All Over Again
34 Capítulo 34
Olhei para minhas próprias roupas e ri, eu não estava nem um pouco adequada para o local, no entanto a única peça que parecia cair perfeitamente em meu corpo estava ali de braços cruzados olhando a forma como meus olhos se enchiam de lagrimas emocionada.
— O que foi? – Eu perguntei com as bochechas coradas — Você fica extremamente linda quando está feliz. Fiquei ainda mais vermelha. Como ele tinha o dom de me deixar boba e derretida assim? Caminhei mais para perto entrando na enorme tenda branca e por um instante tive pena de pisar naquele tecido tão limpinho. Fui andando com cuidado e aos poucos sentei-me entre as almofadas lilases que estavam espalhadas. Não demorou muito para sentir os braços de James me envolverem a cintura abraçando-me enquanto ele sentava atrás de mim. Eu estava entre suas pernas e deixei minhas costas se reclinarem sobre peitoral encostando-me. Era tão bom estar nos braços do homem que amo, sentir seu cheiro, seu nariz roçando em meus cabelos e, mais do que isso, eu estava me sentindo segura, como se mal nenhum pudesse nos atingir de novo. Seus lábios procuraram pelo meu pescoço beijando suavemente minha pele e isso me fez arrepiar. Procurei por suas mãos segurando-as com carinho e entrelaçando nossos dedos, fazendo sempre questão de respirar fundo. — Como sabia que eu estaria aqui hoje? Como sabia que ficaria tudo bem? — Eu não sabia. — Não? – Me surpreendi — Não. Acreditei até que nos entenderiamos ontem, mas que não voltaríamos e quando te vi correndo para os braços daquele mal caráter... – Fiz uma expressão feia e ele interrompeu a própria frase – Mal caráter sim, Gi, aquele homem tem alguma coisa errada. — Coisa errada James? Não estamos em um filme no qual existe um vilão. Quem errou fui eu acreditando que poderia brincar com os sentimentos de alguém e substituir você. — Nós dois não somos substituiveis e você sabe disso. — Sim, eu sei. — Pois então, quando vi que estava com ele, a única coisa em que pensei é que teria que esperar que chegasse para perguntar olhando em seus olhos se aquilo era verdade, se o amava. No entanto, as coisas perderam o controle e creio que isso foi até bom. — Mas se não sabia que estaríamos juntos hoje, como...? Ele sorriu vitorioso. — Você acordou cedinho e desceu. Quando acordei, aproveitei que estava sozinho, liguei para Ryan e perguntei se ele me podia fazer um enorme favor. Ele relutou um pouco, ainda não estava falando comigo, mas assim que soube do que se tratava, não pensou duas vezes. — Você pediu desculpas a ele? – Indaguei enquanto o olhava séria — Pedi, eu fui um idiota. Ele também pediu, você sabe, pelo soco. — Você mereceu. — Mereci. – James abaixou a cabeça — Mas então isso é obra do Ryan? – Eu ri e desconversei — Não, é obra minha. Eu disse o que queria e como queria, ele apenas fez por mim já que eu não podia sair sem que percebesse. — O que voce queria e como queria? Me lembre de dizer pro ursinho que você manda nele. — Ursinho? – Ele disse ciumento — Para, você sabe que ele é um irmão para mim. — Eu sei. Ele está querendo te ver. — Sei disso, me avisou que viria me ver logo que chegasse. Ele sabe que voltamos ou acha que é tentativa sua? — Sabe e provavelmente está espalhando pros rapazes na gravação de hoje. — Gravação? O que? — Tinhamos que gravar alguns trechos do novo single. — Mas e você? — Gravo minha parte depois, não se preocupe. – Ele me apertou mais – Não quero ficar longe de você. Aquela era uma verdadeira surpresa. James jamais abriria mão de algum trabalho por minha causa ou para estar ao meu lado. Foi assim que nossa relação se desgastou com o passar dos anos, já que eu sempre estava abrindo mão da minha carreira pelo bem do nosso amor quando ele, por sua vez, não deixava de tirar uma única foto se isso fosse aparentar que ele era um profissional ruim. De início eu admirava essa ética e profissionalismo, mas com o tempo isso veio a atrapalhar e muito. — Jay — Oi? – Ele disse saindo de seus próprios pensamentos. Provavelmente estava tão perdido quanto eu. — Você sabe que precisamos conversar. – Eu disse saindo dos seus braços e ficando de frente para ele — É tanta coisa que não sei sequer por onde começaremos. James passou as mãos pelo cabelo nervoso. Nunca fomos o tipo de casal que realizava DRs (discussão de relacionamento) e quando estouravamos em brigas, elas tinham a tendência a ser bem parecidas com a segunda guerra mundial. Talvez para recomeçar seria necessário mudar alguns hábitos e abrir o coração para expôr o que sentiamos era uma boa maneira. Todo o problema, no entanto, era que Jay não estava acostumado a isso, meu marido se tornou fechado demais com o tempo. — Eu sei por onde podemos começar. – Falei segurando seu rosto entre minhas mãos com carinho e lhe transmitindo segurança. As mãos de James pousaram sobre as minhas e seus olhos incrivelmente doces não se desviavam dos meus. Ele manteve-se apenas calado esperando que eu desse o primeiro passo. – O que houve contigo? Sabe, quando eu te conheci, você era um rapaz de vinte anos, cheio de sonhos que estavam começando a se tornar reais. Nós eramos até meio irresponsáveis, bebíamos demais, riamos demais e eu sempre caía pela rua quando tentavamos fazer alguma merda lembra? – Jay riu, ele lembrava. – Você não era do tipo que fazia muitas besteiras, mas nunca foi quietinho e mesmo assim parecia ser a mistura perfeita, o ponto entre essas qualidades. Lembra da nossa primeira transa? — Jay olhou para baixo e eu sabia que uma parte em particular da sua memória se ativado. – Tinhamos um mês de namoro, você sabia que eu estava me fazendo de dificil e organizou a noite mais linda para mim.
— Comemos em um restaurante marroquino. — Isso e você me levou para a sua casa que estava toda decorada com tapetes persas, velas aromáticas, insensos... — Você sempre quis ir ao Marrocos, eu trouxe ele para você. — Eu me lembro, meu amor. – Falei roçando meu polegar pela sua bochecha – E você fez amor comigo ao som da voz de Tony Mouzayek. Ele riu baixinho. — Do que riu, besta? – Bati de leve em seu ombro — Eu não entendia nada do que aquele homem cantava. — Eu entendia. — Você não fala árabe. — Mas aquela era a minha música favorita. — Eu sei, eu disse que eu não entendia. Passado. — Como assim? James chegou mais pertinho, puxando-me pela cintura, estavamos ambos de joelhos sobre as almofadinhas. Com carinho, pegou minha mão que estava em seu rosto e colocou-a sobre seu coração. Eu o olhava atenta e nervosa conforme suas batidas iam acelerando mais. Ele riu timido e devagar o som de sua voz começou a ecoar entre as flores: — Ragaa'ouni a'einaik el Ayam illi rahou .. James estava cantando em árabe para mim, estava cantando a música com a qual fizemos amor pela primeira vez e conforme as melodias saiam por seus lábios, eu o ouvia cantar: — Seus olhos me transportaram para os dias que já se foram e com eles aprendi a me arrepender do passado e das antigas feridas. Tudo o que meus olhos viram antes de ti foi perda de tempo. Como pude considerar aquilo parte da minha história? Quanto da minha vida antes de você eu desperdicei! Meu coração nunca viu felicidade antes de ti. Meu coração não provou coisa alguma que não fosse sofrimento. Só agora comecei a amar a vida e a me preocupei se esta vida correria fora do meu controle, pois toda a felicidade que eu esperava antes de te conhecer foi encontrada pelos meus sonhos na luz dos seus sonhos. Há muito meu coração te esperava, prove o amor comigo, pedaço por pedaço, com a doçura do meu coração que tanto espera encontrar a doçura de seu. Aproxime seus olhos, pois assim meus olhos poderão se perder na vida que há dentro deles. Traga suas mãos para que as minhas descansem sobre o seu toque e venha, meu amor, pois isso bastará. Você é mais preciosa que os meus dias, mais bela que os meus sonhos, leve-me para longe do Universo, para bem longe só eu e você. Graças a ti, me reconciliei com os dias, perdoei o tempo, esqueci minhas dores e esqueci da minha própria miséria. Com a sua luz, a aurora da minha vida começou. Meus olhos já estavam repletos de lágrimas e algumas delas começaram a escorrer pelo meu rosto. James puxou-me com força contra seu corpo e comecei a chorar em seu ombro enquanto suas mãos acariciavam meus cabelos. — Não chore, minha princesa. – Ele pedia — Como? Como você sabia? – Perguntei me referindo a letra — Sempre soube. — Ergui meu rosto o olhando e ele continuou: — Mas nunca estive pronto para cantá-la com meu coração da forma que estou pronto hoje. Desculpe-me pela mudança. Com o tempo e com o amadurecimento, acreditei que o mais justo era me tornar um marido responsavel e não o moleque que bebia de madrugada, achei que o que você merecia era um excelente pai para o nosso filho e, no entanto, me esforcei para dar o melhor materialmente para vocês e esqueci completamente do que era mais importante. Me tornei frio, carrancudo e, por Deus, quantas vezes te vi chorar e não fui atrás. Dessa vez era James que estava chorando e meus polegares urgentes secaram as lágrimas que escorriam de seus olhos. — Shhhh... Não fala nada. Puxei-o pela nuca com carinho e selei nossos lábios encaixando-os com delicadeza. Eu o beijava como se fosse a última vez e também como se fosse a primeira, saboreando seu gosto, sentindo seu amor vir até mim pela forma mais doce e terna que teria. Seus braços envolveram-me e ficamos alguns minutos nos doando àquele contato. A língua de James pediu passagem e deslizei meus lábios pela mesma chupando-a antes de recepcioná-la com a minha. Ficamos brincando um com a língua do outro e terminamos o beijo em meio a um sorriso.
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