Aljha Rhara: Return to Zero - Livro 5
5 Who I Am
Segunda – 05:32
A manhã daquela segunda estava fria, mas a noite foi muito pior. Marina tinha 12 anos e desde seus 7, ou seja, desde a ingressão na escola, teve de fazer absolutamente tudo sozinha. Naquele dia, estava sentada no ponto de ônibus, calçando all star pretos, calça branca e a camisa com o logo da escola, uma flor e a inscrição logo abaixo: Fiore Consacrata di Pietà. Era a única escola especializada daquele lugar. Sobre a camisa, havia uma jaqueta pesada branca, com o capuz cheio de pelos cor de creme.
David sabia que ela pegava o ônibus naquele lugar e saiu correndo por perceber que estava alguns momentos atrasado. Chegou perto da garota e ofegante, cumprimentou-a. Mas Marina sequer o olhou.
– Mary. Como está? Mary...
Ele estalou os dedos na frente do rosto dela, e só agora a atenção da menina foi desviada das próprias mãos, para os olhos do rapaz.
– Oi. – Sua voz saiu baixa, rouca, cansada. A garganta deveria estar rasgada e ele sentiu um arrepio ao ouvir. – Estou.
David se abaixou e colocou ambas as mãos nos joelhos dela. Marina, apesar de parecer falar com ele, sequer estava olhando para o rapaz.
– Sua voz está horrível. O que ela te fez desta vez? – Marina negou com a cabeça. – Vamos, me diga. Sabe que pode contar comigo. – E ela continuou calada. – Hoje cedo minha mãe falou sobre uma carta. Uma cartinha que tinha como remetente uma mulher chamada Ilys. Parece que fui convocado para... Meu deus, você está pálida. Comeu algo para vir?
O estômago da garota roncou forte e Marina abraçou-se na altura do abdômen. David ficou atônito. Não podia ser o que ele estava pensando. A mãe dela a privou de comer? Estava tentando matá-la?
– Não come a quanto tempo?
– 3... Dias.
David agiu de forma completamente instintiva. Jogou sua bolsa do lado, vasculhou-a até encontrar um potezinho onde dentro continha um pedaço de bolo. Se comoveu e perdeu as forças das pernas quando Marina devorou o pedaço como se fosse a última coisa que estava fazendo na sua vida. Ele acariciou seus cabelos, puxou a franja para trás e beijou a testa da amiga.
– Marina... Você... Por acaso não quer dormir em minha casa?
– Não posso...
– Minha mãe resolve com a sua.
– Não. Não posso. – Ela abaixou a cabeça. – Minha mãe vai matar a sua...
O ônibus dos dois chegou e a garota cambaleou ao se levantar. Ele sustentou o corpo dela até que ambos subissem no ônibus, e como já era de se esperar, só havia um lugar.
– Senta.
Ela se sentou. David puxou o capuz de sua jaqueta branca, de tecido bem mais fino que o da amiga. Estava com calças jeans azuis claras e tênis de uma marca qualquer. Sua mochila era completa, aliás, ele era o único aluno “normal” que estava frequentando a escola de Marina, e como tal, era o único que levava material que não era cedido pela escola.
– Vai ficar?
– Desculpe?
– Na escola. – Ela ergueu a cabeça. – Por que ficar? Você é um garoto perfeito.
– Você também é. – Ela negou com a cabeça. – Você é sim. Eu prometi para mim mesmo que ia cuidar de você.
– Estou confusa. – Ela passou as mãos nos cabelos. – Ah. Minha mãe também citou de uma carta.
– Você também a recebeu? – Ela concordou. – Eu queria saber do que se trata, na verdade eu estou ansioso pra ir falar com essa tal mulher.
– Eu não vou.
– Por que? Sua mãe disse que não é para você ir? – Ela concordou com a cabeça. – Que mulher ridícula.
Chegaram no ponto, logo na frente da escola. Foram os únicos a descerem, mas como não ser? Crianças com deficiências mentais normalmente eram acompanhadas pelos pais até a porta da escola, onde eram recebidas por rapazes bem afeiçoados que as direcionavam para dentro do prédio, que era uma antiga igreja. Basilica dei Santi Giovanni e Paolo, que foi doada para a organização criada por Kumi e por alguns amigos.
Kumi veio recebê-los – Por nenhum motivo especial, talvez, quem sabe, a carta – E encarou-os no fundo dos olhos.
– Bom dia Marina. David. – E se direcionou ao David, num sussurro. – Espero vocês lá.
Seguiu seu caminho, deixando um moreno em duvida. Ela tinha algo a ver? Será que era ela a mulher citada na carta? Mas seu nome não era Kumi? Será que Ilys era seu verdadeiro nome?
– David. David!
– Perdão!
Ele deu a volta em Marina e forçou-a a subir em suas costas. Agarrando-o pelo pescoço e com ele segurando suas pernas, ela até parecia confortável em ser carregada pelo amigo. Aninhou-se em seus cabelos, sentiu o perfume que... Era único. A menina era muito sensível a cheiros, eles lhe acalmavam ou estressavam. A aula começaria em meia hora.
Segunda – 09:40
O tempo se passava em ritmo normal. E Ilys esperava a resposta das duas cartas que foram mandadas para fora. Naquele dia, a albina estava observando o movimento através da janela mais alta da mansão utilizada como Tribunal de Justiça, vestida com seu terno de saia cinza chumbo. Os cabelos estavam soltos, sem as tranças que costumam aparecer entre os fios. Unk estava na escola de Kumi. E a escola havia recebido ordens de chamá-la de Unk, mesmo que gerasse estranheza nos demais membros. A menina já conseguira resolver 30 quebra cabeças complexos. Ela seria uma ótima detetive quando crescesse e Ilys queria viver para ver isso. No meio de seu devaneio, um barulho chamou sua atenção atrás da mesa.
– Bom dia, Rivel. Você chegou tarde hoje.
– Tive uns problemas com minha esposa, ela está gravida novamente.
– Quantos anos tem seu filho mesmo? – Ilys perguntou, olhando para fora novamente. – Ele tá na escola onde Viktoria foi posta após um dia de internação, não é? Trabalhando por lá.
– A menininha que estava resolvendo quebra cabeças? Ah, sim. Ele é tesoureiro. – Ele disse, pegando as papeladas que levaria para sua sala. – Por que?
– Não, nada. Me pergunto se ele um dia iria controlar o banco, já vimos que ele é ganancioso e que gosta de trabalhar com dinheiro. – Rivel deu de ombros. – Vocês abriram um banco novo, não é? Isso é coisa de delegado?
– Minha esposa abriu. Só estive na inauguração em seu lugar. – Respondeu com a voz tensa.
– Claro que sim. – Ela olhou para ele e sorriu. – Jeffrey é um rapaz muito bonito, sabia? Eu adoraria conhecê-lo pessoalmente.
– Receio que não será possível. – Ele pegou sua mala, colocou os papeis dentro, deu uma ultima olhada na albina e foi se retirando. – Já peguei o que precisava. Vou para sala.
– O que era?
– Assuntos particulares.
– Pessoais?
– Particulares. – E se retirou.
Ilys saltou da onde estava sentada e caminhou lentamente até a mesa que o homem havia pego os papeis. Retirou de dentro de um esconderijo uma câmera que estava colada com fita adesiva, o típico improviso, e ao rever o vídeo duas vezes, encontrou o que queria. Pausou-o em 1:40, onde um dos papeis ficou bem em seu foco. O nome do documento era um caso antigo, já encerrado quando a menina tinha por volta de seus 15 anos: Midnight Project.
– Ahhh, Rivel... – Ela silvou. – Reabrindo casos antigos, é?
Segunda – 10:30
– Meu deus, adoro mistério! – Dianne exclamou enquanto lia a carta. – É para ir sozinho?
Luke deu de ombros, tudo o que ele sabia estava escrito naquela carta. E quando falou com Sumia, a menininha disse que também havia recebido a carta, e que a mãe dela estava envolvida e totalmente ativa nessa brincadeira. Descobriu também que a pequena parecia querer saber se a mãe dele também sabia, e ele, sem entender por que isso era importante, negou com a cabeça.
– Eu receio que terei de ir. – Ele leu a carta uma ultima vez antes de guardá-la. – Vocês viram Cora? Já faz algum tempo que não a vejo.
– Ela não veio contigo hoje? – Stevan disse, enquanto girava seu cigarro nos dedos. – Não a vi esses dias também. Será que aconteceu algo?
– Eu espero que não. – Luke respondeu, tenso. – Eu vou ligar para ela hoje a tarde, para perguntar como está e também para...
Mas não foi preciso. Cora estava ali. E quando Andrew, que por um milagre foi a escola naquele dia, apontou para ela atrás de seu próprio corpo com o polegar, a visão de todos se direcionou a ela de imediato. A menina estava particularmente acabada. Os olhos fundos, os cabelos pareciam bagunçados, apesar deles serem bem curtos, não usava as roupas chamativas como sempre, aliás, estava de calça jeans simples, um pouco larga, e a camisa da escola, era como se ela estivesse sofrendo.
– Meu deus... – Dianne colocou a mão na boca. – O que aconteceu?
Luke nem pensou duas vezes. Quando já viram, ele estava em pé e indo até ela. As mãos da menina estavam frias e ela parecia nervosa, recuando ao toque e desviando o olhar. Ele perguntou-lhe o que havia e viu furos fundos nas costas das suas mãos e braços.
– Cora, me diga. – Luke parecia zangado naquele momento. – O que acontece? O que são esses furos? Está se... Drogando?!
– Não... – A voz saiu trêmula e chorosa. – Não. Não... Luke, eu preciso me mudar de escola. Então... Eu acho que... Você deve ficar livre para amar quem quiser.
– Cora, não fale besteiras. – Ele retirou os fones de ouvido, que mesmo sem tocar música, parecia abafar a voz da menina. – Eu amo você, vamos lá, o que tá acontecendo?
– Eu não posso ficar. – Ela abaixou a cabeça e sacudiu-a negativamente. – Desculpe. Eu não posso falar.
Antes dele falar alguma coisa, ela já tinha se virado e seguido seu caminho. Luke cruzou os braços e mordeu o lábio inferior. O que estava acontecendo ali? Andrew se levantou e caminhou até ele, colocando a mão em seu ombro. Naquele dia, o rapaz, que tinha cabelos castanhos na altura do fim da nuca penteados para trás, usava um óculos de aviador no topo da cabeça, uniforme da escola e jeans preto, combinando com os all stars.
– Eu posso falar com ela se quiser, moramos relativamente perto um do outro.
– Por favor. – Luke disse bem baixo. – Eu vou conversar com Junko. Talvez ela possa me dizer o que está acontecendo.
Mesmo com a aula acontecendo, o loiro a matou. Sabia que aquele horário era vago para a professora Junko e foi até a sala dos professores a encontrar. A mulher estava enchendo uma xicara de café quando ele a encontrou e a mulher deu uma corada quando o viu.
– Ah, o que está fazendo aqui?
– Junko. Eu preciso que você me fale se sabe de algo acontecendo com a Cora.
– Cora? Cora, quem é...? Hm... – Ela desviou o olhar enquanto se sentava e bebia seu café. – Eu não conheço nenhuma Cora.
– Cora. Smart. A minha namorada. – Ele foi seco, cruzando os braços e fechando a expressão. – Sua melhor aluna de dança, Junko.
– Ah, a etezinha. – Ela colocou o copo na mesa, exibindo o braço bom totalmente enfaixado. – Ela anda me visitando muito, mas não conta nada.
– Etezinha? – Ele estreitou os olhos. – E o que aconteceu agora, com seu outro braço?
– Me atrapalhei no supino. – Ela sorriu de volta.
– Você tá com o outro braço quebrado. Por que está fazendo supino?
– Eu sou uma dançarina, tenho que ser atleta.
– Voltando à Cora... – Ele suspirou, irritado. – Etezinha?
– Ela tem uma testinha grande. Além de viver falando em extra terrestres.
Se Luke nunca pensou em bater em alguém, dessa vez foi a primeira. Seus punhos se fecharam e tremeram, e Junko com certeza percebeu isso, olhando com o canto dos olhos para ele. Quando ele disse sobre as feridas circulares e pequenas nos braços da namorada, pode perceber que Junko estava se sentindo desconfortável. Ele deu um meio sorriso, sarcástico, irônico.
– O que você anda fazendo com ela?
– Nada. – Ela deu um ultimo gole, mas se arrepiou quando ele se aproximou. – Eu sou uma professora, por que eu faria algo!?
Luke puxou aquele mesmo punho ferido dela, causando-lhe dor e fazendo a mulher derrubar a xicara, que caiu na mesa e estilhaçou. Olho no olho, a centímetros de distancia, os rostos pareciam prontos para se beijarem. Mas o que veio dele não foi nada doce como um beijo.
– Eu vou destruir tua vida se você for a causadora de tudo isso. Enquanto isso, saiba que minha afinidade e confiança em você já era. – E quando a soltou, a mulher sentiu os olhos molhados. – Passar bem.
– Luke... – Junko se levantou quando ele foi se retirando. – Luke! Luke, meu querido! – Ela correu até a porta da sala, vendo o loiro virar o corredor. – Vocês não... Não se merecem... – Sussurrou, enquanto deslizava até o chão e se sentava ali, suspirando.
Nessa hora, uma loira de cabelos curtos e cacheados mostrou sua presença. Ela estava oculta nas sombras até aquele momento, iria falar com a amiga e ex professora dela dentro da sala de aula quando escutou a voz familiar de Luke. Aquela mulher era Donatella, a prima do loiro, quatro anos mais velha. Havia se formado naquela escola e trabalhava com Junko em aulas de dança para crianças no centro da cidade e em outras escolas.
– Problemas com seus sentimentos pelo meu priminho?
– Dona! – Ela olhou para a loira, que ainda estava oculta nas sombras, mas a reconheceu pelos cachos dourados. – Oh, Dona! Quanto tempo! O que lhe traz aqui?
– A iniciação dele...
– Iniciação?
– Eu vou te contar tudo. Mas lembre-se... – E sua voz se abaixou. – É tudo segredo.
Junko concordou, mas engoliu seco.
Segunda – 14:30
– Donatella, bem vinda! – Lucy sorriu ao ver a garota. – Pode entrar.
Donatella era uma mulher razoavelmente baixa. Como citado antes, tinha cabelos curtos, cacheados e loiros. Tinha seios fartos e coxas bem torneadas. Os lábios eram carnudos e ela tinha olhos verdes e belos, com cilios longos emoldurando. Quando entrou, não procurou por Luke. Estava com um cachecol xadrez vermelho e preto, camisa branca de manga longa e sem gola, calça legging preta, botas pretas até um palmo abaixo dos joelhos. Ela retirou o cachecol e deixou-o em cima da poltrona, depois se esparramou na mesma poltrona.
– Lucy, Lucy. O que sabe sobre a carta de Luke?
– Que carta?
– A carta vermelha metálica de Ilys.
– Que carta? – Lucy apertou os olhos enquanto bebia seu café numa xicara de porcelana. – E quem é Ilys? Esse nome não me é estranho...
Donatella corou ao se lembrar. Existem motivos para que Lucy não se lembrasse de Ilys e de tanta coisa. Ela não podia deixar que Luke soubesse que ela conhecia a historia da pequena carta metalizada.
– Deixe. Cadê Denzel?
– Na cozinha. Está fazendo um bolo.
Donatella foi até a cozinha. Denzel estava, para sua desalegria, conversando com Luke, que sorriu abertamente ao vê-la e foi abraçá-la. A menina reagiu totalmente desanimada ao abraço, coisa que Denzel viu, mas o garoto não. Quando ele soltou, ela abriu o jogo e resolveu perguntar para eles da tal famosa carta. O menino corou e olhou para o pai assustado.
– Eles não... Sabiam!
– Desculpe! – Ela riu ironicamente.
Então, Lucy, Denzel, Luke e Donatella se sentaram em volta da mesa. Começaram a falar sobre as cartas, sobre o que Dona achava a respeito. Sobre terem outras pessoas inclusas, incluindo Sumia e Kouta. Luke vibrou. O que era aquilo? Uma convocação de pessoas que eram, de alguma forma, famosinhas na escola?
– Não. Bom. Eu fui falar com Kumi quando soube a respeito de Sumia, e ela me disse que os escolhidos estão, inconscientemente, envolvidos em algo bem maior que tudo isso.
– O que?
– Lucy não sabe. – Dona suspirou. – E receio que Denzel também não. Mas Lucy não sabe por razões: Perdeu a memória na luta contra Stigma.
– Stigma?
– Ela era sua companheira desde quando pequenininha, e você cresceu com ela, até uma das ultimas guerras internas em Conchita.
Lucy sentiu a cabeça latejar. Sim, ela sabia do que se tratava, só não se lembrava daquilo. Donatella estava se tornando um problema para a familia Cavallaro e Luke resolveu dar um basta. Uma breve discussão seguiu. Dona estava sólida, sem responder as acusações de mentiras. Quando ele perguntou por provas, a menina jogou na mesa uma ficha.
Nessa ficha, tinha dados que Lucy realmente não se lembrava. Ela pegou a ficha com nervosismo, lia e lia, sem absorver os dados ali. Aparentemente 20 anos de sua vida haviam sido esquecidos por ela. 20 anos de algo obscuro.
Aos cinco, foi encontrada pela maga da lua.
Aos sete, se revoltou em relação à execução da mesma maga.
Aos dez, tentou matar Hakushiro.
Aos doze, lutou no Hexagonal e perdeu.
Aos treze, foi encontrada por Ruby e instruída pelos rebeldes.
Aos dezessete, retornara à Conchita e venceu o Hexagonal.
Aos vinte, ajudou a encontrar Hakushiro.
Aos vinte e um, teve sua luta final contra Stigma.
Stigma. Stigma. O que era Stigma? Ela virou a ficha e viu as fotos que ali continha. Medidas (Lucy sempre foi baixa e Stigma era enorme, alcançando fácil os 2 metros), detalhes como ataques registrados pela gigantesca criatura. O único dado que a loira leu em voz alta foi:
“Na tentativa de assassinato, Lucy saiu de seu controle e Stigma contaminou Hakushiro, o que provocou a sua morte em longa data.”
– Ow... – Ela levantou os olhos da folha e encarou Donatella, que estava apoiada com o cotovelo na mesa. – Ow! Como assim “Lucy saiu de controle”?
– Você foi a causa da morte de Hakushiro, que nunca mais conseguiu se salvar da contaminação de Mormia, o liquido azul claro que escorria do seu reator quando a tampa do mesmo explodia.
– Que raios é esse reator? – Lucy tinha raiva e medo em sua voz. – Sério. Eu não estou entendendo.
– Mãe... – Luke olhou para a mais velha, tentando se mostrar muito calmo, mas não estava. – A cicatriz em seu peito... Como a conseguiu?
– Eu... Não sei.
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