All I Need
2 Be Be My Love
Notas iniciais
*/Aoi’s pov\\*
Eu, corria pela empresa. Estava atrasado, começara o dia de uma péssima maneira. E sabem o que aconteceu? Para piorar, o elevador que iria usar começou a se fechar.
- Por favor segure esse elevador! – Gritei pedindo internamente para que o homem que lá se encontrava não me ignorasse.
Suspirei aliviado, ao ver que o tal homem havia segurado o elevador para mim. Entrei rapidamente, ajeitei minha roupa e minha postura.
- Obrigado! – Falei enquanto dava uma conferida e minha pasta.
- De nada – E sabem quando você tem aquela sensação de que já ouviu aquela voz em algum lado. Ou melhor, durante a vida inteira? Talvez vocês não saibam… Eu que sou doido mesmo.
Eu fiquei encarando aquele moreno por tanto tempo, que eu vi claramente que ele já estava desconfortável com aquilo. Mas eu… como eu sou um pé no saco mesmo, eu continuei encarando ele.
- Está… tudo bem com o senhor? – O bochechudo perguntou completamente sem jeito. E só aí é que eu me toquei… Ele provavelmente pensava que eu o estava secando! Oh meu Deus…
- Ah! Desculpe! É que eu pareço já ter ouvido sua voz em algum lugar e… sua cara também não me é estranha. – Ele apenas sorriu e assim que o elevador abriu as portas me cumprimentou educadamente e seguiu seu caminho.
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Suspirei deixando os papéis em cima de minha mesa. Eu odeio esse lugarzinho. Trabalho demais, dinheiro de menos. Mas fazer o quê? Preciso pagar minhas contas, pelo menos até conseguir um emprego como dentista.
Guardei as minhas coisas e segui dali pra fora. Liguei meu carro e o rádio, deixando tocar numa música qualquer.
Rachael Yamagata. Eu amava essa cantora, as músicas dela eram simplesmente tudo. Como posso dizer? Ela praticamente sabia o que eu sentia. E ouvia isso nas músicas dela.
Eu tenho me apaixonado por gente errada até hoje. Gente que não me quer, ou simplesmente que é demais para alguém tão simples como eu. Não que eu seja feio, eu apenas não tenho muito jeito para relações sérias, porque sou lerdo demais, romântico demais, inseguro demais, e as vezes sinto como se já tivesse alguém…
- If I could take you away
Pretend I was queen
What would you say?
Would you think I'm unreal?
Cause everybody's got their way I should feel!!!!!
É, eu comecei a cantar alto demais, no meio do trânsito de Tokyo. E bem, um ruivinho que estava no carro ao meu lado, olhou assustado e depois começou a ter uma crise de risos. Ótimo. Primeiro o bochechudo, agora esse ruivinho, eu pareço conhecer ele de algum lado! Eu acho que estou com a mania da perseguição…
- Canta bem! – Ele gritou, e tentou segurar o riso, mas falhou, e acabou gargalhando em seguida. E não. Eu não me sentia nervoso por ele estar rindo de mim, muito pelo contrário, aquela gargalhada de certa forma aquecia meu peito.
- Everybody's talking how I, can't, can't be your love
But I want, want, want to be your love
Want to be your love, for real
Everybody's talking how I, can't, can't be your love
But I want, want, want to be your love
Want to be your love for real
Want to be your everything!!!!
Continuei cantando enquanto o olhava nos olhos e ele corou, eu tive que sorrir. Vi que o trânsito ainda ia demorar bastante e puxei assunto. É, eu sou estranho mesmo. Puxar assunto com um carinha desconhecido, que disse que eu canto bem. E além do que mais, eu cantei algo meio sugestivo para ele. Mesmo que não fosse nada demais…
- Você fica elogiando todo mundo? – Provoquei.
- Não, só elogio quem merece. – Rebateu, sorrindo de canto.
- Ah… Então eu mereço? – Um sorriso gêmeo brotou em meus lábios.
- Só porque a Rachael é uma boa cantora. – Respondeu em tom autoritário. – Não se ache demais. Eu nunca iria te elogiar sem um bom motivo senhor… — Parou para que me apresentasse.
- Shiroyama Yuu. – Estendi a mão para fora do carro sabendo claramente que ele não a alcançaria já que estávamos praticamente gritando para conversarmos. Ele riu baixinho, parecia uma criança, aquele sorriso fofo.
- Matsumoto Takanori – E ele, para minha surpresa, desapertou o cinto e veio rapidamente apertar minha mão. Suas mãos eram macias, muito macias mesmo. Eu me perguntava no que ele trabalhava.
- O engarrafamento está péssimo. – Bufou enquanto voltava ao seu lugar e punha o cinto.
- Ao menos algo de bom aconteceu. – Yuu, seu bosta! Você acabou de quebrar a cara por causa de um cara e já ta em cima de outro?! Vai te catar!
- É, aconteceu sim. Uma coisa muito boa, por sinal. – Ah, mas o ruivinho parecia ser tão atrevido quanto eu…
- Nee, quer deixar as coisas ainda melhores e desviar o caminho pra uma pastelaria que tem aqui por perto? – Vi seu olhar brilhar estranhamente. Sabe, como se ele tivesse recebido o melhor presente do mundo.
- Tem bolo de chocolate lá? – Hã!? Esperem, esperem! Caras, vocês não vão acreditar! Sabem quando a gente fala pra uma criança que ela vai ganhar o melhor brinquedo do ano? Era exatamente essa reação que ele tinha!
- Tem. Bolo de chocolate e, como brinde, Shiroyama Yuu. – Ele voltou a rir baixinho e assentiu.
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Sabem, o Takanori ou Ruki, como ele gostava de ser chamado. Tinha muito em comum comigo. Fiquei sabendo que ele era designer gráfico e, trabalhava numa empresa parceira da minha. Mas, ao contrário de mim, ele adorava o que fazia.
Ele era alguém agradável, infantil, adorável, sarcástico. Ruki era encantador. E eu estava começando a me interessar demais por ele, de uma forma perigosa demais.
- Então você odeia ser contabilista? – Riu.
- Odeio! – Exclamei indignado. – Eu estou apenas esperando me chamarem. Eu sei que vão me chamar esse final de mês, mas aquela empresa é um inferno, quer dizer, só o meu chefe mesmo… — Revirei os olhos bufando.
- Depois vou dar uma visitada no seu consultório. – Arqueei a sobrancelha. – Tenho uma sobrinha que precisa pôr aparelho. – Finalizou dando uma garfada no seu bolo de chocolate gigantesco, quer dizer, gigantesco para alguém tão pequeno. Sim, ele era baixinho. E eu estava começando a pensar que, todos os apelidos que me ocorriam pela cabeça, ao vê-lo daquela maneira, eram demasiado nostálgicos.
- Ah, que pena… Pensei que iria fazer uma visita comum, para eu checar sua boquinha. – Está bom, eu admito. Estava atirado demais.
- Preciso de ir ao seu consultório para você checar a minha boca? – Respondeu de uma forma manhosa que me impressionou.
- Bem, se achar que fora dele também dá… Posso perfeitamente checar onde você quiser. – Ele chamou a empregada e pediu a conta. Eu paguei, já que ele apesar de ter insistido para pagar tinha desistido quando fiz um bico bonitinho.
- Então te ligo depois? – Ele perguntou se aproximando um pouco de mim. Já estava escuro e não havia ninguém onde havíamos estacionado nossos carros.
- Liga sim… Se não ligar eu ligo. – Me aproximei dele já colando nossas testas. Ele se aproximou mais, até roçar seus lábios no meu…e até… não conseguir mais…
- Desculpe… — Nos afastamos ao mesmo tempo. Ambos desconcertados.
- Você por acaso sentiu o mesmo que eu… durante esse tempo todo? – Inquiri. Ele mordeu o cantinho do lábio.
- Que eu já te conheço de algum lado? – Assenti. – Eu senti isso, o tempo inteiro. Desde que ouvi sua voz caipira cantando “Be Be Your Love”. – Sorriu desconcertado. – Só que pensei que isso fosse apenas impressão… mas agora… — Ponderou, pensando no que diria a seguir.
- Agora você não conseguiu e sentiu como se fosse beijar seu irmão. – Tirei as palavras de sua boca e ele sussurrou um “bingo”.
- E um outro nome me veio á cabeça. – Ele olhou nos meus olhos.
- Que nome?
- Uruha.
Naquele momento eu me senti enjoado, parecia que eu era a pessoa mais suja do mundo. Mesmo não sabendo o que significava “Uruha”. Aquele nome parecia me dizer tanta coisa. Como um pedaço de mim, que estava faltando. Parecia que eu tinha traído alguém importante demais. Como o amor da minha vida ou algo do tipo…
- Aoi, você está bem? Você está pálido. – Perguntou preocupado.
- Estou… apenas me senti tonto… Ruki podemos nos encontrar amanhã, aqui às oito da noite? Eu não sei porque mas, sinto que tem algo no meio disso tudo.
O ruivinho assentiu. Logo nos despedimos, ele entrou em seu carro e eu no meu.
Uruha, Uruha… Porque esse apelido mexia tanto comigo? Porque minha garganta estava seca e meu coração acelerado demais?
Por certo, Uruha, não era uma pessoa qualquer.
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Estava terminando meu trabalho, quase dormindo mesmo, e aí eu ouvi uma voz. É, eu agora ouvia coisas. Mas não foi uma coisa qualquer. Foi uma voz que fez até mesmo minha pele arrepiar e meus pêlos se eriçarem.
“Não se esqueça de nós…”
Ouvi um barulho estridente, e só então percebi que tinha derrubado minha própria cadeira no chão. Eu não estava nada bem. Definitivamente.
- Hey, quer ajuda…? – Me virei e encarei o bochechudo.
Eu estava ficando louco, só podia… Ultimamente estava sentindo que conhecia gente que nunca tinha visto antes.
- Eu… está tudo bem. É só que, não estou me sentindo muito bem. – Sorri sem jeito.
Ele deveria achar que eu era perturbado. Primeiro, eu digo que já ouvi a voz dele e vi a cara dele em algum lugar. E agora, isso.
- Não quer ir tomar um ar? Eu posso terminar de arrumar as coisas pra você. Sendo sincero, você sempre me pareceu alguém muito stressado. – Ele deu um sorriso engraçado.
Ele reparava que eu era stressado? Ou… Estava tão na cara assim? Vou procurar um psicólogo.
- Se não for incomodar… Eu preciso mesmo de tomar um ar e fumar um cigarro. – Assentiu e eu o agradeci.
Fui até as escadas e comecei a subi-las, vindo para o terraço da empresa.
Eu estava com uma péssima sensação. Um sentimento de sufoco. Era como se esse meu esquecimento repentino de algo que sequer parecia existir, magoasse alguém profundamente. E sempre que eu pensava nisso, “Uruha” me vinha á cabeça.
Se algo assim acontecesse antes de eu conhecer o Ruki, eu provavelmente pensaria que era realmente apenas stress. Mas não era. Eu sentia que não era, e ainda tinha o R uki, que com certeza, não estava simplesmente tirando uma com a minha cara.
“Every thing's falling, and I am included in that
Oh, how I'll try to be just okay?
Yeah, but all I ever really wanted was a little piece of you”
- Porque essa música mexe tanto comigo? — Perguntei para mim mesmo, sem ao menos ter noção que tinha ligado a música e ela já estava no meio.
- Talvez ela apenas te lembre algo importante. – Voltei a encarar o bochechudo, que sorria abertamente.
- É talvez…
- Murai Naoyuki. – Estendeu a mão para mim e eu apertei sua mão me apresentando também.
- Shiroyama Yuu. – Ele me olhou meio surpreso.
- Agora que me disse seu nome, realmente eu pareço já ter te visto em qualquer lado. – Ponderou pondo o indicador sobre o queixo, pensativo.
E em um dia comum, eu iria começar a xingar mentalmente, pensando que isso tudo era fruto de um macumbeiro que, não gostava de morenos com lábios, inesperadamente, grossos. Mas eu estava sem humor, sem vontade de rir da minha desgraça. A única coisa que eu sentia era uma angústia intensa demais. Me sentia como procurando uma agulha no mais cheio palheiro. Ou seja, estava tentando me recordar de algo que, provavelmente, nem existia.
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- Então você ficou desse jeito o dia todo? – Neguei. Eu já estava me preocupando com o pequeno á minha frente. Ele ainda nem havia tocado em seu bolo. Eu estava o preocupando demais.
- Não precisa se preocupar comigo Ruki. Eu estou apenas confuso. E eu conheci um bochechudo, que me deu a mesma sensação que eu tenho quando estou com você. – Suspirei.
- Bochechudo? Por acaso o nome dele é Nao…yuki? – Ele perguntou incerto.
- Como você sabe?! – Bradei assustando algumas pessoas que se encontravam no local.
- Eu não sei Yuu! Eu simplesmente tenho nomes em mente. Nomes, que eu sequer ouvi algum dia em minha vida! Eu sinto como se precisasse me recordar de algo, mas eu não consigo!
Eu olhava nos olhos de Takanori e via a mesma angústia que existia nos meus.
- Talvez devêssemos falar com o Naoyuki. – Ele apenas assentiu e ambos perdemos um no olhar do outro. Eu conhecia aquele homem, e não era de hoje. Eu o conhecia de muito tempo atrás. Conhecia-o de uma maneira que me assustava demais. E eu sabia, sabia que ele sentia o mesmo…
- Yuu... Você… acredita em reencarnação?
Foi a pergunta que mudou a minha vida. Quer dizer… Essa vida.
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