos. Eu não queria e principalmente, não podia, mas a vida de Nicolas estava em jogo. Deixei meus braços cairem ao lado do meu corpo e com lágrimas nos olhos, respondi:

- Está bem.

- O que disse? Fale mais alto!

- Eu faço o que quiser, mas deixe eu ver o meu filho depois. — Falei já deixando uma lágrima maldita destacar a fraqueza que existia em mim

- Que bom. — Ele disse retirando uma jaqueta, mas mantendo seu jeans e uma camisa polo que usava embaixo. O observei colocar a arma em cima da pequena privada que havia no quarto. — Se ofereça para mim.

- O QUE?

- As peças. Retire-as. — Alejandro ordenou apontando para o meu corpo. Vagarosamente e enojada pela minha própria atitude, subi a maldita camisola branca até que apenas a lingerie permanecesse sobre minha pele. Sem olhá-lo, engoli a saliva tentando conter o choro e deixei o tecido cair no chão.

- Pronto, está feito.

- Não, não está!

Meu sócio avançou contra mim jogando-me na parede fazendo com que as minhas costas batessem na mesma, o que me causou dor. Com uma das mãos ele prendeu meu pescoço garantindo que eu não escaparia e com a outra subiu pela parte interna da minha coxa. Eu podia sentir seus dedos tocarem cada célula do meu corpo e a expressão de nojo era tão nítida em minha face quanto o desejo era explícito na dele. Alejandro levou seus lábios à minha clavícula e subiu por onde antes sua mão segurava dando fortes mordidas na altura da minha garganta.

- Para...

Pedi e ele mordeu mais uma vez e mais forte. Nunca fui contra mordidas, mas eram diferentes quando era meu James, quando era apenas para me arrepiar, quando estar com alguém era sinônimo de carinho e não estando coagida. Aquele homem me mordia com voracidade, com força e o fato de eu estar com vontade de fugir daquilo tudo só tornava a situação pior. Seus lábios foram subindo até encontrar os meus. Rudes, invasivos, exploradores. Seus dentes seguiam a trilha de canibalismo até a minha boca e a sensibilidade sobre meus lábios já gritava pedindo para que aquela tortura parasse. Suas mãos — tão inquietas — dessa vez tocaram meu sutiã abrindo o fecho que impedia um maior contato. Ele os apertou mais uma vez sem impedir sua própria força e eu me sentia cada vez mais suja. Mentalmente, eu implorava para que sua boca não encontrasse meus mamilos — ou meu sexo — e que também não me obrigasse a chupá-lo. Já era frustrante o bastante ter que ceder meu corpo à alguém que quer fazer mal à minha família, pior seria se as coisas ganhassem maior intensidade. Encostei minha cabeça na parede e fechei meus olhos. Eu definitivamente não precisaria estar naquele lugar, pelo menos não em minha cabeça. Tentei focar no rosto do meu marido — o que só fazia com que eu me sentisse mais vulgar — e logo em seguida lembrei-me de Nicolas, do seu sorriso, de como precisava protegê-lo e amá-lo. Em meio aos meus pensamentos pude sentir as mãos de Alejandro descerem mais, ele parecia ter pressa, mas decidi que me absteria de toda a situação. Pude sentir quando minha calcinha foi retirada e mais do que isso, quando agressivamente ele puxou minhas pernas.

- Olhe para mim! — Ele ordenou, mas eu era incapaz de olhar — OLHE PARA MIM, PORRA!

Abri meus olhos e de imediato voltei a olhar para a arma ali tão próxima e ao mesmo tempo tão longe. Alejandro percebeu meu objeto de visão e sorriu mais uma vez.

- Desista, você não vai pegá-la. — Seu sorriso ganhou tons mais maliciosos e com urgência e impunidade fui invadida por seu membro que até então não havia sequer percebido que estava exposto. Seus movimentos eram brutos e a cada investida eu chorava mais. Eu não ia pedir para parar, eu sabia que não poderia impedi-lo e ao mesmo tempo me sentia imunda por estar fazendo sexo de maneira consensual com um monstro. Eu amava James, eu era dele e para sempre seria, mas não poderia colocar nada acima da vida do meu filho, absolutamente nada. Apoiei meu rosto em seu ombro deixando que o desgosto que sentia de mim mesma me invadisse sem que ele pudesse notar. Em minhas feições eram nítidas o pedido de socorro, de ajuda e a dor tanto moral quanto física que eu sentia. Não havia carinho, não havia amor, era um estupro consentido tanto do meu corpo quanto dos meus sentimentos. Alejandro parecia ser bruto para me causar dor e quanto mais eu demonstrava sofrer, mais ele parecia satisfeito. Ainda assim, não pude impedir que as lágrimas caissem a cada vez que me dava conta de que o sentia dentro de mim, quando o sentia escorregar tão livremente dentro do meu corpo sem poder puni-lo ou afastá-lo. Ele puxou minhas pernas envolvendo em seu quadril e eu tive vontade de empurrá-lo, mas ao contrário disso me mantive firme pelo meu filho. Eu podia vê-lo se encher de prazer enquanto em mim havia apenas a vontade de sumir, de fugir dali. Como poderia encarar James depois disso tudo? Como confessar o que fiz? Aos poucos os movimentos se tornaram mais fortes — se é que seria possível, eu definitivamente já estava dolorida o bastante — até que por fim pararam. Senti um enorme alivio quando ele retirou seu pênis de dentro de mim e, estranhamente, ejaculou fora do meu corpo.

Alejandro afastou-se de mim se recompondo e deixou-me nua, acoada e nervosa encostada na parede fria. Ele puxou sua calça — que me dei conta nesse instante que estava na altura dos joelhos — e riu enquanto movimentava os ombros em sinal de desdém.

- O que foi? Pensou que eu gozaria dentro de você? Não sou burro para que tenha meu dna, vadia. — Ele pegou a arma recolocando-a no lugar de origem enquanto parecia tranquilo mesmo depois de ter me forçado a transar com ele

- Isso não me importa. Traga o Nicolas agora!

- Não.

- O QUE? — A expressão em meu rosto se transformou

- Não tem como, piranha, sinto muito! — Ele gargalhava debochando de mim — O seu filho não está comigo. Sabe, é tão curioso como uma mãe faz tudo pelos seus pirralhos. E você então... Nossa, você foi fácil demais. Tudo que tive que fazer foi parar o carro próximo ao ateliê, te observar por um binóculos, assustar-te por telefone e pronto! Todos os seguranças se mobilizaram, o marido viadinho apareceu e você acreditou que eu estava lá dentro! — Ele gargalhou mais uma vez — Babaca! E então eu só tive que fingir que era seu segurança, ligar para a sua empregada tosca que acreditou, te fez acreditar também e você veio correndo para a toca do lobo enquanto o pequeno Walker estava tomando um chá de cadeira na escola.

- O QUE VOCÊ ESTÁ DIZENDO? O NICOLAS ESTÁ BEM? — Um misto de alegria e raiva me invadiu, mas admito que o segundo sentimento era mais forte.

- É tão difícil assim de entender ou eu preciso desenhar com meu gozo na tua cara?

- FILHO DA PUTA! — Voei em cima dele distribuindo tapas em seu peitoral enquanto ele dava gargalhadas altas se divertindo com essa situação

- Terminou o show? — Alejandro ergueu uma sobrancelha e desceu o olhar para meu corpo fazendo com que eu me desse conta de que ainda estava nua

- NÃO! Falta isso! — Inclinei-me suavemente para frente deixando meu rosto próximo do seu e cuspi no mesmo deixando escapar pelos meus lábios toda a sujeira que estava sentindo em meu corpo por ter pertencido a ele. Alejandro segurou meu braço com força encarando-me e apertando ainda mais enquanto com a outra mão limpava sua pele. Mantive meus olhos nos dele pronta para enfrentar se fosse preciso e ordenei: — Me deixa ir embora imeditamente, você me enganou!

- SE VOCÊ ME DESRESPEITAR MAIS UMA VEZ, EU TE MATO FILHA DA PUTA. — Antes que pudesse impedir, sua mão fechada encontrou a maçã do meu rosto arrancando-me um gemido de dor. Alejandro soltou-me dando impulso para que eu cambaleasse para trás e fechou a porta. Humilhada, encolhi-me sentada no colchão ainda enojada por tudo que aconteceu. Esfreguei as mãos em minha pele como se estivesse limpando e repeti até que ficasse vermelha. Talvez eu nunca pudesse apagar de mim essa marca, talvez não pudesse me perdoar depois de tudo, mas seria tarde demais para isso. Ao menos Nicolas estava em segurança e isso bastava! Desesperada e em prantos, peguei minha roupa — não a maldita camisola! — e coloquei. Procurei pelo celular escondido e o segurei, eu sairia daqui de um jeito ou de outro.