All Over Again
18 Capítulo 18
Notas iniciais
Capítulo dedicado para a Cupcake do James, uma leitora nova mas que tem dado muito carinho para a minha fic (e que provavelmente vai me matar muito depois de ler o capítulo).
Eu simplesmente não podia acreditar no que ela fez comigo. Havia depositado todas minhas expectativas e esperanças nessa viagem e, no entanto Giselle não deixou que eu as realizasse. Entrei no quarto de hotel irritado, batendo a porta com força e chutando o que via pela frente. Eu estava com raiva, irritado, magoado e se houvesse uma forma de externalizar esse ódio, eu o faria. Procurei pelos travesseiros e almofadas que antes enfeitavam a cama e os empilhei em cima da mesma, em seguida comecei a deferir socos sobre os objetos enquanto sentia aquele sentimento que amargurava meu coração se esvair pelos meus punhos. Exausto, deixei que meu corpo caísse sobre o colchão ao mesmo tempo em que minha respiração denunciava meu cansaço. Foi então que escutei meu telefone tocar. Merda, que tocasse, caralho! E insistiram uma, duas, três vezes. Por um momento pensei que poderia ser minha ex mulher que em um surto de arrependimento pediria para voltar, mas me enganei.
– Alô. – atendi em um misto de desânimo e irritação
– James! – Aquela voz feminina e aveludada que conheço há anos chamou-me e, não, não era Giselle, era Anna.
– Anna, o que foi? Aconteceu alguma coisa?
Ela riu do meu desespero.
– Não, seu bobo, está tudo bem. Liguei para saber se está tudo certo para hoje à noite.
– Claro, viajaremos. Hm, não foi informada sobre o trajeto?
Anna trabalhava conosco desde sempre e seguia em todas as viagens ao nosso lado cuidando de pelo menos setenta por cento dos problemas que apareciam e organizando todo o resto. Era uma espécie de assistente do nosso agente e também o motivo de briga entre mim e minha ex por diversas vezes. Giselle sempre disse que ela era atrevida e que não esgotava tentativas para me conquistar, no entanto, sempre acreditei ser uma boa amiga que estava disposta a consolar-me na ausência da minha esposa. Toda vez que precisava conversar ou estava angustiado, lá estava ela me ouvindo e pronta para me dar um abraço reconfortante. Quando Gi brigava comigo, ela vinha dar uma palavra de apoio e quando sofria por algo, ela sempre estava ao meu lado e apoiando. Que mal pode haver em uma amizade? AMIZADE, apenas.
– Fui informada sim, mas quis te ligar porque, sabe né... Talvez a Giselle e o Nicolas fossem.
– Não vão. – Cortei
– Está tudo bem, Jayzinho? – Ela insistiu de maneira carinhosa
– Não, Anna. A Giselle decidiu não ir comigo e... – respirei fundo – isso me chateou bastante.
– Fique calmo, faça as malas e de noite conversaremos no vôo, está bem?
– Promete?
– Prometo, escutarei cada palavra.
– Obrigada Anna, você é realmente maravilhosa, mas não quero incomodar.
– Imagina, não será problema. Além do mais, você sabe o quanto é importante para mim não é, irmãozinho?
Será que era esse tipo de comportamento que incomodava minha ex?
– Sim, eu sei, assim como você também é.
– Então mais tarde quero um abraço bem grande, ok?
Sorri com a idéia.
– Pode deixar, Anninha. Até mais tarde!
As horas passaram depressa e, por sorte, não tive muito trabalho com as malas visto que todas minhas coisas já estavam empacotadas devido à separação. Fiz questão de verificar se meus itens pessoais como celular, identidade, passaporte e dinheiro estavam em um lugar seguro. Foi então que observei em uma das divisões da carteira o cartão que Giselle entregou-me dias atrás no estúdio de dança. Li calmamente as letras bem desenhadas que diziam Heloísa Fremann – Divorce Lawyer* e me questionei se devia finalmente discar aqueles números e tomar controle da minha vida assim como ela fez decidindo não vir comigo. Indeciso, guardei-o novamente no mesmo lugar e decidi me encaminhar logo para o aeroporto antes que perdesse o horário de check in e vôo. Quando cheguei fui interrompido – ou devo dizer atrapalhado? – pela quantidade absurda de fotógrafos que, aparentemente, não possuem nenhuma notícia mais fresca para cobrir do que minha briga com minha ex mulher. Abaixei a cabeça passando pelos flashes insistentes que um dia ainda me cegarão e logo que atravessei as portas de vidro fui recebido pelos meus amigos que estavam amontoados em uma pequena roda. Um por um, eles vieram me cumprimentar e percebi que durante todo o tempo até a entrada no avião fizeram um grande esforço para não mencionar a falta de Giselle ali, o que não adiantava muito, visto que o fantasma de sua ausência permanecia pairando entre nós. Eu sei que estava mais do que acostumado a viajar sem ela, no entanto, dessa vez parecia ser diferente. Olhar para o assento vazio ao meu lado e saber que aquele lugar pertencia a ela era frustrante. Talvez essa frustração fosse maior por ter consciência de que quando voltasse não seria para o meu lar que eu iria, mas sim para aquele maldito quarto de hotel. Sim, eu já havia me decidido. Não havia mais o que pensar ou considerar, nós não voltaríamos a ser um casal e ela deixou isso bem claro, a decisão foi inteiramente dela. A aeromoça começou a dar as instruções de vôo e pediu que desligássemos os aparelhos eletrônicos, procurei pelo meu celular no bolso da calça e vi o aviso em sua tela: “1 nova mensagem de Giselle”. Disfarçadamente – antes que fosse repreendido pela comissária de bordo – visualizei o sms que dizia singelamente apenas um “Sinto muito”. Respirei fundo e antes que me desse conta respondi baixinho em um sussurro:
– Não Gi, não sente.
E desliguei o celular guardando-o no mesmo lugar de onde tirei. Perdido em pensamentos, passei boa parte da viagem olhando pela janela enquanto as nuvens permaneciam sendo cortadas pelas asas da aeronave. Será que eu deveria ser como elas? Deveria permitir-me ser cortado uma, duas, três vezes? Deveria permitir que meu coração fosse feito em pedaços? Errei, certamente errei ao abrir mão de Giselle, mas voltar atrás nesse erro é mostrar que estou arrependido. Eu a amo e, até então, acreditava que ela me amava também. Bom, se realmente amasse não estaria em casa agora. Senti o toque suave e macio de mãos femininas sobre as minhas e virei-me. Anna estava sentada no lugar que minha mulher – minha? quero dizer, não minha – deveria ocupar e segurava minhas mãos com carinho. Devagar fui subindo meu olhar até encontrar o dela e esbocei um sorriso sincero.
– Oi. – ela disse – Acho que estou te devendo uma conversa, não é?
– E um abraço – Completei.
Sem pestanejar, Anna aproximou-se mais e me abraçou com ternura enquanto deslizava as mãos pelas minhas costas. Francamente, de início isso me causou um incomodo. Não era comum ou habitual que tivéssemos esse tipo de contato, todavia, me pareceu tão acolhedor e verdadeiro que não tive intenção de afastá-la.
– Quando estiver pronto para falar, estarei aqui.
– Você sabe qual o problema.
– Sim, eu sei, a babaca da sua ex mulher.
– O que disse? – Arregalei meus olhos, incrédulo.
– Desculpa se ofendi, James, mas é a verdade. Qualquer mulher no mundo mataria para estar no lugar dela, digo, para ter um marido que cuidasse dela, sabe? – ela parecia confusa – Poxa, não sei se ela te ama, pelo menos não como você merece ser amado.
– Não é isso, Anna.
– Claro que é. Se ela te amasse, estaria aqui com você.
Anna tinha razão. Ela era uma excelente amiga, sempre parecendo ler minha mente e adivinhar a maneira como me sentia. Ela, então, continuou:
– Você deveria aproveitar esse momento que estão afastados e começar a olhar ao seu redor.
– Como assim?
– Só acho que existem outras mulheres que poderiam te dar o devido valor e você está preso a uma que ama mais o trabalho do que ao marido.
– Não quero me apaixonar agora e você sabe, você me conhece.
– Sim, conheço e por isso mesmo sei que seu coração... – ela fez uma pausa para colocar a mão sobre meu peitoral, outro toque sobre meu corpo. – Seu coração está cansado, Jay.
Se eu não conhecesse Anna há anos, juraria que ela estava tentando me dizer algo pelas entrelinhas. Nunca fui bom quando se trata de “ler” mulheres. Sei amá-las e fazer com que se sintam especiais, mas nunca soube exatamente como desvendá-las. Esse jeito de falar no qual elas dizem uma única palavra e nessa palavrinha há cerca de noventa mil significados escondidos, essa forma de dizer “não” quando dizem “sim” e de jogar pistas ao invés de serem diretas... Isso sempre me confundiu. No entanto, sei que agora não é dessa maneira. Se houvesse algum tipo de interesse da parte dela, ela que teria me dito. E, além do mais, Anna respeitaria meu fim de relacionamento. Não é?
– Não sei, não sei de mais nada. – Respondi sendo sincero, eu realmente não sabia qual seria meu próximo passo, o que estava sentindo ou o que fazer. Meu coração estava inerte assim como eu.
– Venha cá. – Ela pediu e puxou-me contra seu corpo, deitei minha cabeça sobre seu ombro e não trocamos mais nenhuma palavra, apenas permiti-me sentir o carinho que Anna dedicou sobre meus cabelos. Isso foi me deixando sonolento e aos poucos fui sentindo tudo apagar ao meu redor até que dormi, dormi nos braços de uma mulher que não era a minha.
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