All Of Me
16 Capítulo 16
Notas iniciais
No dia seguinte a ficha ainda não tinha caído. Jade estava sozinha com a filha no quarto. A pequena dormia serena enquanto a mãe estava a devanear. Tantas eram as coisas que passavam na cabeça dela, mas parecia que nenhuma vazia sentido.
Ela despertou ao ouvir a filha reclamar e quando olhou o relógio percebeu que já estava na hora de amamenta-la. Ela aconchegou o pequeno bebê em seus braços, retirou o seio e deixou que a pequena sugasse. Ela se contorceu de dor. As primeiras mamadas são sempre as mais doloridas, mas ela sabia que aquela teria dor teria um proposito lindo.
Quando a pequena terminou, ela a pôs para arrotar e a deitou em suas pernas. A mãe olhava para os escuros e penetrantes olhos azuis da pequena.
—Você é a cara do seu pai, sabia?- ela disse para o bebê. Aurora quase não piscava enquanto olhava para a mãe. Estava fascinada.
—Olha filha, hoje vamos ver o papai. Não liga se ele ficar um pouco envergonhado com você, é que ele ainda não te conhece direito- Jade sorriu para a filha que a olhou confusa e depois sorriu também.
Quarto de Cobra
Ricardo estava aflito. Roendo as unhas, estalando os dedos. Estava nervoso demais para pensar em qualquer coisa. Úrsula tentava acalma-lo, mas sem sucesso.
—Ricardo, você não pode ficar nervoso assim. Isso não te faz bem- ela disse sentada em uma cadeira em frente ao rapaz.
—Será que ela vai gostar de mim, Úrsula?- ele pergunta.
—Ela quem?
—Minha filha. Quem mais?- ele responde como se fosse uma coisa obvia. Ela sorri.
—Cobra, a Aurora tem menos de uma semana de vida. Ela mal sabe distinguir os vultos que vê, mas se isso for te acalmar eu tenho certeza que ela vai gostar de você.
—Valeu Úrsula- ele agradece se acalmando um pouco.
—Por nada- ela diz- Ricardo, tenho que ir- ela diz ao escutar o nome ser chamado nos alto-falantes.
—Úrsula, elas vem mesmo?
—Sim, ela só esta esperando terminar o banho da Aurora- ela responde- Ela vem cara. Pode ficar tranquilo.
—Tá bom.
20 longos minutos se passam e Cobra não aguentava mais a ansiedade. De repente ele escuta passos no corredor. Uma sombra surge pela persiana do quarto. Em um momento o vulto para e parece respirar fundo. Depois de alguns segundos leva a mão ao peito e depois a boca como se estivesse beijando algo. O vulto volta a andar e, novamente, para em frente a porta. A porta se abria aos poucos com a volta hesitante da maçaneta. Cada centímetro parecia uma tortura. O ranger da porta era angustiante, mas por fim ela se abriu e os olhos puderam se encontrar.
Nenhum dos dois poderia descrever aquele momento. Um misto de emoções percorria os dois corpos. Uma conexão forte. Ali se apaixonaram novamente. Como um jogo incrível que se reiniciara para que assim pudesse ter a emoção de joga-lo novamente. Uma aventura a ser vivida mais uma vez e com mais um jogador.
Ela deu o primeiro passo na direção dele e parou por crer que aquele que via em sua frente não poderia ser real. Ela poderia estar sonhando? Claro! Mas ai ele esticou a mão para tentar pegar a dela e então ela não teve duvida. Ele estava realmente ali, em sua frente com o peito frio esperando um abraço quente vindo dela. O amor de sua vida.
Ele respirava pesado. Lhe faltava o ar, lhe escapavam às palavras, lhe sobrava nervosismo. Uma solitária lágrima caiu em seu lençol e o suave e quase inaudível barulho preencheu o quarto como o ruído da primeira folha que caía no outono. Os dois sorriam como nunca haviam sorrido antes um para o outro. Os dois se olharam como nunca haviam se olhado antes um para o outro. Os dois, pelos olhares, se amaram como só havia acontecido uma só vez. Naquela noite fria, nove meses antes onde um novo amor foi gerado. Aquele amor, que estava nos braços da mãe, adormecida, serena e amável.
Ela continuou se aproximando devagar até conseguir tocar a mão dela. Um choque foi sentido por ambos. O encontro demorará tanto para acontecer que uma faísca foi vista. A assim que a energia se comporta quando não descarregada da forma correta. Ela incendeia, as vezes de maneira sutil, como no caso em particular, ou como uma explosão atômica que varre tudo o que está em volta. Eles sentiram a leve faísca na pele com os pelos levemente ouriçados. No centro, em seus corações, eles sentiram a destruição que a bomba era capaz de fazer. Ela varreu tudo. A tristeza, a angústia, a saudade.
Eles ficaram em silencio durante muito tempo. Eles se comunicavam com o olhar.
Jade discretamente colocou a mão de Cobra na perna da filha. Ele respirou fundo tentando encontrar o ar que lhe faltava. Era uma emoção sem tamanho. Aquelas pequenas e roliças perninhas, os longos e negros fios que se rebelavam contra o laço lilás nos cabelos, a respiração rápida, a chupeta com a inicial gravada com delicadas pedrinhas brilhantes, um dos punhos serrados sobre o peito e o outro pendurado, a pele morena bem clara como a cor de um caramelo. Ela era perfeita. Ele não conhecia palavra melhor ou de mais intensidade para descreve-la, mas se essa palavra existisse seria a que ele usaria, sem sombra de duvida.
Ele estendeu os braços ainda em silencio. Estava pedindo para segurar a filha nos braços. Jade entregou com cuidado a frágil criança para ele. Quando a menininha já estava em seus braços ele de fato percebeu o quão delicada ela era. Ele fez o que todo o pai preocupado faria, contou um por um os dedinhos das mãos e dos pés. "10 nas mãos e 10 nos pés", ele disse. E pode suspirar aliviado. Ela era perfeita. Sua princesa perfeita.
—Obrigado!- ele disse chorando.
—Obrigado a você! Você me deu uma das pessoas mais importantes da minha vida- ela respondeu e os dois se abraçaram.
Afinal, no final tudo deu certo...
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