All Over Again
19 Capítulo 19
Notas iniciais
E já que cada capítulo estou dedicando a uma leitora, o de hoje vai para a linda-tão-linda da Rapunzel (a Nanda), que já se tornou uma amigona incrível. Estamos sempre conversando, contando as coisas, já sabemos tanto uma da outra e tão rápido. Te adoro, tchê s2
GISELLE POV:
O tempo exato de vôo se passou e James não respondeu minha mensagem. Pelo visto eu o havia magoado o bastante e estava sendo evitada. Em meu íntimo, tive vontade de ligar repetidas vezes para seu celular, encher a caixa de mensagens com sms e a secretária eletrônica de recados pedindo perdão, no entanto, me contive e disse a mim mesma: “Calma, sua decisão foi certa”. Se de fato havia sido, eu não sabia. O que era um fato consumado é que eu não podia mais voltar atrás, nunca. Meus pés já estavam doloridos de andar de um lado para o outro, minha barriga já dava sinais de cansaço pelos abdominais e exercícios que fiz tentando me distrair e Julieta provavelmente ficaria tonta de tanto seguir-me com os olhos para todos os lados. Decidi então que arrumaria meu quarto — que já havia sido limpo – e procurei por panos de limpeza e produtos. Limpei cada centímetro até estar exausta e ainda assim o sono não vinha. Olhei o relógio, quatro horas da manhã. Merda, que horas seriam na Espanha mesmo? Inquieta, resolvi que ligar para um de seus companheiros de banda e me inteirar da situação seria a melhor saída. Em poucos instantes o telefone de Ryan estava tocando e ouvi sua voz do outro lado da linha.
— Diga-me, furona! – Ele riu
— RYAAAAN, eu sei que são quatro da manhã e que provavelmente ai é de madrugada, mas por favor, preciso falar contigo.
— De madrugada? Nem parece que já veio à Espanha. São 13h da tarde!
— Ufa, achei que tinha te acordado.
— Mas acordou. – Ele prendeu uma risada
Ok, tem a possibilidade de eu cavar um buraco e me esconder?
— Mas, mas... Não era de tarde?
— Sim, só que chegamos aqui muito tarde e eu ainda estava dormindo. Fuso horário, boneca! – Ele brincou
— MIL PERDÕES. Nossa, desculpa mesmo Ry.
— Relaxa, Gi, estou apenas te colocando pilha – ele bocejou – apesar de estar dormindo mesmo. Me conta, o que houve que não veio?
— Ah, é história longa.
— Que você provavelmente não vai falar, não é? Ao contrário do James.
— Como assim ao contrário do James?
— Ele andou conversando por aqui com algumas pessoas da equipe, nada demais. – Ele desconversou
— Sei.
— Por favor, não quero ser o fofoqueiro.
— Eu entendo. Hm, é... Ele está bem?
— Eu só o vi no vôo.
— Como apenas no vôo? Vocês sempre andam juntos e vão juntos para o hotel.
— Eu sei, só que ele dormiu o vôo praticamente inteiro, veio calado no carro e foi um dos primeiros a entrar no hotel. Parece que não quer muito assunto.
— Mas você disse que ele andou conversando.
Ouvi apenas o silêncio.
— Ryan, o que está acontecendo?
— Não é nada, Giselle. Meu Deus!
— Eu te conheço há anos e sei que está mentindo.
— Não se preocupe e, se serve de consolo, estarei de olho nele.
— Por que precisaria vigiá-lo?
— Confia em mim?
— Confio.
— Então deixa que eu vou ficar atento a cada passo do James.
— Ele está fazendo coisa errada, não está?
— Giselle, por favor...
— Está bem, está bem.
— Mais tarde nos falamos, pode ser? Preciso estar descansado para conhecer las chicas españolas! – Ele riu
— Certo, boa noite Don Juan – Brinquei
— Boa noite e se cuide.
Havia algo de errado com Ryan. Em todos esses anos ele nunca se mostrou preocupado com a forma de agir de James ou com seu comportamento e, no entanto, agora ele parece até nervoso o bastante. Será que viu algo que eu não vi? Presenciou alguma atitude inadequada? Meu amigo caiu em contradição falando do meu ex marido e isso só colocava pulgas atrás da minha orelha. Pulgas? Ah não, um cachorro inteiro. Cansada de lutar contra minhas próprias desconfianças e intuições, decidi dormir. Não havia nada que pudesse mudar o fato de James estar a quilômetros de mim, nada.
JAMES POV:
Acordei no dia seguinte com um cansaço que parecia não me pertencer. Além da exaustão pela viagem, um peso enorme estava sobre minhas costas, minha mente, meu corpo e eu não sabia identificar o porquê de estar me sentindo tão esgotado mentalmente. Talvez fosse porque meu psicológico estava sobrecarregado devido às ultimas mágoas que passei. Aliás, de último o que é que me recordo mesmo? Ah sim, estamos na Espanha, em uma quinta feira ensolarada com a claridade entrando pela janela e batendo em meu rosto, eu estou de... Jeans? Eu deveria estar dormindo com algo mais confortável. Se bem me recordo, dormi boas horas do vôo e quando acordei fomos direto para o carro. Anna sentou-se ao meu lado e continuou me abraçando sob os olhares reprovadores de todos. Não troquei mais nenhuma palavra, apenas continuei com a cabeça em seu ombro. Assim que chegamos ao hotel, deixei que os encarregados fizessem nosso check in e ela, então, puxou-me pelo braço com carinho até a entrada. Fomos até minha porta, me despedi beijando-lhe o rosto e deitei para dormir. Provavelmente os rapazes vão querer explicações que, ainda bem, não sou obrigado a dar e espero de verdade que não seja julgado de maneira errada por estar recebendo esse apoio. Entrei para o banho e demorei o máximo que pude. Assim que me troquei, desci as escadas até uma sala com quadros caríssimos, uma televisão gigante, sofás extremamente confortáveis e um barzinho com uma morena baixinha preparando drinks. Era o dia que tínhamos para aproveitar a cidade e meus amigos estavam todos lá conversando, bebendo alguma coisa – Alcoólica? Eu não sei – e parecendo as vezes cochichar. Logo que meu pé esquerdo cruzou a porta de blindex, percebi que aqueles três pares de olhos se viraram para mim. Curiosos, indagadores e críticos.
— Boa tarde!
Percebi que Andrew imediatamante levantou-se e saiu da sala sem me cumprimentar. Aliás, nenhum deles o havia feito antes. Dei mais alguns passos e me vi obrigado a questionar:
— Está tudo bem?
Ryan foi o primeiro a tomar iniciativa de dizer algo.
— Não, não está.
Cheguei mais perto ficando na outra ponta da mesa em que estavam. Encolhi os ombros, será que aconteceu algo?
— Hm, tudo bem... Querem me dizer? Foi algo com o show? Cancelaram?
Ouvi Ethan bufar e virar os olhos. Inquieto, ele disparou:
— James, você está tendo alguma coisa com a Anna?
Arregalei meus olhos e não pude deixar de evitar uma gargalhada.
— Estão brincando, não é?
— Não, não estamos e pelo visto nem a imprensa espanhola. – Ele respondeu e pegou um jornal que estava sobre a mesa a frente deles jogando-o mais para a ponta onde eu estava – Veja você mesmo.
Segurei com cuidado as páginas e pude ver na capa algumas fotos minha entrando no hotel ao lado da mulher que considero como amiga. Olhando daquela forma realmente parecia se tratar de muito mais, só que não era.
— Pelo amor de Deus, vocês presenciaram a cena, sabem que não é da forma que estão fazendo parecer. – Joguei o jornal de volta
— Errado, James. – Dessa vez Ryan se meteu – A única coisa que vimos foram vocês dormindo grudados no avião, ela abraçada contigo no carro, vocês entrando juntos no hotel e, puft, sumiram de repente. Se vocês estavam fudendo no elevador ou no quarto, ninguém sabe!
— O QUE? Ryan, isso é loucura! ATÉ PARECE QUE NÃO ME CONHECE. – Aumentei o tom da minha voz. Se fosse o Ethan falando uma asneira dessas seria até lógico, mas o Ryan?
— Eu te conheço? Eu achava que conhecia, James. Nós todos achavamos! E, para ser franco, nós todos eramos amigos do James que era namorado da Giselle, que era nosso melhor amigo, mas então esse mesmo cara começou a mudar e continuamos com a amizade porque era natural que amadurecesse. Só que agora... – Ele fez uma pausa – Agora quem é você? Eu só te vi magoando a Gi, ficando indeciso nas suas próprias decisões, tomando porre sendo que você já passou da idade de fazer essas coisas e para fechar com chave de ouro está comendo a Anna.
Eu estava o que? Como meu melhor amigo podia estar se virando contra mim daquela maneira sem em momento algum se perguntar a respeito de como eu estava me sentindo? Era a Anna que estava ao meu lado, me apoiando, me dando o afeto que todos deveriam estar preocupados em dar. Sem pensar duas vezes atravessei aquela mesa e segurei-o pela camisa caindo nos sofás ao redor. Percebi que de imediato os olhos de Ryan ganharam um tom mais escuro, talvez de ódio ou raiva e pude sentir suas mãos relutarem me empurrando.
— VOCÊ NÃO TEM QUE FALAR ASSIM DELA OU DE MIM! – Eu gritava enquanto mantinha uma tentativa de não agredi-lo
— DELA? VOCÊ ESTÁ PREOCUPADO COM A SUA PUTA E NÃO COM A MULHER QUE ESTÁ TE ESPERANDO EM CASA.
— EU NÃO ESTOU COMENDO NINGUEM, CARALHO.
— PAREM! – Ethan se meteu e tentou puxar-me
— Me larga, cacete! – Ordenei e tentei investir mais uma vez contra Ryan que apenas se defendia, quando menos esperei, meu amigo então disparou um soco contra meu estômago – o que fez com que eu me afastasse – e Ethan finalmente pôde puxar-me para longe.
— Se você magoar a Giselle, eu nunca mais falo contigo, entendeu? Ela é como uma irmã para mim. – Pude vê-lo dizer com uma certá mágoa na voz
— Sai da minha frente. – Falei com a respiração ofegante e sem olhar em seu rosto. Ethan, por sorte, ainda estava me segurando e intimamente agradeci por isso. Se ele não estivesse ali, aquele soco teria sido revidado e o que eu menos precisava no momento era uma briga maior.
Ryan saiu da sala sabe-se-lá-Deus-para-onde e pude ver Ethan passar as mãos pelo cabelos com raiva. Em seguida, seus lábios se comprimiram formando uma linha reta como se estivesse segurando uma frase inteira que estava pronta para escapar. Por fim, ele apenas murmurou enquanto eramos observados pelos outros hóspedes:
— Ele tem razão, você não é mais o mesmo. – E saiu largando-me sozinho
Fale com o autor