Assim que dei minha resposta, Alejandro não exitou e puxou-me para um beijo intenso e até mesmo exagerado. Era como se tivesse passado tanto tempo me desejando que de repente toda essa vontade explodiu de uma única vez. Admito que senti constrangimento de ser observada aos beijos após o escândalo da minha separação, no entanto, em meu íntimo torci que algum enxerido fotografasse e vendesse as imagens só para que o causador disso ficasse ciente. O problema é que isso provavelmente não aconteceria, estávamos em um dos lugares mais privados e quando se trata de estrelas e superstars, a gerencia dos estabelecimentos garante privacidade completa. Como não pretendia tornar aquela cena digna de um espetáculo voyer, fiz questão de interrompê-lo. Eu estava desconfortável, sem graça e pensando vinte vezes sobre como seria chamar outro homem de amor, jantar com uma pessoa que não me faça dar gargalhadas, que não me toque com carinho e que, pelo-amor-de-deus, no primeiro beijo já quase me engoliu. Aliás, segredo nosso: precisa morder minha boca tanto assim? Estou com os lábios tão avermelhados que nem parece que fui beijada, mas sim atacada por um pitbull. Ou um canibal? Excelente pergunta. Acho que deveria marcar uma consulta com um psicólogo e analisar se ele tem tendências canibalistas. Balancei minha cabeça negativamente. O que eu estava pensando? Chega de viajar na maionese, quem vai precisar de tratamento em breve é você! , me repreendi. Decidimos ir embora e, educadamente, Alejandro pagou pela conta. Fomos para casa razoávelmente quietos, volta e meia sentia sua mão pegar na minha e mais uma vez era tomada pelo sentimento de fuga e de querer puxá-la dali. Quando deixou-me em casa, tive que beijá-lo de novo como despedida, mas por sorte o exagero de mordidas não foi tão grande dessa vez. Ufa! Assim que entrei, Nicolas estava sentado no sofá com os braços cruzados. Como um pequeno homem bravo, acendeu a luz do abajur ao seu lado e indagou:

– Onde estava a essa hora da noite, mamãe?

Tive que rir, acho que meu bochechudinho está assistindo muitos filmes. Apesar de tudo, pude perceber que estava tentando fazer o papel de homem da casa quando ainda era tão grande que tinha ao seu lado um urso de pelúcia como fiel escudeiro. Isso me deu uma alegria extrema pelo seu jeito doce de cuidar de quem ama, mas no fundo bem no fundo uma voz me dizia: Ele está fazendo o que James faria, está preenchendo o espaço do pai e isso mostra que sente falta dele. Não encarando a realidade escrachada em meu rosto, decidi apenas responder da maneira mais singela possível.

– Eu estava jantando com um amigo.

– Papai não gosta que tenha amigos homens, ele sente ciúmes.

– Também não gosto que seu pai tenha amigas mulheres e ele tem.

– Muitas?

– Muitas.

– Fiquei bravo mamãe.

– Bravo pelo que? Fui até ele e sentei-me ao seu lado puxando-o em seguida para o meu colo

– Porque o papai só pode ter você de princesa e você só pode ter o papai de principe.

– Mas, Nick, eu e seu pai estamos nos separando.

– Só que vocês se amam!

NÃO, ELE NÃO ME AMA! ELE ESTÁ FUDENDO COM A RUIVA MAGRICELA!, tive vontade de gritar. Controlei-me enquanto mantinha minha respiração pausada e lenta. Não seria eu que contaria a respeito disso para o nosso filho e muito menos faria o papel de mãe cruel que o joga contra o pai.

– Meu amor, é complicado. Isso é coisa de adulto e você não deveria se meter.

– Vocês adultos são muito chatos, colocam problema em tudo.

–Ah é? Ri de sua esperteza

– É! Ele fez biquinho

Joguei meu filho com delicadeza no sofá e comecei a fazer muitas cosquinhas em sua barriguinha. Ele se divertia com nosso momento juntos que aliás não era partilhado há muitos dias e em meio a sorrisos, perguntas curiosas sobre tudo e alguns bocejos, o vi dormir. Com dificuldade, levei-o até seu quartinho. Nossa, não me lembrava dele estar tão pesado assim da última vez que o carreguei. Ah claro, porque ultimamente era James quem carregava. O observei dormir por alguns minutos e logo fui para meu quarto também, amanhã já seria sábado e domingo meu ex marido estaria de volta. Eu precisava estar preparada, mas como? Não havia um curso intensivo para encarar a pessoa que lhe fez sangrar por dentro. Quando já ia deitar-me escutei meu celular apitar por inúmeras vezes, de repente minha caixa de mensagens estava sendo invadida por vários torpedos e emails. O que era aquilo? Eram mensagens de voz, texto e toda forma de comunicação possível de Ryan. Decidi escutar o primeiro recado em minha caixa postal:

"Gi, eu sei que deveria ter vigiado, sei que deveria ter informado o que estava acontecendo, só que não queria levantar suspeitas antes da hora. Soube também que você já está sabendo e..., a mensagem foi interrompida pelo limite de tempo." Mensagem 2, ai vou eu.

"Merda, esse caralho desliga mesmo? Então, você já está sabendo o que houve né? Não vou deixar que as coisas fiquem assim e estou preocupado contigo. Quero te ver o mais breve possível. Diz que sim, não vou sossegar até saber que está bem. ", desligou mais uma vez.

Mensagem 3, então.

"Juro que dessa vez não xingarei. Só queria dizer que é isso, depois te explico com calma o que houve e garanto eu mesmo de saber como está. Te amo, Ryan."

Deitei na cama com o celular ao meu lado. Se estou bem? Por favor Ry, você sabe que eu não estaria em hipótese nenhuma bem! Ouvi meu celular dar sinal mais uma vez de que tinha mensagem. Li todas as do meu melhor amigo que faltam e por fim a mais recente era de Alejandro. Alguma coisa melosa que mencionava a felicidade de estarmos juntos e bla bla bla. Repulsa? Sim, essa era a palavra não-exata que, ainda assim, se encaixava perfeitamente. Joguei o celular com força no chão e pus o travesseiro contra a cabeça abafando qualquer ruído externo, meus próprios pensamentos e os ecos em minha mente. Seria uma noite longa, sem dúvidas.