All For You
13 Thanksgiving Day
Notas iniciais
Me desculpem pela demora, mas vou usar minha desculpa: aqui ainda é quinta.
Bom, Feliz ação de Graças (atrasado).
Boa leitura.
Quinn mal podia respirar, ela tinha medo de que se respirasse um pouco mais forte poderia estragar aquele momento, não piscava também, temendo acordar do melhor sonho que já tivera. A morena estava com a cabeça em seu peito, a loira sentia a respiração estabilizada e ritmada da menor, afagando calmamente os cachos marrons. Rachel tinha um arranhão no braço, feito descuidadamente por Quinn durante sua excitação no beijo que trocava com a morena e agora a loira dedilhava o machucado esperando que uma hora desaparecesse, para que voltasse a visão inigualável da pele macia e impecável de Rachel.
A loira ficou com medo de que seu corpo molhado acordasse a morena. – A mesma saíra antes do nascer do sol para coletar a mínima água da chuva que conseguisse, porque achara um pote de macarrão instantâneo no fundo da mochila. Com isso conseguiu se molhar e quase não acendeu a fogueira.
– Ainda chove? – A voz sonolenta provocou um riso involuntário na loira.
– Sim, Rach. – Aproximou mais a diva contra seu peito.
– Só não me diga que isto é um sonho, por favor, te imploro Quinn.
– Fique calma, não é. Esta sou eu, Quinn Fabray com os braços envoltos em um abraço apertado na garota que tanto gosta: Rachel Berry. – A morena deixou um delicioso riso escapar. Quinn pode sentir cada movimento do corpo de Rachel contra o seu.
Não demorou muito até o contato entre a pele alva dos braços da loira e a pele levemente morena de Rachel se desfazer. A loira caminhou até o pote de macarrão e esticou o mesmo até Rachel.
– Não tem como comer isso, não há colher ou ao menos um garfo.
– Por isso eu tomei a liberdade de recolher esses gravetos e aproveitar a água para desinfetá-los para que sirvam de hashi, enquanto eu – apontou para si com os gravetos – te alimento.
Rachel riu.
(...)
– Elas ainda não apareceram? – Sue entrou na barraca onde Rachel deveria estar. Santana estava deitada em um canto, encolhida se refugiando do pé de Brittany. As garotas acordaram assustadas e negaram com a cabeça. – Onde será que aquela louca se enfiou?
Santana sorriu consigo, logo seu sorriso foi apagado pela garota ao lado. Seu olhar passou de malicioso a de desgosto e repulsa. Nem mesmo o desaparecimento de sua melhor amiga fazia com que as duas trabalhassem juntas, pondo qualquer desentendimento de lado.
A latina pulou se sua barraca e foi ao encontro de outros garotos igualmente preocupados. Sam e Finn recebiam o apoio de Puck no quesito desespero, enquanto corriam de um lado para o outro atrás de Sue. Kurt e Sebastian estavam encostados a uma árvore, apenas observando o desenvolver de tudo. Santana escolheu se juntar aos mais calmos. Com o canto do olho percebeu Brittany ir de encontro aos outros garotos, antes lançando um olhar decepcionado para Sebastian.
– Eu aposto que estão bem. – Sebastian tentava animar Kurt.
– E eu dou meu reino subterrâneo... Digo minha vida que elas estão em algum lugar dando uns “pegas”. – Santana tocou o braço do Kurt sério que se aconchegava na árvore.
– Não duvido muito. – Kurt sorriu. – Mesmo assim me sinto inútil aqui encostado nessa árvore, olhando para os namorados delas se apavorando enquanto Sue corre de um canto para o outro, pouco se lixando para eles.
Santana puxou Kurt, o soltando logo em seguida. Ela já estava adentrando a floresta por um lugar completamente fora da trilha.
– Aonde vai Satã? – Kurt arqueou as sobrancelhas.
– Fazer algum proveito com a minha vida aqui, tenho até o almoço para voltar. – Sorriu.
– Então também vou. – Brittany surgiu atrás de Sebastian.
Santana revirou os olhos e assentiu, puxando todos para dentro da floresta.
(...)
Quinn observava a chuva cair pela porta da cabana. Rachel dormia em seus braços depois do analgésico que recebera. Exatamente como da última vez, a cabeça de Rachel estava apoiada no peito de Quinn, onde ela podia escutar o coração da loira e a loira podia sentir respiração roçando seu braço.
Ela ria, lembrando-se da cena de Rachel enquanto comia. A loira estava sem a parte superior do uniforme Cheerio, pois o mesmo estava molhado, e até então a morena não havia notado, quando Quinn abaixou o pote de macarrão e deixou o mesmo sobre o colo, o olhar de Rachel caiu sobre a pele nua. A expressão surpresa e o olhar malicioso de Rachel ainda divertiam a loira.
– Essa não era minha ideia de Ação de Graças. A floresta, estar perdida... – Rachel riu baixo.
– Também não era a minha, mas olha onde estamos. – Sufocou um riso na garganta.
– Acho que sou grata por isso.
– Quero ver você repetir isso no almoço na frente do McKinley. – Quinn provocou.
– Dúvida? Então temos uma aposta. O que eu ganho? – Aceitou a provocação.
– Veremos. – Apoiou o queixo sobre a cabeça morena. – Você tem muito papo para pouco tamanho.
Rachel acertou um soco no antebraço da loira e sorriu. Era verdade.
Imaginava se as pessoas estavam na procura das duas. “Aposto que Santana está maliciando toda essa situação.” Quinn pensava no mundo fora da cabana, um suspiro a fez voltar para dentro do local. Rachel ainda tinha seu cheiro doce de sempre, diferente da loira que cheirava à floresta, ela imaginava como Rachel interpretava esse cheiro. Removeu os braços lentamente de Rachel sentindo o frio, da chuva, preencher o lugar onde estivera o calor dos braços da menor.
– Acho difícil me mover nessa floresta “sem” roupa. – Sorriu.
Rachel assentiu e assistiu Quinn vestindo a blusa das Cheerios. Uma mão branca foi estendida para a morena e ela sorriu concordando com o gesto, agarrou a mão da garota e com muito esforço conseguiu ficar em pé. A loira conduziu a menor até a porta, então a morena cedeu à dor se encostando ao batente da mesma, reclamando novamente da dor. Outro comprimido foi esticado em sua direção, ela pegou e engoliu de qualquer forma, se apoiando novamente na loira. Elas estavam a poucos metros da cabana, Quinn com sua mochila nas costas e Rachel no ombro, realmente difícil de mover naquela floresta, na posição em que se encontravam.
Passos rápidos foram ouvidos por Quinn, mas completamente ignorados por Rachel. Se aproximavam cada vez mais e a loira temia o que pudesse ser, talvez alguma ajuda, ou talvez animais sedentos por sangue – tudo bem, exagero dela –, então ela se recolheu com Rachel até uma árvore e puxou a morena para si como proteção.
Os passos cessaram uma figura latina, uma loira alta, dois garotos morenos de topete foi projetada a metros das meninas, o pulmão de Quinn esvaziou o ar preso.
– Hey, aí estão elas! – Kurt chamou a atenção de todos para as garotas abraçadas.
– Falei que estavam bem, fugiram só para se agarrar longe dos namorados. – Santana cruzou os braços e com um sorriso no rosto balançou a cabeça em negação.
– Claro, porque a Berry deve adorar torcer o pé. – Quinn se desprendeu um pouco da outra. – Sério, me ajudem aqui.
Kurt e Sebastian correram até Rachel e cada um passou o braço por um lado da menina, apoiando-a no ombro.
(...)
– Aí estão as desaparecidas! – Sue cruzou os braços, negando com a cabeça para as garotas.
– Rachel! – Finn foi o primeiro a se pronunciar com a morena, correndo para um forte abraço. Ela grunhiu de dor. – O que foi?
– Ela está machucada, seu animal, ajude-a. – Santana vociferou para o maior. – Santo Dios.
Os olhos de Sam caíram sobre Quinn, examinando cada palmo da pele branca. A loira sentiu raiva por Finn ter sido tão prestativo e o namorado tão hesitante. Era sufocante a ideia de como Rachel era amada e ela não, mas agora, Rachel era sua. Quinn sorriu para isso. Era com saber que no final ela encontrou o que tanto procurava. O amor. Mesmo que no lugar mais irônico e diferente que ela já imaginou.
Não tardou muito até os braços claros e fortes de Evans passar por sua cintura puxando-a para um abraço apertado e gostoso. Antigamente pelo menos era gostoso, ela acreditava.
Sam era um bom rapaz. Quinn não se esquecera de como ele se esforçou para namorá-la, tentava manter as coisas sempre estáveis ente eles, era romântico no tempo certo – às vezes deixava isso pendente –, não era possessivo e várias outras coisas. Mas havia algo que Quinn queria e Sam não poderia dá-la, nunca! Ela não sabia o que era, mas sabia que Rachel podia. Sim, Rachel, a garota a alguns metros dela deitada em um colchão de ar com Finn Hudson ajoelhado ao seu lado perguntando a todo o momento se ela sente dor ou quer algo. De certa forma Quinn o invejava.
“Tudo bem, não fique brava... – Quinn pensava – aproveite esse abraço.”
Quinn foi conduzida até a barraca onde deveria ficar, e no lugar de suas colegas estava Sam, apreensivo com as mãos entre as coxas.
– O que foi? – Cerrou os olhos para o garoto. – Você não deveria estar na outra clareira?
– Como se perdeu? Eu fiquei preocupado. – Se aproximou da loira. Ela sentiu o impulso de bater na mão de Sam que flutuava até seu rosto, segurando seu queixo. – Como a Rachel perdeu vocês? – Os olhos verdes cerrados aprofundaram mais. Era impressão dela ou ele realmente disse a última sentença?
– Sai daqui! – Gritou com o loiro. Ele ficou espantado com a reação e gaguejou algo como “eu achei que...”, mas a loira estava pouco se lixando para ele. – Eu disse para sair!
Quinn não sabe por que, mas teve apenas a chance de observar seus braços se movendo contra o peitoral definido do loiro empurrando-o para fora da barraca. Ele olhava perplexo. Se não fosse o fato deles estarem em uma cabana afastada, todos aqueles que se reuniam envolta da mesa de Ação de Graças, aqueles alunos estariam com a mesma expressão.
– Eu nos perdi! Porque quis fotografar algumas plantas e depois... – ela parou no meio da frase – eu não te devo explicações, agora que não namoramos mais!
(...)
Todos terminavam seu último pedaço de peru de Ação de Graças. Foi realmente estranho ver a Treinadora Sylvester tão legal com todos, mas Santana superou quando um garoto derrubou molho na mesa durante a retirada dos pratos e Sue disparou milhões de palavrões contra ele.
Santana estava sentada na base de uma árvore com os olhos fechados, pensativa. Ela sentia-se mal, nem brigar com a loira de olhos azuis, ou beijar Quinn, nem ir para uma floresta a quase oitenta quilômetros da cidade ajudavam a morena se esquecer de Brittany. Não tendo que estudar na mesma escola que a loira, ser dos mesmos clubes extracurriculares, estar na mesma barraca. Talvez, principalmente, pela loira estar de frente para a morena agora.
– Sant? – Brittany segurou suas mãos.
Pelas íris azuis Santana podia ver praticamente a alma da garota, ela estava aflita pela morena, estava assustada, arrependida e algo que Santana não conseguiu identificar, talvez saudades do gato gordo dela. A latina nunca admitiria, mas no fundo ela invejava o gato. Não importa o que, Britt sempre estará ao lado dele, até mesmo quando ele volta para a gangue e a usar LSD ou uma dessas drogas. Também sentia raiva dele por isso. “Maldito gato! Por que você recebe tanto amor?”
– Oi, Pierce. – Respondeu seca.
Brittany se aproximou de Santana, examinando a expressão séria da garota com uma expressão igualmente séria. No fundo ela ainda estava chateada. Santana preferia se forçar a sair com garotos, fingir gostar deles e renegar a garota que ama a assumir seu amor por uma garota. Era ridículo. A incrível e inabalável Santana Lopez se deixando levar pelo medo do que os outros falarão dela. A loira não conseguia entender isso.
Santana cedeu ao afago de Brittany. Apenas ela podia tocar a alma verdadeira da latina, apenas ela podia convencer Santana a qualquer coisa só com o sussurrar de sua voz.
– Você ainda está brava? – Brittany desceu seus dedos até a boca da latina, tocando-o levemente como as teclas de um piano em uma música suave. Os olhos da menor fecharam em resposta ao toque. – Eu sei que forcei para você. – Santana segurou sua mão, ainda com os olhos fechados. – Mas se é assim que você quer, eu espero o seu tempo.
– Eu não consigo ficar brava com você. Eu tentei, eu juro, mas é impossível! – Santana segurou a mão da maior contra o peito. – Esse idiota aqui dentro do meu peito não deixa.
Brittany sorriu.
(...)
Ar fresco era tudo que Quinn necessitava no momento. Era insuportável ficar na mesma barraca com as outras garotas. Quinn procurou um pequeno barranco próximo e se sentou, observando a lua brilhante. Ela se lembrava da sexta-feira na casa de Rachel, a morena a levou para fora e conversaram escondidas de todos, porém a lua batia nos olhos da morena, sendo refletida pelos mesmos. Sorriu para a lembrança. “Ela estava tão linda. Ela é linda” – Enfatizou o verbo ser no presente.
Um corpo pequeno se aproximava da loira, com passos cansados e leves, seus pés pareciam mal tocar o chão. Rachel não queria assustar Quinn, apenas conversar. Chegou perto da loira e sentou calmamente ao seu lado, soltando o ar preso em seu pulmão. As mãos brancas correram rapidamente em encontro a barra da blusa da morena, puxando para mais perto.
– Você não resiste, não é?
Rachel apoiou a cabeça no peito de Quinn, escutando o coração acelerado. – Durante a noite na cabana, depois da confissão da loira e do beijo, Quinn e ela tiveram uma longa conversa sobre tudo que os sentimentos delas continham. Explicito ou implícito. Tudo. Por fim decidiram nada, pois Rachel dormiu antes mesmo disso. – A morena lembrou-se disso, mas não quis comentar.
– Eu quem provoco isso? – Rachel sorriu.
– Sim. – Respondeu sorrindo.
– Então não, eu não resisto.
– Por que saiu da sua cabana? – Indagou a loira.
– Não aguentei o clima entre Brittany e Santana. Aquelas duas são tão... – Rachel fingiu um grunhido, provocando riso na outra. – Falando sério, eu estava procurando por você. Estava me sentindo só.
A loira fitou uma árvore qualquer, abraçando Rachel cada vez mais forte em forma possessiva, sem razão, mas a morena sorriu para aquilo.
Uma coisa estava engasgada na fina garganta de Quinn, desde o almoço, talvez desde que se beijaram na cabana. Ela finalmente aceitou seus sentimentos por Rachel. Apesar disso a morena, por sua vez, passou o dia grudada nos braços de Finn, o grandalhão desengonçado. “Saco de batatas suado” – Quinn sorriu ao lembrar de como Santana se referiu à Finn na cama. Agradeceu-se mentalmente por nunca ter feito isso com ele. Seu único erro foi ter dito que o amava. Todavia esse erro não fora só dela.
Outra lembrança atingiu a loira: na mesa do almoço, todos falavam sobre o que eram gratos. Quinn citou sua mãe, as Cheerios e mais algumas coisas. Santana agradeceu, estranhamente, à Lima Heights Adjacent, aos loiros – talvez essa fosse uma indireta – e ao seu sangue latino. Brittany agradeceu pelo seu gato e mais alguma coisa que Quinn fez questão de esquecer. Depois dos agradecimentos de um garoto do time de futebol, foi a vez de Finn agradecer, ele disse ser grato por sua namorada e sua nova família, mencionando Kurt. Talvez isso que influenciou os agradecimentos de Rachel.
– Rach, ao que você realmente é grata? – A loira tomou o rosto de Rachel para si, cravando os olhos verdes nas íris castanhas.
– Eu costumava ser grata à Barbra, Broadway, meus pais, minha genética incrível, apesar do nariz, e o Finn. – Tocou os lábios nos rosados da loira. – Depois de ontem eu acho que sou grata por tudo ainda, exceto pela parte do Finn, nessa eu encaixo você. – Sorriu com os lábios roçando nos receptivos da loira.
– Eu gosto do seu nariz. – Riu baixo antes de permitir-se iniciar um beijo com a morena.
Ali, em um lugar longe de todos aqueles que estavam em sua barraca dormindo. Ali onde só existiam elas, a lua e a natureza. Ali onde o mundo ao redor definitivamente desaparecia.
Notas finais
Eu estava sem inspiração para esse. Gastei a minha em algum lugar.
Queria saber se só eu ou vocês também odiaram esse capítulo? Eu não gostei nem de escrever. Sabe a vontade de selecionar tudo e apertar "delete?"
Agora meu relógio do pc marca: 00:59
Aqui ainda é 23:59
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