Alive
3 Someone to Talk
Notas iniciais
— Aqui está – Chloe estendeu para Lilly um copo com água e açúcar – Vai te ajudar a se acalmar.
Olhando para a amiga, Lilly pegou o copo sem hesitar. Ela bebeu aquele liquido doce como lhe foi instruído, no entanto, duvidava que aquilo pudesse causar qualquer efeito, ainda mais positivo, no seu estado de espírito.
— Obrigada – Lilly agradeceu e colocou o copo vazio sobre a mesa.
Lilly, Chloe e Violet estavam sentadas – na verdade Lilly estava sentada e as duas amigas em pé ao seu redor – na mesa mais isolada do refeitório. Mas mesmo estando distante de todos, Lilly ainda podia ouvir os diversos cochichos que continham tanto seu nome quanto o da sua irmã.
Uma figura alta e com os cabelos castanhos nem tão claros, nem tão escuros, se aproximou da mesa e Lilly logo reconheceu Mike.
— E ai? – perguntou Violet ao garoto.
Violet sempre foi a mais chamativa das amigas. Ela tinha os cabelos castanhos levemente encaracolados, e os olhos azuis pareciam estar sempre analisando, desconfiados de algo. Só havia uma coisa que Violet não gostava em si, ela era baixa. E para compensar essa característica ela usava o que Lilly chamava de sua marca registrada: saltos altos. Mesmo agora na escola, o que Lilly achava se não esquisito, um tanto incomum, ela estava usando um par de sandálias lilás de tiras.
Lilly levantou ligeiramente os olhos atenta ao que ele iria dizer.
— O diretor expulsou todo mundo de lá e cercou o local com uma fita que, sinceramente, deixou o lugar com cara de cena de crime – ele deu um pequeno sorriso pela própria piada e foi repreendido com um soco de Violet no ombro – Ai, certo. – ele passou a mão no ombro.
— E quanto a quem fez aquilo? – perguntou Chloe.
— Tudo o que ele disse, ou gritou na verdade, é que o culpado ia sofrer sérias consequências.
Nesse momento, todos os olhares se voltaram para Lilly, que sem saber como reagir, apenas continuou a encará-los.
— Não se preocupe, eu sei que eles vão descobrir quem foi. – Chloe passou a mão pelo ombro de Lilly em apoio.
Mas Lilly não estava preocupada, tudo o que ela sentia no momento era raiva e uma vontade esmagadora de punir o culpado. Em seu colo, ela fechou as mãos em punhos e as apertou fortemente.
— O que é isso? – Violet perguntou apontando para os seus pulsos.
Só então Lilly notou pequenas marcas vermelhas surgindo na pele clara do seu pulso. Marcas justamente no lugar onde Luke havia apertado anteriormente.
— Não foi nada – ela puxou as mangas do casaco para tampar as marcas.
Lilly poderia ter contado que as marcas eram culpa de Luke, no entanto ela não o fez. Mas ela havia guardado o segredo, não para proteger o garoto da fúria das amigas, e sim pela vergonha de ter que contar todo o ocorrido.
Violet a olhou com os olhos semicerrados, entretanto, talvez pela presença de Mike ali, não forçou nenhuma outra resposta.
— Olha, eu já sei o que nós vamos fazer – Mike quebrou o silencio.
Três pares de olhos curiosos migraram para o garoto que agora esboçava um pequeno sorriso no rosto.
— Lilly, você está com a cabeça muito cheia – continuou o garoto – Você precisa de um pouco de distração.
— E o que você sugere? – perguntou Violet.
— Bem, nós do terceiro ano estamos combinando de ir a um pub amanhã...
— Mike – Chloe o repreendeu imediatamente. – Não.
— Por que não, Chloe? – replicou Violet – Eu concordo com ele, a Lilly precisa se distrair.
Chloe estava prestes a responder quando uma risada de escárnio foi ouvida.
— Primeiro, – começou Lilly irritada – parem de falar de mim na terceira pessoa, eu estou bem aqui. Segundo, quem é que vai a um pub em uma terça-feira? E Terceiro, Mike, o que você tem na cabeça? É obvio que eu não vou. Eu acho que às vezes vocês se esquecem de que tudo isso começou por causa de uma festa.
Lilly bufou e se levantou, ela balançou a cabeça aborrecida e virou-se para Chloe.
— Eu não posso ver a minha mãe nesse estado. Então, eu posso ir para a sua casa depois da aula?
Chloe acenou afirmativamente e logo Lilly estava com o celular na orelha tentando falar com sua mãe. O celular tocou varias vezes e, interiormente, Lilly pedia que sua mãe não atendesse. Seria muito mais fácil deixar uma mensagem.
— Alô? – a voz de sua mãe soou do outro lado da linha
— Mãe...
— Filha está tudo bem?
— Sim – Lilly respondeu prontamente, talvez um pouco rápido demais, com a voz mais animada que conseguiu – Eu só estou ligando para avisar que hoje eu vou almoçar na Chloe.
— Você não vai para casa?
— Não, eu vou para lá porque eu preciso... espairecer – Lilly cruzou os dedos para que sua mãe se contentasse e não fizesse novas perguntas. Como Chloe havia dito anteriormente, ela nunca foi uma boa mentirosa.
— Certo – sua mãe respondeu – E a sua consulta?
Lilly havia esquecido completamente que havia marcado seu horário na psicóloga hoje. Ela xingou mentalmente a Dr. Lawday que nada tinha a ver com o assunto.
— Não se preocupe. Eu vou para a psicóloga direto da casa da Chloe.
— Tudo bem, então. Até mais tarde.
— Tchau.
Lilly desligou o celular e encarou as amigas justamente no momento em que o sinal do fim do intervalo havia tocado.
— Cadê o Mike? – Lilly perguntou notando a falta do garoto.
— Ele saiu quando você foi falar com a sua mãe – respondeu Violet – Sinceramente, acho que ele não gostou do modo como você falou com ele.
— Sinceramente, no momento, eu não me importo, Vi.
— Tudo bem, mas ele só estava querendo ajudar – continuo Violet – E eu até concordo com ele.
— Vi, por favor, eu não quero falar sobre isso agora – Lilly disse e com um suspiro voltou-se para a outra amiga – Chloe, nós temos aula de história juntas agora, então, vamos?
Lilly não queria que Violet ficasse chateada com ela, entretanto ela sabia que mais umas poucas palavras, da amiga ou de quem quer que fosse, seriam o suficiente para que a dor de cabeça que a atingia frequentemente voltasse. Então, puxando Chloe pelo braço, ela partiu em direção ao corredor.
Chegando à sala de aula o Sr. Drew, um homem alto, porém razoavelmente gordo, e grisalho, já esperava para o inicio da aula sentado em sua mesa. Lilly sempre havia gostado das aulas de história, era uma de suas matérias favoritas. E o professor, ao contrario do que muitos pensavam, se parecia em sua opinião com um avô que de tudo sabe um pouco.
Lilly sentou-se em seu lugar, a segunda fileira próxima a janela, e observou Chloe sentada praticamente no outro extremo. Afinal, nenhum professor, por mais que gostasse das duas, era louco o suficiente para deixá-las próximas. Lilly, então, sem alternativa a não ser assistir a aula, virou-se para frente e começou a ouvir as explicações do professor.
Às três horas seguintes passaram como três séculos. E no final de todas as aulas, a uma hora, Lilly não pode evitar soltar um suspiro de alivio. Cada minuto que passava ali era um a mais que os seus pensamentos vagavam para um lugar indesejado. Por fim, ela pegou sua bolsa e seguiu Chloe para sair da escola.
Ao passarem pelo corredor do memorial, Lilly não pode evitar virar a cabeça. A pichação ainda estava lá, em letras grandes e chamativas. Mas o que realmente chamou sua atenção foi à presença do garoto loiro ali. E, mesmo de costas, Lilly pode ver que se tratava de Luke. Ela, no entanto, não fez nada, não o chamou e muito menos foi até ele. Ela somente o observou por alguns segundos, deixando que ele tivesse seu momento a sós, e em seguida correu na direção de Chloe que já a esperava na entrada.
O caminho para a casa da amiga foi rápido e curto. Ambas moravam razoavelmente perto uma da outra, apenas duas ruas de distancia a separavam. E Lilly poderia fazer o percurso de uma casa para a outra de olhos fechados de tão comum que aquilo havia se tornado.
Ambas eram amigas desde que Lilly podia se lembrar. Chloe sempre estivera com ela, desde o primeiro dia de escola até a primeira paixão. Os pais dela, Mary e Timothy, sempre a trataram como uma sobrinha, assim como Lilly sempre os considerou igualmente. E, principalmente, Lilly nunca se esqueceria de que quando seu pai fugiu e sua mãe afundou na depressão a casa de Chloe foi o seu refugio.
Quando elas chegaram à casa azul da esquina com um pequeno gramado na frente, Lilly notou que o carro não estava na garagem o que significava, para sua sorte, que estavam sozinhas. Elas entraram na casa e logo da sala Lilly sentiu o cheiro de comida que outrora poderia ter sido delicioso, mas agora em nada afetava seu apetite.
Na cozinha, Chloe pegou um bilhete sobre a mesa.
— Minha mãe foi no banco – ela explicou.
Ela foi até o forno, abri-o e tirou de lá uma grande travessa de lasanha que ainda estava tão quente que Lilly podia ver o vapor pelo ar. Chloe pegou também uma panela de arroz e colocou sobre a mesa, assim copo pratos talheres, copos, e uma jarra de suco que Lilly imaginava ser de laranja.
— Sirva-se a vontade – Chloe abriu os brancos em um gesto teatral arrancando de Lilly um singelo sorriso.
Mesmo com o estômago revirando a garota pegou um prato e serviu-se de uma colher de arroz e um pedaço de lasanha bem menor do que a palma de sua mão. E, silenciosamente, ela começou a comer. Ano entanto, a cada vez que ela levava uma pequena garfada de comida à boca ela podia sentir o olhar da amiga sobre si.
— Então, – Chloe quebrou o silencio que já estava se estava se tornando incomodo – se a minha mãe chegar a tempo, ela pode te levar na psicóloga.
Lilly nem levantou os olhos da mesa para responder.
— Não precisa. Eu não vou.
Lilly levou a última garfada a boca e agradeceu mentalmente, pois seu estomago já estava começando a revirar.
— Como assim você não vai? Mas você falou para a sua mãe...
— Chloe – Lilly interrompeu a amiga – Eu não quero e não preciso conversar com uma mulher que não sabe nada sobre mim e ainda sim acha que pode resolver todos os meus problemas.
— Mas você sabe que precisa conversar com alguém, não sabe? – Lilly olhou para Chloe e por um segundo, pelas palavras ditas, ela pode ver o reflexo da Dr. Lawday na amiga. E Lilly não sabia por que todos insistiam em lhe dizer a mesma coisa. Ela se sentiu como lendo um livro de auto-ajuda, no qual em cada pagina havia uma opinião de uma pessoa diferente para melhorar a sua vida. E, a seu ver, aquilo já estava se tornando muito irritante.
— Para isso eu tenho você e a Vi. – ela respondeu rezando para que Chloe se contentasse.
— Mas você não está conversando com a gente.
Nesse momento Lilly se sentiu como uma criança que faz algo errado. Agora só faltava que Chloe a mandasse virar para a parede e pensar no que ela havia feito.
— Eu só... eu só preciso de um pouco de tempo.
Lilly levantou-se e levou o seu prato e copo para a lava-louça, e quando ela voltou-se para Chloe a amiga encarava atentamente o seu antebraço descoberto.
— Olha, eu sei que você não quer falar sobre algumas coisa, mas você pode pelo menos me dizer quem fez isso no seu pulso?
Lilly não tendo como nem porque negar, somente soltou um suspiro.
— Foi o Luke.
Ela encostou-se na pia esperando a enxurrada de perguntas que viria a partir da sua afirmação.
— Luke Harris? Ele te bateu? – o olhar no rosto de Chloe em uma segundo estava perplexo e no outro com uma chama assassina. E Lilly não pode deixar de rir da reação da amiga.
— Não – Lilly esboçou um sorriso – Na verdade, foi o contrario.
— Você bateu nele? — os olhos de Chloe se arregalaram ainda mais e Lilly não sabia se ficava ofendida ou não com o tom de voz da amiga.
— Depois que eu vi... aquilo, – Lilly não conseguia dizer memorial sem que seus olhos lacrimejassem com a lembrança – eu sai correndo e entrei em uma sala. Ele estava lá e eu parti para cima dele pensando que era sua culpa – as bochechas de Lilly coraram com a última parte – Tudo o que ele fez foi me segurar.
— Por que você pensou que era culpa dele?
— Eu não sei, Chloe. Eu estava fora de mim. – Lilly continuou – E você sabe como ele é...
Sim, Chloe sabia. Na verdade, toda a escola sabia que Luke não era e nem nunca foi um cara certinho. Ele bebia, brigava e pegava várias garotas, e ainda sim era um dos garotos mais populares do colégio. E isso fazia com que Lilly odiasse como a hierarquia adolescente funcionava.
— Tudo bem, mas, sinceramente, – Chloe soltou uma risada – eu não consigo te imaginar batendo em ninguém.
— Nem eu conseguia até hoje – Lilly sorriu.
O barulho da porta da frente se abrindo e em seguida sendo fechada foi ouvido e logo a figura animada de Mary entrou na cozinha.
— Lilly, eu pensei mesmo ter ouvido a sua voz – a pequena mulher de cabelo castanho avermelhado foi até Lilly e a cumprimentou com um abraço – Como você está, querida? E a sua mãe?
Novamente as perguntas foram respondidas com um “nós estamos bem”. Aquela resposta já estava se tornando, além de automática, quase natural para Lilly e ela imaginava que logo conseguiria passar aquilo como uma verdade.
As três se se sentaram à mesa e mantiveram um conversa constante por algum tempo. Elas falavam basicamente de banalidades como o clima, as novas tendências de moda ou alguma fofoca da vizinhança, e Lilly notou que Mary fazia todo o possível para deixar a conversa leve e totalmente fora de qualquer coisa que incluísse a sua irmã. E com isso Lilly soube que se precisasse poderia fazer novamente daquela casa o seu refugio.
Lilly, pela primeira vez em muito tempo, mal notou as horas passarem. E quando ela olhou para o relógio na parede se surpreendeu por ver que já se passavam das três horas da tarde. E como já havia passado o horário da sua consulta ela agora poderia voltar para casa e manter a sua farsa intacta.
— Você quer que eu te dê uma carona? – perguntou Mary gentilmente.
— Mary, eu moro aqui perto, não precisa se incomodar.
Lilly se despediu de ambas e, pegando a sua bolsa no encosta da cadeira, saiu da casa. Na rua o clima, obviamente, estava mais frio. E a brisa gelada que batia contra o corpo de Lilly fez com que ela se abraçasse durante todo o caminho, já que o fino casaco que usava não era o suficiente para aquecê-la. Ela andou pelas ruas sem presa alguma de chegar ao seu destino. Em sua casa não haveria muito que ser feito, de qualquer maneira.
Ao virar a rua da sua casa, ela automaticamente estagnou na esquina. A poucos metros diante de si, estirado sobre o gramado da sua casa, estava o corpo de uma pessoa. O primeiro pensamento de Lilly foi que ela estava alucinando, o que era bem possível, na verdade. Mas aproximando-se, cuidadosamente, um pouco mais ela constatou que havia realmente alguém ali. E não era somente alguém, era Glenn, um menino que morava poucas casas de distancia de si.
Lilly agachou-se contra o garoto e tentou acordá-lo. Os cabelos platinados de Glenn estavam sujos e despenteados, o garoto estava com dois piercings no rosto que Lilly podia jurar que eram novos, um na boca e o outro na sobrancelha. As roupas dele estavam rasgadas em alguns lugares e Lilly se perguntou por onde ele havia se metido.
Glenn, Lilly e Laurie foram amigos quando crianças. O menino era o mais velho dos três, mas ainda sim eles tinham quase a mesma idade. A amizade deles, no entanto, durou somente até a adolescência do garoto quando ele começou a se rebelar. Primeiro vieram as bebidas, e depois as drogas. E Lilly lembrava-se claramente do período em que os pais de Glenn ficavam desesperados pelas fugas do filho. No inicio, Lilly sentiu medo dele, mudava seu caminho na rua para não ter que passar por ele e, em hipótese alguma, ia a sua casa. Foi Laurie que a convenceu a mudar de atitude afirmando que não era porque ele estava se drogando que isso fazia dele uma pessoa perigosa. E, no fim, Laurie estava certa e agora tudo o que Lilly sentia pelo garoto era pena.
— Glenn – Lilly chamou mais alto dessa vez.
O garoto resmungou e com muito custo virou o seu rosto na direção de Lilly. Ele abriu os olhos e ela pode ver como eles estavam vermelhos. Pelo seu estado ele já deveria estar naquela calçada há algum tempo, e Lilly não conseguia imaginar como em plena tarde ninguém reparou em Glenn naquele estado.
— Vem, vamos – ela deu um apoio para que Glenn pudesse se levantar – Eu vou te levar para casa.
Com muita dificuldade Glenn se pós de pé. Lilly passou o braço dele por seu ombro e, sustentando boa parte do seu corpo, começou a guiá-lo ao outro lado da rua, para a sua casa.
Era um trajeto curto até a casa de Glenn, não deviam ser mais de dez metros, no entanto, Lilly nunca pensou que pudesse ser tão difícil. Glenn era alto, então, praticamente se debruçava sobre ela. E, completamente alienado ao que se passava, ele andava praticamente se arrastando. E o cheiro podre que vinha dele enchia seu nariz, fazendo-a ponderar há quantos dias ele não devia tomar banho.
Os últimos passos foram para Lilly um alivio imensurável. Ela bateu na porta da casa e pouco tempo depois foi atendida. Patrícia, a irmã mais velha de Glenn, ao por os olhos na cena prontamente foi ajudar. Ela tomou o lugar de Lilly como apoio e levou-o para dentro de casa, retornando algum tempo depois.
— Obrigada – a mulher agradeceu e Lilly não pode deixar de notar seus olhos lacrimejados e ao mesmo tempo em que ali pode ver tristeza, também viu alegria. E ela não podia imaginar em como era viver sem saber se o irmão algum dia voltaria para casa ou não. Bem, mas pelo menos Patrícia ainda podia cultivar esperanças, enquanto Lilly nem isso possuía mais.
Acenando em agradecimento, Patrícia fechou a porta dando a Lilly a deixa para seguir seu caminho. Ela atravessou a rua e em poucos segundos alcançou o quintal da sua casa. Ela pegou a chave na bolsa para destrancar a porta e se viu surpresa ao perceber que esta já estava aberta. E, entrando em casa, não demorou mais do que dez passos para que sua explicação viesse.
Sentada no sofá estava sua mãe. Sarah tinha a cabeça apoiada nas mãos e por isso Lilly não pode ver sua expressão.
— Mãe, o que está fazendo em casa essa hora? – Lilly perguntou colocando sua mesa sob o balcão que separava a cozinha da sala – Eu pensei que você estava trabalhando.
— Eu estava, mas pedi para ser dispensada por hoje.
— Por quê?
E assim que a mulher levantou o rosto, Lilly se viu encarando os orbes castanhos repletos de insegurança e medo.
— O Delegado Carter ligou. Ele quer conversar conosco amanhã.
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