All Over Again
26 Capítulo 26
Notas iniciais
Eu não sabia se piscava, se abria a boca ou se pegava o espelho da parede e jogava na cabeça dele até seu rosto – lindo, lindo e lindo rosto – ser cortado em pedacinhos para nunca mais despertar atração de uma mulher. Foi então que me dei conta de como James me olhava, de repente todo seu ar de homem superior, elegante e sensual foi destruído. Ele me olhava com curiosidade, um pouco incrédulo e eu podia sentir-me queimar com o desejo que emanava entre nós. James me observava com olhos que há muito tempo não via e eu podia sentir suas pupilas me examinarem como se fossem uma máquina de raio x, primeiro olhando meus seios extremamente expostos pela roupa e depois parando em meu quadril. Suas mãos se apertaram fazendo força como se estivesse se auto impedindo de me tocar e nesse momento senti-me vitoriosa. Era isso, exatamente isso. Essa sensação de estar acima do mal que ele me fez, de fazer com que se arrependesse, de tê-lo praticamente babando sobre mim e se questionando de porque me trocou. Isso me fortificou e a Giselle nova e vacinada contra mágoas estava de volta, sem se abalar, sem se deixar rebaixar e, principalmente, sem deixar que o desejo latente entre minhas pernas falasse mais alto. Consertei minha postura deixando-me mais ereta e, consequentemente, dando superioridade, tombei minha cabeça para o lado deixando que meus cabelos atualmente louros ficassem jogados, minha mão casualmente parou em minha cintura e fui obrigada a perguntar como em uma cena clássica:
— O que faz aqui?
James permaneceu em silêncio.
— Tudo bem, se não vai desembuchar, me dê licença que tenho mais o que fazer.
Avancei em sua direção ameaçando sair e ele, por fim, decidiu abrir a boca e se manifestar.
— Você... Você.
— É, eu estou sabendo.
— Está linda! – Ele se completou, ainda boquiaberto
— Vai babar mais ou quer um guardanapinho?
— Nossa, calma. Eu só...
— Já sei, amorzinho, está querendo me comer.
— Isso. – Ele sussurrou e logo se corrigiu em um tom mais alto – Quero dizer, não, não quero.
Dei uma piscadinha e fiz questão de deixar minha bolsa cair acidentalmente no chão. Abaixei criando a curvatura exata entre minha coluna e meu quadril deixando minha bunda empinada o suficiente para que o vestido a marcasse. Quando levantei, James já estava se mexendo de um lado para outro desconfortável.
— Algum problema?
— Nenhum. Ou melhor, todos. Precisamos conversar.
— Desculpe, estou sem tempo.
— Giselle, não finja de desentendida.
— Desentendida? Não, eu entendi muito bem sua traição, James. Só não estou me importando!
— Não está?
— Não, não estou. E sabe o que vai acontecer? Quando você finalmente fuder a sua namoradinha e saciar a sua curiosidade infantil, você vai vir pedir desculpas.
— EU ESTOU TENTANDO PEDIR.
— Já está tentando? Ah, então já comeu? Já conhece cada canto daquele corpo cheio de celulites?
— Porra, deixa de ser babaca.
— Não, “JAYZINHO”, eu estou falando sério. Sabe o que eu imagino? A convivência, essa vai ser boa. Como que deve ser acordar com ela todos os dias e ver que sem maquiagem ela é um lixo, que ela não escova os dentes direito e que a testa dela é enorme mesmo coberta por aquela franja mal cortada?
— Giselle, não desce o nível.
— Não, gostoso, estou sendo franca. Imagina! Toda vassoura nova varre bem no início né? A merda é que coisa barata tende a estragar e logo as cerdas vão estar desgastadas. É claro que, explicando ao burrinho, isso é uma metáfora. Ai, imagine, você vai estar com aquela mulher horrível, as rugas logo logo vão começar a marcar a pele dela, as pernas vão parecer crateras de tantas celulites e então você vai me olhar DESSE JEITO de agora e pensar: “como fiz essa merda?”
— Gi, não precisa que tudo isso aconteça para que eu me dê conta. Eu percebi segundos depois de que errei.
— Hm, mas tenho certeza de que quando sua lingua invadiu a boca dela não era em mim que estava pensando.
— Não, não estava.
Merda, isso doía e não era pouco.
— Que bom, minha consciência também não está nada pesada pelos meus atos então.
— COMO ASSIM? QUE ATOS?
— Ciúmes? Por favor. Quer saber, estou achando patético você voltar do seu inferno astral com o rabo entre as pernas implorando por desculpas.
— NÃO ME HUMILHA CARALHO! – Ele já gritava
— Ué, você não fez o mesmo comigo? – Respondi com a mesma classe e calma de antes, falando bem devagar e pausado como se estivesse em um chá com ingleses
— NÃO!
— Poxa, pensei. Quer entrar, James? Sentar, conversar, talvez até me contar as qualidades dela que fizeram com que me substituísse. – Ele revirou os olhos – Oh, ela é tão legal, não é mesmo? Aposto que não perde a calma, te ajudou nos momentos difíceis .. – Comecei a andar pela casa deixando o som dos meus saltos irritá-lo – Deixa eu adivinhar, ELA DEU O OMBRO AMIGO A VOCÊ! – Bati palmas como se tivesse acertado – Quer dizer, não só o ombro.
— CALA A BOCA!
— Cala a boca o caralho, fica quietinho que não terminei. É simples James, se você já está decidido e não quer estar comigo, o que eu vou fazer? Mesmo sem você, a vida continua. Não precisa voltar depois que me trocar por aquele pedaço de osso não, não estarei aqui sentada esperando por resto de outra. E resto mesmo, heim, podia estar melhorzinho! Relaxa, baby, de decepção ninguém morre e eu não estou pedindo pela sua pena, pelo seu pedido de desculpas ou o que for, até porque eu te garanto que você não vai ver UMA única lágrima cair. Então me faça o favor de não se incomodar e de pegar esse anelzinho aqui... — Fiz uma pausa para tirar nossa aliança e andei em sua direção enquanto ela deslizava pelo meu dedo, parei em sua frente e com gentileza puxei o cós de sua calça fazendo meus dedos entrarem na mesma, então continuei: — E colocar essa merdinha no dedo dela! – Deixei que ele caisse dentro de sua cueca
Assim que percebi James estremesser pela minha mão tão perto do seu membro, fiz questão de retirá-la, mas ainda a mantendo no mesmo lugar, apesar de por fora do tecido.
— Eu tenho certeza de uma coisa: ela nunca vai te tocar do jeito que eu te toco. Aposto que nisso eu ganho, não é mesmo?! — Apertei seu pênis com força por fora da calça e aproximei meus lábios do seu ouvido enquanto sussurrava – Agora, se me der licença, meu namorado chegou e eu preciso ir.
Andei o mais depressa possível e desci as escadas indo até Alejandro que me esperava encostado no carro. Com vontade, joguei-me sobre seu corpo enlaçando meus braços em volta do pescoço do homem que estava sendo um boneco em minhas mãos. Beijei-o, beijei-o com vontade e deixei James nos olhando desolado, confuso e assustado.
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