All Over Again
48 Capítulo 48
Notas iniciais
Acordei cerca de minutos depois com vários pares de olhos em volta de mim, dentre eles os do meu marido que parecia extremamente nervoso.
– Giselle! Ah meu Deus, finalmente. Eu fiquei tão preocupado! — Ele vinha abraçar-me em um misto de desespero e cautela, suas mãos acalentavam meus braços, subiam pelo meu rosto, tocavam meu cabelo. Era como se ele precisasse sentir — sim, em tato — que eu estava bem
– Onde ele está? Onde ele está? — Eu repetia frenéticamente ainda buscando com o olhar onde Alejandro poderia estar
– Amor, se acalme. Olhamos por todo o redor e não havia sinal algum dele aqui.
– Nem mesmo nos outros andares?
– Não senhora, não há nada. — Mike respondeu
– Então como? Como ele sabia da minha roupa? Como sabia que eu estava olhando ao redor em sua busca?
– Verificamos as câmeras de segurança e havia um carro a poucos metros estacionado. Ainda não conseguimos aproximar as imagens, mas pode ser uma hipótese. — Dessa vez Petterson quem me informou. Em que momento mesmo ele chegou aqui?
– Mas e a distância estipulada?
– Vida, você sabe que ainda não conseguimos entrar com o pedido. Talvez esse ato de hoje possa agravar a situação dele e as coisas sejam feitas mais depressa.
– Jay — respirei fundo tentando explicá-lo do quanto isso me aterrorizava — ele está nos seguindo.
– Não amor, ele apenas está numa espécie de surto no qual acredita ser um Deus que tem o poder de decidir nossas vidas, mas nós não somos fantoches dele, ele não decide nossos destinos.
Eu o observei sentar na cadeira ao meu lado e logo senti seu braço ao meu redor envolvendo-me com ternura. Apoiei a cabeça em seu ombro e ele ficou a acariciar meus cabelos. Aquilo era bom, era reconfortante, mas ainda não era o suficiente.
– Vem, vamos para casa. — James sugeriu sendo encarado por um olhar assustado meu — Não se preocupe, os seguranças irão conosco
– E se ele estiver lá?
– Daremos uma surra nele! — Um olhar brincalhão iluminou o rosto do meu marido e só assim o ar pesado da sala se dissipou. Katherine veio, agilmente, com meus pertences e me levantei sendo amparada pelos braços musculosos do homem que jurei amar por toda a vida. Fomos até o meu carro e ele sugeriu dirigir, deixando-me no banco do carona. Os seguranças iriam no carro de James — até porque quem iria levá-lo de volta? — e fariam nossa retaguarda até chegarmos em casa.
– Pequena! — Ele me chamou enquanto sua mão firme trocava as marchas
– Sim...
– Estive falando com o nosso agente mais cedo e ele sugeriu que fizessemos uma participação em um talk show.
– Mesmo? Jay, não acredito que seja o momento adequado.
– É, eu concordo contigo, mas partindo do ponto de vista dele seria ótimo para não apenas esclarecer nosso divórcio e não divórcio, mas também para deixar todos a par do que tem acontecido e também trazer as atenções da mídia para nós dois. Você sabe, com papparazzis em cima e fotografando tudo, a chance dele se expôr é menor.
– Realmente, eu não havia pensado nisso. Poderia ser! Para quando ele prevê que seja essa aparição?
– Sábado à noite no talk show da Ellen Degeneres.
– Tão perto assim?
– Amor, quanto antes melhor.
– Certo, confirme com ele.
– Obrigada, rainha. — Ele disse tocando minha coxa rapidamente antes de voltar a atenção para a estrada
Em cerca de trinta minutos chegamos à nossa casa. Meu carro passou tranquilamente pelos portões, mas pude observar pelo retrovisor que até mesmo o carro de James — que estava repleto de seguranças — foi revistado meticulosamente antes de adentrar a residência. Jay estacionou em uma das vagas e desci pronta para entrar em casa e estar em paz. Deixei minha bolsa em cima de uma bancada pouco me importando com a bagunça e tirei os saltos que apesar de confortáveis me deixavam exausta.
– Vou subir para trocar essa roupa e já comemos alguma coisa, tá meu amor?
– Uhum, tudo bem. Vou ficar aqui embaixo!
– Está tudo bem? Está se sentindo bem?
– Eu estou, de verdade. — Respondi não tão certa da minha afirmação
– Eu te amo! — Jay disse jogando um beijo no ar e subindo as escadas que davam acesso ao segundo andar. Ainda tentando compreender tudo que houve, caminhei pela casa sentindo o chão gelado acalmar a base do meu corpo e logo Julieta veio ver-me.
– Senhora, eu soube do que houve. Está tudo bem? — Ela estava tão próxima que eu sentia que havia a demanda de um contato físico naquele momento. Dei alguns passos a frente abraçando-a com ternura como uma filha à uma mãe, com o mesmo respeito e entrega.
– Está tudo mais tranquilo, Julieta. Pelo menos por enquanto! Não sabe como me incomoda saber que aquele homem está nos olhando, tomando conta das nossas vidas. O que mais quero é que esse processo corra depressa. — Respondi soltando-a logo após.
– Se Deus quiser tudo ficará bem. Ele está protegendo essa família! — Minha governanta proferiu e se benzeu como se estivesse abençoando as próprias palavras
– Espero que sim, de verdade. — Suspirei — Onde está meu baixinho?
– O Nicolas? Como assim? Um dos seguranças ligou dizendo que estava o pegando e que o traria com a senhora.
– Não Julieta! Nenhum segurança ligou pra lugar nenhum e muito menos tem ordem de tirar o Nicolas da escola.
– Como não, senhora? Ele falou comigo e... Ai meu Deus!
Congelei com a expressão de pânico no rosto daquela mulher. Meu coração tomou um ritmo descompassado esperando pelo pior e lágrimas de preocupação já brotavam em meu rosto. Fiquei dividida entre correr para James ou sair o mais rápido que podia, mas meu instinto materno me levou até o elevador. Apertei diversas vezes os botões em vão e acometida pela pressa fui pelas escadas de emergência. No meio do caminho, no entanto, meu celular tocou mais uma vez e com a voz falhada pela respiração acelerada atendi.
– O que quer? — Eu sabia quem era, é claro que eu sabia
– Seus seguranças atrapalharam minha visita mais cedo, estava sendo tão lindo te olhar de longe.
– Babaca! Onde está o Nicolas? — Encostei-me na parede tomando folego
– Onde está o pirralho? Ele está bem. Devo admitir que aparecer por lá mesmo que rapidamente e mobilizar 90% dos teus seguranças em um único lugar foi brilhante, o pestinha ficou exposto.
– Ale, Ale pelo amor que tem à mim... Libera o meu filho. — Eu já sentia lágrimas escorrerem pelo meu rosto
– Vem buscá-lo.
– Eu vou, vou onde você quiser.
– Muito bom Giselle, porque é exatamente isso que eu quero, que faça o que eu mandar.
Fale com o autor