Notas iniciais
Nossa, que tumulto esse da fic ser excluída! Cheguei a postar em um blog, mas agora voltem a acompanhar aqui, tudo bem? Agora fiz questão de colocar toda certinha para continuar aqui no Nyah mesmo, espero que não tenhamos mais problemas. Esse capítulo vocês não chegaram a ler então é NOVO. Por favoooor (por favor mesmo!) comentem de novo, façam reviews, recomendações, perdi tudo que tinha e estou continuando por vocês. O carinho que recebo de vocês, minhas leitoras, é fundamental e seguir com a fic depois da exclusão foi muito difícil, desanimei mesmo. ESTEJAM COMIGO!

- CONTINUANDO O FLASHBACK-

James finalmente deixou sua barreira se desmontar. Caminhou até a nossa cama devagar e sentou-se na beirada deixando sua cabeça tombar para baixo. Percebi suas mãos irem até seus cabelos e bagunça-los com rebeldia, raiva, violência. Em seguida ele ergueu novamente os olhos para mim. Eram pesados, amargurados, vazios, sombrios e tristes. Ele estava abalado e eu sentia isso.
— Você não está vendo que eu to sofrendo pra caralho? – Foi a única frase que escapou de sua boca. Continuei apenas o olhando. — Coopera, por favor, me deixe ir.
Fui até ele dedicida. Se não havia outra mulher, se o problema era apenas sua agenda, ele teria que voltar atrás. Quero dizer, eu não podia pagar por uma culpa que não era minha. Segurei seu rosto com o pouco de força que me restava fazendo com que nossos olhos se encontrassem, mas James desviou.
— Será que não consegue ver que existe um buraco dentro de mim quando não te tenho? – Falei alto e pausadamente como se tivesse o poder de fazer aquelas palavras entrarem na mente do homem a minha frente
— E você acha que esse buraco não deve estar BEM MAIOR dentro de MIM? Como você acha que eu estou de ter que olhar pra você e te dizer que deu tudo errado? Que nossos planos de nove anos atrás pensando em um final feliz foram frustrados? Como acha que estou me sentindo?!
Abaixei a cabeça, ele estava certo. Me sentei ao lado do até então meu marido e segurei sua mão apertando o máximo que podia.
— Como eu continuo daqui? – Perguntei mirando o chão
— Da mesma forma que sempre, você é uma guerreira. A pergunta é como EU continuo daqui.
— Pare de pensar só em você.
— Não é isso, Gi. Você sempre se deu tão bem em tudo, sempre foi forte, independente. Eu, no entanto, me apoiei em você como parâmetro para tudo.
— Estou perdida, confusa. Não sei caminhar sem você do meu lado.
Senti sua mão apertar a minha mais forte.
— Não se preocupe, eu não vou te abandonar de vez.
— Meu medo não é esse.
— E qual é?
— Que se apaixone, James.
— Isso não vai acontecer, mas quero que aconteça contigo.
— O QUE? – Arregalei meus olhos
— Você vai precisar seguir.
— Eu não sei do meu futuro.
— Nem eu sei, mas... – Ele deixou em aberto
— Eu te amo tanto, ainda não acredito que estamos nos despedindo e não por não nos amarmos mais, mas sim por causa... por causa dessa ausência.
— É dificil Gi, muito dificil. Mas e como ficamos nisso meu amor? Me diz. Como?
Eu não sabia, mas aquela seria a ultima vez em que ele me chamaria assim.
— Eu não sei, mas me parece tão errado.
— Nada foi errado na nossa relação, tudo foi como deveria ser, menos agora e isso é triste.
— Você está tão convencido do fim que fala como se realmente esse fim tivesse chegado.
— Simplesmente não posso mais roubar seu tempo, sua juventude, seu brilho. Você era uma mulher feliz quando te conheci, Giselle, e no entanto cada vez que cruzo aquela porta encontro sempre os restos de um coração partido. O seu coração.
— Não era motivo para terminar.
— Não é um término, é um acordo, um divórcio sem brigas.
— Ainda assim um divórcio.
— Giselle, nao é uma vontade minha, não vê? Mas é o certo e, por favor, me deixe fazer o que é certo.
Me calei.
— Tem algo que queira dizer? – Ele perguntou
— Muuuuuita, muita coisa.
James ficou parado, como se esperando que eu despejasse o que estava dentro de mim e assim o fiz.
— Eu te amo muito, eu não estou pronta pra perder você, eu não vou saber acordar amanhã sabendo que você ainda me ama com a mesma intensidade e que mesmo assim estou te perdendo por uma culpa que não é minha. – O abracei mais uma vez, algum dia me cansaria de estar no meu lugar mais seguro? Em seus braços?
Meu marido então apenas retribuiu ao carinho e sussurrou próximo ao meu ouvido:
— Pensa bem, você acha justo continuar assim? Acha certo fazer isso comigo ou com você tambem? Acha justo que espere por mais semanas? Meses? Anos?
— Não acho nada justo. Só que ai nos olho desse jeito: nos amando, nos querendo, nos mimando, nos desejando e ai penso "porra, isso está sendo mesmo jogado no lixo?”
— Mas estamos nos magoando.
— Estamos.
— O que a gente faz quando um amor é tão forte, tão verdadeiro, supera tudo, mas se vê tão fraco perto disso?
— Não sei James, não sei. Essa escolha é sua, lembre-se.
Ele levantou-se de repente e parou próximo a porta. Achei que iria sair, mas fui pega de surpresa pela sua mão socando a parede causando um estrondo forte.
— PORRA, ISSO ESTÁ DOENDO EM MIM! – Ele gritou e eu sei que não estava se referindo à mão.
Olhei para James de novo tentando ler qualquer sentimento em seu rosto e me arrependi de tê-lo feito. Meu marido possuía lágrimas nos olhos, lágrimas que não chegaram a cair.
— Se a gente tivesse saindo dessa com ódio, com raiva .. seria tudo muito mais fácil, mas terminar te amando é .. é loucura. – Ele esbravejou — Me dói tanto dizer isso para você.
— Não tanto quanto dói ouvir. – Retruquei
— Me desculpe. – Finalmente James se virou para me encarar
— Diz que me ama? Pela última vez. – Sussurrei, implorei. Era uma súplica da minha alma.
— Eu te amo muuuuuuito – ele deu enfase na palavra — Quero que saiba que te amei e vou continuar amando mesmo que não tenha dado certo.
— Também vou continuar te amando. Não esquece de mim.
— Eu não vou esquecer de você nunca, ouviu?
James aproximou-se mais uma vez segurando-me pela cintura com força. Eu o olhava, procurava seus olhos, nada.
— Preciso tanto te abraçar. – Desabafei
— Abraça. – Ele pediu
E assim o fiz, o abracei com força, com desespero e medo. Dali em diante foram apenas dois dias dormindo em quartos separados e quando menos esperei pude vê-lo arrumar as malas e partir.

- FIM DO FLASHBACK –

Relembrar o fim era doloroso demais. Percebi que meu filho me olhava entretido como se tentasse ler minha mente.
— Terminou a ligação?
— Uhum. – Ele apenas concordou e estendeu a mão gordinha e pequena com o telefone, o peguei e coloquei no criado mudo ao lado da cama
— Venha, vamos dormir que amanhã é segunda feira e temos um dia cheio.
Nicolas veio junto comigo e ocupou o lugar que até então era de seu pai. Nos deitamos e tratei de cobri-lo bem para que não se resfriasse. O abracei protegendo e antes que pudesse perceber já havia caído no sono.