All Over Again
2 Capítulo 2
James POV:
Eu não poderia suportar ficar mais um minuto naquele quarto. Olhar para Giselle visivelmente afetada, ver seus olhos se encherem de lágrimas cada vez que cruzava com meu olhar, ver nossa cama perfeitamente arrumada com as almofadas em diversos tons esverdeados que ela fez questão de comprar quando tanto reclamei que seria apenas enfeite, olhar as roupas dela expostas junto as minhas e ver o vazio que deixei... Não apenas no guarda roupas, mas no coração da mulher que eu amava e ainda amo. Pode parecer confuso quais motivos um casal tem para terminar um relacionamento e sei que a mídia vai cogitar que tenho um caso extra-conjugal, mas isso não é verdade. Eu via a forma como Giselle me olhava cada vez que eu tinha que abandoná-la para uma viagem com a banda ou como suas recepções se tornavam menos calorosas com o passar do tempo. Eu não era mais o marido presente e disponível, eu não estava ao seu lado quando nosso filho adoecia, não estava no país quando seu pai faleceu e perdi muitos dos nossos aniversários compensando-os sempre com um presente caro junto a um pequeno cartão com o verso de uma música. Sei que algumas mulheres se contentariam com isso, me refiro ao material e aos presentes, mas a minha mulher não. Apesar de ser uma estilista renomada e viver em festas da alta sociedade, o que ela gostava mesmo era de chegar em casa, colocar um velha camisa minha e saltitar pelos cômodos descalça como se nunca tivesse crescido. Ela valorizava muito mais os beijos, os carinhos e os toques ao invés das jóias que mandei quando estava longe. Continuei a descer as malas com pesar e vi Nicolas vir correndo e agarrar-se às minhas pernas. Por mais que eu tentasse puxar era em vão, então me sentei na escada e fiz com que ele viesse para meu lado.
- Pai, eu não quero que vá. – Tenha certeza: ouvir seu filho implorar para que fique é doloroso demais.
- Já conversamos sobre isso, Nicolas. E você é um garoto crescido, tem sete anos, já pode entender o que está acontecendo.
- Eu entendo, entendo que vocês não sentem mais amor um pelo outro.
- Claro que não! – Abracei meu filho com força e falei enquanto o olhava com ternura – Eu amo a sua mãe e sempre vou amar, ela é a mulher mais maravilhosa do mundo!
- Então por que ta indo embora?
- Sabe quando você e seu amiguinho Jake brincam todos os dias? – Nicolas concordou acenando com a cabeça – Você sente falta quando não brinca com ele, não é mesmo? – Mais uma vez vi meu filho concordar – Imagina então se ele nunca estivesse contigo, você e Jake não brincariam mais, não ficariam perto e então Jake teria que deixar você ter novos amigos que possam ficar perto quando ele não está. Eu sou como o Jake. Não posso ficar perto da mamãe todos os dias e ela fica muito triste, então tenho que deixar que um novo marido possa ficar perto dela e dar o sorriso que ela merece. – Essa última frase foi como um golpe, uma facada que recebi. Doía — e muito — ter que assumir, mas era verdade: outro homem poderia fazê-la feliz da forma que não faço.
Vi Nicolas apenas levantar-se, ele me olhou com aqueles olhos tão parecidos com os meus e em seguida passou a mãozinha pelos mesmos como se estivesse limpando uma lágrima que não vi cair, ele terminou de descer as escadas e disse antes de ir para outro cômodo:
— Eu só acho, papai, que se eu tivesse um último dia pra brincar com o Jake, eu ia fazer com que ele fosse o dia mais legal do mundo, assim ele não esqueceria nunca da nossa amizade mesmo que alguém pudesse ser o novo amiguinho e desse à ele as figurinhas do Ben 10 que faltam para completar o album.
Se tem uma coisa que sempre me incomodou é como crianças conseguem ser espertas e saírem com frases filosóficas de repente. Não é por ser meu filho, mas Nicolas sempre foi mais esperto que as crianças em geral. Levantei-me do degrau onde estava e sai, as coisas certamente não poderiam ficar piores... Pelo menos foi o que eu achava até que fui afrontado por todos aqueles flashes em meu rosto.
Giselle POV:
Acordei no dia seguinte com a mesma sensação de vazio que obtive quando James cruzou a porta do nosso quarto pela última vez. Eu já estava mais do que acostumada com a sua constante ausência, mas ainda assim, me assustava saber que a próxima vez que o visse ele não seria mais o meu marido. Eu ainda podia sentir seu toque em minhas mãos e recordar da forma com que olhou em meus olhos antes de partir, o som da sua voz ainda ecoava pelas paredes e era como se meu corpo precisasse do dele deitado ao meu lado com aquela cara de sono que fazia quando despertava. Apertei o travesseiro com força e pude sentir seu cheiro ainda presente. Merda, ele tinha que ir e deixar uma lembrança, é claro! Olhei o relógio e me dei conta de que já se tratavam de onze da manhã, tinha perdido a hora e isso era algo que não acontecia com freqüência. Passei as mãos pelo cabelo e levantei, vesti um hobby de seda sobre a camisola e desci as escadas até a sala de jantar onde a mesa do café da manhã ainda estava posta. Sentei-me na cadeira lateral ao lado da que James costumava ficar e servi-me com algumas fatias de bolo e suco de laranja.
— Senhora. – Pude ouvir nossa, quero dizer, minha, governanta chamando. Seria estranho me habituar novamente a não usar tudo no plural.
— Pois não.
— Como a senhora não levantou, tomei a liberdade para levar o menino Nicolas para escola antes que se atrasasse.
Dei um gole no suco e falei em seguida:
— Muito obrigada, Julieta, eu não saberia o que fazer sem a sua ajuda. Alguém ligou?
— Sua secretária, sua advogada, sua mãe que pediu para dizer que está preocupada e ... – Ela hesitou.
— Diga.
— O senhor James. Queria saber como estava, perguntou se a senhora passou a noite bem.
Revirei os olhos. Como se de fato houvesse preocupação em relação a mim! Julieta continuou parada ao meu lado como se esperasse que eu respondesse, mas tenho certeza de que ela não merecia escutar todos os xingamentos que estavam na ponta da minha língua loucos para escaparem. Murmurei uma espécie de “hm” baixinho e procurei pelo jornal que estava organizado da mesma maneira com que saiu da banca. Se James estivesse aqui, certamente já teria misturado todas as páginas. As folheei com calma até que por azar passei pelo caderno de fofocas sobre a vida dos famosos. Preciso dizer quem era a capa? Exato. Se há uma curiosidade que possuo é como jornalistas conseguem incluir informações de poucas horas atrás no jornal que sairá na manhã seguinte e, de alguma forma mágica, eles conseguem! Lá estava uma foto do meu ex marido deixando nossa casa e outra melhor ainda com um zoom irritante que conseguiu me flagrar atrás da janela. Por mais que eu relutasse contra minha curiosidade, acabei sendo vencida e percorri as linhas com desespero a fim de obter qualquer informação sobre ele. Por que eu ainda me preocupava tanto? Não passavam de especulações sobre o motivo da separação, sobre quando entraríamos com o processo de divórcio, com quem ficaria a guarda do Nicolas e se ele depois de tantos anos encontraria um novo amor. E no meu íntimo fui pega pelo desconforto da pergunta: Encontraria?
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