Notas iniciais
Esse capítulo é totalmente concentrado no Aaron. No próximo, será só na Alexia.

GUERRA É GUERRA!

Reescrita (11/04/2020)

Aaron

No dia seguinte, sábado, eu havia decidido dormir um pouco mais, mas, meu pai me acordou cedo para me perguntar se eu havia esquecido. Pô, eu nem sabia onde eu estava.

Demorei um tempo para ver que estava no sofá da minha própria casa. De vez em quando, penso que estou na minha antiga casa. Mas é só questão de tempo para me costumar.

Relembrei a minha conversa de ontem com Alexia. Por ela ter contado um assunto que eu acreditava ser delicado, resolvi tambem contar um problema meu. Uma troca, certo?

—Eu tenho problemas com... Minha beleza? –Havia esperado ela responder, mas tudo que recebi foi a resposta de um silêncio. Droga, ela deve estar no seu mundo de novo. –Não vai dizer nada? –Perguntei virando para olha-la.

Os cabelos curtos estavam tampando o seu rosto e sua cabeça estava baixa e um pouco torta. Aproximei um pouco e ouvi um ronco baixo. Putz, a garota roncava.

—Ela só ronca quando está gripada. –Olhei para trás rapidamente e Seth encarava a irmã. –Você trouxe o celular? –Confirmei, entregando o meu celular. Ele rolou o menu e deu um sorriso animado. –Você tem Candy Crush! –Gritou.

—Shh… -Sibile. Você vai acordar sua irmã.

—Ela não acorda nem se houvesse um apocalipse. Ela só acorda se ela ouvir seu alarme. –Respondeu sem tirar os olhos do celular. –Você está na fase 87? Eu estou na 124. –respondeu se gabando. –Ale não gosta desse jogo, ela só conseguiu passar as primeiras fases.

Eu não esperava que o guri fosse bom nesse jogo. Ele passou a fase na segunda tentativa e eu não conseguia há quase dois meses.

—Você não estava dormindo? –Perguntei semicerrando os olhos.

—Quem é que consegue dormir com o som alto desse jeito? –Alexia? –São quase três horas, você vai dormir aqui?

—Não, eu preciso ir embora. –Ele balançou a cabeça e me entregou o celular. -E vocês?

—Iremos ficar aqui. Antes de ir, me ajuda colocar a Ale na cama?

Fui ao banheiro, escovei os dentes e fui para a cozinha.

—Como foi a festa, Aaron? –Meu pai perguntou. Contei para ele sobre Seth, Alexia e Coxinha. –Você sabe que a Yasmin vai vir?

—Yasmin é minha prima antissocial e que só usa roupas pretas?

—Aaron, não fala mal da sua prima.

—Tanto faz. Ninguém a suporta. E não estava sabendo sobre isso. E você disse se eu estava pronto para buscar algo. O que seria algo?

—Aaron, eu te mandei uma mensagem. Você tem que buscar a Yasmin hoje e daqui a pouco.

—Não mandou não. –Retruquei e levantei pegando o celular no chão e indo para a caixa de mensagens.

"Não demore muito, filhão. Você vai pegar sua prima Yasmim na rodoviária amanhã. Ela vai ficar algumas semanas aqui".

Ah, tá brincando, mano. Aquela pirralha é um pé no saco. Ela é antissocial, grossa e boca suja. Ela chega a ser irritante de tanto que reclama.

—Esse amanhã é hoje? –Perguntei sarcástico.

—Exatamente e é bom você ir agora, falta meia hora para você pegar a nanica. –Bufei. –Ou seja, rala.

***

O véio havia mandado uma mensagem dizendo que o ônibus chegaria por volta de nove horas da manhã, mas nenhum ônibus havia entrado na rodoviária.

—Pai, a pirralha não chegou.

—Ei, filhão, ia te ligar agora. Ela me mandou mensagem dizendo que ninguém foi a buscar. Está na rodoviária certa? Ela disse que está em frente a uma restaurante que tem fachada marrom.

Olhei ao redor, observando uma garota baixa de roupas pretas, com fones de ouvido e sentada em cima de uma mala preta. Tudo era preto?

—Encontrei-a.

—Seja gentil, Aaron.

Suspirei, guardando o celular e indo a sua direção.

—E aí, pirralha. Tudo bem? Fiquei feliz de voc...

—Me poupe a sua falsidade, já basta das meninas da minha escola. Você deixou bem claro na última vez que me odeia. –Resmungou, ficando em pé. Não deixei de revirar os olhos e acabei bufando. Nem parecia que tinha doze anos de tão baixa que é. Xinguei alguns palavrões e peguei a mala de má vontade.

—Ô pirralha, não vai andando na frente e se perder. Você não sabe onde eu moro.

—Por favor, Aaron. Eu tenho DOZE anos e sou mais inteligente que você. –Revirei os olhos e ergui o dedo do meio pra ela. –Delicado, como sempre. Você conhece a palavra Google Maps? Acho que não hein. Babaca.

Ela não havia pedido nenhuma ajuda durante o caminho. Ela simplesmente ativou a voz no Google Maps e seguiu o caminho como se eu não tivesse ali.

Miserável.

Ela ignorou a minha existência até colocar os pés dentro da minha casa. O papai estava lendo alguma revista sobre carros e quando a viu, largou a revista alargando o sorriso idiota.

—E ai, minha sobrinha Yasmin! Continua Linda. –Meu pai a abraçou.

—Oi tio Ronald, que saudades eu senti do senhor. –Sorriu falsamente. –Onde eu vou dormir?

—No quarto do Aaron.

Encarei meu pai, furioso, enquanto ele sorriu de lado para mim. Como queria voltar o dia de ontem e permanecer ali poe toda eternidade. Yasmin virou-se para mim e sorriu.

—Muito obrigada, Tio Ronald. Você é muito gentil.

—É claro. Aaron, você vai dormir no sofá. –Idiota. Garota idiota. Aberração. Está achando que o século XXI é de mundo gótico? Ela sorriu maliciosa para mim.

Eu deveria me preparar.

***

Eu lembrava perfeitamente as confusões que a Yasmin arrumava. Por ser mais velho, sempre sobrava para mim. A pequena felicidade que eu tinha é que ela não é minha irmã e a via poucas vezes no ano. Uma vez, a levei ao museu. Ela quebrou o vidro com a bolinha de gude, que além de atravessar, danificou a estrutura de uma das estátuas. O papai teve que desembolsar quase mil dólares e a perdoou por causa de uma cartinha de desculpas. O papai achava que ela é um anjinho e sempre dizia que isso era a fase de adolescência.

***

Já era o domingo e a pirralha acordou com um péssimo humor soltando um monte de palavrões do quarto até o banheiro compartilhado.

No almoço, ela resolveu uma torta de chocolate. Vasculhou a cozinha e ficou alegre cantando várias música de Rock. Por várias confusões que ela havia arrumado durante esses anos, fiquei desconfiado. Observei o meu pai provar o primeiro pedaço.

Ele me encarou e sorriu.

Cortei um pedaço da torta e dei a primeiro mordida.

—Espera, Aaron! -Meu pai levantou indo até a minha direção. Encarei a nanica, assustado. -Isso são…

Nozes. Completei mentalmente ao sentir meu peito e minha pele coçarem. Larguei a colher começando a sentir falta de ar.

–P-PAI!

Meu pai veio correndo e começou a desesperar. Ele correu para a sala.

—O-O Q-QUE VOC- VOCÊ FEZ CO- COMIGO? –falei quase sem fôlego.

—Nada- Fingiu estar assustada.Eu te mato, garota. Cobra. -Eu não sei o que eu fiz.

Ah, Yasmim, o que é seu está guardado, filha da puta. Antes de eu desmaiar, pude ver meu pai com o celular no ouvido correndo em minha direção, gritando algo que não conseguia entender, antes de cair da cadeira e não enxergar mais nada.