All Over Again
40 Capítulo 40
Fui atrás de Giselle que estava encostada na parede do lado de fora do quarto extremamente descontrolada. Suas mãos tremiam, ela não parava de soluçar e o rosto até então esbranquiçado havia ganhado tons de vermelho. Eu não sabia o que fazer ou por qual razão ela estava daquela forma, tudo que meu coração pedia era para abraçá-la e foi o que fiz. Puxei-a com carinho trazendo seu corpo junto ao meu e em retribuição ela apoiou a cabeça em meu ombro chorando cada vez mais. Deslizei minha mão direita pelos seus cabelos acariciando enquanto mantinha o outro braço ao seu redor protegendo-a e ela apenas permanecia sem dizer nenhuma palavra. Aos poucos fui sentindo a manga da minha camisa molhar e, por Deus, como eu estava conseguindo ver a mulher que amo chorar daquele jeito absurdo sem poder sequer saber a razão? Apesar do desespero que me acometia, tentei respeitar seu momento e permiti que silêncio entre nós fosse terapêutico até que ela se sentisse pronta para começar.
– Eu sinto muito, eu... eu...
– Shhh... — Pedi colocando o indicador em seus lábios e contornando-os com cuidado — Está tudo bem, eu estou aqui. — Disse dando-lhe um pequeno beijo que molhou minha boca devido as lágrimas que ainda insistiam em cair
– Não, não está tudo bem!
– Amor, calma, vem aqui. — Eu disse a puxando para dentro do quarto e fechando a porta em seguida. O que quer que tivessemos que conversar tinha que ser feito entre quatro paredes e não correndo o risco de Nicolas ouvir. Giselle veio comigo e sentou-se sobre nossa cama ainda com os olhos arregalados e fixos na mala. — Olha, se for por causa dessa brincadeira de mau gosto, podemos processar o hotel.
Ela continuava em silêncio.
– Amor? — Chamei — Gi, olha para mim.
Seus olhos se ergueram com cautela em direção aos meus e expressavam um pedido de desculpas por uma razão até então desconhecida.
– Quer que eu chame o Roberto? Ele deve ter feito alguma reclamação na gerência do hotel quando viu do que se tratava. Quer saber, vou chamá-lo!
– Não precisa. — Ela murmurou
– Como não? Espere aqui! — Insisti e disquei o ramal no quarto para a dependência de empregados. Não demorou sequer alguns minutos para que nosso fiel motorista batesse na porta e até esse momento Giselle ainda parecia em choque
– Senhor! — Ele se anunciou e ao seu lado estava Petterson, nosso chefe de segurança.
– Olá, Roberto e... Petterson? Entrem, por favor. — Pedi e eles deram um passo a frente adentrando no cômodo. — Algum de vocês pode me explicar o que houve aqui?
– Eu estava esperando que seus convidados fossem embora para conversar com o senhor, não queria estragar o almoço familiar. — Roberto começou — Quando cheguei ao hotel para buscar suas bagagens, a recepcionista informou que alguém da equipe dos Walker já tinha ido buscar. Achei estranho porque o senhor mesmo tinha me pedido para fazê-lo e assim que subi me deparei com a mala nesse estado. Então liguei para o Petterson, porque provavelmente se tratava de algo com o qual eu não poderia lidar.
– Ótima escolha. O que houve desde então, Anthony*?
– Pedi que fosse notificado a gerência, senhor Walker, mas eles afirmam que se alguém tocou em tudo foi um suposto empregado da casa e não alguém das dependências do hotel. Eu disse que havia uma falha na segurança, que o erro era deles, mas ainda assim insisti em não abrir a mala para que não dissessem que eu tinha alterado as condições fisicas do objeto.
– Foi bom ter feito isso. De fato alguém invadiu o quarto antes, então?
– Não se trata de uma invasão, foi concedida a permissão e isso pode render um processo grandioso. — Ele complementou — Aliás, pedi para ter acesso às fitas de segurança e eles me garantiram que até o final do dia entregarão tudo, assim poderemos saber quem de fato fez isso com os seus pertences. Pode ser desde um fã enfurecido à alguém da midia, mas o que importa é que encontraremos e podemos indiciá-lo pelos danos.
– Isso já foi notificado à policia? — Perguntei andando pelo quarto devidamente incomodado não apenas com a situação, mas também com Giselle que permanecia estática como se fizesse parte dos móveis.
– Não senhor, estamos esperando pelas gravações dos corredores e hall.
– Não façam isso. — Giselle se pronunciou
– O que? Como não? — Perguntei em um tom levemente grosseiro do qual me arrependi e ela se encolheu mais ainda na cama
– Porque vai ser pior, talvez tenha sido apenas uma brincadeira.
– Senhora, houve uma invasão. — Petterson argumentou
– Foi apenas um maldito boné! — Giselle disse se levantando e mudando bruscamente como agia, ela caminhou até a mala e chutou-a fingindo indiferença — Não é nada importante!
– Não é nada importante? E esse bilhete? Que jogo é esse?
– PAREM, PORRA! — Ela gritou fazendo com que meus olhos se arregalassem devido à mais uma mudança de temperamento — Parem de procurar saber, vai ser pior.
– Pior por que? Hun? O que pode acontecer, Giselle?
Logo ela começou a chorar novamente da mesma maneira que há alguns minutos atras e abaixou-se em direção à bagagem revirando-a como se procurasse por algo. Nervoso, segurei-a pelos braços por trás afastando-a da mala o que fez com que caíssemos no chão. Ela virou-se para mim cheia de ódio, mas ao contrário disso me abraçou tremendo ainda mais e apertando-me como se fosse me perder. Nossos empregados nos olhavam encabulados, acredito eu que doidos de vontade de fugirem daquela cena tão pessoal. Percebendo isso, decidi tomar uma atitude.
– Roberto, Anthony, por favor nos deixem a sós.
– Não, espera. — Minha esposa disse enquanto levantava a cabeça para encará-los e enxugava o rosto com as costas das mãos — Fiquem, por favor.
– Mas amor... — Insisti
– Deixe o Petterson ficar, ele precisa nos proteger.
– Do que você está falando? — Meu coração acelerou com a hipótese da minha familia estar em perigo
– Eu sei quem fez isso, sei quem está jogando com as nossas vidas.
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