All I Need
13 Lover
Notas iniciais
Musica: http://www.youtube.com/watch v=ijfkZBmYsAc&feature=plcp
*/O significado que você queria era apenas
De uma coisa que você cortou
Mesmo que soubesse
Mesmo que estive ciente
Você continuou até que ele desaparecesse
*/Lover – 椿屋四重奏\\*
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*/Kouyou’s pov\\*
Quando Aoi decidiu que estava na hora de sair daquele tapete e ir embora, eu quase o segurei, porém, um medo de pressioná-lo demais assolou-me no momento em que ergui minha mão para puxar seu pulso. Por isso eu me conti e fiquei quieto, sorrindo de um modo um pouco forçado, mas ainda assim verdadeiro, até que ele saísse porta fora.
Então, depois de eu ter fechado a porta eu apenas me encostei a ela, ouvindo seus passos, sentindo meu coração bater junto com eles, de maneira excessivamente apressada, quase saindo de minha boca, meus lábios trêmulos assim como todo o resto de meu corpo, e minha pele, provavelmente, mais pálida que nunca.
Minha mente foi repassando com calma todos os acontecimentos, havia sido de repente, quando eu menos esperava, de uma maneira que, sinceramente, jamais me tinha passado pela cabeça, até mesmo parecia ter sido sem sal, sem emoção, não havia sido aquela choradeira que eu havia imaginado que seria. Tinha sido calmo e controlado.
– Acho que não caiu a ficha ainda… — Acabei por rir com essa afirmação, que certamente era a mais próxima da verdade. Eu não estava acreditando, tanto, que se eu tivesse problemas de coração, eu provavelmente já não estaria vivo nesse momento. – Ah… puta que pariu, Reita… — Praguejei assim que me lembrei, vagamente, do que acontecia fora do apartamento. Mesmo que eu estivesse entorpecido pela sensação de estar nos braços do meu Yuu, eu ainda ouvia ao longe, as vozes indignadas dos meus dois amigos de infância… — Aquele cavalo! – Voltei a praguejar, mesmo que um sorriso bobo estivesse formado em meus lábios. – Estamos nos juntando, não? – Voltei a sorrir bobo e ainda mais abertamente do que da primeira vez. Aquelas sensações de nostalgia, saudades, alegria e mais um monte delas, me deixavam quase zonzo demais para ter alguma sanidade e noção de realidade e fantasia.
– Kouyou, precisamos de conversar. – Eu sabia que mais cedo ou mais tarde ele daria as regras finais, mas sentir aquela voz soar tão decidida perto de mim, me fazia entrar em desespero.
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*/Ruki’s pov\\*
– Re- Reita…? – Perdi noção e controle de como minha voz tinha saído, apenas sei que gaguejei ridiculamente e fiquei quase sem cor diante daquele homem à minha frente.
Ele estava com o ar sério, mas ainda assim, um tanto confuso. Parecia não haver uma brecha com aquela postura, por isso eu ficava pensando em como eu conseguiria convencê-lo de que eu não estava brincando ou mentindo para ele. Mas… se ele estava ali, então era por que alguma coisa ele queria saber, não?
– Eu vou para meu quarto. – Hiroto me informou, e eu apenas assenti, ainda surpreso demais para pode falar alguma coisa de forma comum. Na verdade havia um enorme bolo em minha garganta que me impedia de falar qualquer coisa.
– Posso entrar? – Despertei de meu transe rapidamente ao ouvi-lo, e voltei a assentir, espaço para que ele entrasse.
– Fique à vontade… — Minha voz dessa vez saiu um pouco mais alta que um sussurro, mas também não liguei.
Ouvi seus passos, e por fim o som do sofá ao afundar-se. Sentia seu olhar sobre mim e isso me fez sentir arrepios por todo o corpo.
Porque ele tinha de ser tão intenso e imprevisível?
– Matsumoto-san. – Começou e eu quase gemi de dor ao perceber toda a formalidade ali. – Eu preciso entender. Estou disposto ao ouvir o que tem pra me dizer. – Concluiu e eu suspirei. De alguma forma esse dia chegaria, e mesmo que eu estivesse devastado por conta de suas atitudes anteriores, precisava de conversar com ele, de explicar o que estava acontecendo. E principalmente de fazê-lo entender que não havia mentira ali.
Me virei com cautela, e caminhei de cabeça erguida até ao sofá, então me sentando nele, mas mantendo uma certa distância que a razão pedia, e o coração rejeitava. Confesso que eu estava tendo uma batalha em meu interior.
– Suzuki-san. – Novamente meu coração doeu e meus lábios tremeram. – A verdade é que é algo irreal demais para alguém que só está disposto a pensar de maneira racional, e que precisa de provas científicas para tudo. Por isso, por favor, se for para começar a debochar de tudo o que lhe vou dizer, e inclusive de meus sentimentos, eu peço que se retire e siga sua vida. – Meu interior queimou em expectativa e em dor ao mesmo tempo. Aquela resposta seria decisiva.
– Não conseguirei acreditar em nada do que vai dizer mas se for verdade conseguirei sentir. – Minha vontade foi chorar de alegria, pois um sentimento de realização me inundou e uma luz, mesmo que pequena, se acendeu como esperança em meu interior.
– Eu não sei bem como explicar… Eu te amo. Nós fomos um casal no passado, eu tenho algumas memórias. Não só de você como do Yuu e do Kouyou, e hoje mesmo, apesar de ainda não ter contado para o Hiroto, eu me lembro dele e do Takashi. – Reita me fitou surpreso e pensativo ao mesmo tempo. Parecia estar ponderando sobre algumas coisas. Ou teria eu dito algo errado?
– Takashi… Esse nome não me é estranho. Na verdade, me parece um tanto familiar… Pareço ter uma espécie de carinho por ele. – Foi minha vez de ficar surpreso, mas um sorriso gigantesco falou por mim, e acho que, sem se dar conta, Reita acabou por sorrir, baixando a cabeça segundos depois, pela vergonha que só era escondida pela tão conhecida faixa.
– Você não é tímido ou calado, é desconfiado. Você demora a confiar nas pessoas, mas quando confia se entrega. Você quer ter filhos, mas tem medo de que eles te repudiem pela homossexualidade. Você é possessivo com o Kouyou, e tem que aprovar todos os caras com quem ele sai. Você odeia praias, mas adora cachoeiras. Você gosta de ambientes familiares, mesmo que negue quando o Yuu aponta isso como algo em comum. E você agora está me olhando com essa cara de bobo, porque não sabe de onde eu tirei isso, mas eu simplesmente me lembro de uma vida passada… — Ele parecia encantado comigo, e eu fiquei envergonhado no momento em que ele se aproximou mais e fixou seus olhos de forma intensa e de tirar o fôlego nos meus.
– Continue… — Ele pediu e pude claramente sentir o hálito de tabaco e chiclete de menta adentrar minhas narinas e me fazer arrepiar.
– Você… está me testando para ver até onde eu vou. – Ele sorriu de lado e tocou de leve meu rosto. Eu fechei meus olhos e pude ouvir um riso abafado.
– Continue… — Suspirei deliciado ao sentir que ele acabava de sussurrar aquilo em minha orelha.
– Você está fazendo isso apenas para me provocar, sendo que está sentindo uma louca vontade de me beijar. Seu idiota… — E dessa vez ele não conteve a risada que saiu de forma alta e cómica, mas ainda assim de uma forma gostosa de se ouvir. Me permiti sorrir pequeno, mas meu sorriso se desfez ao vê-lo se afastar e me encarar de forma carinhosa.
– Acertou… — Ele cortou o espaço que havia entre nossos rostos e colou seus lábios nos meus, calmamente, apenas um selo casto e demorado que terminou apenas quando ele quis se afastar. – Foda-se se isso é verdade ou não. Eu estou sentindo que preciso de você. – Tudo que senti após essas palavras, foi sua boca atacando a minha com uma enorme fúria e seus braços circularem minha cintura possessivos.
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*/Kouyou pov\\*
Estávamos devidamente acomodados em minha sala e eu via a face pálida daquele ‘ser’ encarar toda a decoração desinteressado, talvez apenas pensando em como começar a falar.
– Você veio aqui para dar as cartas finais, não? – Ele não me respondeu, apenas respirou fundo, me encarando por fim, e segundos depois começando de uma forma que para mim era incoerente.
– Há cerca de mil anos atrás, eu era um guerreiro. – Eu arqueei minhas sobrancelhas, completamente confuso, mas eu começava a ficar interessado. – Eu amava um homem que era do reino inimigo, mas acabei me envolvendo com ele. Até que um dia em um conflito com meu povo, um colega meu o matou. – Eu via dor no olhar de Minoru, e aquilo estava me deixando perplexo. Aquilo para além de espantoso ainda era um pouco inacreditável. – Eu pedi por tudo para que pudesse consertar tudo em outra vida, para que ele pudesse se lembrar e eu pudesse me desculpar, e Ele me deu essa oportunidade, com as mesmas regras que vocês. Só que com uma pequena diferença: Se eu falhasse eu seria condenado a passar o resto de minha existência fazendo esses pactos com pessoas que estariam nas mesmas situações, mas apenas até que uma das pessoas com quem fiz tal pacto, desejasse morrer apenas para esse mundo.
–O que quer dizer com isso Minoru? – Perguntei trêmulo, não acreditando no que estava ouvindo. Eu pelo menos desejava que estivesse ouvindo errado.
– Serei direto. – Minoru informou, voltando a sua pose impassível e com sua máscara fria, que escondia aquela dor que eu tinha visto a poucos minutos atrás, em suas feições e seu olhar. – Caso vocês falhem, você tem três opções, mas apenas você estará ciente dela e apenas você poderá ter a possibilidade de escolher. Seus amigos, esses serão condenados a viver no ciclo de reencarnação de uma forma perdida e completamente à sorte da vida, sem suas metades. – Engoli em seco, sentia meus olhos arderem, eu não queria que meus amigos sofressem por minhas escolhas, e aos poucos, eu começava a reparar que teria sido melhor se eu simplesmente não tivesse feito aquele pacto, e tivesse deixado que eu e Yuu nos conhecêssemos naturalmente nessa vida. – A primeira opção é viver nesse ciclo eterno. – Assenti, fechando meus olhos com força. – A segunda é pedir para que você tenha sua existência excluída, você será morto, perderá sentidos, você não será nada. Você acabará. – Pelo riso sem qualquer humor ao fundo, percebi que eu realmente deveria estar com uma feição ridícula naquele momento. – E a terceira e última é você tomar meu lugar. – Arregalei meus olhos rapidamente negando com a cabeça e não impedindo minhas lágrimas de escorrerem. – No meu lugar, você poderá fazer com que seu par, e seus amigos, encontrem ao menos pessoas boas e dignas, que ainda não têm sua metade por serem ‘novas’, lógico que eles nunca sentirão o maravilhoso sentimento de se sentirem preenchidos e terem sua metade, mas eles serão ao menos felizes e satisfeitos com o que têm. Apesar de que essas novas pessoas, na vida seguinte, encontrarão seus pares. Então eles estarão constantemente mudando de companheiro. – Ele encostou sua cabeça no sofá olhando para o teto. – Se você fizer isso… Meu par vagará eternamente por este mundo e correrá o risco de passar muitas de suas vidas pagando por minhas consequências. Minha vida está em suas mãos, Kouyou.
Notas finais
Bjinhos! ♥
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