All I Need
12 Chaconne 2
Notas iniciais
Bom eu particularmente gostei desse capítulo, e é quase obrigatório ouvi-lo com música, pois ela vai dar uma emoção diferente *-*
Link da musica: http://www.youtube.com/watch?v=czg4qDhxmEk
*/Saga’s pov\\*
– Estou farto! Você não vê, Yutaka? Você está jogando mais uma chance fora! – Gritei alto demais, deixando que minha voz atingisse um tom absurdo. Podia ver claramente nos olhos do outro a surpresa e ainda assim, a teimosia que persistia em estragar todos os meus planos para fazê-lo grande.
– Modere seu tom de voz, Takashi. – Ele disse em tom brando demais, o que me deixou ainda mais irritado.
– Moderar meu tom?! O que raios você pensa que está acontecendo? Acha que sou obrigado a ganhar esse mísero salário que você me dá para o resto da vida?! Acha que eu tenho de estar aturando ligações, perguntando se você quer patrocinadores para uma exposição em alguma galeria e ver você recusando insistentemente a todos?! O que você quer Kai? Morrer de fome?! Vender quadros na rua?! Será possível que você não se toca que tem um talento enorme que pode ser usado para mais do que alguns quadros para milionários, isso, quando eles resolvem encomendar algo?! Eu não sou obrigado a nada disso! E ainda assim continuo do seu lado, tentando te convencer de que você pode ir muito mais longe que isso! Mas não! Eu sou o dramático que está com apenas dois meses de salários atrasados e quase sendo despejado! Mas claro que isso não é razão para eu perder a cabeça! Eu sou apenas um filho de uma puta dramático não é, Yutaka?! – Diante de minhas palavras seus olhos se arregalaram e pude ver uma surpresa ainda maior não só em seus olhos como também em sua face. – Ah… eu não contei não é? Que eu estava quase sendo despejado? Pois é, me desculpe. Espero que não esteja muito frio nos próximos dias, senão eu acabarei pegando alguma pneumonia quando dormir debaixo da ponte. – Concluí, encarando meu pintor, que naquele momento mais parecia um boneco de cera de tão branco que estava. Isso pra não falar da boca entreaberta e da respiração que parecia sequer existir. – Vou ver com o novo cliente o que ele pretende. Espero que seja o suficiente para pagar o que me deve. – E seguido daquilo me retirei do local, batendo a porta de seu ateliê, que também era casa.
Com força e a passos rápidos me afastei, sentindo meu coração quase pular para fora da boca e meus olhos começarem a derramar lágrimas continuas e estupidamente dolorosas.
– Pare de chorar seu idiota! – Sussurrei para mim mesmo enquanto entrava no meu carro e começava a dirigir até ao ponto de encontro com o tal cliente. – Como você vai encarar o cliente dessa forma, hum? Deixe-se de merdas! – Desta vez eu gritei, não ligando se estava parando pelo maldito transito e se pessoas me ouviam.
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Estacionei em frente à pequena cafetaria, totalmente desconhecida para mim, mas ainda assim de aparência agradável. Saí com pressa de meu automóvel, afinal eu estava um pouco atrasado por conta do engarrafamento anterior, mesmo sendo apenas dois minutos já era um atraso, e eu gostava de ser pontual.
Adentrei o local, sentindo o maravilhoso cheiro do café expresso entrar em minhas narinas juntamente com o cheiro de alguns bolos e pães que estavam na vitrine sob o balcão de vidro. Mas meu olhar se desviou daquelas tentações quando me lembrei que minha real razão de estar ali não era comer e sim fazer negócios, que talvez fossem a minha salvação, pelo menos por um tempo.
Meus olhos vagaram devagar e atenciosamente sobre o local, procurando a figura que supostamente estaria com uma camisa social azul, afinal eu tinha falado com seu pai, e o mesmo tinha dito que ele estaria vestido dessa forma. Não demorei muito a encontrar um homem de aparência estranhamente engraçada, talvez pelas bochechas volumosas e rosadas. Ele estava tomando distraidamente seu café enquanto olhava para fora do local. Eu poderia jurar que ele havia sido meu amigo de época escolar, talvez por ele me parecer um tanto familiar.
Me aproximei já um pouco apressado e com curiosidade e tom de dúvida perguntei-lhe:
– Murai Naoyuki-san? – O mesmo ergueu o olhar, sorrindo docemente e se levantando em seguida para estender sua mão.
– Sakamoto Takashi-san. – E ouvi-lo dizer o meu nome me fez perceber que até mesmo sua voz me era conhecida demais. Ele provavelmente havia sido um bom amigo do colegial, já que ele me passava uma sensação de que tínhamos tido uma intimidade muito forte. Não digo que de um modo amoroso, mas sim como quase irmãos. Sim, era essa a sensação que ele me passava, a sensação de um irmão.
Apertei sua mão, correspondendo seu sorriso de modo gentil e em seguida nos sentamos, com intenção de começar nossos negócios.
– Seu pai me ligou explicando algumas coisas sobre o quadro, mas me disse que o senhor teria mais detalhes sobre ele. – Comecei para inicio de conversa, e ele voltou a sorrir. Oh, se ele continuasse assim iria parecer o maldito Yutaka.
– Sim, claro, ele me explicou com todos os detalhes. Meu pai é apaixonado pintura que o misterioso K.A.I, nunca quis vender, ‘Chaconne’, por isso ele teve essa inspiração de pedir para que K.A.I-san fizesse uma segunda versão da mesma.
Ele disse aquilo de modo simples demais, e eu até mesmo tive ímpetos de me levantar, pedir desculpas e dizer que não seria possível. Ele realmente não fazia ideia do quão absurdas suas palavras soariam aos ouvidos de Yutaka.
– Ah sim… interessante. Continue. – Eu disse, de modo a parecer interessado, quando na verdade estava horrorizado. Agradecia a Deus mentalmente por ser eu ali e não Yutaka.
– Na pintura original, o salão de festas em estilo barroco, está maravilhosamente detalhado de uma forma romanticamente sombria, e isso encanta qualquer pessoa que a veja, mesmo que poucos a conheçam. – Ele continuou de modo mais entusiasmado. E eu apenas queria gritar, pois, realmente aquele quadro poderia até mesmo ganhar títulos, mas como sempre Yutaka queria ficar em sua pequena concha pintando mais para si próprio que para os outros. – Meu pai pensou, que para o quadro não ser igual ao original, ele poderia ser detalhado de uma forma mais alegres, com tons mais vivos, e ao invés de ser um salão de festas dentro do palácio, ele poderia ser um salão de festas ao ar livre, no algo meio de um jardim. Esse seria ‘Chaconne 2’ – Aquela ideia me parecia ótima e o quadro com certeza renderia um bom pagamento, mas eu tinha certeza absoluta de que o maldito Yutaka não iria aceitar de forma alguma. Afinal ‘Chaconne’ era para ele seu quadro mais precioso, aquele que ele guardava como um filho naquele ateliê. Ele nunca, jamais, ousaria “corromper” seu amado quadro.
– Bem Murai-san. – Comecei e acabei por ser interrompido.
– Pode me chamar Nao. – E ele voltou a sorrir, o que lhe foi prontamente correspondido.
– Nao-san, acho a ideia de seu pai genial, porém, ‘Chaconne’ é um quadro de grande valor para K.A.I, ele provavelmente não teria essa ousadia, de fazer uma outra versão. – Vi o homem à minha frente suspirar e uma frustração enorme tomou conta de mim. – Mas eu posso tentar falar com ele e explicar tudo. Talvez ele aceite. – Da mesma forma que o suspiro cansado havia saído espontaneamente, um sorriso aberto também acabara de se formar em sua face.
– Conto com você então, Takashi-san! – Ele disse aquilo de modo um pouco infantil, ao mesmo tempo que tentava manter sua postura séria, o que me fez rir baixo.
– Certo. – E após aquilo eu me senti mais motivado, mesmo que soubesse que a possibilidade daquilo dar certo, era quase nula.
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*/Ruki’s pov\\*
Abri a porta do apartamento lentamente, eu estava me sentindo morto. Depois de tanto trabalho, de tanta ansiedade, eu apenas tinha levado um fora, para não dizer pior. O homem que eu amava, dizia não se lembrar de mim e ainda me desprezava. Aquilo me doía profundamente, porque eu apenas precisava de um tempo para eu lhe mostrar que eu era realmente o amor da sua vida, e para nos lembrarmos juntos, de como nos havíamos amado na vida passada. Mas eu havia sido rejeitado antes mesmo de falar qualquer coisa com ele. Desse jeito, sem explicação, apenas com um desprezo e nojo incomum.
E eu já estava chorando.
Tirei meus sapatos e segui até meu sofá, deitando-me sobre ele e fechando os olhos com força, tentando esquecer do quão insensível e prepotente Reita havia sido, e da forma rápida e curta com que tinha me cortado. Ele parecia tão mais calmo e tão mais apaixonado naquele bendito sonho. Ele até mesmo me beijou…
Uma de minhas mãos rapidamente tocou minha boca de leve, tentando sentir novamente a textura macia dos lábios quentes e suaves do loiro. Oh, como eu queria sentir seus lábios nos meus novamente. Queria apenas que ele me ouvisse, que ele parasse para me encarar, me olhando no fundo dos meus olhos. Tenho certeza de que se ele olhasse para mim por apenas mais que alguns poucos segundos, ele conseguiria ver o quanto o amo, mesmo sem nunca o ter visto nesta vida. Assim ele perceberia… que o laço de algo que já nós pertence desde sempre, não pode simplesmente se desatar.
Talvez ele apenas se sentisse inseguro demais, perdido e descrente pois essa nova vida tinha circunstâncias diferentes, mas mesmo assim, mesmo com seus pensamentos humanos, que fazem ainda menos sentido que o que parece tão irreal… mesmo assim ele não encontraria resposta, pois é tão simples como isso: Sempre nos pertencemos.
Mesmo que a solidão apertasse em meu peito, mesmo que ela me fizesse gritar e chorar por ter sido desprezado, algo me tocava o tempo todo, me dizendo que não era assim, que ele não poderia simplesmente ignorar sua metade. Sim, eu queria acreditar em tudo isso, porque eu sabia que no meu interior uma batalha de pessimismo contra otimismo começava a ocorrer, e se eu não tivesse forças para sustentar meu otimismo, eu acabaria perdendo qualquer controle.
– Ruki-san. – A voz tão conhecida chegou aos meus ouvidos em um tom adoravelmente fofo. Eu não poderia mentir, eu adorava infernizá-lo talvez por ele, às vezes, conseguir ser mais fofo que eu. Eu disse às vezes!
– Hiro-chan, senta aqui, por favor – Pedi em tom suave, assim que abri meus olhos e me sentei de modo ereto no confortável sofá. Pude também contemplar os orbes chocolate muito escuro, se arregalarem quando me fitaram. Sim ele era realmente fofo demais, quando queria.
– Ruki-san, você… esteve chorando? – Ele perguntou preocupado e se sentou ao meu lado, ainda com os olhos levemente arregalados.
– Chegue-se mais para lá. – Mesmo confuso, ele me obedeceu chegando até a ponta do sofá que não era assim tão grande mas que dava perfeitamente para eu me deitar. Não que eu seja pequeno… eu tenho um tamanho mediano, e o Hiroto é apenas alguns centímetros mais alto que eu…
Me deitei com a cabeça em seu colo e fiquei olhando para sua face completamente confusa e ao mesmo tempo desesperada. Ele estava com medo?! Oh Deus, eu tinha o tratado assim tão mal?!
– Ruki-san…? – Eu sorri doce, tentando lhe passar tranquilidade, e vi que isso logo surtiu efeito. Ele me sorriu e começou a afagar meus cabelos, de um modo estranhamente familiar e carinhoso. Acabei fechando os olhos e deixando mais algumas lágrimas, dessa vez ainda mais grossas, escorrerem por minha face. Eu estava me sentindo fraco.
– Nee Hiro-chan… Eu fui rejeitado pelo Reita. Ele nem me olhou direito, disse que tinha mais o que fazer. Coisas mais importantes que eu. Ele foi tão curto e direto, que eu me senti ainda mais pisado do que se ele tivesse me xingado. Ele sequer se deu ao trabalho de me chamar nomes, ou de me dizer alguma frase de mau gosto antes de virar as costas. Ele apenas não se deu ao luxo de me olhar, porque tinha… mais o que fazer… — A medida que eu falava eu soluçava, deixando meu choro mais constante e meus soluços mais altos. – Eu estou tão mal, Hiro… — Voltei a falar e o que veio a seguir me fez soluçar ainda mais alto. Hiroto se abaixou e me deu um beijo carinhoso em minha testa, e em seguida disse uma frase que me acompanhava desde sempre.
– Não confie em sua própria sombra, pois na escuridão, ela é a primeira a te abandonar… – Eu não sabia que era possível chorar ainda mais, mas eu chorei, as lágrimas não paravam de sair, e só de ver o sorriso doce em seu rosto, eu sentia vontade de lhe morder e bater ao mesmo tempo, por ele me fazer parecer tão sensível. – …Mas confie em mim porque onde quer que estejas eu estarei pra te apoiar. – Outro beijo foi depositado em minha testa, dessa vez muito mais demorado.
– Idiota! Para de me fazer chorar! Seu idiota, otário, inútil!!! – Gritei logo que ele se afastou. E mesmo eu gritando tudo aquilo com ele, ele permanecia com aquele sorriso fofo nos lábios pequenos e gordinhos. – Não gosto de você! – Voltei a gritar e dessa vez ele riu baixinho e eu acabei rindo também.
– Você decide… Prefere chorar ou rir? – Pus minha língua de fora, sorrindo em seguida, e ele secou minhas lágrimas.
– Eu prefiro o Ruki sorrindo. – Assenti e após isso ele voltou a afagar carinhosamente meus cabelos, começando a cantarolar “Chaconne” do pianista Yiruma, uma música que nos era especial demais, desde sempre, talvez.
Eu ainda abri meus olhos algumas vezes para observa-lo sorrir afável para mim, mas logo minhas pálpebras foram pesando e minha visão foi escurecendo. Eu acabei dormindo com seu cantarolar afinado e suas mãos em meus cabelos.
Um sonho estranho mas lindo o suficiente foi se passando em minha mente, como um filme. Um sonho onde estão dez pessoas em volta de uma mesa, eu estou sentado no colo de alguém… Ah… não espera esse é o Reita… Eu agora grito com alguém à minha frente, mas eu não sei quem essa pessoa é, porque está escuro demais. Hum… Está esclarecendo. Ah! Eu devia ter imaginado, Hiroto!! O que ele faz comendo os meus chocolates!? E quem ele pensa que é para se proteger de mim pondo o Saga na frente! Esse maldito esquilo! Espera… Saga? Sakamoto Takashi, namorado de Ogata Hiroto…
– Hiroto! – Gritei e me ergui com rapidez, mas ele não estava mais afagando meus cabelos, eu estava no meu quarto e não na sala.
– Tem certeza? — Ouvi a voz do mais novo vinda da sala, e curioso me levantei da cama, caminhando primeiramente até ao meu banheiro, para lavar a cara borrada de maquilhagem e completamente suada.
– Estou uma lástima… — Suspirei ao me olhar no espelho e resolvi que não era apenas de lavar a cara que precisava e sim de um banho. Por isso comecei a retirar minhas roupas e logo me encontrava dentro do box, tomando meu banho quente rapidamente, pois ainda estava curioso quanto ao Hiroto… Ah, mas deveria ser apenas o Aoi.
Após meu banho fui até meu guarda-roupa e separei uma calça de moletom preta e quentinha e uma regata azul. Penteei em meus cabelos de modo desleixado e segui até a sala, para ouvir o que Aoi tinha a dizer. Ao menos ele tinha se dado bem, pois antes de vir embora, ainda tinha visto aqueles dois abraçados e deitados sobre o tapete.
Rapidamente cheguei à sala e me surpreendi ao ver Hiroto com apenas um pouco da porta aberta, conversando com alguém, que eu não conseguia ver.
– Nee Hiroto, quem é? – E eu me surpreendi ao ter puxado a porta, pois quem estava ali, era quem eu menos imaginava.
Suzuki Akira.
Notas finais
Ahhhh e próximo cap vem Terça ou Quarta. Quanto a pierce ele ainda vem esse final de semana juntamente com sufoco que está quase um mês atrasada, e que nem sei se tem leitores ainda -qq Me desculpem por sufoco, eu simplesmente tive um crise com a fic, e estava impossível de revisar e tudo mais, mas agora ela realmente vai voltar, e provavelmente com capitulos quase de seguida. Me desculpem por tudo isso tá?
Bjinhos (^.^)
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