All I Need

11 Secret Letters


Notas iniciais
Ok podem me bater, eu demorei pouco mais de duas semanas. Mas olhem o lado positivo!!!! Quinta-feira tem outro cap! Sim *-* Dois na mesma semana (^-^)/
Vou sair e quando chegar respondo o reviews maravilhosos que me enviaram tá?
Boa leitura (^.^)
(tem casal novo na área fufufu)
Musica: http://www.youtube.com/watch?v=HZuzi4yhsQ8

“Lembro-me, lembro de você

Lembro-me, ainda perto de você

Não há necessidade de temer a distância aqui

Secret Letters – Hyde”

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A atmosfera opressora não lhes permitia mais que aquilo. A distância entre os dois era pequena e desnecessária, mas ainda assim insistiam em ficar longe um do outro. Naquele lugar, ‘perto do nada’ como alguns chamavam, eles se encontravam sempre. Trocando sentimentos através de algumas poucas mas perfeitas palavras escritas nas cartas de caligrafia tão bem cuidada. Aquela era a forma que encontravam de se comunicarem, de se expressarem, e dizerem o que sentiam.

O moreno de olhos mais claros sentiu o vento bater com certa violência contra si, fazendo a sua cútis se arrepiar levemente. Aquela sensação, para si, era a melhor. Era a prova de que estava vivo e de que não era apenas um fantoche sem alma ou sentimentos. Mesmo que, o homem a sua frente, provasse que ele estava longe de ser tal pessoa.

Olhou à volta, encontrando apenas árvores que dançavam com a música que o vento fazia, quer dizer, o som do qual tentava se recordar, afinal aquele moreno sempre escrevia em todas as cartas, que o som do vento era mais belo que qualquer música que o débil ser humano escrevia.

O moreno estendeu para si o envelope lacrado, dando um sorriso tímido e verdadeiro. O único sorriso que o mesmo sabia dar, sempre de forma doce. Mesmo que na realidade só fosse doce consigo.

Já reparou que estamos no fim do Outono? Aqui nas montanhas é tudo mais lindo, mais verde, mais cheio de cores. Não se ouve nenhum barulho de carros, ou da oficina que tem perto de nossas casas. Mesmo que você não possa ouvir vou tentar descrever como é irritante o som dos metais se chocando: Tente imaginar que alguém belisca insistentemente sua orelha, ou passa uma agulha sobre ela, dando picadas as vezes. Esse é o som dos metais se chocando. Completamente irritante.

Aqui não há disso. É tudo calmo, não se ouve um só som, senão aqueles que a natureza provoca.

Os pássaros cantam a música que o vento toca melodicamente e, as árvores, as flores e a relva dançam com graciosidade descomunal a mais bela canção que existe. Não há nem ao menos um ínfimo som provocado pelo ser humano. Apenas a música de mais alta qualidade.

Mas eu acho que você pode sentir um pouco do que digo agora, não? Sente na pele quão maravilhosa e esplêndida é a sensação de ser embalado pela elegância da natureza? É grandiosa demais e incompreensível demais para que um simples homem possa explicar, não?

Desculpe se não consegui explicar de forma coerente quão perfeita é a sensação de poder sentir a natureza em pele. Eu sou apenas um humano falho.

Mais uma vez mil perdões, Kohara-kun.

Com carinho, Shinji.”

Assim que terminou de ler sentiu lágrimas grossas e quentes escorrerem por seu rosto pálido. Mas elas não eram de tristeza, e sim de alegria. A verdade, era que praticamente tinha ‘ouvido’ com aquela pequena carta. Tinha se sentido maravilhoso e mais do que nunca, completo.

– Obrigado – Sussurrou, apenas sabendo que assim tinha sido pelo arranhar fraco das cordas vocais em sua garganta.

Há muito não podia ‘ouvir’ daquela maneira. Na verdade, desde seus dez anos que não ouvia aquele som. Desde que havia caído daquelas malditas escadas e batido com a cabeça.

Conseguia falar, mesmo sem saber se estava pronunciando tudo certo, mas conseguia. E claro, fazia um esforço quando era pelo homem à sua frente, afinal, devia muito a ele. Seus sorrisos sinceros eram somente dele. E o sentia de uma forma diferente, como se sempre o tivesse conhecido. Mesmo que isso fosse impossível, já que, haviam se conhecido à apenas alguns poucos meses.

O moreno se aproximou quase em camêra lenta, com cautela, esperando qualquer rejeição do outro, mas nada vinha. Na verdade aquele homem apenas queria que ele se aproximasse, mesmo que parecesse impossível. Mesmo que não fosse nada sério demais.

Quando finalmente estava quase colado ao seu tão adorado “surdo”. Parou, abrindo os braços e permitindo que o mesmo se acomodasse entre seus braços e chorasse descontroladamente em seu peito. Todas as mágoas, toda a dor, toda a discriminação.

E era sempre assim. Sempre começava e acabava dessa maneira. Eram as regras: Só se aproximarem após a leitura das cartas.

O moreno já sabia que o outro era tímido, indefeso e sofrido demais. Por isso, mesmo que em momentos como esses, apenas o quisesse beijar, escrever se declarando para ele, dizendo que o queria sempre para si, evitava. Tinha medo de que com isso o mesmo se afastasse, com temor de si.

Passou-se toda aquela tarde ali, naquela montanha particularmente baixa, mas alto o suficiente para que pudessem se desligar do mundo. E para que o moreno de olhos mais claros, pudesse dormir como só fazia aos finais de semana, envolvido pelos braços quentes de seu protetor. Da pessoa que estranhamente, o completava de forma absoluta, como se já o fizesse a centenas de anos.

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Andavam lado a lado, andando pelas ruas sem pressa, com uma tranquilidade e calma quase descomunal para o local onde moravam.

Shinji se permitiu rir com esses pensamentos, afinal, Hokkaido estava longe de ser um lugar calmo. As ruas eram demasiado agitadas como em qualquer outra cidade grande do Japão. Carros buzinavam insistentemente, pessoas andavam de modo apressado, voltando para suas casas.

Ali não havia calma.

Continuaram andando, enquanto observavam algumas pessoas que corriam para pegar os táxis, e discutiam entre si sobre quem tinha chegado primeiro. Era uma cena cómica mas ao mesmo tempo ridícula. Poderiam ser um pouco mais adultas…

– Os japoneses sempre vão ter que sentir vantagem quanto aos outros. – A voz levemente nasalada se fez presente em contraste com as ruas barulhentas, e Shinji se assustou um pouco com a fala repentina do mais novo. Ele tinha essa mania… Ficar até mesmo horas calado, e então de repente falar algo.

Shinji se permitiu rir, ao ver o pequeno susto que tinha tomado, mas o mesmo não durou muito já que logo escrevia com atenção e semblante sério, algumas frases para responder à afirmação de Kohara. Ele gostava do modo de como os japoneses viviam, mesmo que também achasse algumas coisas exageradas, às vezes.

Após terminar de escrever entregou o celular para o moreno de olhos mais claros.

“ Eu tenho orgulho de ser japonês, e vivo verdadeiramente como um, porém, discordar de que todos tentamos ser os melhores, seria mentir. Mas pense pelo lado positivo Kohara-kun, todos queremos transformar nossos sonhos em realidade, todos os sonhos, mesmo que sejam altos demais este povo tenta loucamente alcançar. É algo do qual nos devemos orgulhar.”

– É verdade. O grande problema é quando isso sai da reta profissional. – Voltou a falar, olhando para o nada, como se pensasse em algo. E Shinji sabia exatamente no que ele estava pensando. E sinceramente odiava a ideia de ter o homem ao seu lado pensando em coisas tão ruins, o fez desviar o assunto radicalmente, mesmo que tentasse o fazer de modo mais solene.

Gentilmente tomou o celular das mãos do mais novo, para então começar a escrever novamente. Mesmo que dessa vez fosse algo menos sério e até mesmo fofo de sua parte.

“É verdade, mas ao menos assim tentamos ser uns mais bonitos que os outros! Aí depois você olha em alguns lugares e vê cada pessoa mais linda que a outra! Ah… espera… nem todos os japoneses têm um estilo muito confiável.”

Mal Kohara leu aquilo e deu uma gargalhada gostosa e alta, que chegou até mesmo a chamar a atenção de algumas pessoas que passavam ao lado dos dois.

Yamambas, lolitas, otakus exagerados... Definitivamente a visão da cidade, por vezes, parecia colorida demais.

– Com certeza! – Kohara exclamou, ainda rindo um pouco.

Repentinamente Shinji apontou para um restaurante familiar que existia ao fim daquela rua, e Kohara sorriu assentindo. Já podia sentir sua barriga roncar e doer pelas horas que havia ficado sem comer.

Andaram rapidamente até ao restaurante simples. E assim que chegaram puderam sentir o maravilhoso cheiro de comida caseira. O cheiro da infância dos dois. Mesmo não se conhecendo desde pequenos, acabaram por descobrir que ambos frequentavam o mesmo restaurante quando mais novos, e apesar desse fato em comum, não se surpreenderam muito com o mesmo, já que a maioria das famílias mais pobres iam ali pra comemorar situações importantes, antigamente.

A aparência ainda era a mesma. As cortinas eram finas e de uma cor creme, as cadeiras e mesas de madeira bruta, num tom castanho-escuro quase avermelhado, o balcão pequeno ainda era da mesma madeira que as mesas, e as toalhas eram de uma cor também creme, mas limpas ao ponto de parecerem imaculadas. O local também tinhas várias janelas, o que lhes permitia ter uma visão ampla da rua movimentada. Era um local familiar e simples. Apenas isso.

Sentaram-se e após alguns segundos uma garota, que bem sabiam ser a filha da cozinheira e dona do local, lhes cumprimentava e entregava o cardápio que estava disponível para aquele inicio de noite. Não demorou para que ambos fizessem seus pedidos e a garota saísse.

Ficaram em silêncio alguns minutos, e isso permitiu que Shinji pensasse na proposta que queria fazer a Kohara a muito tempo, mas que não tinha coragem de dizer, aliás, entregar, já que a mesma estava pacientemente explicada numa pequena carta. Tentava a todo o custo pensar que não seria demasiada ousadia de sua parte, afinal, não passavam de amigos que ainda usavam sufixos nos nomes um do outro, mesmo que isso fosse por pura timidez.

Respirou fundo tentando pensar no que fazer. Já havia pensado muito naquilo enquanto o mais novo dormia em seus braços mais cedo, porém não havia chegado a conclusão alguma. Estava indeciso e desprovido de qualquer confirmação ou negação sobre o assunto. E se ele se afastasse? Como aguentaria viver sem o mesmo? Necessitava dele, o sentia como parte de si, como a pessoa que o completava.

– Shinji-kun? – Aquela voz interrompeu sua linha de raciocínio, e acabou sorrindo para o mesmo, pensando no quão encantador ele ficava lhe olhando de modo curioso. – Algo errado? – Shinji sorriu abertamente, negando devagar com a cabeça e, tomando uma decisão que talvez o fizesse se a arrepender mais tarde, fez sinal com as mãos para que o mais novo esperasse.

Com cuidado retirou do grande bolso de seu casaco, um outro envelope, e após alguns instantes encarando o mesmo, suspirou e estendeu-o para Kohara.

Era visível a curiosidade e confusão do outro. Afinal as cartas só eram lidas naquela tão conhecida montanha. Mas agora estavam ali, num restaurante com bastante gente, sentindo o cheiro maravilhoso da comida e o mais velho simplesmente lhe entregava um envelope. Definitivamente não sabia o que estava acontecendo. Mas ainda assim tomou aquele envelope das mãos do outro e com cuidado abriu-o, olhando para Shinji antes de ler, como se pedisse permissão. Permissão essa que lhe foi concedida, mesmo que de modo hesitante.

Então finalmente começou a ler.

“ Shou… Me desculpe se é ousadia te chamar dessa maneira, afinal apenas seus amigos mais próximos te chamavam assim quando criança. Mas eu acho que já sou próximo o suficiente, não? Ficaria até feliz se me chamasse “Tora”, como meus amigos me chamam.

Eu estou cansado de te ver sofrer, neste lugar. De ver o quão descriminado e o quanto aquela mulher e seu maldito “irmão”, pisam em você. Então eu queria te propor algo. Algo que não sei bem como dizer, ou com que palavras usar, mas então eu apenas vou arriscar assim, de modo direto e curto.

Vem para Tokyo comigo?

Eu tenho bastante dinheiro guardado, e você também tem. Ambos juntamos esse dinheiro e vamos para Tokyo esquecer dessa cidade, dessa gente, de tudo isso. Deixe suas mágoas e suas dores enterradas naquela bendita montanha e venha comigo, por favor.

Se você não confiar o suficiente em mim para deixar seu dinheiro em minhas mãos, você pode ficar com o meu, você pode controlar, eu não me importo. Apenas quero sair daqui e tentar algo novo. E te fazer feliz…

Há também outra coisa que quero que saiba. Não quero que se sinta pressionado pelo que vou dizer, apenas quero que saiba afinal não quero mais esconder isso… Eu te amo mais que tudo, por isso seu sorriso é o que mais quero ver em seu rosto. Quero te dar uma vida nova, enquanto ainda é cedo. Você me permitiria isso?

E também… Sinto que há algo muito forte que nos puxa para lá. Sinto que vai dar certo. E eu posso arranjar trabalho lá facilmente, como contador. E você não será descriminado como é aqui, afinal sempre que recebe alguma ligação com propostas de trabalho, sua mãe estraga tudo dizendo que você nada pode fazer.

Lá você poderia ser fotógrafo como sempre quis, lá ela não irá te atrapalhar.

Por essas razões proponho isso. Não pense que espero que me retribua meus sentimentos. Mas espero que aceite minha proposta de começar denovo, comigo ao seu lado, da forma que quiser.”

Kohara terminou de ler aquilo com os olhos arregalados. Era um choque grande demais para si, porém, estava feliz por saber que o homem a sua frente se importava consigo a esse ponto. E que o amava também… Ah… ele poderia saltar de alegria só por ter lido aquele ‘eu te amo’.

Encontrou os olhos mais escuros que os seus e trocaram um olhar intenso que só foi cortado pelo fato da quente mão de Kohara ter sido posta sobre a mão gelada de Shinji. E em seguida o sorriso aberto que adornou seu rosto de forma delicada e feliz.

– Eu vou com você, Tora. Para Tokyo… E se possível como seu amante. Afinal... seus sentimentos são totalmente recíprocos.

Notas finais
Vocês provavelmente ficaram confusos com esses dois nee? kkkk Mas tipo assim, eles tinham de entrar e bem... essa foi a entrada deles na fic.
Se puderem e quiserem deixem suas opiniões (^.^)
Please? Onegai? Por favor?
Obrigada por tudoooo. O proximo cap vem na 5ª feira ^.^