Sexta – 12:25

Apesar de toda a confusão das cartas, os garotos tentaram ter uma vida normal. Cora passou a faltar nas aulas e Andrew, que quase nunca ia para a escola, ficou interessado pelo assunto de Luke e passou a frequentar o lugar com mais firmeza.

Na sexta, no entanto, o foco não foi na escola. Luke havia faltado. Estava em casa animando a mãe da forma que podia (se podia), que havia entrado em um estado de choque quase que eterno pelos dados que havia descoberto. Relia a ficha toda manhã, depois ia para a cama com seu marido e tudo o que conseguia fazer era abraçá-lo e chorar. O menino acompanhou a rotina da mãe toda manhã antes de ir para a escola. Depois, decidiu que precisava cuidar das coisas para a viagem até o local de encontro. Ele estava ansioso. Não sabia a melhor forma de se vestir, mas sua mãe também não. Teve que ir atrás então de Sumia e Kumi. Kumi, quando ouviu que Lucy estava tendo um reencontro com as sombras do passado, abriu um largo sorriso. Ambas eram muito amigas na infância, até o incidente com o liquido viscoso: Hakushiro era sua mãe. Sua mãe não de sangue, mas a adotara depois que ficou órfã. Perdê-la foi de longe uma de suas dores mais fortes. Sumia havia mostrado a roupa que sua mãe havia lhe feito para a ocasião e não tinha nada de espetacular: As cores eram, no entanto, todas em escala de branco e amarelo.

— Receio que deva escolher roupas vermelhas, Luke. – Kumi disse, enquanto guardava novamente as vestimentas da filha. – É a cor da carta.

Sexta – 12:33

Era véspera de evento. Naquele dia, a pequena Marina foi solta da gaiola para limpar a casa, e em vez de fazer isso, abriu a sua janela.

Tushi lavava louças nesses momentos, a janela da cozinha ficava um pouco a esquerda da frente daquele prédio gigante. Olhou para fora e se assustou com a imagem que viu. Marina estava caminhando pelas beiras da janela e com cuidado se aproximou de um mastro dourado posto em horizontal, que cravava na parede e se estendia para a frente.

A mulher largou suas louças e correu até o quarto de David onde escancarou a porta e o pegou jogando. Não queria atrapalhar e ficou algum tempo parada ali, mas quando o menino olhou para o reflexo dela na televisão, se virou sobressaltado e esperou uma explicação.

— David. Acho que tua amiga gostaria de lhe fazer um show... E... – Sua voz ficou mais baixa e pesarosa. – Temo ser o último.

Quando ele percebeu aquele tom de Tushitsuji, largou os controles e correu até a janela. Seu queixo caiu de susto e ele debruçou na janela, se apoiando sobre a pia e gritou o nome dela, sem saber ao certo se ela iria ouvir. Aquilo era um suicídio? Não! Mas Mari era do circo da mãe. Pisou no mastro dourado e caminhou lentamente ali, se equilibrando pé na frente de pé. Ela parou na ponta, vendo a cidade lá de cima, como um amontoado de formigas. Um sorriso brotou nos seus lábios. Formigas. Era isso que a sociedade era para ela, e em contrapartida era isso que ela era para sua mãe. Lágrimas escorreram pelos seus olhos. David acompanhou-a tenso e trêmulo. A franja dela estava em um dos olhos? Ela perderia o campo de visão daquela forma. Não...

Marina colocou a ponta de seu pé na esfera redonda e brilhante que estava no fim do mastro. Ela nunca soube ao certo para que ele servia, mas sabia que era firme, ou sabia que ela era leve, já que ele sequer tremulava, e se o fazia, era muito pouco. Se abaixou e cambaleou, e David prendeu a respiração.

— MARINA! – Ele gritou em vão, quase se jogando janela abaixo junto dela. Mas Tushi lhe segurava pelo capuz do casaco que ele usava, caso o menino perdesse o resto de sanidade que lhe restava. – Marina! Por favor! Olha pra cá!

Havia bombeiros lá em baixo? Ela se divertia. Como o mundo era colorido, e como ela era cinzenta e deslocada. Se caísse dali, possivelmente ela ficaria toda avermelhada. Sentiu escorrer pelo seu rosto algo que cheirava forte, mas que cheirava bom, algo um pouco... Algum tipo de droga. Ela estava coberta pelo liquido. A camisola longa e larga, que lhe cobria os braços e as pernas estava encharcada, e sabia que não precisaria de muito esforço para ver seu corpo. Ela desenrolou a corda feita de tecido que carregava consigo. Amarrou-a na cintura, e depois do mastro. Impulsionou seu corpo para frente e se jogou. Nisso, ficou suspensa no ar. Tushi se mostrou ao lado do filho e acariciou seus cabelos. Ela era uma menina espetacular. David saiu da janela e foi até a porta, mas Tushitsuji disse que preferia que ele não fosse. Estava muito cheio lá embaixo, ele poderia ser pisoteado.

— Mas ela é a minha Rose!

— David. – Tushi olhou para a janela e sorriu. – Marina é muito mais forte e esperta do que pensa. Não faça com que se sinta completamente dependente de ti.

E David bateu a porta da casa, frustrado.

Marina foi descendo. Numa distância de 5 metros do chão, ela olhou diretamente para a janela, David estava ali de novo. Ela sorriu, mas não sabia se ele conseguiria ver. A visão dele, no entanto, estava na janela da casa dela, e seu rosto empalideceu quando ela percebeu o que poderia estar acontecendo lá em cima. Foi quando sentiu o mastro vibrar e a loira fechou os olhos.

Como a filha, Pietra também conhecia os truques do equilibro. Saiu da janela, caminhou até o mastro e com mais agilidade que a menina, se colocou ali em cima. Ela se abaixou, enganchou a parte de trás dos joelhos na madeira dourada, e virou-se de ponta cabeça. Seus cabelos caíram lindos para baixo, os cachos fartos e com as pontas esverdeadas balançando com o vento. Levou a mão até a boca e retirou de lá uma faca. Marina não poderia exclamar algo para a mãe, aquilo apenas alimentaria sua sede de sangue. Então... Mari relaxou o corpo e deixou que o destino lhe levasse. Se tornaria colorida, para varear, iria finalmente encerrar o show macabro do circo de tortura da mãe. Pietra aproximou a ponta da faca dos tecidos.

David gritou quando a menina caiu. Tushi desviou o olhar.

O silêncio seguiu a situação. David respirava ofegante, trêmulo, e se recusou a olhar para baixo. Mas quando olhou, a surpresa tomou seus olhos e logo depois Tushi sorriu. Ela se virou e foi até a porta da casa, a abriu e se retirou. Por que? Por que a mãe estava tão animada com a situação? Ele estreitou os olhos. As pessoas se afastavam cada vez mais em um circulo. Tushitsuji parou na frente do próprio prédio. Como iria atravessar aquele movimento?

As mãos fortes, apesar de magras, receberam a menina em plena queda. Ela poderia ter deslocado algum osso das costas com o impacto, mas o anjo se esforçou para dobrar os joelhos e amortecer a queda quando a menininha caiu. O anjo de Marina se chamava Ilys e quando os olhos se encontraram, o coração da menina palpitou. Quão linda era aquela mulher? Ela realmente não parecia humana. As pessoas falavam sobre milagres de Deus, e Mari só conseguia pensar na beleza daqueles olhos azuis.

— Licença.

Ilys ordenou, e as pessoas se afastaram ainda mais. Apesar daquilo, ouviu um silvo vindo de cima e ela olhou, séria. Pietra estava inconformada, e sabe-se lá como, conseguiu fazer com que sua voz ecoasse lá de cima.

— Por que escolheu ela? Eu tenho mais tempo de experiência!

— Não há lugar para coração corrupto em meu time...

— Mas olhe para ela! – Pietra berrava em plenos pulmões. – Não consegue sequer fugir de casa em silêncio!

Ilys fechou os olhos, apertando Mari em seus braços que estava em estado de choque e admiração. Os músculos tensionados, o coração a mil, os cabelos sobre os olhos de forma que ela enxergasse apenas um pouco da beleza albina da mulher. Mas prendeu a respiração quando Ilys contrariou toda a sua calma.

— Não sabia que lixo falava! – Gritou.

Na casa de Tushitsuji, a menina foi limpa e cuidada. Estava sentada sobre a cama de David vestindo apenas uma camiseta dele, que lhe cobria até um pouco das coxas. Ilys cuidava das feridas da menina com cuidado, principalmente a do rosto. Era horrível de ver: a pele havia se soltado da carne e o olho negro não existia mais. Mas Ilys se mostrava sempre muito carinhosa e amistosa, sem comentários desagradáveis.

— Como ela está?

— Queimada. – Ilys respondeu, muito simples e direta.

— Posso ver? – Ele disse, mas desanimou-se quando viu parte dos cabelos loiros sacudindo negativamente, e não esperou no quarto para receber a resposta oficial. – Tá, tá.

Ilys pegou uma porção dos cabelos da loira e cheirou, suspirando. Ela ainda cheirava a gasolina, mesmo com o banho longo. Depois de curá-la, olhou para trás e encontrou Tushitsuji tensa logo ali.

— Olá. – Disse, suavemente. – Supondo que Mari se torne parte de sua guarda, você a deixa participar da reunião de amanhã?

— Eu deixo, mas... Não a machuque mais, por favor. David se importa muito com ela.

Ilys concordou com a cabeça e começou a enfaixar as queimaduras com gaze.

Sexta – 15:00

— Dormiu bem essa noite, Chris?

— Sim. E tu, dormiste?

— Sim. Você parecia um menininho descansando. Quando acordei, o vi de bruços ressonando tão docemente... – Ele olhou para ela com uma expressão zangada. – Não! Você não faz barulho! Não me entenda mal.

Christian havia saído as sete da manhã naquele dia, de acordo com o relógio da cabeceira da cama. Ela dormiu até as dez. Cuidou do apartamento até aquela hora, e agora se arrumava na frente da penteadeira.

Ela, que tanto é citada, é o pronome de Louise. Louise foi muito importante para o desfecho de Conchita. Havia recebido a carta branca. Da janela, a torre Eiffel era vista. E ela via a janela da penteadeira, enquanto alongava seus cachos pesados com uma escova. Loira, alta, magra e de seios medianos, tinha um corpo bem singelo. Os olhos eram azuis e arredondados, ou melhor, o olho a mostra, pois o outro estava coberto com um tapa-olho branco e preto. Naquela hora estava vestindo um vestido de tafetá branco que parecia folgado na cintura. Christian colocou as chaves do apartamento sobre a mesa e encarou-a se arrumando. O vestido parava no fim das coxas. Caminhou até ela, passou as mãos em sua cintura sensualmente e depois fechou o zíper, acentuando o vestido nas curvas.

— Sejas mais cuidadosa.

— Ora. – Ela respondeu, torcendo os lábios.

— Pude ver teu cóccix daqui... Querias que outros também?

— Tá bom, relaxe. – Ela se virou e deu-lhe um longo selinho. – Vamos viajar de noite, viu? – Ele deu de ombros, mas depois se virou para ela, curioso.

— Para onde?

— Para a Itália. – Ela olhou para ele enquanto passava maquiagem. – Ilys me passou um tipo de relatório e quer que eu veja isso com detalhes. Acho que vai ser algo rápido, ela não especificou muito na carta.

— Disse quem?

— Ilys.

Ele respirou fundo. Da onde havia escutado aquele nome? Era de algo antigo. Ele vasculhou suas memórias, uma por uma, até que chegou numa conclusão, finalmente. Foi até a mesa da penteadeira e pegou a carta para rever novamente o nome. A grafia era idêntica, não podia ter erro.

— Ilys. – Ele disse. Christian tinha uma voz bem grave e rouca, com um sotaque totalmente puxado, francês, diferente da menina, que apesar de também ser francesa, não tinha tanta peculiaridade. – Ilys é minha irmã.

— Tá brincando? – Louise se virou para ele, com um sorriso animado. – Que maravilha, ela vai adorar te rever!

Ou não... E ele sabia que esse “não” era mais provável.

Sexta – 18:00

O Japão era um lugar muito gostoso de se estar. Foi com relutância que Cintya carregou seu filho até a Itália. Chegaram as 18 em ponto, e a primeira coisa que ela fez foi ligar para seu marido e avisar que estava tudo bem.

Cintya era chamada de Cristal em Conchita. Seus cabelos eram loiros, até um pouco acinzentado e com um brilho azulado, uma cor realmente estranha. Os olhos eram claros e a menina era alta. O molequinho tinha 4 anos e estava dormindo em seu colo, com uma camiseta de mangas longas azul escuro e calças folgadas cinza chumbo. Levava consigo só uma mala média, pois não sabia como estaria o tempo na Itália, levou em consideração que se fosse passar frio, compraria roupas novas. O menininho se chamava Yuki. Era um garoto muito quieto e calmo, igual ao marido dela. Mas... Naquele momento, Masahiko, o pai do garoto, não estava nada tranquilo.

Ligou pela terceira vez. Ela atendeu e pela terceira vez disse que estava tudo bem. Demorou uma hora para achar seu hotel. Mais uma para se instalar no quarto. Em meia hora além disso, o menino já estava dormindo. Cintya pegou no sono ao ler alguns relatórios da agência imobiliária que trabalhava como secretária.

Sexta – 22:20

— Não precisava enrolar tanto! Era uma viagem simples, moramos no mesmo continente!

Christian nada respondeu. Estava tenso e desconfortável com a terra nova que ele talvez já tivesse conhecido, ou quem sabe foi seu pai que o levou quando bem pequeno. A ideia de que veria sua irmã lhe desconfortava fortemente. Talvez não precisasse vê-la, ele pensou. Talvez, se ele sumisse... Mas Louise era uma joia rara em sua coroa, e não queria se desprender dela, deixá-la a mercê de bêbados por aí.

Louise, de acordo com suas contas, era um ano mais nova que Ilys. Mas deveria ser da mesma altura ou um pouco mais alta. A última imagem que Christian tinha da irmã era de quando a menina tinha apenas 10 anos, antes de Hakushiro morrer, a última visita de seu pai a ela, que gerou um desconforto muito grande em toda a família, com exceção de Ilys que aceitou o pai como um anjo da guarda. Depois nunca mais ouviu falar da pequena. Como ela estava?

Diferente de Cintya, Louise tinha onde dormir. Foi recebida por Alisson, a antiga Perpétua da esperança de Conchita, mãe também de Lucy. Alisson foi a mulher que gerou Louise, mas não a chamava de mãe, assim como ela não chamava a loira de filha. Apesar de tudo, foi recebida com muito amor e carinho, e quando chegou na casa, saiu de lá uma outra mulher que Louise conhecia muito bem: Annie, a Perpétua do tempo, ou pelo menos era, com uma barriga enorme de quinto mês de gravidez, que marcou muito bem a blusa de lã marrom. Quando passou por Christian, ambos se olharam: Ele se sentiu repelido pelo poder adormecido dela, e ela se sentiu pressionada pelo poder esmagador dele. Ambos com o mesmo atributo, ambos contendo a habilidade do tempo.

A noite seria longa. E o dia seguinte, se bem conhecia Louise, seria de gastos e mais gastos. Só depois a reunião aconteceria. Onde Christian iria naquela hora?

O rapaz olhou para o espelho colossal na frente da cama que foi cedida ao casal. Seus cabelos negros eram repicados e batiam na altura da orelha. A pele era cristalina e os olhos eram verdes, verdes como os de Viktoria, que ele não conhecia, mas que talvez despertasse a sua atenção. Tinha ombros largos, abdômen e peitoral definido. Sua coxa era grossa, mas os músculos marcavam sutilmente a pele. A calça era justa e marcava muito bem as curvas. A camisa era verde, estava sem seu sobretudo, exibindo os ombros fortes. No pescoço havia uma joia verde. Ilys a reconheceria? Aquilo era algo que pensaria de manhã. Agora, ele estava ocupado demais observando a namorada dormir como um anjo.

Sábado – 04:10

David tinha sono leve devido a tanta agitação. Seus sonhos normalmente eram inquietos, o que fazia o garoto girar na cama várias e várias vezes. Naquela noite nem estava tanto assim. Quando ele girou para um dos lados, sentiu o lado da garota vazio e despertou. Marina estava na janela do quarto, observando, com ela aberta. Era uma noite sem vento então seus cabelos sequer mexiam. O rapaz se levantou silenciosamente e analisou a atitude da amiga, que estava atenta aos ruídos da rua. Ela estreitou os olhos em direção da janela de brilho amarelo do grande prédio e se incomodou com os ruídos.

Eram pratos e mais pratos estilhaçando no chão. Luzes se acenderam ao redor do apartamento e mais ruídos juntaram-se aos primeiros. Marina tombou a cabeça para um dos lados. Desceu a vista para o chão e encontrou ali uma ambulância. Tencionou os músculos e encontrou uma figura que roubou-lhe o sorriso.

— Papai! – Ela disse, despertando David de seu transe hipnótico que acabou entrando ao observar a figura feminina só de camisa ali. – Papai! – Agora ela gritava para o lado de fora.

Se ele ia ouvir ou não, ela não sabia. Mas o rapaz se virou para aquele outro prédio e subiu os olhos para a janela, onde viu a menina acenando feito uma louca. Ele acenou de volta, acendeu um cigarro e colocou-o na boca. Abraham era seu nome. Deveria ter quase 40 anos, era alto, se vestia de terno e carregava consigo uma mala gigantesca. Tinha cabelos longos e castanhos, não dava para ver se tinha barba. Seus olhos, como Marina se lembrava, eram castanhos claros, cor de mel. Quando Pietra apareceu sendo puxada por dois enfermeiros fortes e potentes, ele a acompanhou com o olhar. Isso durou pelo menos 30 minutos. Ela escandalizava na rua, gritava para ele, pedia perdão e dizia que melhoraria. O homem se virou e entrou no prédio. A mulher foi posta dentro da ambulância e foi silenciada.

— Mamãe! – Marina gritou, tensa. – Não! Não façam mal a ela! – E o silêncio da noite ampliou sua voz.

Dentro da ambulância dava para se escutar as batidas que Pietra fazia para tentar escapar em vão, e aquilo deixou a menina ainda mais desesperada. David, que não podia fazer nada a respeito, tampou a boca dela e puxou-a para dentro, depois puxou-a para a cama e colocou-a sobre seu colo, agarrando-a pelo abdômen e encostando a testa em suas costas. Marina não sabia o que mais lhe machucava. A dor das queimaduras, ou a dor dos gritos de sua mãe. O que o amor incondicional não fazia com uma criança?

Marina não demorou para voltar a dormir, mas dormiu em meio aos seus soluços de um choro que nunca cessava. David desmaiou de cansaço logo após, segurando a mão ainda boa da loira.