All I Need
7 Illusions in dreams - Water under the bridge
Notas iniciais
Música: http://www.youtube.com/watch?v=uVOn_JXo2Jw
Boa leitura ^^
O sol da manhã
Pinta sobre a noite,
A noite desaparece
Mas perdura nas sombras.
Estou esperando pela brisa
Para embalar as folhas que caem.
Um ultimo abraço antes que desçam
Sobre os peixes do córrego,
Movendo contra as correntes
na água debaixo da ponte.
O entardecer vem
para anunciar a volta da noite
Então o dia desaparece
No meio de milhões de luzes orientadoras
Estou esperando pela brisa
Para embalar as folhas que caem.
*****
O moreno sentiu seu corpo sendo levado no entorpecer do sono. Tinha a sensação de que seria um sono longo, não sabia bem explicar. Dormia profundamente, porém, dormia com ansiedade. Um misto de curiosidade também se depositava em seu ser. Não sabia como sentia aquilo em meio a sensação que sabia ser o seu descanso.
“Você pode me ouvir…”
Algo como duas luzes se acendiam em meio a uma espécie de túnel. Aquilo era a demonstração física do sono? Um túnel?
Não evitou dar um sorriso, vendo um segundo “eu” dele mesmo se levantar. Caminhando decidido até a luz que se encontrava ao lado esquerdo.
- Então é aí? Você está aí…? – Sussurrou para a voz que anda o chamava.
“Me encontre… Eu estou perdido…Aoi”
Não se deu conta de quando já corria descontroladamente contra aquela luz. Sentiu algo atravessar seu peito, uma frieza dentro dele, porém, aquele mesmo frio o ajudava a sentir um calor, um calor que vinha do meio daquele parque.
- Hama Rikyu…?
Observou à sua volta. Aquele lugar, era sem dúvidas o parque tão bem conhecido por ele. Quantas vezes não ia ali esfriar a cabeça? Quantas vezes não fugira de seus problemas ouvindo o som da corrente das águas, sentindo o sol queimar docemente sua pele, encostado em uma das antigas e belas árvores do lugar…?
Oh, sim. Foram muitas as vezes.
Ainda podia sentir o gosto do matcha* em seu paladar. Como poderia ser tão real?
Deixou-se levar pelo som da música bem conhecida, caminhando por entre todas as árvores, sentindo o vento contra seus cabelos, tocando sua pele em um quase carinho. O que era aquilo…? Porque aquilo frio em seu peito parecia se aquecer gradativamente?
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O ruivinho acordara assustado.
Já havia acordado tantas vezes assim?
- Eu não posso seguir aquela luz… Não posso…
Mordeu o canto do lábio, lágrimas grossas deixavam rapidamente seus olhos. Chorava baixinho, tentando não incomodar o garoto que dormia no quarto ao lado.
- Porque tenho tanto medo…? Eu não deveria fugir…
Deitou-se na cama, ainda desconcertado, seu coração batendo rápido demais, como se fosse saltar de si a qualquer momento. Sentia-se demasiado puxado pelo sono, como se algo sugasse suas forças e o obrigasse a dormir.
- Eu deveria simplesmente te encontrar…
Fechou os olhos e deixou se embalar ao ouvir o som dos violões tão bem tocados.
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- Kouyou! Você não vai sair daqui! – Reita praticamente gritou. Segurava o braço do amigo com força, talvez estivesse machucando. Mas o que isso importava? Só queria segurança do amigo.
- Reita… eu te adoro… mas eu tenho que seguir em frente. Outra pessoa te espera… — Sussurrou quase inaudível, mas o outro loiro ouvia perfeitamente.
- Isso é surreal Kouyou. Sermos trazidos assim, quase que como teletransporte, não quero que fique longe de mim… — Preocupado abraçou o maior. – O que está acontecendo, Kou…? Eu se que você sabe, eu sei que você me esconde as coisas. – As dúvidas eram tão grandes em sua cabeça.
- Eu não tenho respostas concretas Aki… Só sei que tudo isso são consequências de um acordo meu.
- Acordo? Kou que acordo!? E com quem você fez esse maldito acordo!? – Voltou a perguntar, dessa vez mais desesperado. Á medida que esperava a resposta, Kouyou ia se afastando devagar.
- Eu já disse que não tenho respostas concretas Aki…
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Respirou fundo, deixando seu sorriso crescer, percebendo o cheiro de natureza, mesmo que fosse possível ver os prédios da cidade movimentada. Uma ilusão tão bem criada, para se sentir longe do mundo agitado que era Tokyo.
- Poderia me dizer o porquê de tudo isso? – Perguntou para si mesmo, assim que começou a andar sobre a pequena e bonita ponte de aspeto emadeirado. – Isso é tão lindo… O munda parece ter parado… — Deixou seus olhos se fecharem, o sorriso sempre presente crescer. Apenas os abriu quando se sentiu observado.
- Ru…? – O pequeno instintivamente mordeu os lábios e foi correndo até ao moreno, o abraçando com força, com medo.
- O que é isso Yuu…? Agora a pouco, eu estava em meu quarto… Porquê sempre que eu durmo isso acontece? – Yuu se surpreendeu ao ver o amigo, que sempre se lembrava um pouco do passado, com medo palpável do que estava ocorrendo.
Afastou-o um pouco para poder o encarar nos olhos, profundamente.
- Vamos nos encontrar, não vamos? Eu senti que eles estão aqui… — Suspirou em ansiedade. – Isso só pode ser um sonho idiota.
- Você é corajoso Taka. Vamos apenas esperar, certo? – O pequeno assentiu, se encolhendo contra o peito do moreno.
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O loiro mel de longe observou o moreno de costas. Sabia, não era brincadeira, ele estava ali.
- Desejo realizado. – Estreitou os olhos, porém, mantinha a calma, respirando profundamente – Uruha, você se lembra de tudo agora? – O loiro mel se virou ainda com os olhos estreitados, sorrindo debochado. Como não se lembraria? A presença daquele indivíduo ali, era tudo o que precisava para se lembrar do passado, e principalmente do acordo. Sim, bastou aquela aproximação para que se lembrasse de tudo.
- Minoru. – Começou – É assim que você faz as coisas serem possíveis? – Perguntou sorrindo de leve – Não pensei que viesse tão cedo...
- Você queria que eu visse mais tarde, então? – Minoru ergueu o dedo indicador da mão direita, o pressionando com certa força no meio da testa do loiro.
- Ah!
– Se lembra, Uruha? Se lembra do porquê de todos os outros estarem sofrendo? Do seu acordo egoísta e sem fundamentos? Se lembra?
Kouyou caiu num escuro, sentido a dor de cabeça demasiado forte. E quando finalmente a luz voltou, era apenas um mero observador da ação que ocorria.
Aproximou-se daquele homem vestido de branco. Seus olhos cravaram-se nos dele, e, com certeza, aproximou-se dele.
- Minoru, você é o único que pode realizar meus desejos.
- Kouyou, sei tudo sobre você, sobre aqueles que te rodeiam. Sei sua vida, suas lágrimas, suas risadas.
- Quero participar de um acordo, com você. – Seu olhar continuava impassível.
- Todos os meus acordos, têm consequências. – Devolveu o olhar com intensidade.
- Eu não me importo. Farei de tudo para que esteja livre delas. – Sentenciou.
- Não é fácil. Eu, como meu nome diz, sou a realização, sou o único que pode realizar algo impossível. Mas para realizar, você sofrerá, os que estão à sua volta também. Vocês terão de se mover por si mesmos, apenas farei com que seja possível. Quer isso? – Questionou, mantendo a postura séria.
- Quero. – Afirmou.
- Qual seu desejo Uruha?
- Quero que as lembranças de minha ultima vida, sejam lembradas na próxima. Quero que meu amor, meus amigos, saibam que nunca os abandonei, ou que os outros os abandonaram. É isso que quero. – Minoru permitiu um sorriso descrente.
- Caso eles não se lembrem totalmente, as consequências serão grandes.
- Estou ciente disso. Quais serão elas?
- Em próximas vidas, nenhum de vocês se encontrarão. Será o fim de vossas ligações. – O loiro tremeu diante daquela informação, porém, não se deixou levar. – Não será válido contarem a vida uns aos outros, terão realmente de se lembrar, cada um por si.
- Eles se lembrarão. – Disse com voz firme.
- Tenha isso gravado em sua mente, será mesmo muito difícil de se lembrar. – Sorriu. – Não me lance esse olhar, já outros pediram o mesmo que você, sempre foi assim. É um acordo, com consequências.
- Quantas dessas pessoas conseguiram? – Calmamente perguntou.
- Apenas cinco delas. – Minoru voltou a sorrir, não de desdém, apenas de desgosto. Odiava quando lhe pediam aquilo, era como assinar contrato de morte.
- Vamos conseguir. – Afirmou tentando se convencer a si mesmo.
- Farei o possível para realizar isso. Mas vocês se moverão por si mesmos.
- Mova-se, Kouyou. – Uruha ergueu um olhar um pouco raivoso.
- Eu me lembrava. Isso foi completamente desnecessário. – Informou com um quase desdém.
- Então porquê ainda não foi até ele? Vocês têm três meses para isso, Kouyou. Três meses.
- Mas… — Tentou falar algo mas foi impedido pela ordem.
- Vá. – Ordenou, se afastando e ignorando os chamados do loiro. – Talvez ele se lembre do seu nome…
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- Você está bem, Ruki? – Yuu perguntou preocupado.
- Tem alguém à minha procura. Mas não é aqui. – Sussurrou tremendo um pouco.
- O que está esperando!? – O moreno perguntou, ansioso.
- Tenho medo! – Exclamou.
- O Takanori que eu conheço não teria medo. O Takanori que eu conheço continuaria atrás até conseguir o que quer. O Takanori que eu conheço xingaria se não desse certo, e depois seguiria em frente. E essa pessoa tremendo em meus braços, não é o Takanori que eu conheço. – Afastou-se de Ruki, o empurrando de leve, como numa ajuda para que pudesse seguir seu caminho. O pequeno apenas sorriu, mordendo o canto dos lábios e sussurrando um “obrigado”.
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A medida que o pequeno se afastava, se sentia mais ansioso, sabia que ele estava ali, tão perto como imaginava, porém seus passos eram lentos, pareciam demasiado pacientes para seu coração afobado.
Não conseguia controlar seus passos e suas ações da forma que queria, mais parecia que era a personagem de um jogo, sendo comandado por quem o tinha escolhido.
Seguia pelo parque, andando por entre as árvores, sentindo o cheiro de flores, tão puro, numa cidade tão poluída, procurava por alguma movimentação mas nada via. Parecia que tudo tinha parado, e era sinistro demais.
Seu lábios de partiram quando teve a visão de um homem sentado sobre um banco de pedra, olhando o horizonte, inteiramente compenetrado em pensamentos, todos eles desconhecidos pelo ruivo.
Aos poucos foi se aproximando, mais silencioso do que se lembrava, mordendo os lábios com uma força incomum, poderiam sangrar a qualquer momento.
Quando finalmente se pôs ao lado do banco, reparou que o homem usava uma faixa. Quase quis chorar naquele momento. Eram emoções demais, sentimentos descontrolados, não sabia o porquê apenas sabia que um nome, bastante conhecido por si, deixou seus lábios num quase sussurro.
- Reita…
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- Maldito. – Praguejou o Kouyou, mesmo que com uma calma anormal.
Virou-se devagar. Estava na margem, apenas algumas árvores impediam o moreno de o ver. E ele estava tão lindo quanto o que se lembrava.
Os cabelos negros e longos esvoaçavam com o leve vento, os olhos fechados, como se aproveitassem aquele momento, e os lábios grossos… curvados num leve sorriso. Aquele sorriso que tanto amava.
- Yuu… — Sibilou caótico, preso na figura que estava a poucos metros de si, agora sem Ruki ao seu lado.
Andou automaticamente até ao moreno, ignorando qualquer coisa à sua volta, envolvido pela distância que cada vez mais diminua.
- Yuu! – Acabou por gritar a meio do caminho, tendo as esferas negras arregaladas voltadas para si. Deixou que suas pernas tomassem velocidade terminando o caminho correndo, não esperando qualquer palavra e se jogando contra o corpo forte. – Yuu…
- Você… – O moreno sorriu circulando o corpo perfeito com os braços. – Eu queria tanto te ver… é você não é, Uruha? — Confessou. Porém, assim que encontrou os olhos mel, apenas conseguiu ver tristeza.
- Então você, não se lembra… — Riu, melancólico. Apertou com mais força o corpo menor. – Sou eu Yuu… Sequer se lembra do meu nome? Do que somos? O que passamos juntos…? – Perguntou em aflição.
- Eu… não consigo. Me desculpe. – Implorou sincero.
- Tudo bem… Eu só precisava de saber se havia realmente se realizado, Yuu. – Desfez o abraço, encarando o outro e sorrindo abertamente. – Sei que vai se lembrar.
O moreno ficou petrificado no sorriso do mais alto, se permitindo sorrir também.
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Reita encarou o ruivo ao seu lado. Ainda se lembrava dele, logicamente.
- O baixinho que perdeu as chaves...? – Inquiriu para si mesmo, porém alto demais.
Ruki sentiu um tremor, assim que ouviu a voz do outro.
- Reita! – Praticamente gritou, caindo em lágrimas, deixando o loiro ainda mais confuso.
- Hey! O que foi? Nee, chibi-san, o que foi? – Levantou preocupado, pondo a mão sobre o ombro do ruivo.
- E-eu, cheguei a pensar, que fosse besteira. – Continuou, agora soluçando.
- Nee, eu sinceramente não sei do que está falando… — Informou temeroso, como se qualquer palavra pudesse ferir o pequeno ainda mais.
- V-você existe… — Reita franziu a testa. A única coisa que conseguia pensar era “claro que eu existo”.
- Etto, se você continuar chorando eu… vou acabar chorando também… Não aguento ficar muito tempo vendo alguém chorar. – Acariciou a face redonda, aproveitando para enxugar as lágrimas, inutilmente. – Porque está chorando, e como sabe o meu nome? – Questionou curioso, ainda na luta de limpar todas as lágrimas que caiam dos olhos do mais baixo.
- Eu não sabia, até a pouco… Mas quando te vi. Soube que você era real… E seu nome escapou de meus lábios. Eu não sei como… mas te conheço tão bem.
- M-me conhece…? – Gaguejou um pouco, acabando por corar ao ver o outro sorrir em meio a lágrimas.
- Eu te conheço muito bem Rei… De outra vida… — Sibilou carinhosamente o apelido do mais velho, que ficou ainda mais vermelho com a intimidade. – Você sempre foi assim… Tenho isso em mente. – O pequeno sorriu mais abertamente, apontando para a face corada do loiro.
- Não sei seu nome, chibi. Mas também sei que sempre foi lindo assim. – Akira revidou, abrindo um sorriso ao ver o ruivo ficar vermelho.
- Você também é lindo… — O ruivo desviou os olhar, mas, surpreendeu-se com duas mãos virando delicadamente sua face e lábios contra os seus. Um selo casto e demorado, com tanto significado para os dois.
- Obrigado, Ru-chan. – Sorriu ao ouvir o apelido. Aquilo era tão bom…
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Acordou transpirando demais, o que já não era novidade. Porém, dessa vez não estava assustado, sentia-se feliz, apenas por ter tido o loiro em seus braços por alguns segundos, e em um sonho.
Ao invés de ir ao banheiro, dirigiu-se á sala, pegando o telefone, ignorando o fato de ainda serem quatro da manhã. Ruki com certeza estava acordado.
Discou os números rapidamente e não foi preciso sequer chamar uma vez. Já ouvia a voz alegre do baixinho.
- Reunião de emergência? – Brincou o menor.
- É, parece que sim. – Yuu sorriu brincalhão.
Parecia bom demais pra ser verdade.
Bom, se fosse só isso.
Porém, mesmo ainda não sabendo do resto, nada importava naquele momento.
Notas finais
Reviews? Onegai...? Sei que tem leitores escondido aí!! *aponta* Bjuuuuuuuuuuus ♥
(Beatriz arigato pela recomendação!!!!!! ♥♥♥♥)
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