Notas iniciais
É meninas, estamos caminhando para a reta final. Acho que ainda teremos uma média de dez capítulos ou menos :/

Voltamos para casa agarrados um ao outro e admito que até mesmo para passar pela porta foi complicado. Não queríamos nos desgrudar em momento algum apesar de o contato físico nos deixar ainda mais grudentos de chocolate. James abraçou-me com carinho assim que chegamos na nossa sala e aproveitei para envolver meus braços em seu pescoço. Ele sorriu e beijou-me com carinho chupando meus lábios com tamanha lentidão que me fez permanecer no céu por alguns segundos. Eu, por outro lado, acariciei sua nuca deixando-o arrepiado. Não demorou para que nos separassemos em busca de ar apesar do romantismo do contato anterior e Jay permaneceu olhando em meus olhos.

— O que foi, sujinho? – Eu perguntei fazendo-o rir

— Sabia que você fica incrívelmente linda desse jeito? Ainda estou abismado como chocolate fica bem em ti.

Bati de leve em seu braço com o deboche e meu marido apertou-me ainda mais contra o seu corpo. Relutei um pouco empurrando-o de brincadeira, o que fez com que eu ganhasse algumas mordidas pelo ombro e bochechas.

— Sai, sai! – Eu dizia entre risos – Vai tomar banho e coloque essas roupas para lavar a parte, não quero sujando todo o resto do cesto.

— Vem tomar banho comigo, prometo que lavo seus cabelos com cuidado. – Ele sussurrou em meu ouvido já me envolvendo em uma futura cena sexual

— Não, tarado. Toma banho, fica bem cheiroso e trate de ir ao hotel pegar o resto das suas coisas. Aliás, de onde saiu essa roupa? – Perguntei apontando para as roupas que supostamente não estavam no nosso armário desde a separação

— Mala da Espanha.

— Ainda no carro, James Walker?

— AMOOOR, amor, amor! O que eu posso fazer? Eu sequer desfiz as malas de quando sai de casa.

— JAMES!

— Deu preguiça, pequena. – Ele fazia dengo enquanto cheirava meu pescoço e distribuia beijinhos – Além do mais, quem me garantia que eu ia ficar a vida toda no hotel? Dito e feito, minha rainha voltou para mim.

— Você é desorganizado, sabia? Aposto que está tudo amassado e que ainda tem algumas peças sujas jogadas pelo bagageiro do carro.

James apenas rolou os olhos provavelmente me recriminando em pensamentos por criticar seu senso de ordem e organização.

— É sério. Quero que fique limpo e se livre desse chocolate todo. Depois, pelo amor de Deus, vá logo ao hotel e encerre sua conta, traga suas coisas e preencha o vazio de novo.

— Do armário apenas?

— Não, de mim.

— Achei que tinha preenchido todo e qualquer espaço teu mais cedo.

— Porra amor, deixa de ser safado! Parece um adolescente com os hormônios à mil. – Eu disse já distribuindo alguns tapas em seu peitoral enquanto ele ria se afastando – Vem aqui, vou te fazer repetir o que disse.

— Eu? Não, vem atrás de mim se é mulher o bastante! – James gritou já do alto da escada instigando uma espécie de pique pega que eu já sabia muito bem que terminaria na cama

— Pois sim! Vai tomar banho, porquinho, tenho que decidir o almoço com a Julieta.

— Mas rainha do meu lar, o que será do meu banho sem ti? – O bico em seus lábios denunciava chantagem e das boas

— O mesmo que eram teus banhos no hotel.

Tão baixo e quase sem som, pausadamente meu marido disse para que eu lesse seus lábios: “E como acha que eram?” logo em seguida movimentando a mão direita proxima a seu pênis simulando o ritmo de masturbação que eu mesma dediquei a ele algumas vezes. Rolei os olhos me segurando para não rir e apenas ergui o dedo do meio tentando que a gargalhada não escapasse pelos meus lábios. Em meio aos risos, meu marido seguiu para o nosso quarto e pude, enfim, ir até a cozinha ainda com um sorriso estampado no rosto. Julieta estava próxima ao fogão preparando o feijão e aquele cheiro maravilhoso de comida de mãe invadiu meu olfato.

— Hmmm, que delicia. Feijão preto?

— Acertou. – Ela disse correspondendo ao meu sorriso. – Quer um pouco?

— Não, na verdade comi chocolate o bastante, esperarei pelo almoço.

— Só a senhora que comeu ou seu cabelo também?

Levei as mãos ao meu cabelo lembrando de James sujando-o e não pude evitar uma gargalhada. Minhas bochechas coraram – sabe-se lá Deus porque, nem tinhamos transado para que eu ficassem sem graça – e tentei me redimir.

— Prometo que não terá que lavar essas roupas.

— Não se preocupe, senhora, não sou eu quem as lava.

— Não?

— Não sabe mesmo do funcionamento da casa, não é? – Ela riu

— Nem um pouquinho. – Falei me apoiando na bancada – O que vamos almoçar hoje?

— Pensei em fazer um prato tipico. Feijoada!

— Sérioooo? Tenho tido tanta vontade de ir ao país dos meus pais e de repente você vem com essa comida. Pode ser sinal, heim. — Ela riu. — E sobremesa?

— Precisa de doce pra esse coração todo adocicado já? – A vi brincar sendo que, é claro, a sobremesa já estava mais do que pronta.

— Ai Julieta, estou tão apaixonada!

— É muito bom ver o senhor James de volta, seu sorriso hoje de manhã denunciava.

— Eu sei! Tenho que ligar para minha mãe, ela ficará tão feliz com a notícia. – Disse já descendo e tratando de sair da cozinha, mas fui impedida por Julieta

— Senhora?

— Sim.

— Alguém ligou para cá diversas vezes, mas não falou nada ao telefone.

— Como assim?

— Dava para ouvir a respiração, só que ninguém falava nada. Eu atendi, pedi até mesmo que o Roberto atendesse e nada.

— Estranho. A bina identificou o número?

— Não senhora, restrito. Parecia até que estava esperando alguém atender.

— Pode ter sido engano.

— Não mesmo, foram diversas vezes.

— Vamos esperar que o fantasma ligue de novo. – Brinquei e vi Julieta passar as mãos pelos próprios braços como se estivesse protegendo a si mesma – Não está assustada com um trote, né? – Ela se manteve calada – Bem, vou subir, está bem?

Ela assentiu e subi as escadas em direção ao quarto. O chuveiro do banheiro estava ligado, mas eu não iria mais uma vez cair na tentação de ter o banho compartilhado. Sentei na cama esperando a oportunidade de poder limpar todo o doce que impregnava meu corpo e ouvi o celular tocando. Deveria ser Ryan ou algum dos meninos, eu estava realmente com saudade deles. Olhei o visor e não identifiquei o número, concluindo que aquele poderia ser o celular de Trisha, a esposa de Ethan.

— OOOOOOOOI! – Atendi gritando de felicidade

— Que recepção maravilhosa, Giselle.

— Alejandro?

— Você custa a atender o telefone da sua casa, heim, aquela velha é muito insistente em perguntar quem é. Aliás, como foi o passeio mais cedo?

— O que... – minha voz falhou- O que você quer?

— Achou mesmo que eu apenas te expulsaria do meu carro ontem a noite e deixaria que vivesse um conto de fadas com seu marido?