Notas iniciais
Já temos 4 leitores *-------* Podem comentar ;3 Eu não mordo u.u Esse capítulo é concentrado só na Alexia e é um capítulo conflituoso ;cc

A dor é suportável

Reescrita (14/04/20)



Alexia

Acordei quando a claridade entrou no meu quarto. Eu havia esquecido de fechar as cortinas. Demorei alguns segundos para acostumar com a claridade como também reconhecer onde estava. Somente quando sei onde estou que as lembranças invadem em minha mente, fazendo-me sorrir. Senti-me leve de ter contado um pouco dos meus problemas. Há tanto tempo os guardavam dentro de mim e acredito que Aaron foi a pessoa certa.

Meu coração entrou em palpitação ao perceber que meu irmão não estava no quarto. Estar em pânico não ajudava em nada, mas foi automático e sabia que não podia ficar mais calma. Corri escadas abaixo quando ouvi sons de tiro de TV. E vozes. Zac e Seth jogavam Playstation 3 e gritavam eufóricos com algum jogo de tiro. Que cena bonitinha, meu Deus.

—E Ganhei! Você é bem ruim, Zac.

—Isso foi trapaça. –Zac falou fingindo um resmungo. Ele havia deixado o pequeno ganhar, pois Zac é muito bom em Call of Duty: Modern Warfare 2. Zac desviou o olhar da TV e me observou. Ruborizei. –Sabe o que eu mais gosto na sua irmã? –Perguntou e o Seth virou se olhando para mim e sorrindo, sem um dente. –Ela não passa muita maquiagem, o que a deixa bem mais linda o que já é. E ela não reclamava quando eu dava atenção para o meu filhote, Playstation 3, ao invés para ela. –Sorriu e eu revirei os olhos. Ele não precisava ter comentado na frente do meu irmão. –Ela gosta do meu filhote, o que me alegra bastante. –Completou e eu gargalhei.

—O que aconteceu com seu dente?

—Estava mole e o Zac me ajudou a arrancar. –Arqueei uma sobrancelha. –Com fio dental.

O que eu mais admirava no meu ex-namorado é que ele gostava do Seth. Comprava as coisas para ele e brincava. A melhor coisa que tem é você não se arrepender do namoro. Apesar de ele ter sido o único namorado que tive.

—Você já tomou café da manhã? –Perguntei aos dois e ambos assentiram. –Vou escovar os dentes e já desço para irmos embora. –Falei e fui ao banheiro, usando uma escova de dentes nova. Quando dormi aqui pela primeira vez, Zac havia me contado que sempre teria uma escova de dente nova. Ele gostava de mostrar que veio do berço de ouro e não escondia isso. Molhei o rosto e peguei as coisas que deixei para trás.

—Vai embora sem comer nada?

—Tenho que ir para casa, tenho hora para chegar. –Respondi olhando o relógio que estava no alto da parede. Nove horas.

—Come fruta. Tem morangos e uvas. –Zac tenta me convencer.

—Eu não quero ir para casa, Ale. Vamos ficar. Por favor.

—Não podemos. Despede de Zac que vamos embora.

—Mas o papai...

—Despede. Do. Zac. –Interrompi falando pausadamente. Ele olhou triste para mim e o abraçou. O celular tocou. Atendi.

—Não traga o Seth para casa. –Minha mãe sussurrou.

—O que? Por quê?

—Só não traga, deixa-o na casa de um amigo dele e...

—Com quem você está falando mulher? –Outra voz mais grossa surgiu. Papai. –É a Alexia? Me dá daqui! Aqui sua ingrata! Você está atrasada! Você vai apanhar como nunca apanhou na sua vida! E traga o Seth, ele está merecendo umas bofetadas... TU TU TU... –Era óbvio que a mamãe havia desligado.

Eu precisava ir embora. Eu precisava interrompê-los. Os dois garotos me encaravam. Sorri falsamente.

—É minha amiga. Seth, dessa vez, você pode ficar com Zac, eu irei até a casa de Liz e depois voltarei para te buscar. –O baixinho me abraçou pela cintura e o Zac sorriu, balançando a cabeça concordando. –A responsabilidade é sua.

—Pode deixar, Alexia. Eu posso te levar até a casa de Liz.

—Não precisa. –Respondi. –É pertinho mesmo. –Abracei os dois e o ruivo saiu indo para cozinha. Olhei para meu irmãozinho e agachei ficando na sua altura. –Você não pode falar nada do papai para Zac, você pode piorar a situação. Promete que não irá comentar nada sobre isso.

—Prometo.

—Aqui algumas uvas e morangos. –Agradeci e fui embora.

Eu imagino o que estava por vir. Já passei por essa situação tantas vezes. Corri mais rápido que pude. Suor escorria pelo meu rosto de tão calor que estava. As pessoas olhavam para mim como se estivesse vendo uma fugitiva. Encarei a porta da minha casa e fiquei com receio de virar a maçaneta e ver coisas piores. Meus estavam discutindo e não poupavam as vozes altas. Os olhares foram direcionados a mim e vi a fúria no olhar do meu pai, uma fúria tão horrorosa. Um medo tomou conta de mim. O pior estava por vir. Por um minuto, segurei a respiração.

Minha mãe olhava para mim como se estivesse em desespero. O olhar claro que eu havia cometido um erro. Meu pai tirou o cinto da calça e eu saí correndo, subindo as escadas e me trancando no banheiro.

—Chega! FORA DA MINHA CASA! -Lágrimas escorriam pelo meu rosto. Eu já não aguentava mais. Apesar de papai ser um ordinário, eu não queria que ele fosse embora. Até agora. Ouvi tapas e móveis sendo derrubados. Não... NÃO! Desci as escadas e vejo meu pai a batendo. NÃO! ISSO EU NÃO POSSO ACEITAR. Eu corri até eles. E eu o empurrei, fazendo seu corpo se chocar contra o armário, alguns objetos de vidros caindo e se despedaçando. Meu pai endireitou o corpo e avançou em mim puxando meus cabelos, me arrastando pela escada.

—ME SOLTA! Por quê, pai? Por que você é assim? Ninguém fez nada para você. Me solta! –Chorava aos prantos e meu pai me jogou no meu quarto e trancou.

—Agora você vai aprender uma lição, sua vagabunda.

As cintadas dele doíam tanto, marcavam o meu corpo. Enquanto ele me batia, eu refletia e já não sentia o meu corpo. Só sentia que estava quente. Eu queria saber porque o papai era desse jeito. Mesmo ele sendo um pai tão ruim, eu amava meu pai. Eu implorava por uma atenção dele, mas ele só dava para bebidas. Minha vida nunca seria boa. Nem os meus cortes tiravam minha dor, nem meus remédios tiravam minha dor. Nada tirava minha dor. Naquele momento, eu queria que as cintadas me matassem para que eu parasse de sofrer, mas aí a imagem do Seth veio a minha mente. Ele sofreria mais. Muito mais. E eu me senti um pouco feliz.

Mesmo a mamãe implorando do outro lado da porta para que meu pai abrisse, eu ainda estava um pouco feliz. Seth não está passando por esse momento. E por mim, ele nunca passaria. Eu apanhava calada, mas o que diminuía menos de 1% da minha dor é meu irmãozinho. A pessoa que eu mais amo nessa vida.



Notas finais
Tadinha ;/ Ela gosta bastante do irmão dela. Gostaram? Espero não ter ficado muito forte .-. Beeijos!